O colar era lindo.Um raro diamante vermelho, incrustado em platina em formato de coração. Um símbolo de um amor único.Pena que esse amor não era para ela.— Não precisa. — Marília recusou com um sorriso gentil. — Foi um presente do Gabriel para você. Como poderia aceitar algo assim?O que não era dela, ela não queria.Nem o colar.Nem o homem que o deu.— Para de fazer esse drama! — De repente, Gabriel explodiu. — Esqueci seu aniversário porque estava ocupado com o trabalho, e daí? Qual é o problema? Você precisa mesmo fazer esse teatro todo?Marília piscou, sem entender o que tinha feito de errado.Ela não chorou, não gritou, não reclamou. Apenas lidou com a situação de forma educada, sem causar confusão…Então por que ele continuava insatisfeito?— Não estou fazendo drama. — Sua voz saiu baixa, cansada. Ela abaixou os olhos, como se estivesse exausta até de olhar para ele. — Gabriel, o que você quer que eu faça? Que aceite o colar? Se for isso, então tudo bem.Ela estendeu a mão e
Gabriel passou a noite inteira no quarto de Dália.Marília não havia prestado atenção nisso. Na verdade, foi Juli, a empregada, quem a puxou de manhã cedo para o jardim, sussurrando como se fosse uma informação de segurança nacional.— Senhora, pelo amor de Deus, abre o olho! — Juli sussurrou, aflita. — Aquela mulher tá se jogando pra cima do Sr. Gabriel! Se a senhora tivesse visto a roupa que ela usou ontem à noite… meu Deus, eu nem tive coragem de olhar!Marília sorriu, tranquila.— Você está imaginando coisas. Srta. Dália e Gabriel cresceram juntos, ele sempre a teve em alta conta. Não diga mais essas coisas sobre ela, Gabriel não gostaria de ouvir.Juli arregalou os olhos, surpresa.— Senhora… o que está acontecendo com você?— Comigo? Nada. Estou ótima. — O sorriso de Marília permaneceu intacto.Um sorriso que parecia uma máscara soldada ao rosto.Ela não choraria mais.Nunca mais.— Não, tem alguma coisa errada! — Juli insistiu, convicta. — Antes, quando falava com o patrão, a se
A mãe de Marília faleceu há uma semana.Ela tinha câncer cerebral em estágio terminal.Mesmo com Gabriel providenciando a melhor equipe médica e internando-a no melhor hospital, a doença avançava implacavelmente.O tempo em que permanecia lúcida se tornava cada vez mais curto. Havia dias em que nem sequer reconhecia a própria filha.O médico responsável alertou: não havia mais tempo.A cirurgia precisava ser feita imediatamente. Caso contrário, sua mãe não sobreviveria mais uma semana.Marília ficou sem chão.Pegou o celular e ligou para Gabriel.Ele não atendeu.Ligou de novo.Nada.Na terceira tentativa, a chamada foi rejeitada.Na quarta, ele finalmente atendeu.Para despejar um sermão cruel:— Para de me ligar! Não vê que estou ocupado? Fica me atrapalhando por quê?!A ligação foi cortada.O médico, ciente de que Marília era Sra. Macedo, sugeriu que Gabriel usasse sua influência para trazer especialistas internacionais e organizar uma conferência médica com os melhores cirurgiões d
Essa acusação veio do nada. Marília suspirou, cansada.— Eu nem cheguei perto da cozinha o dia todo. Como poderia ter colocado algo na comida da Srta. Dália?Clarisse cruzou os braços, lançando-lhe um olhar de escárnio.— Só porque você não entrou na cozinha, não quer dizer que não tenha mandado alguém fazer isso por você.Ela riu, satisfeita consigo mesma.— Hoje de manhã, vi você e a Juli cochichando no jardim. Agindo de forma suspeita… E agora, veja só! Dália passa mal logo depois do almoço. Muito conveniente, não acha?— Deus do céu! — Juli ergueu as mãos, desesperada. — Eu jamais faria uma coisa dessas! Sou apenas uma empregada, por que eu me arriscaria envenenando alguém?— Então, o que estavam tramando no jardim? — Clarisse insistiu, impiedosa.Juli hesitou, lançando um olhar nervoso para Marília.Como poderia repetir o que conversaram naquela manhã, bem na frente de Gabriel e Dália?O silêncio foi suficiente para condená-las.— Peguei vocês! — Clarisse exclamou, triunfante. — D
Quando Marília sugeriu chamar a polícia, a reação de Dália e Gabriel foi fascinante.Dália desviou o olhar.Gabriel, por outro lado, explodiu de raiva.— Marília, você acha que não tenho coragem de chamar a polícia por sua causa?!"Não, Gabriel. Eu sei que você teria coragem. Mas sua preciosa Dália jamais permitiria isso."Porque, no fundo, ela sabia.Sabia que seus joguinhos funcionavam com Gabriel, mas não com a polícia.Se investigassem e descobrissem que o pó de amendoim foi jogado por ela mesma… seria uma situação bem desconfortável, não acha?E foi exatamente o que aconteceu.No instante seguinte, Dália interveio, sua voz suave e persuasiva.— Gabi, não faça isso. Marília ainda é sua esposa… você não pode colocá-la na cadeia por minha causa.Seu olhar era puro, angelical.— Além disso, eu estou bem.Suspirou e acrescentou num tom calculado:— E mesmo que não fosse por ela, pense na família Macedo. Se a esposa do herdeiro for presa, imagine o impacto para os acionistas… Grupo Mace
Marília passou um dia e uma noite inteira deitada, o corpo exausto.Mas hoje… era o dia da sua partida.Às sete da noite, seu voo partiria.E uma vez dentro daquele avião, nunca mais voltaria.Assim que os primeiros raios de sol iluminaram o céu, ela se levantou.Organizou suas coisas e doou tudo para um orfanato.Entre os itens doados estavam todos os presentes que Gabriel já lhe dera: roupas, bolsas, joias…Até mesmo a aliança de casamento.Os itens valiosos foram enviados para caridade.Os sem valor… ela queimou.Se iria recomeçar, faria isso da maneira correta.Limpa. Sem rastros. Sem lembranças.Quando terminou, já era tarde.Ela olhou o celular. Três da tarde.Faltavam apenas quatro horas para sua liberdade.Estava prestes a trocar de roupa e sair, quando Clarisse apareceu em seu caminho.— Onde pensa que vai? — Clarisse bufou. — Anda, venha comigo. Vamos arrumar você.— Arrumar? — Marília franziu a testa. — Para quê?Clarisse revirou os olhos.— Para de fingir. Hoje é seu aniver
Gabriel entrou no salão segurando um imenso buquê de rosas.— Clarisse, por que está sozinha? Onde está a Marília?Ele franziu a testa, confuso.— Eu pedi para você levá-la para trocar de vestido.Clarisse desviou o olhar, hesitante.Mas, como sempre, sua boca foi mais rápida que seu juízo.— Ela foi embora! — disse, forçando desdém na voz. — Está magoada porque você só dá atenção à Dália, então resolveu fugir do casamento.Gabriel estreitou os olhos.— Fugir?Uma sombra de descrença cruzou seu rosto.— Isso não pode ser verdade.Ele conhecia Marília.Ela era mansa. Sempre foi.Nunca discordava dele, nunca questionava nada.Mesmo quando ele exagerava, ela apenas abaixava a cabeça e aceitava tudo.Até dois dias atrás, quando ele forçou aquele remédio goela abaixo.Naquela noite, chegou a pensar que talvez tivesse exagerado.Mas seu orgulho não permitiu que voltasse atrás.Então, decidiu compensá-la de outra maneira.Um casamento.A chance de apagar os erros e recomeçar.— Ela nunca fari
Dália estava à beira do colapso.Seus olhos estavam arregalados, a respiração irregular.Mas Gabriel apenas sorriu.Frio e cruel.O olhar dele não era de amor.Era de vingança.— Ainda não percebeu?Sua voz carregava um escárnio cortante.— Eu fiz tudo isso apenas para me vingar de você.Silêncio.O mundo de Dália desmoronou.— Eu te amava, Dália. — A voz de Gabriel ficou grave, carregada de rancor. — Te amava tanto que teria feito qualquer coisa por você.Ele cerrou os punhos.— E o que você fez?Seu olhar se tornou perigoso.— Você me largou.Por um europeu inútil.— Me bloqueou de todas as formas.Seus olhos arderam com um ódio que não poderia mais ser contido.— Você sabe como foram aqueles dias para mim?— Sabe a dor que eu senti?Não, Dália não sabia.Mas agora ela sentia na própria pele.— Desde aquele dia, eu fiz uma promessa.Gabriel deu um passo à frente.Cada palavra dele era como um veneno sendo despejado em seu coração.— Prometi que um dia você sofreria em dobro o que me