Evangeline acordou na manhã cinza e nublada, com os raios de luz fracos filtrando-se pelas cortinas brancas. Elas assobiavam suavemente ao vento, como se susurrassem segredos aos seus ouvidos. Evangeline sentiu um calafrio percorrer sua espinha, e a sensação de desespero apertou seu peito. O dia começava com o som da quietude e da resignação. Ela sabia que o futuro que se desenhava diante dela seria sombrio, preso àquela casa, àquele homem.As palavras de Luigi ainda estavam frescas em sua mente. Ele sempre dizia que, agora que estavam casados, nada a separaria dele. Ele não a deixaria ir, não a deixaria ser livre. Mas, naquele momento, Evangeline acreditava que poderia haver uma chance, uma forma de escapar do destino que parecia inevitável. Havia algo mais, algo que ela não queria admitir para si mesma, mas que a assombrava constantemente. O homem que ela desejava ao seu lado, aquele que poderia oferecer-lhe um pouco de paz e felicidade, não era Luigi, mas sim Edward.Edward era dif
— Eu estou muito feliz que você está comigo hoje. Confesso que, por um momento, pensei que nunca mais fosse lhe encontrar. Eu sei da fama do seu irmão e de quanto ele é impiedoso. Evangeline falava em tom baixo, quase como se temesse que alguém pudesse escutá-la. A noite estava fria, e a pequena lareira do chalé lançava sombras trêmulas sobre as paredes de pedra. Ela e Edward estavam sentados lado a lado sobre a grande cama, as mãos entrelaçadas, como se aquele contato pudesse protegê-los da realidade cruel que os esperava lá fora. — Obrigado por se preocupar comigo. — Edward suspirou, apertando suavemente os dedos dela. — Eu realmente não sei como Luigi pôde agir tão mal comigo. Nós não fomos criados assim. Ele sempre foi uma pessoa boa, centrada, competente... Mas depois do que aconteceu com nosso pai, tudo mudou. Os pensamentos dele mudaram, e isso me preocupa. A dor na voz dele fez o coração de Evangeline apertar. Ela sabia o quanto Edward amava o irmão e como aquele afastam
Assim que o sol nasceu no horizonte, Evangeline desceu as escadas sentindo-se leve. No entanto, sua expressão mudou ao encontrar Luigi à sua espera no salão principal, segurando um cálice de uísque como se já estivesse bebendo há horas. — Prepare-se para viajar — ele anunciou, sem rodeios. — Você e Amanda irão para a casa de seus pais. Evangeline piscou, confusa. — O quê? Luigi tomou um gole da bebida antes de continuar: — Estarei fora por alguns meses. E não quero você sozinha aqui. Amanda cuidará de você. Havia um tom definitivo na voz dele, mas Evangeline percebeu o verdadeiro motivo por trás da decisão. Ele não queria que Edward se aproximasse dela. Por dentro, sentia-se radiante. Luigi passaria meses longe, e isso significava que ela poderia viver mais livremente, talvez até ver Edward sem tanto receio. Em um impulso, abraçou Amanda, que correspondeu ao gesto com um sorriso discreto. Pouco depois, entraram no carro rumo à casa de seu pai. Evangeline observava a es
O dia se passou sem trazer qualquer progresso. Luigi estava impaciente, esperando por notícias de Amanda sobre Evangeline. Ele a havia enviado para garantir que sua esposa estivesse bem e em segurança, mas até aquele momento, não havia recebido nenhuma informação concreta. Amanda, no entanto, parecia ter outros interesses além de simplesmente cumprir sua missão. Cada vez mais, ela se aproximava do pai de Evangeline, insinuando-se para ele sempre que podia, tentando ganhar sua confiança e atenção. O Alfa parecia receptivo à presença dela, mas ainda mantinha um ar de mistério, como se estivesse analisando suas intenções. Ao cair da noite, enquanto a casa permanecia envolta em um silêncio inquietante, Amanda encontrou-se com o Alfa na cozinha. O ambiente estava levemente iluminado por um lustre pendente, criando sombras suaves ao redor deles. O cheiro de café fresco pairava no ar, misturando-se com o leve aroma de jasmim vindo da área externa. — Você parece muito interessada em con
A noite estava fria e silenciosa. A única luz vinha da lua, que espreitava entre as árvores, lançando sombras sinistras sobre o chão coberto de folhas secas. O cheiro de sangue pairava no ar. Evangeline e Edward foram arrastados pelos braços até o interior de uma cabana. O local tinha um cheiro familiar. A madeira desgastada, os móveis rústicos, a lareira apagada... Foi ali que, tantas vezes, haviam se encontrado às escondidas, longe dos olhares julgadores do mundo. Mas, naquela noite, a cabana não era um refúgio. Era uma prisão. O responsável pelo ataque não queria que as coisas chegassem a esse ponto. Mas já era tarde demais para voltar atrás. A dor era insuportável. O corpo de Evangeline ardia em cortes profundos, e cada movimento fazia seu peito se apertar. As ferragens do acidente haviam perfurado sua pele, e o sangue ainda escorria. A visão turva demorou a se ajustar. — Edward...? — sua voz saiu fraca, quase um sussurro. Ao seu lado, Edward soltou um gemido, tentando se
Edward correu pela floresta com Evangeline nos braços, ignorando qualquer perigo à espreita. Seu coração martelava contra o peito, e sua respiração estava pesada de desespero. Assim que chegou à cabana, colocou-a cuidadosamente no chão e avaliou os ferimentos. O pior era um corte profundo na coxa, de onde o sangue escorria em um fluxo preocupante. Sem pensar duas vezes, rasgou um pedaço de seu próprio traje e pressionou contra a ferida, tentando estancar o sangramento. — Você vai ficar bem — repetiu, a voz carregada de angústia. Era a única coisa que conseguia dizer. O tempo passou, e Evangeline, aos poucos, voltou à consciência. Seus olhos se abriram lentamente, revelando um misto de dor e desorientação. Assim que viu Edward, tentou se mover, mas a fraqueza a impediu. Seu corpo estava exausto, mas o que mais a incomodava era um desconforto profundo, algo que ia além da dor física. Levou as mãos até o abdômen, um gesto instintivo. Algo dentro dela parecia diferente. Então seus o
Amanda sentia que estava cada vez mais próxima de seu objetivo. Para ela, Hector era o bilhete dourado para a vida que sempre sonhou. Nascida na pobreza, jurara a si mesma que jamais voltaria para aquela miséria. E agora, ali, na hidromassagem com o pai de Evangeline, ela sentia que seu plano estava próximo de se concretizar. Hector a olhava com interesse, mas também com uma cautela silenciosa. Ele sabia que Amanda não era uma mulher que fazia algo sem segundas intenções. O que a diferenciava das outras oportunistas era sua inteligência e esperteza. Se bem utilizada, poderia ser uma aliada valiosa. — Vamos fazer um acordo, Amanda — ele murmurou, deslizando os dedos pelo braço molhado dela. — Se você for leal a mim e me ajudar a conseguir o que quero, eu posso considerar um futuro ao seu lado. Ela sorriu, sabendo que já tinha conseguido plantar a semente da dúvida e da oportunidade na mente de Hector. Agora, bastava regá-la com paciência. --- Enquanto isso, na cabana…A tarde
Tudo estava em perfeita sintonia. O vento soprava suave pela floresta ao redor do castelo, como se a própria natureza conspirasse para esconder sua fuga. Evangeline sabia que estava cometendo uma loucura ao partir com Edward. Seu marido, Luigi, a caçaria até os confins do mundo, mas isso não importava. Ela precisava continuar, precisava permanecer ao lado do homem que realmente amava. Viver ao lado de Luigi, sucumbir às suas exigências e fingir ser a esposa perfeita nunca esteve em seus planos. Agora, porém, não havia mais volta. — Fico muito feliz que você tenha finalmente aceitado o meu convite — disse Edward, segurando a mão dela com firmeza. — Talvez esta aldeia seja um dos primeiros lugares onde Luigi irá procurar, mas até ele descobrir que viemos para cá, teremos tempo suficiente para fugirmos novamente. A aldeia era encantadora. O lugar onde Luigi crescera tinha uma beleza rústica e acolhedora. Árvores imponentes se curvavam com a brisa do outono, e as folhas caíam em um