Capítulo 3
Meu olhar tranquilo se desviou das mãos entrelaçadas de Mário e Beatriz, e balanceei a cabeça calmamente:

— Não precisa.

Minha reação serena pegou os três de surpresa.

Ezequiel, que vinha logo atrás, soltou uma risada debochada:

— Celeste, que showzinho é esse agora? Para de fingir! Você já bajulou tanto o Mário que até engravidou dele, e agora quer se fazer de difícil? Ridícula. Vou te dizer uma coisa: mesmo grávida, você ainda não está à altura da Beatriz, nem para se ajoelhar e amarrar os sapatos dela!

Ele continuava o mesmo, incapaz de enxergar a própria realidade.

Diante da minha expressão inalterada, Mário também se irritou. Franziu as sobrancelhas e me repreendeu com um tom grave:

— Celeste, já basta você me seguir e atrapalhar meu trabalho. Agora quer fazer birra também? Minha paciência tem limite! A Beatriz precisa descansar, e sua presença só piora o estado dela. Saia daqui agora e volte para casa!

Enquanto falava, agarrou meu pulso, tentando me arrastar para fora.

Mas, no segundo seguinte, a terra começou a tremer.

Quase ao mesmo tempo, Mário e Ezequiel correram em direção a Beatriz, que estava no meio do terreno aberto.

No impulso, Mário me empurrou para o chão.

Mesmo tendo visto claramente o poste de concreto tombar bem atrás de mim.

O impacto violento esmagou minha perna esquerda.

A dor insuportável fez com que eu perdesse completamente a consciência.

Quando acordei, já estava no hospital, com a perna engessada.

Não havia ninguém ao lado do meu leito.

Uma enfermeira percebeu que eu havia despertado e se aproximou para retirar o soro. Sua voz carregava um tom de preocupação:

— Ainda bem que foi só a perna. Se fosse outra parte do corpo, seu bebê poderia não ter sobrevivido.

Fitei o teto com tranquilidade e respondi baixinho:

— O bebê não precisa sobreviver. Por favor, agende o aborto para mim.

Quando fui levada para fora do quarto em uma cadeira de rodas, descobri que quem me trouxe para o hospital foi o chefe da vila.

Já Mário...

Apenas me enviou uma única mensagem:

[Beatriz desmaiou de susto ao ver sua perna machucada. Estou levando ela para Maré Alta para tratamento.]

Depois disso, ele e Ezequiel solicitaram um helicóptero de resgate e partiram com Beatriz para Maré Alta durante a noite.

Quanto a mim e ao meu ferimento...

Ele simplesmente não se importava.

A desesperança corroía meu peito, deixando apenas uma dor opressiva, que tornava até a respiração difícil.

A cirurgia de aborto estava marcada para três horas depois.

Nesse meio-tempo, finalizei o acordo de divórcio com meu amigo advogado.

Ao sair da conversa com ele, me deparei com o grupo da família, onde meu pai, Ezequiel e Mário se revezavam enviando comprovantes de transferência para Beatriz.

Olhando os pássaros que passavam apressados pela janela, curvei os lábios num sorriso amargo.

Então, todos eles lembravam do aniversário da Beatriz, não é?

Meu pai transferiu cinquenta mil e escreveu: [Feliz aniversário, minha querida Beatriz!]

Ezequiel enviou cem mil, acompanhado da mensagem: [Minha irmã mais amada, que você seja sempre feliz!]

Mário, por sua vez, anexou um comprovante de quinhentos mil e declarou: [Não importa o que aconteça no futuro, Beatriz será sempre o meu único amor.]

Observei em silêncio essa cena calorosa e, sem hesitar, saí do grupo.

No instante seguinte, Mário me ligou. Sua voz carregava escárnio:

— Celeste, qual é o seu problema agora? Você simplesmente não suporta nos ver tratando bem a Beatriz, não é? No ensino médio, você a acusou, junto com a mãe dela, de terem causado a morte da sua mãe. Mas e aí? O tio Luan já me contou a verdade faz tempo! Sua mãe tinha problemas mentais e se suicidou!

Ele nem sequer tentava disfarçar o desprezo e a repulsa na voz.

— E depois você inventou que a tia Aurora enganou você e Ezequiel, mandando vocês para uma escola de reabilitação para viciados em internet! — Ele riu friamente. — Eu mandei investigar, Celeste. Essa escola nem sequer existe! Ezequiel me disse que foi você quem o levou para um prédio abandonado, onde ele bateu a cabeça e perdeu a memória. No fim, foi a Beatriz quem cuidou dele por um mês!

Como se tivesse finalmente encontrado um alvo para descarregar sua fúria, Mário começou a me insultar sem parar:

— Para ser bem sincero, eu nunca quis me casar com você! Se não fosse pela bondade da Beatriz, preocupada que você pudesse fazer alguma besteira, eu nunca teria entrado naquele hotel e tomado aquela bebida que você adulterou...

Ouvi tudo em silêncio.

Então, uma voz robótica e impessoal interrompeu a ligação de repente:

— Paciente número 037, Celeste, favor se dirigir à sala de aborto.

Do outro lado da linha, Mário ficou subitamente mudo. Sua respiração acelerou de forma audível:

— Você vai abortar?

Por algum motivo, detectei uma ponta de incredulidade em sua voz.

Eu estava prestes a responder quando ouvi a risada suave de Beatriz do outro lado do telefone:

— Mário, como você é ingênuo! Acha mesmo que a Celeste, tão obcecada por você e pelo seu filho, teria coragem de abortar?

O tom de Mário imediatamente esfriou:

— Verdade... Celeste, você me decepciona cada vez mais. Como pode ser tão cruel, sendo filha do mesmo pai que a Beatriz? Para se casar comigo, você não mediu esforços, e agora quer usar essa criança para me chantagear? Vou te dizer uma coisa: isso não vai funcionar. Se continuar com esse drama, vamos nos divorciar!

Ele finalizou a frase com satisfação, esperando que eu chorasse, implorasse e me arrependesse.

No entanto, depois de um breve silêncio, apenas soltei um suspiro aliviado:

— Ótimo. Então, nos vemos no cartório depois de amanhã. — Desliguei o telefone e me virei para entrar na sala de aborto.
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