Ethan deixa o notebook de lado para atender a porta, e logo a enfermeira chega. Clara, uma mulher de meia-idade, já esteve aqui ontem quando cheguei do hospital. — Bom dia, Srta. Bennett. Como está se sentindo hoje? — Sobrevivendo — respondo honestamente. — Um dia de cada vez. Clara sorri enquanto prepara seus equipamentos. Por alguns minutos, os cuidados seguem como de costume: ela verifica meus sinais vitais, me ajuda a tomar os remédios, avalia a cicatrização… — A recuperação está progredindo muito bem — comenta, aplicando um novo curativo. — A fisioterapeuta virá amanhã para começar exercícios respiratórios mais intensivos. — Mal posso esperar — digo, tentando soar animada. Clara fecha a maleta e me encara com um olhar decidido. — Vou ajudá-la a tomar banho hoje. — Consigo fazer isso sozinha — respondo rapidamente, odiando a ideia de precisar de ajuda até para isso, aqui na minha própria casa. — Srta. Bennett, seus pontos ainda não podem ser molhados em excesso, e movim
“Ethan Hayes” Cinco semanas. Mais de um mês se passou desde que o sequestro aconteceu, desde que eu quase perdi a mulher que amo. O sol começa a iluminar a cidade enquanto termino de preparar a bandeja com o café da manhã de Mia. Panquecas com frutas vermelhas, suco de laranja e café forte. O toque final? Um pequeno cupcake com uma vela solitária e uma rosa vermelha ao lado. Olho para o relógio: 6h45. Tenho quinze minutos antes que Mia desperte. Perfeito. Pego a bandeja e sigo pelo corredor até o quarto. Ela ainda dorme tranquilamente, deitada de lado, uma posição que teria sido impossível nas primeiras semanas. Certamente nem percebeu que saí da cama. Coloco o café da manhã na mesinha de cabeceira e me permito admirá-la. Seu rosto relaxado, a respiração tranquila, os cabelos espalhados pelo travesseiro… Sorrio, grato. Há algumas semanas, quase a perdi para sempre. Agora, Mia está aqui, respirando calmamente, melhorando a cada dia. Me sento na beira da cama, inclinando
“Mia Bennett” Há momentos na vida que têm um sabor único de vitória. Estar sentada no colo de Ethan, após semanas de toques cuidadosos e beijos contidos, definitivamente é um desses momentos. Os ombros dele estão tensos sob minhas mãos, os músculos rígidos como se ele estivesse travando uma batalha interna. Sei que ele quer. Posso sentir isso entre minhas pernas, mas Ethan ainda hesita, ainda com medo de me machucar. Tem sido assim desde a semana passada, quando o Dr. Ramirez liberou o sexo. Seguro o rosto dele entre minhas mãos, forçando-o a me encarar. — Estou bem, meu amor — murmuro contra seus lábios. — Quero isso. Quero você. Minhas palavras fazem seus olhos escurecerem, as pupilas se dilatarem de desejo, mas o receio ainda está lá. Então, decido acabar com qualquer dúvida que ainda persista. Rebolo mais uma vez, sentindo sua ereção pulsar sob mim, e solto um gemido baixo. Isso é o suficiente para quebrar o controle dele. Em um movimento, Ethan me segura pela
O pôr do sol pinta o céu de Chicago em tons de laranja e rosa quando Ethan estaciona na garagem do nosso prédio. Meu corpo está agradavelmente cansado após um dia de atividades que, há um mês, teriam sido impossíveis. Passeio no parque, almoço prolongado no meu restaurante favorito, até mesmo uma breve visita a uma exposição de arte. Pequenos prazeres que agora significam muito mais. — Obrigada pelo dia — digo, quando ele abre a porta do carro para mim. — Foi um dos melhores aniversários da minha vida. — O dia ainda não acabou, perdição — ele responde, me oferecendo a mão para ajudar a sair do carro. — É mesmo? — pergunto, entrelaçando nossos dedos enquanto caminhamos em direção ao elevador. — Não me diga que tem mais surpresas. Meu coração não aguenta. — Pensei em sair para jantar fora esta noite. O que acha? — Ou podemos pedir o jantar, assistir a um filme agarradinhos no sofá… — sugiro, entrando no elevador. — A conclusão perfeita para um dia perfeito. Me inclin
“Ethan Hayes”Observo Mia do outro lado da sala, rindo enquanto Vitória narra, com gestos exagerados, como ela e Theo acabaram se aproximando durante as visitas ao hospital.Há algo na forma como seus olhos brilham, no jeito que joga a cabeça para trás quando ri sem reservas, que ainda me deixa completamente rendido.— Você está com aquela cara de novo — Lauren comenta, surgindo ao meu lado com uma taça de champanhe.— Que cara?— A cara de homem completamente apaixonado. É meio nauseante, para ser honesta — provoca, mas sei que é puro hábito.— Olha quem fala… Você deveria se olhar no espelho e dizer “James” — rebato. — Vai ver que ficará com a mesma cara.Ela revira os olhos, mas o rubor em suas bochechas entrega tudo.— Pelo menos a Mia não ficou brava por termos escondido isso dela — desconversa, desviando o olhar para minha mulher.Sorrio. Lauren tem razão, claro. Ver a surpresa no rosto de Mia quando encontrou a festa que preparamos fez valer a pena cada mentira do bem. Não há c
“Mia Bennett” O jantar foi perfeito, assim como a festa em si: pratos do meu restaurante favorito, um vinho delicioso e, especialmente, a companhia das pessoas mais importantes da minha vida. Lauren volta à mesa, carregando o bolo que meu pai escolheu, agora iluminado pelas velas acesas. Todos começam a cantar "Parabéns", e, por um instante, me pego quase constrangida por ser o centro das atenções. Mas, quando olho para Ethan, que está ao meu lado, me observando como se eu fosse a coisa mais preciosa do universo, percebo que sou digna de todo esse amor. — Faça um pedido — Vitória incentiva quando a canção termina. Fecho os olhos, pensando no que pedir. Um ano atrás, meus desejos teriam sido sobre Harvard, sucesso profissional, independência. Mas agora, após quase perder minha vida… Inspiro profundamente e sopro as velas, todas de uma vez. Os aplausos ecoam ao meu redor, seguidos imediatamente por Lauren, que anuncia que vai servir o bolo. — Aposto que dessa vez sei o
“Alguns meses depois… Mia Bennett.” O outono chegou bem mais rápido do que eu gostaria. Quatro meses desde o meu aniversário. Quatro meses de preparação para Harvard. Quatro meses de pequenas e grandes mudanças. Minha recuperação física foi declarada completa há pouco mais de dois meses, quando o Dr. Ramirez finalmente assinou minha alta médica definitiva. — Extraordinário! — ele disse, avaliando a cicatriz fina nas minhas costas. — Raramente vejo uma recuperação tão completa em casos como o seu. Mas a verdadeira recuperação aconteceu antes, nos pequenos momentos. Na primeira vez que corri no parque sem sentir falta de ar. Na primeira noite que dormi sem acordar em pânico, com o coração disparado pelos pesadelos com Miranda. Na primeira vez que passei um dia inteiro sem lembrar do sequestro. Minha cicatriz continua aqui, claro. Uma linha rosada e irregular de alguns centímetros abaixo do meu ombro esquerdo, marcando o lugar onde o projétil entrou. Ethan a beija todas as noi
Deitada ao lado de Ethan pela última vez antes da viagem, não consigo dormir. Apesar de estar com ele, é a distância que nos espera que me tira o sono. Em poucas horas, estarei em outro lugar, sozinha, sem ele ao meu lado. Não vou acordar com o café da manhã que ele traz na cama, nem dormir ouvindo-o trabalhar até tarde em seu notebook. Sentindo minha inquietação, Ethan se move e me puxa para mais perto. Me aconchego em seus braços, encontrando conforto no calor dele. — Tudo dará certo — sussurro. Tento acreditar nisso enquanto finalmente adormeço, segura nos braços do homem que transformou minha vida de maneiras que nunca imaginei possíveis. Quando abro os olhos novamente, o sol já está brilhando lá fora. Ethan está sentado ao meu lado, trazendo o café da manhã para mim. — Vou sentir falta disso — murmuro, controlando as lágrimas que ameaçam descer antecipadamente. Ele coloca a bandeja no meu colo e afasta uma mecha do meu cabelo para trás da orelha. — Em poucos dias, estare