Gabriel nunca contou seu plano de vingança para Clarisse.Apenas ordenou que, pela manhã, levasse Dália para experimentar um vestido de noiva. E à tarde, fizesse o mesmo com Marília.Clarisse, por conta própria, tirou suas próprias conclusões.Acreditou que o papo de "aniversário de casamento" e "cerimônia especial para Marília" era puro teatro.Seu irmão, obviamente, planejava pedir Dália em casamento.Por isso, desde cedo, ligou apressado, garantindo que Dália escolhesse um vestido digno da ocasião.Marília, por outro lado…Devia estar no centro de uma humilhação pública.Assim, Clarisse se adiantou.Mandou preparar um balde de água gelada sobre a porta do salão.Quando Marília entrasse, seria ridicularizada diante de todos.E a troca dos vestidos?Mais um erro dela.Ao ver que o vestido de Marília era claramente mais luxuoso, pensou que a loja havia confundido os pedidos.Indignada, foi tirar satisfação.— Como ousam trocar os vestidos?! — esbravejou para o dono da loja. — Querem qu
Gabriel estava furioso.Lançou um olhar assassino para Clarisse.— Vou lidar com você depois que encontrar a Marília!Sem perder tempo, pegou o celular e discou o número dela.Ele tinha certeza de que ela atenderia.Bastava algumas palavras bem escolhidas, um pouco de paciência…E, como sempre, ela voltaria para ele.Mansa. Submissa.Mas, para sua surpresa, as ligações não foram atendidas.Tentou de novo.Nada.A cada chamada ignorada, sua expressão se fechava ainda mais.— O que está acontecendo? Marília nunca ignora minhas ligações.Franziu a testa.Talvez… ela estivesse sem o celular.Vestindo um vestido de noiva, dificilmente carregaria o celular.Só podia ser isso.Não era possível que estivesse deliberadamente o ignorando.Até agora, Gabriel não acreditava que poderia perder Marília.Para ele, ela sempre esteve ali. Sempre estaria.Como um animal de estimação fiel e obediente, que nunca abandona o dono.Não importava o quanto fosse negligenciada, humilhada ou ferida…Ainda assim,
Depois de enviar a última mensagem cheia de ameaça, Gabriel achou que tudo estava resolvido.Marília o amava.Assim que visse a mensagem, certamente voltaria correndo.Chegaria ao salão com os olhos vermelhos, a cabeça baixa, a voz trêmula…Como sempre. Imploraria seu perdão.Só de imaginar a cena, Gabriel relaxou.Não precisava mais procurá-la.Deixou os outros procurando e voltou tranquilamente para o salão.Lá dentro, só havia uma pessoa.Dália.Ela ainda não tinha ido embora.Gabriel riu com desprezo.— Ainda está aqui? O que foi, quer assistir ao meu casamento com Marília?O que ele não esperava era que, ao ouvir isso, Dália começasse a rir.As lágrimas escorriam de seus olhos enquanto ria com verdadeira loucura.— HAHAHAHAHAHAHA, Gabriel… você realmente acha que Marília vai voltar?Gabriel sorriu, confiante.— Claro que vai.Cruzou os braços.— Marília me ama mais do que qualquer coisa.— Não importa o que eu faça, ela sempre me perdoa.Seu olhar brilhou com convicção.— Ela é a
Gabriel estava à beira da loucura.Desde pequeno, sempre manteve a postura de um cavalheiro, jamais levantando a mão contra uma mulher.Mas, pela primeira vez na vida, perdeu o controle.E não foi apenas um tapa. Foi um massacre.— Cala a boca!Ele gritava enquanto esmagava a cabeça de Dália contra a parede.— Não ouse manchar o nome dela com sua boca suja! Ela me ama! Ela é a pessoa que mais me ama neste mundo!Sangue espirrou.Dália já nem conseguia mais rir.Seu corpo ficou mole, a respiração irregular.Se não fosse por Davi, que apareceu a tempo e o conteve, ela teria morrido ali mesmo.— Sr. Macedo, pelo amor de Deus!Com muito esforço, Davi arrancou Gabriel de cima dela.Marília ainda não tinha aparecido.Mas Dália quase morreu.Davi estava exausto.— Que inferno de trabalho é esse?Com o rosto coberto de sangue, Dália foi levada às pressas para o hospital.Enquanto isso, Gabriel afundou no chão da entrada do salão.Seus olhos estavam vidrados.Ele não piscava, não se mexia.Apen
Nos meses seguintes, Gabriel mergulhou em uma busca frenética por Marília.Visitou sua cidade natal. Falou com seus antigos professores, colegas, vizinhos…Tentava desesperadamente encontrar qualquer pista sobre ela.E, pela primeira vez, começou a realmente conhecê-la.Descobriu que ela cresceu sem pai, abandonada quando ainda era uma criança.Sempre teve uma terrível falta de segurança.E por nunca ter recebido amor, aprendeu a agradar os outros para ser aceita.Seu silêncio, sua paciência, sua tolerância…Nunca foram por amor.Foram porque a vida já tinha sido cruel demais com ela.Ela simplesmente aprendeu a suportar.Mas, apesar de tudo, Marília sempre foi bondosa.Depois que se casaram, fazia doações mensais para o orfanato.E ainda reservava tempo toda semana para trabalhar como voluntária.As crianças a adoravam.Quando foi ao orfanato, ouviu uma menina dizer, sorrindo enquanto pintava:— A irmã Marília ama azul! Porque é a cor do mar! Ela disse que gosta do oceano, porque o oc
Diferente de Gabriel, que estava à beira da loucura, Marília vivia em plena paz.Ela não sabia que ele a procurava desesperadamente.O chip do celular foi partido ao meio e descartado no instante em que partiu.Todas as suas contas em redes sociais foram deletadas.As ligações, as mensagens, as buscas frenéticas…Nada chegou até ela.E, na verdade, ela nem queria saber.O passado era uma ferida cicatrizada.Uma sombria tempestade da qual havia escapado.Tinha lutado com todas as forças para se libertar daquele pesadelo.Não queria, de forma alguma, qualquer vínculo com o que ficou para trás.E, entre tudo o que abandonou…Gabriel também ficou para trás.Durante um almoço tranquilo, sua tia sorriu ao lhe fazer uma pergunta:— Marília, você estudou Artes, não foi?Ela assentiu.— Tenho percebido que você tem feito muitas pinturas desde que chegou. Seus quadros são lindos, com uma atmosfera única. Eu e seu tio adoramos.O tom da tia era animado.— Seu tio acha um desperdício essas obras f
No mundo, talvez não haja dor maior do que finalmente alcançar o sucesso, mas a única pessoa que você queria retribuir… já não estar mais aqui.Sempre que falava sobre a irmã, os olhos de Elisabete se enchiam de lágrimas.A perda de Graça Moreira deixou nela um vazio irreparável, um arrependimento eterno.Mas, apesar da dor, sua irmã deixou um pedaço dela no mundo.Deixou Marília.— Quando eu era pequena, meus pais só pagavam os estudos para aquele inútil do meu irmão. Para mim, diziam que mulher não precisava estudar.A voz da tia tremia.— Eu me recusei a aceitar isso. Mas, quando insisti em continuar estudando, eles cortaram minha mesada e se recusaram a pagar minhas mensalidades.Os olhos de Elisabete ficaram vermelhos.— Foi minha irmã quem me sustentou.Ela engoliu seco.— Trabalhava dobrado, fazia vários bicos para conseguir juntar dinheiro… e me mandava tudo, escondido.Marília sentiu um nó na garganta.— Para mim, minha irmã não foi só uma irmã.Apertou a mão de Marília.— Ela
O homem que, sem hesitar, comprou cinco quadros por meio milhão de dólares cada, definitivamente merecia uma saudação.Seria grosseiro ignorá-lo.Por isso, acompanhada da tia, Marília caminhou até ele.— Há quanto tempo — cumprimentou Elisabete, sorrindo com familiaridade.Ficava claro que já o conhecia.— Não imaginei que um homem tão ocupado como você teria tempo para prestigiar minha sobrinha.Giano Bosque sorriu levemente.— Coincidiu com um dia de folga.O tom dele era tranquilo, sem pressa.— Esta é minha sobrinha, Marília — apresentou Elisabete.O orgulho era perceptível em sua voz.— Uma artista de talento. Todas as pinturas desta exposição são dela.Marília ficou sem graça com o elogio exagerado.Suas bochechas esquentaram.— Tia, não exagera…Baixou o olhar, um pouco embaraçada.— Eu só pinto por hobby.Giano riu.— Mas há talento, sem dúvida.Olhou para um dos quadros atrás dele.Uma pintura de montanhas.— Esta, por exemplo. Embora retrate montanhas e use tons quentes, tran