Elaris Stins. Davian foi gentil comigo, mais do que imaginei. Ele me carregou em seus braços até a cozinha, apenas para que não ficasse sozinha e preparou algo para mim. Eu fiquei sem graça, é claro. Mas vê-lo preparando algo para mim? Foi impressionante. Ele começou a ser ágil, depois que percebeu que a minha febre não estava abaixando. Começou a mexer nos utensílios de cozinha, procurando algo. Fiquei apenas olhando para ele, me encolhendo no cobertor, como se aquilo me ajudasse, mas ainda sentia frio. Minhas mãos ainda tremiam debaixo da coberta. Quando Davian se sentou na minha frente e colocou o pano sob minha testa, nossos olhos se encontraram e eu senti algo estranho no meu estômago, um frio. Tentei desviar o olhar e respirei fundo. Ele parecia preocupado comigo, queria que eu melhorasse. Ver um Davian preocupado assim, como uma estranha, era algo diferente. Nunca fizeram algo assim por mim antes. Ele fez um remédio, o qual era bem amargo, fiz caretas, mas to
Elaris Stins.O céu começou a clarear, me sentei na cama, olhando para a janela. O tom suave de laranja e rosa tomou o lugar da escuridão. O sol se erguia devagar no horizonte, e com isso percebi que não adiantava mais insistir: eu não ia dormir, não que eu achasse que ia de qualquer forma, porque já havia decidido que não ia, mas… acho que foi naquele momento, que eu desisti realmente da ideia. Mesmo que meus olhos estivessem cansados, sentia-os até arderem, de horas com eles abertos, olhando a escuridão da noite. Eu tinha desistido. Simples assim. Olhei para o outro lado do quarto, cada sombra agora revelando o que realmente era, de madeira avermelhada que pareciam ter sido recém comprados, um baú no canto, algumas roupas jogadas sobre a cadeira. Nada assustador, só… vazio.Me acomodei melhor na beirada da cama, sentindo o peso do cansaço nos ombros e no corpo inteiro, como se cada movimento exigisse esforço. Minha cabeça latejava, e o pensamento mais simples parecia se arrasta
Davian Deane. Eu acordei cedo, bom, na verdade, não dormi muito, foram apenas algumas horas, a verdade era que... estava preocupado com Elaris. Ela parecia uma mulher que guardava muita coisa dentro de si, parecia que não queria ajuda e eu, não me importava com isso, queria a ajudar. Levantei rapidamente, dobrando meu cobertor e fui até o banheiro, fazer minha higiene, quando terminei. Me olhei no espelho e suspirei. Ela deve estar acordada, melhor preparar algo para ela. Elaris pode querer algo. Fui até a cozinha apressadamente. Rapidamente peguei a chaleira e coloquei algumas ervas que havia colhido há alguns dias. As lavei e coloquei para ferver, em seguida fiz algumas torradas, cortei algumas frutas e coloquei em um prato. Quando o chá estava pronto, apenas deixei na mesa e decidi ver Elaris, queria saber se ela estava bem, eu queria que estivesse. Fui até a porta do quarto e a chamei. — Elaris? Posso entrar? — perguntei, esperando que ela respondesse. Ela concordou e, e
Elaris Stins Eu ainda não conseguia acreditar que Davian realmente ia fazer isso. Ele tinha realmente falado sério quando disse que ficaria comigo a noite toda, mas agora que o sol já estava sumindo e o quarto começava a mergulhar na escuridão, eu vi o quanto ele estava preparado. E, sinceramente? Aquilo me deixou sem palavras. Ele entrou no quarto como se estivesse pronto para ir para uma missão ou, sei lá, uma batalha. Roupas escuras, uma faca presa na lateral da bota, mais duas na cintura e, pelo que vi, outras escondidas por baixo do casaco. A luz fraca da vela mal iluminava o rosto dele, mas seus olhos pareciam atentos, como se ele estivesse patrulhando uma floresta cheia de ameaças invisíveis. Eu arqueei a sobrancelha, tentando segurar um meio sorriso. Era impossível não pensar que ele estava levando isso longe demais. — Davian… — chamei, minha voz saindo baixa, quase hesitante. — Você vai ficar bem sem dormir? Ele nem pestanejou, e apenas soltou um suspiro leve, como
Elaris Stins. Acho que se passou meia hora... que eu tentava dormir, tentei ao máximo não pensar em Davian, fingi a mim mesma que ele não estava ali, precisava descansar agora. Minha mente precisava, meu corpo. Foi como se meus olhos finalmente se rendessem, porque o peso das pálpebras ficou impossível de ignorar, e sem nem perceber, eu apaguei. A cama, o quarto e até mesmo Davian na cadeira ao lado… tudo se dissolveu num vazio confortável e sem forma, e isso… me fez achar que seria uma noite tranquila. Era tudo que eu precisava. Mas então, de repente, tudo mudou. Quando abri os olhos de novo, eu estava ali na floresta. Árvores altas cercavam meu corpo, escuras como se estivessem espreitando, e a luz fraca da lua dançava entre as folhas, criando sombras sinuosas no chão. Eu não acreditava nisso... Era o mesmo lugar em que eu havia corrido, horas ou dias atrás… fugindo, aquele desespero, correndo, sozinha... não queria passar por aquilo novamente, mas aqui estava eu... naq
Elaris Stins. Acordei com um sobressalto, o peito subindo e descendo rápido, como se eu tivesse corrido uma maratona. Eu estava de costas para Davian, não queria ter que encarar ele... não depois do sonho, aquele sonho erótico, intenso. Parecia real. Fiquei olhando para a parede à minha frente, com o coração acelerado, tentei puxar o ar. Por alguns segundos, fiquei ali, piscando para a escuridão do quarto, tentando entender onde eu estava e o que tinha acabado de acontecer. O sonho ainda pulsava dentro de mim, cada detalhe, cada toque, cada sensação queimando na minha pele como brasas que não queriam apagar. Eu sonho com Davian, com ele me tocando... e aquilo, foi real demais, eu senti tudo, cada toque, cada beijo, e só de pensar nisso, sentia meu corpo ferver. Eu passei a mão pelo rosto, tentando espantar o calor que insistia em permanecer ali. Era só um sonho, eu precisava lembrar disso. Só um sonho. Nada mais que isso. Tentei dizer a mim mesma. Mas, droga... por que pa
Davian Deane. Eu estava ali, parado, sentado e encostado na porta de madeira que rangia sob o peso do meu corpo, e a única coisa que eu fazia era... olhar. Olhar para Elaris, dormindo tão tranquila que até parecia mentira. No começo, minha intenção era só garantir que ela estivesse segura, que nada a incomodasse. Eu não costumava baixar a guarda, muito menos em situações assim, mas com Elaris… bem, era diferente. Ela tinha algo que fazia o tempo desacelerar, e eu me pegava perdido nessa calma estranha que vinha só de estar perto dela. Enquanto eu continuava ali, observando, meu olhar acabou se demorando mais do que deveria no rosto dela. Não conseguia desviar... A lua iluminava o quarto por entre as frestas das janelas, e a luz suave se espalhava por seus cabelos cinzas, que caíam em ondas pela cama. Era como uma cascata, brilhando contra o tecido escuro dos lençóis. As pontas dos fios encostavam no travesseiro, parecendo tão macias que meus dedos coçaram de vontade de tocá
Elaris Stins. Tentei não me mexer durante a noite, após ter acordado... aquele sonho, bom, ele me atormentou por horas, até que eu dormisse. E bom... não dormi bem, foram apenas algumas horas. Quando abri os olhos, já acordada, vi o primeiro fio de luz que começou a se esgueirar pela fresta da janela, e eu sabia que era hora de levantar. Ou melhor, eu deveria levantar. Passei a noite inteira lutando para dormir, mas não adiantou. Meu corpo se revirou na cama, inquieto, como se estivesse preso entre o sono e a vigília, incapaz de escapar do calor que parecia não querer me deixar em paz. Cada vez que fechava os olhos, aquele sonho voltava, insistente, vivo demais para ser apenas uma ilusão passageira. Suspirei, frustrada, e empurrei o lençol para longe. A manhã havia chegado, e com ela a certeza de que eu não tinha conseguido descansar nem por um segundo. Que droga! Virei o rosto devagar, espiando em direção à porta. Davian ainda estava lá, como eu esperava. A postura rígi