Quando Marília sugeriu chamar a polícia, a reação de Dália e Gabriel foi fascinante.Dália desviou o olhar.Gabriel, por outro lado, explodiu de raiva.— Marília, você acha que não tenho coragem de chamar a polícia por sua causa?!"Não, Gabriel. Eu sei que você teria coragem. Mas sua preciosa Dália jamais permitiria isso."Porque, no fundo, ela sabia.Sabia que seus joguinhos funcionavam com Gabriel, mas não com a polícia.Se investigassem e descobrissem que o pó de amendoim foi jogado por ela mesma… seria uma situação bem desconfortável, não acha?E foi exatamente o que aconteceu.No instante seguinte, Dália interveio, sua voz suave e persuasiva.— Gabi, não faça isso. Marília ainda é sua esposa… você não pode colocá-la na cadeia por minha causa.Seu olhar era puro, angelical.— Além disso, eu estou bem.Suspirou e acrescentou num tom calculado:— E mesmo que não fosse por ela, pense na família Macedo. Se a esposa do herdeiro for presa, imagine o impacto para os acionistas… Grupo Mace
Marília passou um dia e uma noite inteira deitada, o corpo exausto.Mas hoje… era o dia da sua partida.Às sete da noite, seu voo partiria.E uma vez dentro daquele avião, nunca mais voltaria.Assim que os primeiros raios de sol iluminaram o céu, ela se levantou.Organizou suas coisas e doou tudo para um orfanato.Entre os itens doados estavam todos os presentes que Gabriel já lhe dera: roupas, bolsas, joias…Até mesmo a aliança de casamento.Os itens valiosos foram enviados para caridade.Os sem valor… ela queimou.Se iria recomeçar, faria isso da maneira correta.Limpa. Sem rastros. Sem lembranças.Quando terminou, já era tarde.Ela olhou o celular. Três da tarde.Faltavam apenas quatro horas para sua liberdade.Estava prestes a trocar de roupa e sair, quando Clarisse apareceu em seu caminho.— Onde pensa que vai? — Clarisse bufou. — Anda, venha comigo. Vamos arrumar você.— Arrumar? — Marília franziu a testa. — Para quê?Clarisse revirou os olhos.— Para de fingir. Hoje é seu aniver
Gabriel entrou no salão segurando um imenso buquê de rosas.— Clarisse, por que está sozinha? Onde está a Marília?Ele franziu a testa, confuso.— Eu pedi para você levá-la para trocar de vestido.Clarisse desviou o olhar, hesitante.Mas, como sempre, sua boca foi mais rápida que seu juízo.— Ela foi embora! — disse, forçando desdém na voz. — Está magoada porque você só dá atenção à Dália, então resolveu fugir do casamento.Gabriel estreitou os olhos.— Fugir?Uma sombra de descrença cruzou seu rosto.— Isso não pode ser verdade.Ele conhecia Marília.Ela era mansa. Sempre foi.Nunca discordava dele, nunca questionava nada.Mesmo quando ele exagerava, ela apenas abaixava a cabeça e aceitava tudo.Até dois dias atrás, quando ele forçou aquele remédio goela abaixo.Naquela noite, chegou a pensar que talvez tivesse exagerado.Mas seu orgulho não permitiu que voltasse atrás.Então, decidiu compensá-la de outra maneira.Um casamento.A chance de apagar os erros e recomeçar.— Ela nunca fari
Dália estava à beira do colapso.Seus olhos estavam arregalados, a respiração irregular.Mas Gabriel apenas sorriu.Frio e cruel.O olhar dele não era de amor.Era de vingança.— Ainda não percebeu?Sua voz carregava um escárnio cortante.— Eu fiz tudo isso apenas para me vingar de você.Silêncio.O mundo de Dália desmoronou.— Eu te amava, Dália. — A voz de Gabriel ficou grave, carregada de rancor. — Te amava tanto que teria feito qualquer coisa por você.Ele cerrou os punhos.— E o que você fez?Seu olhar se tornou perigoso.— Você me largou.Por um europeu inútil.— Me bloqueou de todas as formas.Seus olhos arderam com um ódio que não poderia mais ser contido.— Você sabe como foram aqueles dias para mim?— Sabe a dor que eu senti?Não, Dália não sabia.Mas agora ela sentia na própria pele.— Desde aquele dia, eu fiz uma promessa.Gabriel deu um passo à frente.Cada palavra dele era como um veneno sendo despejado em seu coração.— Prometi que um dia você sofreria em dobro o que me
Gabriel nunca contou seu plano de vingança para Clarisse.Apenas ordenou que, pela manhã, levasse Dália para experimentar um vestido de noiva. E à tarde, fizesse o mesmo com Marília.Clarisse, por conta própria, tirou suas próprias conclusões.Acreditou que o papo de "aniversário de casamento" e "cerimônia especial para Marília" era puro teatro.Seu irmão, obviamente, planejava pedir Dália em casamento.Por isso, desde cedo, ligou apressado, garantindo que Dália escolhesse um vestido digno da ocasião.Marília, por outro lado…Devia estar no centro de uma humilhação pública.Assim, Clarisse se adiantou.Mandou preparar um balde de água gelada sobre a porta do salão.Quando Marília entrasse, seria ridicularizada diante de todos.E a troca dos vestidos?Mais um erro dela.Ao ver que o vestido de Marília era claramente mais luxuoso, pensou que a loja havia confundido os pedidos.Indignada, foi tirar satisfação.— Como ousam trocar os vestidos?! — esbravejou para o dono da loja. — Querem qu
Gabriel estava furioso.Lançou um olhar assassino para Clarisse.— Vou lidar com você depois que encontrar a Marília!Sem perder tempo, pegou o celular e discou o número dela.Ele tinha certeza de que ela atenderia.Bastava algumas palavras bem escolhidas, um pouco de paciência…E, como sempre, ela voltaria para ele.Mansa. Submissa.Mas, para sua surpresa, as ligações não foram atendidas.Tentou de novo.Nada.A cada chamada ignorada, sua expressão se fechava ainda mais.— O que está acontecendo? Marília nunca ignora minhas ligações.Franziu a testa.Talvez… ela estivesse sem o celular.Vestindo um vestido de noiva, dificilmente carregaria o celular.Só podia ser isso.Não era possível que estivesse deliberadamente o ignorando.Até agora, Gabriel não acreditava que poderia perder Marília.Para ele, ela sempre esteve ali. Sempre estaria.Como um animal de estimação fiel e obediente, que nunca abandona o dono.Não importava o quanto fosse negligenciada, humilhada ou ferida…Ainda assim,
Depois de enviar a última mensagem cheia de ameaça, Gabriel achou que tudo estava resolvido.Marília o amava.Assim que visse a mensagem, certamente voltaria correndo.Chegaria ao salão com os olhos vermelhos, a cabeça baixa, a voz trêmula…Como sempre. Imploraria seu perdão.Só de imaginar a cena, Gabriel relaxou.Não precisava mais procurá-la.Deixou os outros procurando e voltou tranquilamente para o salão.Lá dentro, só havia uma pessoa.Dália.Ela ainda não tinha ido embora.Gabriel riu com desprezo.— Ainda está aqui? O que foi, quer assistir ao meu casamento com Marília?O que ele não esperava era que, ao ouvir isso, Dália começasse a rir.As lágrimas escorriam de seus olhos enquanto ria com verdadeira loucura.— HAHAHAHAHAHAHA, Gabriel… você realmente acha que Marília vai voltar?Gabriel sorriu, confiante.— Claro que vai.Cruzou os braços.— Marília me ama mais do que qualquer coisa.— Não importa o que eu faça, ela sempre me perdoa.Seu olhar brilhou com convicção.— Ela é a
Gabriel estava à beira da loucura.Desde pequeno, sempre manteve a postura de um cavalheiro, jamais levantando a mão contra uma mulher.Mas, pela primeira vez na vida, perdeu o controle.E não foi apenas um tapa. Foi um massacre.— Cala a boca!Ele gritava enquanto esmagava a cabeça de Dália contra a parede.— Não ouse manchar o nome dela com sua boca suja! Ela me ama! Ela é a pessoa que mais me ama neste mundo!Sangue espirrou.Dália já nem conseguia mais rir.Seu corpo ficou mole, a respiração irregular.Se não fosse por Davi, que apareceu a tempo e o conteve, ela teria morrido ali mesmo.— Sr. Macedo, pelo amor de Deus!Com muito esforço, Davi arrancou Gabriel de cima dela.Marília ainda não tinha aparecido.Mas Dália quase morreu.Davi estava exausto.— Que inferno de trabalho é esse?Com o rosto coberto de sangue, Dália foi levada às pressas para o hospital.Enquanto isso, Gabriel afundou no chão da entrada do salão.Seus olhos estavam vidrados.Ele não piscava, não se mexia.Apen