Davian Deane Assim que saí do quarto de Elaris, senti o meu corpo soltar um suspiro que eu nem percebi estar segurando. Encostei na parede do corredor, tentando me acalmar, mas minha cabeça não parava de rodar. A imagem dela sorrindo no mercado, os olhos dela brilhando enquanto olhava para tudo ao redor, não saía da minha mente.Ela parecia tão… radiante, não tinha outra palavra para descrever, o jeito que o sorriso dela iluminava cada canto daquele mercado… eu não conseguia me lembrar da última vez que vi alguém tão feliz com algo tão simples, e isso mexeu comigo de um jeito que não estava esperando.Respirei fundo, tentando entender o que estava acontecendo comigo. Meu peito estava apertado, o coração disparado como se eu tivesse acabado de correr quilômetros, o que fez eu até me perguntar por um segundo se estava doente, ou talvez… morrendo? Mas não fazia sentido, eu não me sentia fraco, nem exausto, só… confuso.Olhei para as minhas mãos, tentando me concentrar, checar os sinais
Elaris Stins Depois de arrumar o quarto, me senti mais leve, como se finalmente algo dentro de mim estivesse começando a se ajeitar. Coloquei cada coisa no seu lugar, os tecidos dobrados no guarda-roupa. Tudo estava em seu devido lugar, me sentei na cama olhando para a comoda, onde estavam alguns itens decorativos e a caixa de joias, que Davian havia insistido em comprar. Me virei e olhei para o filtro dos sonhos, que estava pendurado na cabeceira da cama, estiquei minha mão e toquei nela, só queria poder dormir melhor hoje. As penas dele balançavam levemente com o vento que entrava pela fresta da janela, e por um momento, me perguntei se aquilo realmente funcionaria, se… de alguma forma, os pesadelos que me perseguiam há tanto tempo seriam finalmente barrados por aquele objeto tão simples.Enquanto pensava, Davian dizia meu nome. Levantei-me da cama rapidamente e fui até a cozinha. O cheiro estava delicioso, ele havia preparado algo para comermos. Ele colocou o prato sob a mesa e
Davian Deane Depois de alguns minutos deitado na cama, decide descansar um pouco, estava precisando. Zane não precisava de mim agora, sempre devia descansar bem, pois o meu trabalho chega quando menos espero. Fechei os meus olhos e fui levado pela escuridão, eu raramente sonhava, gostava apenas de deitar e descansar a mente, o corpo... ****Meu descanso não durou muito, algo me fez acordar, em alerta.Eu acordei com um sobressalto, meus sentidos afiados captando um som que fez meu corpo entrar em alerta imediato. Me sentei e olhei em volta, para descobrir o que era. — O que é isso? — cerrei meus olhos, tentando prestar atenção. Era um grito abafado, como se alguém estivesse lutando contra algo que não podia ver, e levei um segundo para me orientar, a escuridão do quarto ainda pesada ao meu redor, e foi quando ouvi de novo, dessa vez mais claro. Um grito vindo do quarto de Elaris.— Merda! — reclamei e me levantei, indo em direção à porta do quarto. Meu coração disparou e corri
Elaris Stins Acordei num grito desesperador. Me sentei na cama, colocando a mão no coração, estava batendo tão rápido que doía. Aquele pesadelo ainda estava em minha mente, como se eu visse tudo aquilo novamente, bem na minha frente. Eu mal conseguia respirar. Meu peito subia e descia rápido, como se eu tivesse acabado de correr milhas, mas ainda assim, era como se o ar não fosse suficiente. Tudo estava confuso, meus pensamentos embaralhados, e as sombras do pesadelo ainda dançavam ao meu redor. Como se pudessem me engolir de novo a qualquer momento, meu corpo tremia, e não era só pelo suor frio que escorria pela minha pele. Era pelo medo. O mesmo medo que me acompanhava desde que eu era criança.Escutei Davian entrando pela porta, parecia desesperado, mas mal conseguia olhar para ele agora, ainda estava atordoada, olhando para a cama e depois para o chão, tentando respirar fundo, tentando me acalmar, mas era em vão. Ele me chamou bem baixo, se abaixou bem na minha frente, mas
Davian Deane Eu podia sentir a tensão no corpo de Elaris, o jeito com que ela segurava meu braço como se fosse a única coisa que a mantinha ancorada na realidade. Sua pele estava fria, ela precisava se agasalhar bem. Naquele instante, ela se afastou de mim. Ela se deitou na cama, se cobrindo, ela estava tremendo de frio. Mesmo assim, sua mão segurou meu pulso com firmeza, como se dissesse para não sair dali, e eu não faria isso. Me aproximei dela, cerrando o maxilar, e encostei as costas da mão em sua testa. Eu estava certo, sua testa estava quente. Era febre, com certeza.E não era nada leve, ela estava queimando. Cada vez que eu olhava para ela, sentia a preocupação aumentar, se acumulando dentro de mim como uma tempestade.Ela não estava falando, nem reagindo muito além do aperto no meu braço, e isso me deixava ainda mais impaciente, porque o silêncio dela, o jeito que tremia e se encolhia nas cobertas, me fazia sentir uma urgência crescente. O que eu deveria fazer? Só ficar a
Davian Deane. Passou um tempo desde que havia colocado o pano sobre a testa de Elaris, quando tirei, sequei sua testa com um pano seco e coloquei minha mão sobre sua testa, percebendo haver aliviado um pouco. Soltei um longo suspiro e olhei para Elaris, vi um leve sorriso se formar em seus lábios, enquanto ela colocava ambas as suas mãos na cuia de caldo. — Obrigada, Davian. — Me olhou por um tempo e depois voltou a olhar para baixo, para o remédio. Aquilo me pegou de surpresa, fazendo com que eu me virasse na hora, arqueando as sobrancelhas enquanto tentava entender por que ela estava me agradecendo. Cuidar dela era a única coisa que fazia sentido, ela estava doente, com febre alta e pesadelos que a estavam torturando. O que mais eu deveria fazer além de ajudar?Fiquei parado, olhando para ela, tentando processar o que ela disse. Elaris estava sentada, ainda enrolada na coberta. O rosto pálido, mas seus olhos estavam mais focados agora, mas o que mais me chamou a atenção foi a
Elaris Stins. Davian foi gentil comigo, mais do que imaginei. Ele me carregou em seus braços até a cozinha, apenas para que não ficasse sozinha e preparou algo para mim. Eu fiquei sem graça, é claro. Mas vê-lo preparando algo para mim? Foi impressionante. Ele começou a ser ágil, depois que percebeu que a minha febre não estava abaixando. Começou a mexer nos utensílios de cozinha, procurando algo. Fiquei apenas olhando para ele, me encolhendo no cobertor, como se aquilo me ajudasse, mas ainda sentia frio. Minhas mãos ainda tremiam debaixo da coberta. Quando Davian se sentou na minha frente e colocou o pano sob minha testa, nossos olhos se encontraram e eu senti algo estranho no meu estômago, um frio. Tentei desviar o olhar e respirei fundo. Ele parecia preocupado comigo, queria que eu melhorasse. Ver um Davian preocupado assim, como uma estranha, era algo diferente. Nunca fizeram algo assim por mim antes. Ele fez um remédio, o qual era bem amargo, fiz caretas, mas to
Elaris Stins.O céu começou a clarear, me sentei na cama, olhando para a janela. O tom suave de laranja e rosa tomou o lugar da escuridão. O sol se erguia devagar no horizonte, e com isso percebi que não adiantava mais insistir: eu não ia dormir, não que eu achasse que ia de qualquer forma, porque já havia decidido que não ia, mas… acho que foi naquele momento, que eu desisti realmente da ideia. Mesmo que meus olhos estivessem cansados, sentia-os até arderem, de horas com eles abertos, olhando a escuridão da noite. Eu tinha desistido. Simples assim. Olhei para o outro lado do quarto, cada sombra agora revelando o que realmente era, de madeira avermelhada que pareciam ter sido recém comprados, um baú no canto, algumas roupas jogadas sobre a cadeira. Nada assustador, só… vazio.Me acomodei melhor na beirada da cama, sentindo o peso do cansaço nos ombros e no corpo inteiro, como se cada movimento exigisse esforço. Minha cabeça latejava, e o pensamento mais simples parecia se arrasta