Capítulo 2
— Já que não tem problema, então ajude o Bento a levar as malas da Dália para cima. — Gabriel lançou um olhar profundo para Marília antes de curvar os lábios num sorriso frio.

Era claro. Ele queria humilhá-la. Talvez estivesse irritado por ter perdido a chance de brilhar diante de sua amada.

Marília sentiu o rosto ficar um pouco pálido, mas logo recuperou o sorriso.

— Claro.

Virou-se e, sem hesitar, começou a carregar as malas junto com Bento.

Ela era obediente. Sempre foi. Em teoria, isso deveria agradar Gabriel.

Mas, por algum motivo, vê-la agir com tanta naturalidade, carregando as malas sem protestar, lhe causou um incômodo estranho.

Pouco tempo depois, o quarto estava arrumado. Marília estava prestes a descer quando Dália entrou.

— Marília, obrigada por me acolher. — Ela segurou sua mão com delicadeza e, franzindo as sobrancelhas, murmurou com uma doçura ensaiada:

— Se não fosse por você e pelo Gabriel, eu realmente não saberia para onde ir…

Foi então que Marília notou.

Na mão de Dália, algo brilhou intensamente, ofuscando sua visão.

Um anel.

O mesmo anel que ela usava.

Ou quase.

O de Dália era maior. O diamante mais reluzente. Mais sofisticado.

O dela, ao lado daquele, parecia uma cópia barata, um falso qualquer.

Marília sentiu uma pontada no peito. Mesmo decidida a ir embora, o aperto em seu coração veio sem aviso.

Até o anel… até o maldito anel de noivado dela era um modelo inferior.

Uma substituta merece uma réplica barata. Faz todo sentido.

De repente, a campainha tocou.

O entregador entrou carregando uma enorme caixa.

— Uau! Quem pediu bolo? — Clarisse exclamou, animada. — Mano, foi você que encomendou pra Dália?

— O aniversário da Dália é só na próxima semana. — Gabriel respondeu sem levantar os olhos. — Mas, sim, encomendei um bolo para ela. Será que a confeitaria adiantou a entrega?

Todos se entreolharam, confusos.

Foi então que o entregador ergueu a voz.

— Desculpem, mas o bolo é para a Marília! A destinatária é ela. Foi enviado por sua tia. Ela pediu para te dizer que sabe que hoje está sendo um dia difícil, mas não quer que você se afunde na tristeza. Ela está feliz por você ter vindo ao mundo e deseja um feliz aniversário!

O silêncio caiu sobre a sala.

Todos se viraram para Marília.

Gabriel, pela primeira vez, pareceu um pouco desconfortável.

— Hoje é o seu aniversário? — murmurou, hesitante. — Por que não me falou nada?

Dália teria sua festa na semana seguinte, e ele já havia providenciado tudo com antecedência.

O de Marília? Ele sequer lembrava.

Mas claro. Era apenas uma substituta. Quem se daria ao trabalho de lembrar?

— Nossa, é mesmo? — Marília riu suavemente, desviando a atenção. — Nem eu lembrava… Que bom que minha tia lembrou. Preciso ligar para agradecer.

E também para ver o andamento dos documentos. Quanto antes saísse do país, melhor.

— Gabriel, que feio esquecer o aniversário da sua própria esposa! — Dália exclamou, com uma voz que mesclava censura e charme. — Marília, não fique chateada… Ah! Acabei de lembrar!

Ela levou a mão ao pescoço, segurando sua elegante gargantilha de diamantes.

— Quando cheguei, Gabriel me deu um presente, um colar lindo!

Num gesto cheio de generosidade teatral, retirou a joia e a estendeu para Marília, sorrindo docemente.

— Que tal ficarmos quites? Considere isso como um presente de aniversário do Gabriel! Feliz aniversário, Marília.
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