Assim que pousou no país M, Gabriel foi direto para o local onde Marília havia realizado sua exposição.Ele percorreu a rua inteira, perguntando de loja em loja, incansável, como um homem possuído.E quando o céu começou a escurecer, finalmente conseguiu a resposta que tanto buscava: o endereço onde Marília estava morando.Agradeceu inúmeras vezes, depois partiu sem perder mais um segundo.No caminho, imaginou como seria o lugar onde ela morava agora. Sozinha, num país estrangeiro, sem amigos, sem apoio... certamente devia estar em um apartamento pequeno, modesto.Mas quando chegou ao endereço indicado, foi surpreendido por uma mansão luxuosa, em uma das áreas mais exclusivas da cidade.Gabriel franziu o cenho. Como diabos Marília conseguiu viver aqui? Uma casa dessas custava centenas de milhões de dólares.Isso não fazia sentido. Será que tinha anotado o endereço errado?Mesmo com a incerteza, se aproximou da porta e bateu.Quem abriu foi uma mulher elegante, sorridente e simpática. E
Giano não ficou nem um pouco tranquilo ao ver Marília querendo ir embora sozinha.Sem hesitar, ele se levantou junto com ela:— Eu te levo.— Não precisa! — Marília respondeu rápido, balançando a cabeça. — Eu… eu posso ir sozinha.Ela nem conseguia encará-lo direito.Embora eles ainda não tivessem oficializado nada, já haviam saído juntos várias vezes. Se estivessem em Cavéria, isso já seria considerado um relacionamento.Marília não queria uma cena de confronto entre o ex-marido e o homem com quem estava saindo agora.Assim, Marília pegou um táxi e voltou para casa sozinha.Ao descer do carro, avistou imediatamente uma figura familiar parada sob a luz do poste, tragando um cigarro.Gabriel.Assim que a viu, ele reagiu como se tivesse encontrado a própria salvação.— Marília!Largou o cigarro ainda aceso e correu até ela, puxando-a para um abraço desesperado.— Graças a Deus... Graças a Deus! — sua voz tremia, os braços apertando-a contra o peito. — Eu finalmente te encontrei!— Você t
Marília ouviu tudo em silêncio. Quando Gabriel finalmente parou de falar, ela respirou fundo e respondeu, com a voz calma, mas firme:— Gabriel, nós já estamos divorciados. Eu nunca mais vou voltar com você. O que eu sentia por você... se desgastou, dia após dia, no meio da sua indiferença, do seu desprezo. Não restou nada. Então volte sozinho. Meu futuro não tem mais espaço para você. E o seu... não me interessa mais.Simples. Claro. Definitivo.Mas para Gabriel, era como se o chão tivesse desmoronado debaixo de seus pés.Seus olhos ficaram vermelhos, cheios de desespero.— Não! Você está mentindo! Você não pode me deixar!Ele agarrou os braços dela com força, recusando-se a aceitar a realidade.— Esse divórcio não vale nada! Você me enganou para assinar aquele papel! Eu nem sequer li antes de assinar! Isso não conta! Nós ainda somos casados! Você não pode me abandonar!Ele estava fora de si, completamente fora de controle.Apertou os braços de Marília com força, ignorando seus protes
Se fosse antes, ao ouvir Gabriel dizer isso, Marília provavelmente teria ficado emocionada.Mas agora...Seu coração estava sereno, indiferente.— Faça o que quiser. — Marília lançou as palavras friamente antes de virar as costas e ir embora.Nos dias seguintes, Gabriel cumpriu sua promessa e começou uma perseguição incansável.Todos os dias, enviava enormes buquês de rosas para Marília. Em intervalos regulares, enviava joias, presentes caros, tentando de todas as formas arrancar um sorriso dela.Mas as flores nunca eram aceitas. Os presentes, todos devolvidos sem sequer serem abertos.Mesmo assim, ele não desistiu.Quando os presentes falharam, recorreu ao sofrimento visível.Ficou horas sob a neve, em frente ao prédio onde Marília morava, segurando um rádio que tocava músicas românticas. Seus lábios ficaram roxos de frio, seus dedos dormentes, mas ele não saiu de lá.E qual foi a resposta de Marília?Fechar a janela.Como se isso não bastasse, durante o tempo em que Gabriel implorava
Após acomodar a urna com as cinzas da mãe, Marília Moreira recebeu uma ligação da tia.— Marília, sua mãe já se foi… Você vai ficar sozinha aí? Fico preocupada. Que tal vir morar comigo?Marília permaneceu em silêncio por um longo tempo, como se estivesse tomando uma das decisões mais importantes de sua vida. Então, respondeu com solenidade:— Vou sim.— Sério? Você quer mesmo vir? Que maravilha! — A voz da tia transbordava felicidade. — Mas… ouvi dizer que você se casou aí em Cavéria. Seu marido está disposto a ir com você para o exterior?Ao ouvir isso, Marília sorriu.— Não se preocupe. Estamos prestes a nos divorciar.Ainda segurava o celular quando um burburinho do lado de fora chamou sua atenção.Gabriel estava de volta.Ela ergueu levemente os olhos para a porta, mas, diferente de outras vezes, não se levantou para recebê-lo.Nesse momento, Clarisse, irmã caçula de Gabriel Macedo, entrou com um sorriso petulante nos lábios.— Meu irmão trouxe a Dália de volta. Logo, logo, essa i
— Já que não tem problema, então ajude o Bento a levar as malas da Dália para cima. — Gabriel lançou um olhar profundo para Marília antes de curvar os lábios num sorriso frio.Era claro. Ele queria humilhá-la. Talvez estivesse irritado por ter perdido a chance de brilhar diante de sua amada.Marília sentiu o rosto ficar um pouco pálido, mas logo recuperou o sorriso.— Claro.Virou-se e, sem hesitar, começou a carregar as malas junto com Bento.Ela era obediente. Sempre foi. Em teoria, isso deveria agradar Gabriel. Mas, por algum motivo, vê-la agir com tanta naturalidade, carregando as malas sem protestar, lhe causou um incômodo estranho.Pouco tempo depois, o quarto estava arrumado. Marília estava prestes a descer quando Dália entrou.— Marília, obrigada por me acolher. — Ela segurou sua mão com delicadeza e, franzindo as sobrancelhas, murmurou com uma doçura ensaiada:— Se não fosse por você e pelo Gabriel, eu realmente não saberia para onde ir…Foi então que Marília notou.Na mão de
O colar era lindo.Um raro diamante vermelho, incrustado em platina em formato de coração. Um símbolo de um amor único.Pena que esse amor não era para ela.— Não precisa. — Marília recusou com um sorriso gentil. — Foi um presente do Gabriel para você. Como poderia aceitar algo assim?O que não era dela, ela não queria.Nem o colar.Nem o homem que o deu.— Para de fazer esse drama! — De repente, Gabriel explodiu. — Esqueci seu aniversário porque estava ocupado com o trabalho, e daí? Qual é o problema? Você precisa mesmo fazer esse teatro todo?Marília piscou, sem entender o que tinha feito de errado.Ela não chorou, não gritou, não reclamou. Apenas lidou com a situação de forma educada, sem causar confusão…Então por que ele continuava insatisfeito?— Não estou fazendo drama. — Sua voz saiu baixa, cansada. Ela abaixou os olhos, como se estivesse exausta até de olhar para ele. — Gabriel, o que você quer que eu faça? Que aceite o colar? Se for isso, então tudo bem.Ela estendeu a mão e
Gabriel passou a noite inteira no quarto de Dália.Marília não havia prestado atenção nisso. Na verdade, foi Juli, a empregada, quem a puxou de manhã cedo para o jardim, sussurrando como se fosse uma informação de segurança nacional.— Senhora, pelo amor de Deus, abre o olho! — Juli sussurrou, aflita. — Aquela mulher tá se jogando pra cima do Sr. Gabriel! Se a senhora tivesse visto a roupa que ela usou ontem à noite… meu Deus, eu nem tive coragem de olhar!Marília sorriu, tranquila.— Você está imaginando coisas. Srta. Dália e Gabriel cresceram juntos, ele sempre a teve em alta conta. Não diga mais essas coisas sobre ela, Gabriel não gostaria de ouvir.Juli arregalou os olhos, surpresa.— Senhora… o que está acontecendo com você?— Comigo? Nada. Estou ótima. — O sorriso de Marília permaneceu intacto.Um sorriso que parecia uma máscara soldada ao rosto.Ela não choraria mais.Nunca mais.— Não, tem alguma coisa errada! — Juli insistiu, convicta. — Antes, quando falava com o patrão, a se