Elena Winsly Quimby Quando a luz finalmente desapareceu dos meus olhos, meu corpo ficou tão leve que parecia prestes a desmoronar.A sensação de ser tomada pela presença da deusa era algo impossível de descrever. Era como ser puxada por uma correnteza de energia pura, incapaz de resistir, enquanto cada parte de mim deixava de ser minha.E agora, com a força dela indo embora, o vazio que ficou era quase insuportável.Minhas pernas fraquejaram e, antes que eu pudesse ir ao chão, senti braços firmes me segurarem.— Ei, cuidado! — a voz de Davian cortou o silêncio.Eu me apoiei nele sem resistência, minha respiração pesada enquanto tentava encontrar algum equilíbrio.— Obrigada por não me deixar cair de cara no chão — murmurei, tentando dar um tom leve à situação.— Não precisa agradecer — ele respondeu, com aquele tom prático de sempre. — Só fiz o mínimo.Antes que eu pudesse protestar, ele me guiou até uma cadeira próxima e me ajudou a sentar.Ao encostar minhas costas na cadeira, puxe
Davian Deane O cheiro suave do chá preenchia a cozinha enquanto eu mexia a colher na chaleira, o som tranquilo da água borbulhando quebrando o silêncio pesado que pairava no ar.Elena e Elaris conversavam baixinho perto da mesa, mas eu não estava realmente prestando atenção ao que diziam.Minha atenção estava toda nela.Elaris.Ela estava sentada com os ombros levemente curvados, os dedos inquietos brincando com a borda da caneca vazia à sua frente. Seu rosto, normalmente tão firme e decidido, estava marcado por uma expressão que eu não sabia se era confusão, tristeza ou pura exaustão. Talvez fosse um pouco de tudo.E, sinceramente? Não era difícil entender o porquê.Aquela garota tinha acabado de ouvir da própria deusa que sua família não apenas mentiu, mas também carregava um dos maiores crimes possíveis nas costas e que, por alguma razão cósmica, agora ela estava no centro de toda essa bagunça.Eu senti um aperto no peito só de pensar nisso.— Você está queimando o chá, Davian — a
Elena Winsly QuimbyA noite estava fria, o ar úmido tocando minha pele enquanto eu caminhava pela trilha que levava de volta para casa.Depois de tudo que aconteceu na casa de Davian, minha cabeça ainda estava girando, tentando processar as palavras da deusa e o peso que ela havia colocado sobre Elaris.Mas antes que eu pudesse me perder completamente nesses pensamentos, um vulto familiar surgiu no caminho à minha frente.— Elena!Antes que eu dissesse qualquer coisa, Zane já tinha cruzado a distância entre nós e me puxado para um abraço apertado, segurando meu corpo firme contra o dele.— Por mais que a deusa tenha me avisado… — a voz dele saiu baixa e aliviada ao lado do meu ouvido. — Eu ainda fiquei preocupado quando não te vi na cama.Eu ri suavemente, sentindo o calor familiar do abraço dele me envolver.— Você é fofo quando se preocupa, sabia?Ele bufou, mas não se afastou imediatamente.— Não espalha, tá? Tenho uma reputação para manter.— Segredo nosso.Nosso pequeno momento d
Dellan Receber uma carta de Zane já era algo raro.Receber uma carta dele pedindo ajuda, então? Era praticamente um evento histórico.Li e reli a mensagem várias vezes durante a viagem, tentando entender exatamente o que tinha levado meu amigo a pedir por mim depois de tanto tempo. Mas, honestamente? Não importava o motivo.Se Zane precisava de mim, eu iria sem pensar duas vezes.Cheguei ao território da alcateia logo ao anoitecer, as árvores altas se curvando sob o vento suave. Os lobos que guardavam a entrada me reconheceram imediatamente e acenaram em silêncio, me deixando passar.Quando finalmente avistei a casa principal, lá estava ele: Zane, com aquele ar tranquilo e decidido que sempre carregava, mesmo quando o mundo parecia desmoronar ao redor dele.E ao lado dele estava uma mulher, era Elena. Estava presente quando se casaram, fiquei um tempo no castelo, mas tive que voltar para minha casa, tinha trabalho a ser feito. — Dellan! — Zane me chamou com um sorriso no rosto enqua
Davian Deane Encontrar Dellan depois de tanto tempo foi como respirar um pouco de ar fresco no meio daquele caos.— Olha só, quem resolveu aparecer — ele disse com um sorriso largo, antes de me puxar para um abraço apertado.— Você que sumiu, não eu — respondi, rindo enquanto o soltava.— Ah, claro. Por que o misterioso lobo diplomata vive escondido, não é?— Exatamente isso.Dellan riu, dando um tapa leve no meu ombro.Após matar a saudade e trocar algumas provocações amigáveis, seguimos para a sala de reuniões de Zane. O clima descontraído se dissipou rapidamente quando entramos no ambiente iluminado apenas por uma lareira suave. Mapas, papéis e anotações cobriam a mesa central.Zane estava parado perto da lareira, com Elena ao lado dele, os olhos dela brilhando com uma determinação inquietante.— Certo, pessoal — comecei, cruzando os braços. — Como exatamente a gente vai resolver essa bagunça?Antes que Zane pudesse abrir a boca, Elena se intrometeu.— A gente vai até lá e acaba c
Davian Deane O pânico me consumia, isso não podia ser real! Não devia ser real! Ela não faria isso, não é? Não. Elaris era inteligente, ela não... MERDA!Eu corria pela alcateia como um louco, perguntando a qualquer um que cruzasse meu caminho:— Você viu, Elaris?— Elaris passou por aqui?!— Alguém viu para onde ela foi?!Mas ninguém sabia de nada. Cada resposta negativa era um soco direto no meu estômago. E como poderiam? Grande parte daquelas pessoas sequer a conhecia direito.Meu peito subia e descia em respirações rápidas, minha mente girando com possibilidades terríveis.Ela não faria isso comigo. Ela não simplesmente iria embora sem me dizer nada! Porra, ela não pode! Ela não pode agir assim, sumir como se-... como se não fosse nada!Então… meu olhar caiu sobre a mesa da cozinha, assim que entrei em casa de novo.Uma carta.Minha garganta apertou enquanto eu pegava o pergaminho, os dedos tremendo ao passar pelos traços delicados da caligrafia impecável dela. Uma parte minha n
Davian DeaneTudo o que eu conseguia ver era vermelho, minha visão inteira parecia tomada pela cor.Uma névoa espessa, quente, densa, cobrindo minha visão por completo.O cheiro de sangue estava por toda parte. O cheiro dela. O sangue dela.Elaris.Caída no chão. Ferida. Fraca.E aqueles malditos desgraçados estavam sorrindo.Eu não pensei. Não hesitei.Meu corpo se moveu sozinho, impulsionado por algo mais primordial do que qualquer pensamento racional.Vocês vão sentir dor. Vão sentir cada pedaço do que fizeram a ela.E foi exatamente o que fiz.Os gritos deles foram como música para mim.O primeiro morreu rápido demais. Um erro. O segundo demorou mais. O terceiro… esse sofreu.Mas quando o último corpo caiu, sem vida, minha respiração pesada finalmente cortou o silêncio da floresta.E então eu vi.O rosto de Elaris.Ela estava me encarando, os olhos arregalados, o corpo tremendo.Eu conhecia aquela expressão.Medo.Meu coração parou por um segundo.A névoa vermelha começou a se dis
Davian DeaneEu ainda sentia o gosto dos lábios dela nos meus, a sensação quente e inegável daquela conexão que queimava entre nós.E então, eu senti.O fio.Aquela coisa invisível, mas poderosa, pulsando entre nós como se estivesse viva.Eu não precisava de explicações.Não precisava de mais nenhuma prova.Eu sabia o que aquilo significava.Mas, naquele momento, nada importava além de Elaris.Nada além do fato de que ela ainda estava ferida, frágil, e por pouco eu não a perdi.— Nunca mais me deixe, por favor. — Minha voz saiu baixa, quase um sussurro contra o cabelo dela.Eu a segurei com mais força, e quando percebi, já a estava pegando no colo, segurando-a com um cuidado que beirava o desespero.Elaris não protestou.Ela apenas se aconchegou contra mim, suas mãos agarrando o tecido da minha camisa, como se tivesse medo de que eu desaparecesse a qualquer momento.Mas isso não ia acontecer.Nunca mais.Eu comecei a caminhar de volta para casa, ignorando o cheiro de sangue ao nosso r