Manuela Morris O calor de um toque suave em minha testa me fez despertar lentamente. Meus olhos piscavam para se ajustar à luz fraca da sala, e levei alguns segundos para entender onde estava. O sofá. De novo.Suspirei, passando a mão na barriga.O bebê havia se mexido tanto antes de eu dormir que acabei ficando ali, incapaz de encontrar uma posição confortável na cama.Mas então senti algo diferente.Uma presença.Meu olhar subiu e encontrou Collin ajoelhado ao meu lado. Seu rosto estava parcialmente sombreado, mas seus olhos estavam fixos em mim. Intensos. Insondáveis.— Collin? — Minha voz saiu rouca pelo sono.Ele não respondeu de imediato. Apenas deslizou a mão sobre minha barriga de forma hesitante, como se estivesse tentando gravar aquela sensação na memória.Eu deveria estar feliz com o gesto, mas uma tensão pairava entre nós.E então me lembrei.A discussão. A forma como ele ficou estranho. O jeito como saiu sem me dizer para onde ia.Um nó se formou no meu estômago.— Onde
Manuela Morris Uma semana se passou desde a consulta de ultrassonografia – uma semana em que, apesar de tudo, o que parecia ser o melhor momento do nosso casamento floresceu. Eu, Collin, tenho vivido uma montanha-russa de emoções. Os dias têm sido surpreendentemente leves, repletos de momentos de ternura e diálogos sinceros com Manuela, mas, como sempre, uma sutil dúvida insiste em me acompanhar, lembrando-me de que a incerteza da paternidade ainda paira no ar.Naquela manhã, acordei antes do sol, tomado por um silêncio introspectivo. Ao abrir os olhos, o primeiro que vi foi o contorno sereno de Manuela dormindo no sofá da sala. Seu corpo repousava com calma, e a barriga, já evidente com os cinco meses de gestação, parecia contar a história de uma nova vida que se formava entre nós. A visão me encheu de um misto de esperança e inquietação.Sentei-me devagar na cadeira ao lado dela e observei cada detalhe: o leve movimento dos cílios, a expressão pacífica que contrastava com o turbilh
Collin Morris Eu mal podia acreditar no que estava acontecendo. Era uma tarde cinzenta e fria, e a casa parecia mergulhada em um silêncio inquietante, interrompido apenas pelo som ocasional do vento batendo na janela. Manuela, agora com oito meses de gestação, repousava no quarto enquanto eu permanecia na sala, tentando organizar os meus pensamentos depois de tantos conflitos internos. Ainda me recuperava das emoções que a consulta de ultrassonografia havia despertado, das conversas sinceras durante o almoço, dos diálogos repletos de promessas e incertezas. Mas nada poderia me preparar para o que estava prestes a acontecer.Enquanto eu revisava mentalmente os eventos dos últimos dias, o telefone de Manuela começou a tocar. Eu sabia que ela raramente atendia chamadas naquele horário, e uma pontada de apreensão percorreu o meu corpo. Em meio à confusão de sentimentos, decidi ficar no corredor, com o coração batendo forte, para não interromper o que quer que ela estivesse fazendo.Pouco
Manuela Morris A dor vinha em ondas avassaladoras, sugando toda a minha energia e deixando meu corpo trêmulo. Eu apertava com força a mão de Collin, que estava ao meu lado, mais nervoso do que eu. Meu coração pulsava acelerado, misturando a dor física com a ansiedade e a emoção de finalmente trazer nossos bebês ao mundo.O hospital estava em alvoroço. Enfermeiras corriam de um lado para o outro, médicos se preparavam, e eu sentia o suor escorrendo pela minha testa.— Você está indo muito bem, amor — Collin murmurou ao meu lado, sua voz trêmula de preocupação.Tentei rir, mas só consegui soltar um gemido de dor.— Se isso é ir bem, então eu nem quero saber o que é ir mal — sussurrei entre respirações pesadas.— Você é forte, Manuela. Eu estou aqui com você.As palavras dele aqueceram meu coração, mas outra contração me atingiu como um raio. Meu corpo inteiro se retesou, e eu gritei, agarrando o lençol da maca como se minha vida dependesse daquilo.A Dra. Santana se aproximou, com um o
Collin Morris O inverno em Paris era severo, e as janelas do meu escritório na Morris Enterprise estavam embaçadas pelo frio. Do alto do prédio, eu podia ver a cidade movimentada, as pessoas caminhando apressadas, tentando escapar do vento cortante.Dois meses haviam se passado desde que nos mudamos para a França. Manuela e os bebês estavam bem, e nossa vida parecia estar finalmente entrando em equilíbrio. Eu tentava dividir meu tempo entre a empresa e minha nova família, algo que nunca imaginei fazer.Ser pai era… inesperadamente transformador.Antes, minha vida girava em torno de negócios, reuniões e estratégias. Agora, minha rotina também incluía mamadeiras, noites em claro e um amor que eu sequer sabia que poderia sentir.Helena e Caio eram tudo para mim.E Manuela…Bem, Manuela havia mostrado uma força que me fazia admirá-la cada vez mais. Cuidava dos nossos filhos com uma dedicação absurda, e mesmo com as dificuldades, não reclamava. Eu via o amor dela nos pequenos gestos, e is
Collin Morris Eu mal conseguia dormir naquela noite. O peso do que estava prestes a acontecer me corroía por dentro. Dois meses haviam se passado desde que nos mudamos para a França, e eu começava a acreditar que, de alguma forma, a vida estava finalmente se acalmando. Manuela estava em um estado de graça maternal – embora as dúvidas sobre a paternidade dos nossos gêmeos ainda sussurrassem nas sombras do meu pensamento, eu tentava ignorá-las e confiar no que via: o amor que brilhava nos olhos dela toda vez que segurava Helena e Caio. Mas aquela sensação tênue de incerteza nunca se dissipara por completo.Foi numa manhã cinzenta, com o céu carregado de nuvens e o ar úmido, que a porta da nossa casa se abriu abruptamente. Eu estava na cozinha, tentando preparar um café forte para clarear a mente, quando ouvi passos apressados e o som de uma voz áspera que parecia perturbar a paz que eu tanto almejava.— Collin! — gritou alguém.O coração acelerou. Eu larguei a caneca e fui em direção à
Manuela MorrisEu não sei por onde começar. A confusão que se seguiu aos resultados do teste de DNA ainda pulsa em minha mente como um eco amargo, mas agora, a dor tomou uma nova forma – a traição, a injustiça e o abandono. Collin, tomado pelas dúvidas e pela humilhação, saiu de casa naquela manhã. Eu fiquei sozinha com os bebês, Helena e Caio, meus gêmeos, e com a sensação de que todo o nosso mundo, que eu lutara tanto para construir, estava desmoronando.O silêncio pesado da casa foi interrompido por passos decididos do lado de fora. Pouco tempo depois, a porta da frente se abriu abruptamente e, para meu horror, apareceu Lois, com um sorriso frio e uma malícia que me gelou a alma.— Manuela, precisamos conversar! — ele exclamou, com voz estridente, sem sequer esperar por um convite para entrar.Meu coração disparou. Eu levantei-me devagar, tentando juntar a coragem que restava dentro de mim, enquanto os bebês, ainda adormecidos no quarto, pareciam não entender a tempestade que se fo
Collin MorrisEu estava sentado sozinho no meu escritório, no alto de um prédio antigo em Paris, tentando forçar a concentração enquanto a chuva batia forte contra as janelas. A rotina da Morris Enterprise, as reuniões e os números, de repente, pareciam ter perdido o sentido. Algo em mim estava quebrado, e eu mal conseguia juntar os pensamentos. Há poucos dias, meus dias já não eram os mesmos; a dúvida sobre a paternidade dos meus filhos e as mentiras de Lois haviam corroído a base de tudo o que eu acreditava. E agora, uma nova revelação - ou assim diziam - ameaçava despedaçar o pouco de confiança que eu ainda tinha.Eu estava tentando trabalhar, mas o telefone tocou incessantemente. O número desconhecido piscava na tela, e algo dentro de mim me dizia que aquela ligação mudaria tudo. Atendi sem muita cerimônia, mas não tive tempo de pensar quando uma voz familiar e fria soou do outro lado:— Collin, aqui é o Lois.A voz dele sempre teve um tom que misturava arrogância com falso arrepe