Collin entrou na cabana.O fogo na lareira estava baixo, lançando sombras trêmulas pelas paredes. O ar não era frio nem quente, mas havia algo denso no ambiente, como se uma tempestade estivesse prestes a desabar ali dentro. Seu instinto gritava para que seguisse direto para o quarto, mas antes que pudesse dar mais um passo, a voz dele ecoou pelo espaço.— Pare.A ordem veio de um canto escuro da sala. A respiração de Collin travou. Ela considerou correr, se trancar, mas de que adiantaria? Virou-se devagar, encontrando Liam sentado em uma cadeira próxima à lareira. Seu rosto estava sério, os olhos fixos nas chamas como se enxergasse algo além do fogo.— Venha até aqui, fêmea.— Não quero.— Eu não estou pedindo.O tom dele baixou, gélido e ameaçador.Collin respirou fundo antes de se aproximar, parando a alguns metros.— Ajoelhe-se.Ela franziu o cenho.— O quê?— Ajoelhe-se. Agora.Dessa vez, Liam a encarou, e seus olhos brilharam de um jeito que ela nunca tinha visto antes.— Deixe-
Collin teve uma péssima noite de sono. As lembranças da noite intensa com Liam ainda a assombravam, fazendo seu corpo se arrepiar ao menor pensamento. Quando se levantou, o sol ainda mal havia nascido.Caminhou até o espelho e virou-se de costas, puxando a camisola para o lado. Marcas de mordidas cobriam sua pele. Tocou-as com a ponta dos dedos, sentindo a sensibilidade estranha que não era dor, mas algo diferente. Mordeu o lábio inferior, balançando a cabeça para afastar aqueles pensamentos.Sem perder tempo, vestiu o primeiro vestido que encontrou e seguiu para o refeitório. Precisava falar com Eve.Quando chegou, viu a amiga sentada com o marido. Jhon sussurrava algo em seu ouvido, e Eve sorria de canto. Collin hesitou em interromper e escolheu uma mesa mais afastada.Foi então que notou os olhares. Alguns homens cochichavam enquanto a encaravam. Ela se remexeu desconfortável, abaixando a cabeça. Estava prestes a sair dali quando alguém se sentou ao seu lado.Era Damon.Ele não olh
Eve levou Collin até onde as outras fêmeas da aldeia estavam reunidas. Explicava pacientemente o que todas deveriam fazer em caso de uma invasão. Foram vários minutos de instruções até que, enfim, a conversa chegou ao fim.Collin se aproximou para ajudá-la a recolher as bolsas espalhadas pelo chão.— As mulheres daqui não lutam também? — perguntou, franzindo a testa.Eve sorriu de canto.— A maioria das fêmeas são ômegas. Não temos grande habilidade em combate. Nos transformamos, sim, mas não somos rápidas nem muito fortes.— Isso não é injusto para você?Eve deu um riso baixo.— Claro que é.Collin a olhou com curiosidade.— Então ninguém luta?— Algumas sim. Algumas nascem com habilidades e entram para os batedores, mas é raro.Collin suspirou, pensativa.— Parece que a Deusa Lua pegou pesado com vocês.Eve a fitou por um instante antes de responder:— Ela deixou a pior parte com os machos. A transformação deles é mais dolorosa, mais intensa. Eles perdem o controle, os sentidos... E
Collin deitou-se naquela noite sem esperar por Liam. Sabia que ele estava ocupado treinando seus lupinos, e o clima na aldeia carregava o peso estranho, do desastre eminente.Por mais que tentasse afastar os pensamentos, sua mente não lhe dava trégua. Após longos minutos de inquietação, o sono finalmente veio.E, com ele, um sonho.Ela estava em casa. Tudo parecia tão real que chegou a sentir o cheiro familiar da madeira úmida no ar. Colen estava ali, sorrindo de forma convencida, como se zombasse dela. Mas o que realmente chamou sua atenção foi a figura ao lado de sua mãe.Um homem.Alto, cabelos claros, mas seu rosto... desfocado, inalcançável. Algo dentro dela gritou para que se aproximasse, para que o tocasse. Mas assim que tentou, seu corpo congelou. O tempo pareceu parar ao redor.E então, ele se virou.E no instante em que o fez, não era mais um homem. Era um enorme lupino branco.— Collin... Aceite seu destino.O sussurro ecoou dentro dela, fazendo seu peito apertar de um jei
O sol mal havia despontado no horizonte quando Collin deixou os aposentos às pressas, sem sequer lançar um olhar para trás. O ar fresco da manhã deveria ter acalmado sua mente, mas seu corpo ainda estava tenso, seu coração batendo em um ritmo acelerado. A última coisa que queria era encontrar Liam. Não depois da noite anterior.Suas mãos ainda formigavam, como se a pele dele continuasse sobre a sua.Ela fechou os olhos com força e respirou fundo antes de seguir para o centro da aldeia.O refeitório estava movimentado, cheio de mulheres que iam e vinham, organizando mantimentos e discutindo preocupações sobre a guerra iminente. Entre elas, Eve destacava-se, guiando-as com a autoridade natural que sempre carregava.Collin pensou em voltar, mas já era tarde.Eve a viu.Antes que pudesse reagir, a mulher atravessou o espaço e agarrou seu pulso com firmeza, arrastando-a para o meio da multidão.— Aí está ela! Nossa anfitriã.A voz animada de Eve fez Collin endurecer no lugar. Os olhares po
A aldeia estava silenciosa sob o céu escuro, apenas o brilho das tochas iluminando os rostos ansiosos das pessoas reunidas no templo. Homens, mulheres e crianças se amontoavam em oração, suas vozes baixas misturando-se ao vento frio da noite. Mães seguravam as mãos dos filhos. Esposas apertavam os dedos dos maridos. Todos imploravam à Deusa Lua por proteção, por um milagre que garantisse a volta daqueles que partiriam para a luta.Collin permaneceu afastada, observando de longe. Não se sentia parte daquilo, mas também não conseguia ignorar a dor que pairava no ar. Seus olhos percorreram o espaço até encontrarem Damon, parado na sombra de uma das colunas do templo. Ele não rezava. Seus olhos estavam fixos em Eve e Jhon.Collin reconheceu a expressão em seu rosto. Não era apenas preocupação pela batalha iminente. Era algo mais profundo, mais doloroso.— Você podia tentar não ser tão evidente — murmurou ao se aproximar dele.Damon não se virou, apenas soltou um riso seco.— Não faço idei
O sol nasceu pálido naquela manhã. O ar carregava um peso quase palpável, como se cada partícula de poeira soubesse que aquele dia traria despedidas e incertezas.Collin se levantou devagar, sentindo os lençóis frios ao seu redor. O lado da cama onde Liam dormia estava vazio. Não havia sinal dele na cabana, apenas o guarda-roupas revirado—suas roupas espalhadas como se ele tivesse procurado algo específico para vestir.Ela respirou fundo e fez o mesmo. Escolheu um vestido amarelo simples, amarrou os cabelos ruivos em um coque displicente e saiu.Na aldeia, o clima era ainda pior do que ela esperava. Homens vestidos para a batalha abraçavam suas famílias. Crianças seguravam as pernas dos pais, relutantes em soltá-los. Mulheres sussurravam promessas e preces, como se pudessem moldar o destino com palavras.Collin passou os olhos pelo pátio e logo encontrou Eve.Ela estava nos braços de Jhon, o rosto enterrado no peito dele, como se quisesse se fundir ao corpo do marido para impedir que
Collin* Eve e Collin estavam ocupadas organizando a aldeia. O abrigo dentro do templo já começava a se encher de mulheres e crianças, todas movidas pelo mesmo instinto de sobrevivência e pela fé na deusa. Algumas murmuravam preces baixas, outras caminhavam de um lado para o outro, inquietas. O ar estava carregado de medo e incerteza.Collin passou os olhos pelo salão, observando os rostos tensos ao redor. Suspirou e se aproximou de Eve, que estava imóvel ao lado da porta, o olhar fixo nos portões da aldeia.— Quanto tempo acha que isso vai durar? — perguntou.Eve não respondeu. Continuou encarando o horizonte, os braços cruzados sobre o peito, como se pudesse sentir fisicamente a ausência de Jhon.— Eve?A amiga piscou, despertando do transe.— O quê?— Perguntei quanto tempo isso vai levar… A luta, eles lá fora…Eve demorou a responder, como se precisasse reunir forças para dizer as palavras.— Não há um tempo determinado. Eles precisam encontrar Maden e os lupinos dele antes de tud