A segunda noite dormindo ao lado de Liam foi tão detestável quanto a primeira. O calor que emanava dele era sufocante, e cada vez que ele se movia, Collin sentia como se estivesse prestes a ser esmagada por aquele corpo gigantesco.Na manhã seguinte, quando despertou, Liam já estava de pé, terminando de se vestir. Seu porte imponente fazia a cabana parecer menor. Collin se sentou na cama às pressas, ainda grogue de sono.— Para onde vai? — perguntou, a voz rouca da recém-acordada.— Cuidar dos assuntos da aldeia.Ela bufou.— E eu faço o quê?Liam olhou de relance para ela e ergueu uma sobrancelha.— Conheça as outras fêmeas, faça amizades.Havia uma ponta de ironia em sua voz, e isso a irritou.— Algumas mulheres daqui não parecem gostar muito de mim.Ele parou de ajeitar a roupa e se voltou para ela.— Por que acha isso?— Vi algumas me encarando ontem. Com cara feia.Liam deu de ombros, como se aquilo fosse irrelevante.— Isso não significa nada.— Para mim significa.— Pode ser co
A dor foi a primeira coisa que Collin sentiu ao recobrar a consciência. Sua cabeça latejava, a pancada fora brutal. O gosto de sangue em sua boca a fez engolir em seco.— O que faremos, então? — uma voz sibilou perto dela.— Já temos um plano.— Sim. Vamos acabar com ela.Collin estremeceu. O medo rasgou seu peito como uma lâmina afiada, e ela tentou se mover, apenas para perceber que estava amarrada – pés e mãos presas com firmeza.— Precisamos agir antes que o alfa perceba que ela sumiu.— Isso é óbvio.O som de passos se aproximando fez seu coração disparar. Fechou os olhos rapidamente, fingindo ainda estar desacordada.— A vadia ainda dorme.— Quero que ela esteja acordada para isso. Pegue o balde.— Tem certeza?Collin ouviu um movimento hesitante, seguido de um suspiro impaciente.— Já disse, pegue o balde.O silêncio se alongou por um momento antes de um dos passos se afastar. Era agora. Ela abriu os olhos devagar, fingindo estar despertando naquele instante. Três das mulheres
Collin estava caída no chão, o corpo fraco, mas sua mente afiada. Ela viu o pavor estampado nos rostos das quatro mulheres.— Ele vai nos matar! — gritou uma delas, no exato momento em que mais uma batida violenta sacudiu a cabana.A loira começou a chorar, encolhida contra a parede.— Fiquem calmas! — ordenou a morena, tentando manter a compostura. — Ele não vai nos matar, somos da aldeia. Todas nós.— Mas sequestraram a alma de um… — a voz de Collin saiu arranhada, mal reconhecia a si mesma. Seu corpo estava destruído, mas seu ódio, não.Ela sorriu, cuspindo sangue.— Ele vai matar cada uma de vocês, malditas… e eu vou assistir.A morena se aproximou, puxando Collin pelos cabelos e forçando-a a se sentar.— Diga a ele para parar.Collin inclinou a cabeça, encarando-a com um olhar cortante.— Parar?Uivos preencheram o ar. Do lado de fora, pelo menos vinte lupinos cercavam a cabana.— Eu ainda posso te matar — a morena sussurrou, a faca tremendo em sua mão. — E morrerei feliz.— Entã
Assim que saiu do banho, Collin encontrou Eve esperando no quarto, pronta para ajudá-la a se vestir. Cada movimento fazia seu corpo protestar, os hematomas pulsando com a dor surda que se espalhava por sua pele.Enquanto Eve a vestia, Collin soltou em um sussurro:— Elas me odiavam porque sou humana e estou com Liam.Eve suspirou, como se desejasse dizer o contrário, mas não pudesse.— Eu gostaria de dizer que não é apenas por isso… mas é. Alguns na aldeia nunca vão aceitá-la como uma de nós, Collin.Ela engoliu em seco.— Então isso significa que tenho que viver com medo agora?— Não — Eve respondeu sem hesitação. — Liam vai cuidar disso.Collin riu sem humor.— Não importa quantas punições ele aplique, eles nunca vão me aceitar.Eve bufou e pousou uma mão gentil sobre seu braço.— Tente confiar nele.Collin não respondeu. Apenas baixou a cabeça, absorvendo as palavras.Quando Eve terminou de prender seus cabelos, Collin a encarou de frente.— Lá na cabana… Liam fez algo que eu não s
Os dias passaram arrastados desde o ataque. Collin se isolou completamente, recusando-se a sair da cabana. Não tinha forças. Cada vez que se olhava no espelho, via as marcas do que havia acontecido—o rosto ainda dolorido, o nariz inchado e vermelho. Sentia-se feia. Pequena.Naquela manhã, como tantas outras, permaneceu deitada, encarando o nada. Sabia que Liam já havia saído, provavelmente resolvendo algo importante, mas não se importava.Então, de repente, as janelas do quarto foram escancaradas.A luz do sol invadiu o cômodo, quente e ofuscante. Collin apertou os olhos, tentando se adaptar à claridade, quando a voz grave e firme de Liam ecoou pelo quarto.— Já chega disso.Antes que pudesse reagir, ele cruzou o cômodo com passos firmes, parando ao lado da cama.— Levante-se e saia desse quarto, fêmea.O estômago dela se revirou de raiva.— Já disse para não me chamar assim!Liam não recuou.— Levante-se.— Eu não quero sair daqui. Me deixe em paz.Ele continuou olhando para ela, ina
Collin tentou obedecer à ordem de Liam e permaneceu no refeitório por mais alguns minutos. Mas o desconforto crescia a cada segundo. Os olhares, os sussurros... a sensação de estar deslocada e presa em um mundo que não era seu.Não suportando mais, se levantou e caminhou em direção à saída.— Aonde pensa que vai? — a voz de Eve a deteve.Collin se virou e encontrou o olhar curioso da mulher.— Quero voltar para casa.— Ah, não vai mesmo. — Eve sorriu de canto e, sem dar espaço para protestos, entrelaçou o braço no dela. — Vem comigo.Sem ter muita escolha, Collin a acompanhou. Caminharam pelo centro da aldeia, passando por várias casas simples de madeira. Collin permaneceu em silêncio, observando tudo ao redor.— Sabe para onde Liam foi? — Eve perguntou.— Não. Damon só disse que alguém havia voltado.Eve franziu o cenho.— Que a Deusa nos proteja.Collin não perguntou nada, mas a preocupação no rosto de Eve a deixou inquieta. Para onde estavam indo?A resposta veio quando Eve a guiou
As pessoas eram guiadas até o templo pelos outros lupinos. O ar estava carregado de tensão. Murmúrios nervosos se espalhavam pelo grupo, todos ansiosos por respostas.Collin caminhava ao lado de Eve, que agora segurava o braço do marido. A inquietação no olhar de Jhon não passou despercebida por ela.— Quem é Maden Star? — perguntou em um tom baixo, mas carregado de curiosidade e receio.— O pior inimigo de Liam — Eve respondeu. — Um assassino de alcatéias.Collin franziu o cenho.— Assassino de alcatéias?Eve lançou um olhar sombrio antes de continuar:— Maden é um perseguidor. Ele e seus discípulos são lupinos rejeitados. Eles invadem alcatéias pequenas, matam os alfas e os mais indefesos. Sem falar no que fazem com as fêmeas e… filhotes.Um arrepio gelado percorreu a espinha de Collin.— Ele já lutou contra Liam uma vez — Jhon entrou na conversa. Sua voz era grave, carregada de lembranças sombrias. — Foi no nosso antigo lar. Foi um massacre. Fêmeas foram sequestradas. Filhotes… — S
Collin entrou na cabana.O fogo na lareira estava baixo, lançando sombras trêmulas pelas paredes. O ar não era frio nem quente, mas havia algo denso no ambiente, como se uma tempestade estivesse prestes a desabar ali dentro. Seu instinto gritava para que seguisse direto para o quarto, mas antes que pudesse dar mais um passo, a voz dele ecoou pelo espaço.— Pare.A ordem veio de um canto escuro da sala. A respiração de Collin travou. Ela considerou correr, se trancar, mas de que adiantaria? Virou-se devagar, encontrando Liam sentado em uma cadeira próxima à lareira. Seu rosto estava sério, os olhos fixos nas chamas como se enxergasse algo além do fogo.— Venha até aqui, fêmea.— Não quero.— Eu não estou pedindo.O tom dele baixou, gélido e ameaçador.Collin respirou fundo antes de se aproximar, parando a alguns metros.— Ajoelhe-se.Ela franziu o cenho.— O quê?— Ajoelhe-se. Agora.Dessa vez, Liam a encarou, e seus olhos brilharam de um jeito que ela nunca tinha visto antes.— Deixe-