Evangeline sentava-se na antiga cadeira de madeira do escritório de seu pai, Hector, sua postura rígida e os olhos marejados de incerteza. A casa parecia mais fria do que o habitual, e o ambiente, carregado de memórias, fazia-a se sentir como se estivesse de volta ao passado. As paredes de pedra e os móveis pesados pareciam vigiar cada movimento, cada respiração.— Você... você tem certeza? — perguntou Hector, a voz profunda, mas trêmula. Seu olhar era fixo nela, como se tentasse decifrar os segredos que ela trazia. A palavra "Luigi" ecoava pela sala como um trovão distante, ameaçador, e ele não conseguia esconder o choque que sentia.Evangeline mordeu o lábio, sentindo a pressão do olhar do pai sobre ela. O nome de Luigi, seu marido, não devia ser falado ali, mas não havia mais como negar a verdade.— Sim, pai. Luigi. Ele é meu marido — respondeu ela com uma calma superficial, tentando não deixar transparecer o turbilhão interno que a consumia.O silêncio que se seguiu foi denso, qua
Evangeline acordou na manhã cinza e nublada, com os raios de luz fracos filtrando-se pelas cortinas brancas. Elas assobiavam suavemente ao vento, como se susurrassem segredos aos seus ouvidos. Evangeline sentiu um calafrio percorrer sua espinha, e a sensação de desespero apertou seu peito. O dia começava com o som da quietude e da resignação. Ela sabia que o futuro que se desenhava diante dela seria sombrio, preso àquela casa, àquele homem.As palavras de Luigi ainda estavam frescas em sua mente. Ele sempre dizia que, agora que estavam casados, nada a separaria dele. Ele não a deixaria ir, não a deixaria ser livre. Mas, naquele momento, Evangeline acreditava que poderia haver uma chance, uma forma de escapar do destino que parecia inevitável. Havia algo mais, algo que ela não queria admitir para si mesma, mas que a assombrava constantemente. O homem que ela desejava ao seu lado, aquele que poderia oferecer-lhe um pouco de paz e felicidade, não era Luigi, mas sim Edward.Edward era dif
— Eu estou muito feliz que você está comigo hoje. Confesso que, por um momento, pensei que nunca mais fosse lhe encontrar. Eu sei da fama do seu irmão e de quanto ele é impiedoso. Evangeline falava em tom baixo, quase como se temesse que alguém pudesse escutá-la. A noite estava fria, e a pequena lareira do chalé lançava sombras trêmulas sobre as paredes de pedra. Ela e Edward estavam sentados lado a lado sobre a grande cama, as mãos entrelaçadas, como se aquele contato pudesse protegê-los da realidade cruel que os esperava lá fora. — Obrigado por se preocupar comigo. — Edward suspirou, apertando suavemente os dedos dela. — Eu realmente não sei como Luigi pôde agir tão mal comigo. Nós não fomos criados assim. Ele sempre foi uma pessoa boa, centrada, competente... Mas depois do que aconteceu com nosso pai, tudo mudou. Os pensamentos dele mudaram, e isso me preocupa. A dor na voz dele fez o coração de Evangeline apertar. Ela sabia o quanto Edward amava o irmão e como aquele afastam
Assim que o sol nasceu no horizonte, Evangeline desceu as escadas sentindo-se leve. No entanto, sua expressão mudou ao encontrar Luigi à sua espera no salão principal, segurando um cálice de uísque como se já estivesse bebendo há horas. — Prepare-se para viajar — ele anunciou, sem rodeios. — Você e Amanda irão para a casa de seus pais. Evangeline piscou, confusa. — O quê? Luigi tomou um gole da bebida antes de continuar: — Estarei fora por alguns meses. E não quero você sozinha aqui. Amanda cuidará de você. Havia um tom definitivo na voz dele, mas Evangeline percebeu o verdadeiro motivo por trás da decisão. Ele não queria que Edward se aproximasse dela. Por dentro, sentia-se radiante. Luigi passaria meses longe, e isso significava que ela poderia viver mais livremente, talvez até ver Edward sem tanto receio. Em um impulso, abraçou Amanda, que correspondeu ao gesto com um sorriso discreto. Pouco depois, entraram no carro rumo à casa de seu pai. Evangeline observava a es
O relógio marcava 20:00 na cidade de Origem. Luigi não sabia o que fazer para evitar que os seus pais morressem. A feiticeira Sol, havia distribuído um feitiço paralisante em Anny, a mãe do lobo, na qual a deixava imobiliza com adendo de extrema dor, contorcendo os seus órgãos.Ele e seus irmãos atacaram Anny, pobres lobinhos, mal conseguiram ultrapassar a barreira solar que colocou em sua frente. Trevor, o pai dos lobinhos, sabia que existia apenas uma maneira dela parar sua magia, atacando o seu companheiro, o alfa Hector. No mesmo instante que percebeu as intenções, ela desviou o seu poder para Trevor.A luta estava incessante. Alfa contra alfa. O sangue de Hector escorria por toda a parte, enquanto a pele superior das costas de Trevor havia sido descolada, o fazendo gritar de dor. Amedrontada que seu marido morresse, Sol usou de sua magia hipnotizante. Procurou as seguintes palavras: Você é meu lobo, o seu corpo e mente são minhas, olhe para mim alfa, olhe para mim.Automaticament
Para que a notícia não se espalhasse rapidamente, e isso pudesse atrapalhar os seus planos, Luigi fez questão de ir à matilha do falecido, e matar todos os que habitavam nela. De uma maneira estratégica, ele havia colocado fogo no local, com a intenção de aparentar que foi algo acidental, causado por um dos membros da matilha. Se pudessem ter o mínimo de desconfiança que alguém causou a matança, a filha de Hector saberia, e logo o casamento seria anulado.Do outro lado, a história que chegou para Evangeline, era que alcateia de seu noivo havia sido devastada, contudo, felizmente ele havia sido o único que sobrou por conta de ter saído minutos antes para caçar. Ela respirou aliviada pelo casamento ainda permanecer vivo. Por ter dezoito anos, acreditava que era chegada a hora de se comprometer com alguém. Esperava ansiosamente para ver o rosto de seu amado, e selar finalmente o acordo entre os dois.Ela era uma menina meiga, que acabava de entrar na fase adulta. Possuía sonhos altos que
Demorou cerca de 3 horas para eles chegarem em seu destino. A casa que Hector havia construído para sua filha herdar, agora era de Luigi. O acordo que assinaram, afirmava que a propriedade estava nos nomes dos dois, porém, claramente, Luigi não iria permitir que Evangeline aproveitasse nenhuma área daquele local. Assim, a grande casa seria somente dele, principalmente quando ele desse um fim na vida da esposa.A mulher soltou um suspiro de admiração, quando vislumbrou o local. Em toda sua idade, ainda não tinha presenciado a casa que o seu pai havia construído. Não se tratava de um lugar qualquer, mas sim de uma construção grandiosa, na qual possuía muitos ambientes, tendo como principal a suíte do casal. Sorridente, ela olhou para seu marido e o abraçou. Luigi sentiu os lábios dela tocaram o seu. Ele sentiu vontade de recuar, ainda não era a hora de demonstrar frieza.- Estou imensamente feliz de estar finalmente com meu marido. Você é tudo que eu mais esperei Christian. - Evangeline
Luigi tamborilou os dedos na mesa, enquanto organizava algumas pendências. Ele possuía alguns negócios na cidade, os quais estavam dando bastante lucro. Ele soltou a caneta, e colocou as mãos ao cabelo. Se o seu pai estivesse vivo, estaria orgulhoso do homem que ele havia se tornado. Ele sorriu triste. Era uma pena que a vida tinha ido para outro caminho e felizmente a possibilidade de afetar o assassino de Orion, estava no quarto acima.Evangeline iria pagar muito caro, e o seu martírio já havia começado desde a noite anterior, quando seu marido adentrou em suas carnes com o extrema força, fazendo-a gritar de dor. Era a primeira vez da moça, seu primeiro contato com homens e a experiência não foi boa. Luigi não estava ali para fazer ela se sentir extasiada, ou feliz de algum modo. Queria que ela sofresse de todas as maneiras, que tivesse uma noite terrível, e conseguiu. O lobo concluiu que ela estaria terrivelmente chateada com ele e tinha razão.Evangeline dava pequenos passos, enqu