O rosto de Daphne ficou ainda mais vermelho, e seus olhos, cheios de lágrimas, nem ousavam deixá-las cair. Ela não tinha coragem de demonstrar raiva, então, forçou um olhar de mágoa enquanto estendia a mão para segurar Lucian. Lucian, no entanto, levantou a mão para ajustar as mangas da camisa e, com indiferença, desviou do toque dela. — Lucian, eu sou sua noiva. — Disse Daphne, com os olhos vermelhos e a voz trêmula. Lucian lançou um olhar frio para ela e respondeu com indiferença: — Sim, só noiva. A expressão de Daphne mudou instantaneamente, e ela ficou paralisada no lugar. Lucian inclinou-se levemente, seus olhos penetrantes fixos nos dela: — Você ainda é uma estranha. Mas Florence é, legalmente, a segunda senhora da família Avery. Por mais que ela esteja em uma posição delicada, ainda não é lugar de uma estranha como você tentar intimidá-la. Você e eu sabemos muito bem o que existe entre nós. Depois de dizer isso, Lucian enfiou o número da fila na mão de Daphne e
Florence suspirou internamente. Ela sabia que Melissa só queria proteger Ronaldo. Ela não culpava Melissa. — Irmão, o clima tem mudado bastante ultimamente. A Sra. Melissa não anda bem de saúde. É melhor você voltar para cuidar dela. Florence já tinha até pensado em uma desculpa para convencê-lo. Ronaldo olhou para ela e deu um leve sorriso amargo: — Então eu vou. — Até logo. Depois que Ronaldo saiu, Florence sentiu o gosto estranho que subia pela garganta. O álcool da noite anterior misturado com o bolo de morango era tão forte que quase a fez sufocar com o próprio arroto. Embora Florence estivesse vestindo um novo uniforme de paciente, o cheiro de sopa e comida quente se espalhava por todo o quarto, até mesmo em suas roupas, o que a fez sentir vontade de tomar um banho. Felizmente, ela já conhecia bem a estrutura do hospital por ter estado lá antes. Florence desceu da cama com cuidado. Caminhou devagar até sentir o armário com a ponta dos dedos, abriu a porta e encont
Os longos cabelos de Florence estavam desarrumados, caindo sobre sua testa e nuca. Seu rosto, molhado, exibia uma palidez melancólica, com um toque de fragilidade. Os lábios, úmidos e rosados, pareciam uvas recém-lavadas, enquanto as gotas de água escorriam pelo seu corpo, encharcando o pijama hospitalar. O tecido listrado azul e branco grudava em sua pele, revelando as curvas de sua clavícula e, mais abaixo, o contorno do sutiã claro que destacava sua silhueta. Florence não fazia ideia da imagem que transmitia, mas percebeu que a respiração do homem à sua frente havia ficado mais pesada. Ela deu um passo para trás, mas ele avançou. Sem saída, acabou encurralada. Lucian estava tão perto que sua presença parecia sufocante. Seu olhar descarado e possessivo a fixava como o de um predador observando sua presa. Ele levantou a mão, e Florence, instintivamente, segurou o anel em sua mão com força. De repente, uma toalha seca caiu sobre sua cabeça. — Vá embora. — Disse ele, em um tom
Na verdade, Florence não ficou surpresa. Afinal, ela já havia passado por isso em sua vida anterior. Mas reviver tudo de novo ainda fazia sua alma doer profundamente. Ela sempre tentava escolher caminhos diferentes, mas o destino e o poder pareciam fantasmas invisíveis, que a controlavam sem trégua. Florence puxou o cobertor e cobriu-se completamente, recusando-se a dar atenção a Lucian. Lucian saiu do quarto sem dizer nada. Ele caminhou até a área de fumantes, com o rosto impassível. Retirou um cigarro do bolso e bateu-o duas vezes na caixinha, pensativo. Antes que pudesse acendê-lo, Cláudio se aproximou: — Sr. Lucian, sobre o que você me pediu para investigar a respeito da Srta. Florence e da Srta. Daphne, já consegui algumas respostas. Cláudio entregou-lhe uma pasta. Lucian segurou o cigarro entre os dedos e começou a folhear os documentos. Cláudio explicou enquanto ele lia: — Aqui estão os projetos que a Srta. Daphne entregou para a competição da escola, e logo atrá
Assim que Florence terminou de falar, seus olhos se encheram de lágrimas. As colegas de quarto, que há pouco estavam indignadas, imediatamente entraram no clima. Jasmin, com a voz embargada, disse: — Flor, não fique assim. Vamos fazer tudo o que for possível no tratamento. Tenho certeza de que você vai melhorar logo. — É isso mesmo. Os médicos daqui são muito bons. Você só precisa acreditar neles e em si mesma. — Acrescentou Priscila, cobrindo o rosto, incapaz de esconder seu desconforto. Bruna permaneceu em silêncio, mas discretamente enxugou as lágrimas. Às vezes, o silêncio dizia mais do que palavras. Rosana, ao ver o desânimo das outras, teve certeza de que a situação de Florence era grave e que suas chances de recuperação eram mínimas. Ela inclinou a cabeça, fingindo pesar, enquanto seu corpo tremia levemente. Seus olhos se encheram de lágrimas, e ela, dramaticamente, abraçou Florence com força: — Flor, eu não acredito! Você vai ficar bem, tenho certeza! — Soluçou ela,
Ela levantou a voz um pouco mais: — Eu também vou começar meu estágio no estúdio da Valentina. Florence ficou um pouco surpresa. Priscila, por outro lado, imediatamente saltou da cadeira: — Como assim? A Flor e a Daphne conseguiram entrar no estúdio Valentina através da competição. Por que você também entrou? Rosana encolheu os ombros, parecendo assustada, e apertou a barra do vestido com timidez: — Eu... Eu só tive a sorte de conseguir essa oportunidade. Pensei em tentar e, bem… Acabei conseguindo. Flor, por favor, não fique chateada, está bem? Rosana começou a chorar, parecendo uma flor delicada no meio de uma tempestade. Jasmin lançou um olhar fulminante para ela e disse: — Rosana! Dá para parar? Você não ouviu o que o médico acabou de dizer? A Flor não pode se emocionar. E você vem falar isso agora só para deixá-la mal? Rosana soltou um soluço abafado: — Eu juro que foi só sorte. Por isso não precisei me esforçar tanto quanto a Flor. Quando a visão dela melhor
Quando acordou, Florence ainda não conseguia ver nada além de completa escuridão. Mas, aos poucos, alguns pontos brancos começaram a surgir em sua visão, seguidos por formas borradas. Foi nesse momento que Rosana apareceu. Agora, Florence já conseguia enxergar as pessoas com alguma clareza. Antes, ela estava apenas provocando Rosana, afinal, quem mandou ela colocar algo no leite? Florence abaixou o dedo indicador e deu uma mordida na batata frita: — Vocês podem ir cuidar das suas coisas. Eu estou bem. — Mas e a Rosana... — Bruna murmurou, apontando discretamente para a porta. — Aqui é um hospital. Ela não vai tentar nada. — Tá bom. As três arrumaram suas coisas e saíram do quarto. Assim que elas se foram, Rosana voltou. Seu rosto parecia completamente normal, até com um leve sorriso estranho. Florence continuou fingindo que não a via. — Flor, o dia lá fora está lindo. Que tal eu te levar para dar uma volta? Vai te ajudar a relaxar e, quem sabe, acelerar a sua recuperaçã
Ela não aceitava aquilo! Rosana fez menção de se levantar, mas, quando conseguiu erguer o corpo pela metade, vacilou e caiu diretamente em direção a Lucian. Ele, que ainda segurava Florence, deu um passo para trás, e Rosana acabou desabando aos pés dos dois, em uma posição completamente humilhante. Qualquer pessoa em uma situação dessas, mesmo que desmaiasse de vergonha, não ousaria causar mais problemas. Mas Rosana não era esse tipo de pessoa. Ela, tremendo, esticou a mão e agarrou a barra da calça de Lucian. Seu corpo ligeiramente inclinado revelava o que estava por baixo das roupas molhadas. Ela sequer tentou cobrir-se. Com uma expressão de fragilidade, levantou o rosto cheio de lágrimas e encarou Lucian: — Sr. Lucian, eu só voltei porque fiquei preocupada com a segurança da Flor. Quando a vi perto do lago, fiquei com medo de assustá-la ao falar, então fui me aproximando com cuidado. Mas, quando tentei segurá-la, acabei perdendo o equilíbrio e caí no lago. Sr. Lucian, a culpa