— Você! Sua vagabunda! — Aconselho que você me respeite. Aliás, enquanto vocês me forçavam a beber, eu aproveitei para gravar tudo. O vídeo está com uma das minhas colegas de quarto. Se eu não aparecer no dormitório no horário combinado, amanhã essas gravações vão estar em todos os sites de notícias. Vocês passaram anos construindo suas carreiras, não vão querer perder tudo por minha causa, né? Os três homens trocaram olhares, mas não pareciam realmente intimidados. Um deles até riu com desdém: — Isso aqui é uma festa de celebração. Nós só viemos por respeito ao diretor. Beber um pouco faz parte de qualquer festa. E, se quisermos, podemos dizer que foi você quem deu a entender que estava interessada. Outro acrescentou, com um sorriso cínico: — Olha para essa sua roupa. Está claro que você veio para nos provocar. As pessoas na internet não têm pena de mulheres que dizem ser vítimas, elas gostam mesmo é de histórias de mulheres que “caíram em tentação” por conta própria. O te
No hospital. Quando Florence acordou, tudo ao seu redor parecia envolto em escuridão. O medo tomava conta dela, e sua respiração estava acelerada. Ela percebeu movimentos próximos e gritou, desesperada: — Quem está aí? Quem está aí? Sua voz saiu rouca, quase irreconhecível. Ela agarrou o que conseguiu alcançar com as mãos e arremessou na direção dos sons, seu desespero congelando todos que estavam na sala. Ouviu-se um soluço abafado antes de uma figura correr até ela. — Flor! Flor! Sou eu! O que está acontecendo com você? — Era Lyra, que se aproximava com o rosto cheio de lágrimas. Florence parou com a mão suspensa no ar, a respiração irregular. — Mãe, você… Onde está? Por que eu não consigo te ver? Os olhos de Lyra se arregalaram, e ela deixou de lado o choro imediatamente. — Flor! Não assuste sua mãe assim! Florence olhava para o vazio, seus olhos completamente sem foco. Sua voz saiu trêmula: — Mãe… A sala mergulhou em um silêncio assustador. Lyra, tomada pelo
Ao olhar para aqueles dois homens repulsivos e nojentos, Lyra não conseguia imaginar o destino de qualquer garota que caísse nas mãos deles. Lyra, com os olhos fixos nos policiais, declarou com firmeza: — Exigimos uma investigação rigorosa! Ao ouvir isso, os dois homens empalideceram. Os hematomas em seus rostos ficaram ainda mais evidentes, tornando suas expressões ainda mais grotescas e assustadoras. Embora tivessem alguma notoriedade, comparados à influência da família Avery, eles não passavam de formigas insignificantes. Como poderiam lutar contra um poder tão grande? Eles se entreolharam, engoliram em seco e, em um ato de desespero, decidiram arriscar: — Sra. Lyra, somos homens, e havíamos bebido. Quem pode resistir a uma provocação? Cometemos um erro, mas, pelo bem da reputação de todos, pedimos que seja compreensiva. Lyra arregalou os olhos, chocada, e sua voz saiu mais alta e afiada: — Provocação? Você está insinuando que minha filha tentou seduzir vocês três?
Florence soltou uma risada fria, abaixou ligeiramente o olhar e disse: — Policial, vocês ouviram. Eles não admitem nada do que fizeram, e Daphne ainda corroborou a versão deles. Como parte interessada, exijo que esses três apresentem provas para refutar as evidências que eu forneci. Em especial, quero ver as provas de que eu seduzi ou insinuei qualquer coisa para eles. Além disso, espero que Daphne apresente as provas que sustentem sua afirmação de que eu estaria tentando subir na carreira por atalhos. Vocês são policiais e usam câmeras em todos os casos. Imagino que tudo o que foi dito por eles esteja registrado, certo? Quando Florence terminou de falar, os três homens ficaram completamente atônitos. Daphne, que até então exibia um olhar triunfante, teve sua expressão imediatamente substituída por um choque evidente. Ela não precisava ter se envolvido, mas insistiu em se mostrar esperta. Agora, ninguém escaparia. Um dos policiais confirmou com um aceno: — Sim, o equipamento
Daphne enxugava as lágrimas enquanto se inclinava levemente para mais perto de Lucian. No entanto, seu olhar para os dois homens estava carregado de um aviso claro: “Vejam bem de quem eu sou antes de abrir a boca.” Os dois homens prenderam a respiração, incapazes de ignorar o peso daquela mensagem. Automaticamente, lembraram-se do terceiro companheiro, que estava no hospital. Eles sabiam que preferiam morrer do que ofender Lucian novamente. Caso contrário, o destino seria pior do que a morte. Sem escolha, abaixaram a cabeça e pediram desculpas: — Desculpe-nos, Srta. Florence. Estávamos bêbados e agimos de forma impulsiva. Erramos. Por favor, nos perdoe! — Não vou perdoar. — Florence respondeu com um riso frio. — Se eu deixar passar hoje, vocês vão achar que podem sair impunes. Quem sabe quem será a próxima vítima? Tudo o que aconteceu foi culpa de vocês mesmos. Vocês acreditaram em qualquer coisa e agiram de acordo. Isso é o que vocês merecem. Suas palavras afiadas fizeram o
O rosto de Daphne ficou ainda mais vermelho, e seus olhos, cheios de lágrimas, nem ousavam deixá-las cair. Ela não tinha coragem de demonstrar raiva, então, forçou um olhar de mágoa enquanto estendia a mão para segurar Lucian. Lucian, no entanto, levantou a mão para ajustar as mangas da camisa e, com indiferença, desviou do toque dela. — Lucian, eu sou sua noiva. — Disse Daphne, com os olhos vermelhos e a voz trêmula. Lucian lançou um olhar frio para ela e respondeu com indiferença: — Sim, só noiva. A expressão de Daphne mudou instantaneamente, e ela ficou paralisada no lugar. Lucian inclinou-se levemente, seus olhos penetrantes fixos nos dela: — Você ainda é uma estranha. Mas Florence é, legalmente, a segunda senhora da família Avery. Por mais que ela esteja em uma posição delicada, ainda não é lugar de uma estranha como você tentar intimidá-la. Você e eu sabemos muito bem o que existe entre nós. Depois de dizer isso, Lucian enfiou o número da fila na mão de Daphne e
Florence suspirou internamente. Ela sabia que Melissa só queria proteger Ronaldo. Ela não culpava Melissa. — Irmão, o clima tem mudado bastante ultimamente. A Sra. Melissa não anda bem de saúde. É melhor você voltar para cuidar dela. Florence já tinha até pensado em uma desculpa para convencê-lo. Ronaldo olhou para ela e deu um leve sorriso amargo: — Então eu vou. — Até logo. Depois que Ronaldo saiu, Florence sentiu o gosto estranho que subia pela garganta. O álcool da noite anterior misturado com o bolo de morango era tão forte que quase a fez sufocar com o próprio arroto. Embora Florence estivesse vestindo um novo uniforme de paciente, o cheiro de sopa e comida quente se espalhava por todo o quarto, até mesmo em suas roupas, o que a fez sentir vontade de tomar um banho. Felizmente, ela já conhecia bem a estrutura do hospital por ter estado lá antes. Florence desceu da cama com cuidado. Caminhou devagar até sentir o armário com a ponta dos dedos, abriu a porta e encont
Os longos cabelos de Florence estavam desarrumados, caindo sobre sua testa e nuca. Seu rosto, molhado, exibia uma palidez melancólica, com um toque de fragilidade. Os lábios, úmidos e rosados, pareciam uvas recém-lavadas, enquanto as gotas de água escorriam pelo seu corpo, encharcando o pijama hospitalar. O tecido listrado azul e branco grudava em sua pele, revelando as curvas de sua clavícula e, mais abaixo, o contorno do sutiã claro que destacava sua silhueta. Florence não fazia ideia da imagem que transmitia, mas percebeu que a respiração do homem à sua frente havia ficado mais pesada. Ela deu um passo para trás, mas ele avançou. Sem saída, acabou encurralada. Lucian estava tão perto que sua presença parecia sufocante. Seu olhar descarado e possessivo a fixava como o de um predador observando sua presa. Ele levantou a mão, e Florence, instintivamente, segurou o anel em sua mão com força. De repente, uma toalha seca caiu sobre sua cabeça. — Vá embora. — Disse ele, em um tom