Quando o Amor Se Apaga
Quando o Amor Se Apaga
Por: Juliana Dias
Capítulo 1
Eu estava ali, debaixo da chuva, parada nos degraus, a cinquenta metros de distância da Vila do Antigo.

Observava em silêncio meu noivo, Mário, entregando um colar à encantadora Beatriz, que vestia um deslumbrante vestido de noiva branco.

Beatriz recebeu o colar com o rosto corado, mas, antes mesmo que pudesse colocá-lo, Mário a puxou impacientemente para seus braços, a apertando com força contra si.

Sob as provocações e aplausos dos amigos ao redor, os dois se beijaram apaixonadamente.

O beijo durou quase dez minutos, até que Beatriz ficou tão fraca das pernas que mal conseguia se manter em pé.

Só então Mário parou, ofegante.

O vento de outono soprou, levantando as cortinas translúcidas da Vila do Antigo.

Foi apenas nesse momento que percebi, sob a luz amarelada das lâmpadas, que minha família e meus amigos estavam todos ali.

E aquele por quem um dia arrisquei minha vida para proteger, meu irmão mais novo, Ezequiel, agora era o mestre de cerimônias daquele casamento.

Vestido com um elegante terno, seus olhos e coração estavam completamente voltados para sua irmã postiça, Beatriz.

Ele já havia esquecido completamente que, no passado, nós dois, como irmãos, quase fomos mortos por Beatriz e sua mãe naquela "escola de reabilitação para viciados em internet".

— Que minha irmã e meu cunhado permaneçam unidos para sempre e tenham uma vida feliz! — Declarou Ezequiel em voz alta.

Assim que ele terminou de falar, os amigos ao redor acenderam os fogos de artifício que já estavam preparados.

Sob o céu iluminado por explosões deslumbrantes, Mário pegou Beatriz nos braços, a carregando como uma princesa.

Ao ver essa cena, a emoção de Ezequiel atingiu o auge, e ele gritou com todas as suas forças:

— O casamento está selado, levem-nos para o quarto nupcial!

A solidão desesperadora abafou todo o barulho ao meu redor, me mergulhando em um vácuo silencioso.

Levantei a mão e disquei o número de Ezequiel.

Aquele irmão que um dia jurou diante de mim que sempre estaria ao meu lado apenas olhou para a tela do celular e, sem hesitar, rejeitou a chamada.

Não desisti. Continuei e liguei para Mário.

Assim que viu meu nome no visor, seu rosto imediatamente se fechou.

Ele ia desligar, mas, depois que Beatriz lhe disse algo, atendeu a chamada com impaciência.

Perguntei baixinho:

— Onde você está?

Diante de todos, ele soltou uma risada sarcástica e zombou de mim:

— Está me vigiando de novo? Já está grávida e ainda não sossega? Celeste, você é tão carente assim? Será que não consegue viver sem um homem? Eu já te disse tantas vezes que vim para a Vila do Antigo com Beatriz por causa da nova tumba descoberta para o museu! Só uma mulher suja e imunda como você pensaria em misturar trabalho com romance desse jeito!

Suas palavras cruéis me atingiram como uma onda avassaladora, me afogando por completo.

Mas a última réstia de apego em meu coração me obrigou a falar, com a voz embargada:

— Mas, Mário, hoje é meu aniversário...

Você me prometeu que, acontecesse o que acontecesse, passaria esse dia comigo.

Por isso, mesmo que o local da sua viagem de trabalho ficasse a mil quilômetros de distância, ainda assim escolhi pegar mais de dez meios de transporte diferentes, caminhar cinco quilômetros, enfrentar meu medo de atravessar a floresta para vir até você.

Até que os moradores me disseram que aqui nunca houve uma tumba antiga.

Apenas um professor chamado Mário, que, desde seis meses atrás, já estava planejando um casamento na Vila do Antigo com a mulher que amava.
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