Elaris Stins Acordei num grito desesperador. Me sentei na cama, colocando a mão no coração, estava batendo tão rápido que doía. Aquele pesadelo ainda estava em minha mente, como se eu visse tudo aquilo novamente, bem na minha frente. Eu mal conseguia respirar. Meu peito subia e descia rápido, como se eu tivesse acabado de correr milhas, mas ainda assim, era como se o ar não fosse suficiente. Tudo estava confuso, meus pensamentos embaralhados, e as sombras do pesadelo ainda dançavam ao meu redor. Como se pudessem me engolir de novo a qualquer momento, meu corpo tremia, e não era só pelo suor frio que escorria pela minha pele. Era pelo medo. O mesmo medo que me acompanhava desde que eu era criança.Escutei Davian entrando pela porta, parecia desesperado, mas mal conseguia olhar para ele agora, ainda estava atordoada, olhando para a cama e depois para o chão, tentando respirar fundo, tentando me acalmar, mas era em vão. Ele me chamou bem baixo, se abaixou bem na minha frente, mas
Davian Deane Eu podia sentir a tensão no corpo de Elaris, o jeito com que ela segurava meu braço como se fosse a única coisa que a mantinha ancorada na realidade. Sua pele estava fria, ela precisava se agasalhar bem. Naquele instante, ela se afastou de mim. Ela se deitou na cama, se cobrindo, ela estava tremendo de frio. Mesmo assim, sua mão segurou meu pulso com firmeza, como se dissesse para não sair dali, e eu não faria isso. Me aproximei dela, cerrando o maxilar, e encostei as costas da mão em sua testa. Eu estava certo, sua testa estava quente. Era febre, com certeza.E não era nada leve, ela estava queimando. Cada vez que eu olhava para ela, sentia a preocupação aumentar, se acumulando dentro de mim como uma tempestade.Ela não estava falando, nem reagindo muito além do aperto no meu braço, e isso me deixava ainda mais impaciente, porque o silêncio dela, o jeito que tremia e se encolhia nas cobertas, me fazia sentir uma urgência crescente. O que eu deveria fazer? Só ficar a
Davian Deane. Passou um tempo desde que havia colocado o pano sobre a testa de Elaris, quando tirei, sequei sua testa com um pano seco e coloquei minha mão sobre sua testa, percebendo haver aliviado um pouco. Soltei um longo suspiro e olhei para Elaris, vi um leve sorriso se formar em seus lábios, enquanto ela colocava ambas as suas mãos na cuia de caldo. — Obrigada, Davian. — Me olhou por um tempo e depois voltou a olhar para baixo, para o remédio. Aquilo me pegou de surpresa, fazendo com que eu me virasse na hora, arqueando as sobrancelhas enquanto tentava entender por que ela estava me agradecendo. Cuidar dela era a única coisa que fazia sentido, ela estava doente, com febre alta e pesadelos que a estavam torturando. O que mais eu deveria fazer além de ajudar?Fiquei parado, olhando para ela, tentando processar o que ela disse. Elaris estava sentada, ainda enrolada na coberta. O rosto pálido, mas seus olhos estavam mais focados agora, mas o que mais me chamou a atenção foi a
Elaris Stins. Davian foi gentil comigo, mais do que imaginei. Ele me carregou em seus braços até a cozinha, apenas para que não ficasse sozinha e preparou algo para mim. Eu fiquei sem graça, é claro. Mas vê-lo preparando algo para mim? Foi impressionante. Ele começou a ser ágil, depois que percebeu que a minha febre não estava abaixando. Começou a mexer nos utensílios de cozinha, procurando algo. Fiquei apenas olhando para ele, me encolhendo no cobertor, como se aquilo me ajudasse, mas ainda sentia frio. Minhas mãos ainda tremiam debaixo da coberta. Quando Davian se sentou na minha frente e colocou o pano sob minha testa, nossos olhos se encontraram e eu senti algo estranho no meu estômago, um frio. Tentei desviar o olhar e respirei fundo. Ele parecia preocupado comigo, queria que eu melhorasse. Ver um Davian preocupado assim, como uma estranha, era algo diferente. Nunca fizeram algo assim por mim antes. Ele fez um remédio, o qual era bem amargo, fiz caretas, mas to
Elaris Stins.O céu começou a clarear, me sentei na cama, olhando para a janela. O tom suave de laranja e rosa tomou o lugar da escuridão. O sol se erguia devagar no horizonte, e com isso percebi que não adiantava mais insistir: eu não ia dormir, não que eu achasse que ia de qualquer forma, porque já havia decidido que não ia, mas… acho que foi naquele momento, que eu desisti realmente da ideia. Mesmo que meus olhos estivessem cansados, sentia-os até arderem, de horas com eles abertos, olhando a escuridão da noite. Eu tinha desistido. Simples assim. Olhei para o outro lado do quarto, cada sombra agora revelando o que realmente era, de madeira avermelhada que pareciam ter sido recém comprados, um baú no canto, algumas roupas jogadas sobre a cadeira. Nada assustador, só… vazio.Me acomodei melhor na beirada da cama, sentindo o peso do cansaço nos ombros e no corpo inteiro, como se cada movimento exigisse esforço. Minha cabeça latejava, e o pensamento mais simples parecia se arrasta
Davian Deane. Eu acordei cedo, bom, na verdade, não dormi muito, foram apenas algumas horas, a verdade era que... estava preocupado com Elaris. Ela parecia uma mulher que guardava muita coisa dentro de si, parecia que não queria ajuda e eu, não me importava com isso, queria a ajudar. Levantei rapidamente, dobrando meu cobertor e fui até o banheiro, fazer minha higiene, quando terminei. Me olhei no espelho e suspirei. Ela deve estar acordada, melhor preparar algo para ela. Elaris pode querer algo. Fui até a cozinha apressadamente. Rapidamente peguei a chaleira e coloquei algumas ervas que havia colhido há alguns dias. As lavei e coloquei para ferver, em seguida fiz algumas torradas, cortei algumas frutas e coloquei em um prato. Quando o chá estava pronto, apenas deixei na mesa e decidi ver Elaris, queria saber se ela estava bem, eu queria que estivesse. Fui até a porta do quarto e a chamei. — Elaris? Posso entrar? — perguntei, esperando que ela respondesse. Ela concordou e, e
Elaris Stins Eu ainda não conseguia acreditar que Davian realmente ia fazer isso. Ele tinha realmente falado sério quando disse que ficaria comigo a noite toda, mas agora que o sol já estava sumindo e o quarto começava a mergulhar na escuridão, eu vi o quanto ele estava preparado. E, sinceramente? Aquilo me deixou sem palavras. Ele entrou no quarto como se estivesse pronto para ir para uma missão ou, sei lá, uma batalha. Roupas escuras, uma faca presa na lateral da bota, mais duas na cintura e, pelo que vi, outras escondidas por baixo do casaco. A luz fraca da vela mal iluminava o rosto dele, mas seus olhos pareciam atentos, como se ele estivesse patrulhando uma floresta cheia de ameaças invisíveis. Eu arqueei a sobrancelha, tentando segurar um meio sorriso. Era impossível não pensar que ele estava levando isso longe demais. — Davian… — chamei, minha voz saindo baixa, quase hesitante. — Você vai ficar bem sem dormir? Ele nem pestanejou, e apenas soltou um suspiro leve, como
Elaris Stins. Acho que se passou meia hora... que eu tentava dormir, tentei ao máximo não pensar em Davian, fingi a mim mesma que ele não estava ali, precisava descansar agora. Minha mente precisava, meu corpo. Foi como se meus olhos finalmente se rendessem, porque o peso das pálpebras ficou impossível de ignorar, e sem nem perceber, eu apaguei. A cama, o quarto e até mesmo Davian na cadeira ao lado… tudo se dissolveu num vazio confortável e sem forma, e isso… me fez achar que seria uma noite tranquila. Era tudo que eu precisava. Mas então, de repente, tudo mudou. Quando abri os olhos de novo, eu estava ali na floresta. Árvores altas cercavam meu corpo, escuras como se estivessem espreitando, e a luz fraca da lua dançava entre as folhas, criando sombras sinuosas no chão. Eu não acreditava nisso... Era o mesmo lugar em que eu havia corrido, horas ou dias atrás… fugindo, aquele desespero, correndo, sozinha... não queria passar por aquilo novamente, mas aqui estava eu... naq