Collin estava caída no chão, o corpo fraco, mas sua mente afiada. Ela viu o pavor estampado nos rostos das quatro mulheres.— Ele vai nos matar! — gritou uma delas, no exato momento em que mais uma batida violenta sacudiu a cabana.A loira começou a chorar, encolhida contra a parede.— Fiquem calmas! — ordenou a morena, tentando manter a compostura. — Ele não vai nos matar, somos da aldeia. Todas nós.— Mas sequestraram a alma de um… — a voz de Collin saiu arranhada, mal reconhecia a si mesma. Seu corpo estava destruído, mas seu ódio, não.Ela sorriu, cuspindo sangue.— Ele vai matar cada uma de vocês, malditas… e eu vou assistir.A morena se aproximou, puxando Collin pelos cabelos e forçando-a a se sentar.— Diga a ele para parar.Collin inclinou a cabeça, encarando-a com um olhar cortante.— Parar?Uivos preencheram o ar. Do lado de fora, pelo menos vinte lupinos cercavam a cabana.— Eu ainda posso te matar — a morena sussurrou, a faca tremendo em sua mão. — E morrerei feliz.— Entã
Assim que saiu do banho, Collin encontrou Eve esperando no quarto, pronta para ajudá-la a se vestir. Cada movimento fazia seu corpo protestar, os hematomas pulsando com a dor surda que se espalhava por sua pele.Enquanto Eve a vestia, Collin soltou em um sussurro:— Elas me odiavam porque sou humana e estou com Liam.Eve suspirou, como se desejasse dizer o contrário, mas não pudesse.— Eu gostaria de dizer que não é apenas por isso… mas é. Alguns na aldeia nunca vão aceitá-la como uma de nós, Collin.Ela engoliu em seco.— Então isso significa que tenho que viver com medo agora?— Não — Eve respondeu sem hesitação. — Liam vai cuidar disso.Collin riu sem humor.— Não importa quantas punições ele aplique, eles nunca vão me aceitar.Eve bufou e pousou uma mão gentil sobre seu braço.— Tente confiar nele.Collin não respondeu. Apenas baixou a cabeça, absorvendo as palavras.Quando Eve terminou de prender seus cabelos, Collin a encarou de frente.— Lá na cabana… Liam fez algo que eu não s
Os dias passaram arrastados desde o ataque. Collin se isolou completamente, recusando-se a sair da cabana. Não tinha forças. Cada vez que se olhava no espelho, via as marcas do que havia acontecido—o rosto ainda dolorido, o nariz inchado e vermelho. Sentia-se feia. Pequena.Naquela manhã, como tantas outras, permaneceu deitada, encarando o nada. Sabia que Liam já havia saído, provavelmente resolvendo algo importante, mas não se importava.Então, de repente, as janelas do quarto foram escancaradas.A luz do sol invadiu o cômodo, quente e ofuscante. Collin apertou os olhos, tentando se adaptar à claridade, quando a voz grave e firme de Liam ecoou pelo quarto.— Já chega disso.Antes que pudesse reagir, ele cruzou o cômodo com passos firmes, parando ao lado da cama.— Levante-se e saia desse quarto, fêmea.O estômago dela se revirou de raiva.— Já disse para não me chamar assim!Liam não recuou.— Levante-se.— Eu não quero sair daqui. Me deixe em paz.Ele continuou olhando para ela, ina
Collin tentou obedecer à ordem de Liam e permaneceu no refeitório por mais alguns minutos. Mas o desconforto crescia a cada segundo. Os olhares, os sussurros... a sensação de estar deslocada e presa em um mundo que não era seu.Não suportando mais, se levantou e caminhou em direção à saída.— Aonde pensa que vai? — a voz de Eve a deteve.Collin se virou e encontrou o olhar curioso da mulher.— Quero voltar para casa.— Ah, não vai mesmo. — Eve sorriu de canto e, sem dar espaço para protestos, entrelaçou o braço no dela. — Vem comigo.Sem ter muita escolha, Collin a acompanhou. Caminharam pelo centro da aldeia, passando por várias casas simples de madeira. Collin permaneceu em silêncio, observando tudo ao redor.— Sabe para onde Liam foi? — Eve perguntou.— Não. Damon só disse que alguém havia voltado.Eve franziu o cenho.— Que a Deusa nos proteja.Collin não perguntou nada, mas a preocupação no rosto de Eve a deixou inquieta. Para onde estavam indo?A resposta veio quando Eve a guiou
As pessoas eram guiadas até o templo pelos outros lupinos. O ar estava carregado de tensão. Murmúrios nervosos se espalhavam pelo grupo, todos ansiosos por respostas.Collin caminhava ao lado de Eve, que agora segurava o braço do marido. A inquietação no olhar de Jhon não passou despercebida por ela.— Quem é Maden Star? — perguntou em um tom baixo, mas carregado de curiosidade e receio.— O pior inimigo de Liam — Eve respondeu. — Um assassino de alcatéias.Collin franziu o cenho.— Assassino de alcatéias?Eve lançou um olhar sombrio antes de continuar:— Maden é um perseguidor. Ele e seus discípulos são lupinos rejeitados. Eles invadem alcatéias pequenas, matam os alfas e os mais indefesos. Sem falar no que fazem com as fêmeas e… filhotes.Um arrepio gelado percorreu a espinha de Collin.— Ele já lutou contra Liam uma vez — Jhon entrou na conversa. Sua voz era grave, carregada de lembranças sombrias. — Foi no nosso antigo lar. Foi um massacre. Fêmeas foram sequestradas. Filhotes… — S
Collin entrou na cabana.O fogo na lareira estava baixo, lançando sombras trêmulas pelas paredes. O ar não era frio nem quente, mas havia algo denso no ambiente, como se uma tempestade estivesse prestes a desabar ali dentro. Seu instinto gritava para que seguisse direto para o quarto, mas antes que pudesse dar mais um passo, a voz dele ecoou pelo espaço.— Pare.A ordem veio de um canto escuro da sala. A respiração de Collin travou. Ela considerou correr, se trancar, mas de que adiantaria? Virou-se devagar, encontrando Liam sentado em uma cadeira próxima à lareira. Seu rosto estava sério, os olhos fixos nas chamas como se enxergasse algo além do fogo.— Venha até aqui, fêmea.— Não quero.— Eu não estou pedindo.O tom dele baixou, gélido e ameaçador.Collin respirou fundo antes de se aproximar, parando a alguns metros.— Ajoelhe-se.Ela franziu o cenho.— O quê?— Ajoelhe-se. Agora.Dessa vez, Liam a encarou, e seus olhos brilharam de um jeito que ela nunca tinha visto antes.— Deixe-
Collin teve uma péssima noite de sono. As lembranças da noite intensa com Liam ainda a assombravam, fazendo seu corpo se arrepiar ao menor pensamento. Quando se levantou, o sol ainda mal havia nascido.Caminhou até o espelho e virou-se de costas, puxando a camisola para o lado. Marcas de mordidas cobriam sua pele. Tocou-as com a ponta dos dedos, sentindo a sensibilidade estranha que não era dor, mas algo diferente. Mordeu o lábio inferior, balançando a cabeça para afastar aqueles pensamentos.Sem perder tempo, vestiu o primeiro vestido que encontrou e seguiu para o refeitório. Precisava falar com Eve.Quando chegou, viu a amiga sentada com o marido. Jhon sussurrava algo em seu ouvido, e Eve sorria de canto. Collin hesitou em interromper e escolheu uma mesa mais afastada.Foi então que notou os olhares. Alguns homens cochichavam enquanto a encaravam. Ela se remexeu desconfortável, abaixando a cabeça. Estava prestes a sair dali quando alguém se sentou ao seu lado.Era Damon.Ele não olh
Eve levou Collin até onde as outras fêmeas da aldeia estavam reunidas. Explicava pacientemente o que todas deveriam fazer em caso de uma invasão. Foram vários minutos de instruções até que, enfim, a conversa chegou ao fim.Collin se aproximou para ajudá-la a recolher as bolsas espalhadas pelo chão.— As mulheres daqui não lutam também? — perguntou, franzindo a testa.Eve sorriu de canto.— A maioria das fêmeas são ômegas. Não temos grande habilidade em combate. Nos transformamos, sim, mas não somos rápidas nem muito fortes.— Isso não é injusto para você?Eve deu um riso baixo.— Claro que é.Collin a olhou com curiosidade.— Então ninguém luta?— Algumas sim. Algumas nascem com habilidades e entram para os batedores, mas é raro.Collin suspirou, pensativa.— Parece que a Deusa Lua pegou pesado com vocês.Eve a fitou por um instante antes de responder:— Ela deixou a pior parte com os machos. A transformação deles é mais dolorosa, mais intensa. Eles perdem o controle, os sentidos... E