Redenção Tardia: O Peso da Traição por Amor
Redenção Tardia: O Peso da Traição por Amor
Por: Martelito
capítulo 1
— Diga à Rafaela que, se ela quer morrer, que morra de uma vez! Eu não vou atrás dela!

A voz gélida e impiedosa de Orfeu ecoou pelos meus ouvidos, me arrancando do torpor.

Acordei sobressaltada e, ao levantar o olhar, vi meu próprio reflexo no espelho.

Vestida de noiva.

Foi então que percebi…

Eu tinha renascido.

Voltei exatamente para o momento em que achei que era a pessoa mais feliz do mundo.

Mas agora… eu sabia a verdade.

Atrás de mim, Orfeu mantinha o semblante fechado, a voz carregada de impaciência e frieza.

Na vida passada, eu me senti sortuda nesse instante.

Afinal, ele estava escolhendo a mim, e não Rafaela.

Mas agora, vendo sua expressão com outros olhos, notei algo que antes me escapou completamente.

Havia inquietação.

Irritação.

Talvez… o coração dele já estivesse com Rafaela fazia tempo.

Talvez ele só tenha insistido em se casar comigo porque não queria carregar a fama de traidor.

E quando Rafaela morreu, foi só então que ele percebeu seus próprios sentimentos.

Foi quando ele se perdeu no luto e na obsessão.

E, para se redimir, usou de todas as formas possíveis para me aprisionar.

Tomou tudo de mim.

Ele se entregou ao mosteiro em penitência por seu grande amor, mas nunca teve a compaixão de Cristo ou da Virgem Maria.

Ao invés disso, ele esmagou a vida do meu filho.

Todos exaltavam sua devoção inabalável,

sua paixão eterna por uma mulher morta.

E eu?

A intrusa.

A amante, a usurpadora, a pecadora que merecia passar a vida sem amor.

Mas…

Foi ele quem me perseguiu por quatro anos.

Foi ele quem me cercou de promessas, de juras, de palavras doces.

Foi ele quem me convenceu a aceitá-lo.

Então por que fui eu a vilã da história?

Dessa vez… Esse homem não significa mais nada para mim.

Segurei sua manga com leveza, meus olhos gentis, minha voz tranquila.

— Orfeu, vá atrás de Rafaela.

Ele paralisou, o choque evidente no olhar.

Sempre que Rafaela interrompia nossos encontros, eu explodia em raiva.

Para mim, ela sempre foi uma víbora hipócrita,

uma patricinha mimada e insuportável,

uma mulher presa a uma fantasia infantil.

Sequer suportava a ideia de que falassem em segredo.

E agora…

De repente, eu aceitava tudo com um sorriso?

— Você quer que eu te deixe no altar, no dia do nosso casamento, para ir atrás de outra mulher?

Orfeu me encarou, o olhar gelado e incrédulo.

Seu rosto escureceu, a voz carregada de reprovação.

— Mirabel, tem ideia do que vão dizer sobre você quando eu sair daqui? A imprensa vai te destruir!

Ri por dentro.

As fofocas não podem me matar.

Mas ele pode.

Mantendo um tom suave e compreensivo, respondi:

— Orfeu, eu não me importo com o que os outros dizem.

— Só quero que seu coração esteja comigo.

— Nosso casamento pode ser adiado, mas sua amizade com Rafaela vem de anos.

— Se algo acontecer com ela e você não estiver lá, pode se arrepender pelo resto da vida.

Suspirei, como se fosse apenas uma noiva altruísta e compreensiva.

— E mais…

— É uma vida em jogo.

— Mesmo que não fosse Rafaela, mesmo que fosse uma desconhecida, eu jamais permitiria que nosso casamento acontecesse enquanto alguém está à beira da morte.

As palavras tocaram o público como um veneno doce.

As pessoas começaram a murmurar elogios, exaltando minha generosidade, minha pureza, minha bondade sem igual.

Os pais de Orfeu, que sempre torceram o nariz para mim, finalmente demonstraram um lampejo de aprovação.

Orfeu me puxou para um abraço apertado, beijando minha testa com emoção.

— Eu sabia que não tinha escolhido errado!

— Mirabel, me espere.

— Vou salvar Rafaela, e então voltaremos a celebrar nosso casamento.

Assenti, um sorriso delicado e gentil nos lábios.

— Vá. Salvar uma vida é prioridade.

Sem mais hesitar, ele se virou e correu em direção à cobertura.

Observei sua silhueta se afastando, apertando o tecido da minha saia com força.

Meus dedos tremiam. Não de medo. Nem de tristeza. Mas de excitação.

Orfeu…

Na vida passada, você me odiou até o fim por causa dela.

Nesta vida…

Eu te deixo ir.

Eu te desejo toda a felicidade ao lado da sua Rafaela.

Para reforçar minha imagem de noiva compreensiva e apaixonada, permaneci no palco, em silêncio, vestida com minha pesada roupa de noiva.

Esperei por uma hora inteira.

Enquanto isso, os convidados dividiam sua atenção entre o drama no topo do prédio e minha postura impecável.

Todos me olhavam com pena.

Afinal, eu estava ali, firme, esperando pacientemente pelo homem que amava.

Mas então…

Orfeu voltou.

E não estava sozinho.

Ao seu lado, de braços dados com ele, estava Rafaela.

Vestida de noiva.

Por um segundo, quase esqueci um detalhe importante da vida passada.

Rafaela pulou do prédio vestida de noiva.

Agora, ali estava ela, sorridente e triunfante, segurando o braço de Orfeu como se fosse um troféu.

E me olhando com pura provocação.

O salão explodiu em murmúrios.

Os olhares se voltaram para mim, agora repletos de compaixão e constrangimento.

Orfeu, visivelmente desconfortável, evitou meu olhar.

E então, finalmente disse:

— Mirabel…

— Rafaela me disse que me ama há anos…

— E que deseja ter um casamento comigo.

Ele engoliu seco, como se já soubesse o quão absurdo aquilo soava.

— Ela prometeu que, se eu aceitasse, nos deixaria em paz para sempre.

— Então…

Ele hesitou, mas completou:

— Hoje… cederemos a cerimônia para ela.
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