Aquela proposta fica ressoando em meu ouvido, em ecos por aquele quarto inteiro. Porque nada daquilo fazia o menor sentido! —Por que precisaria da minha ajuda pra encontrar alguém? E por que diabos você acha que a Emma precisa disso? Juan apenas bufou, levou as mãos pra cima, como se minhas perguntas só fossem tediosas o suficiente. —Se você quer conhecer outra pessoa, está fazendo isso pela maneira e pelas razões erradas.— Eu insisto, tentando colocar qualquer juízo em sua cabeça. Mas eu já o conhecia bem o bastante para saber da sua teimosia e saber que nada daquilo adiantaria. —Não quero que entenda minhas razões, Ayla. Não estou pedindo sequer pra concordar com elas. Porque você jamais compreenderia.— Ele diz por fim, e parece decepcionado quando desce mais uma dose de uísque em seus lábios. —Então tenta. Estou de mente aberta pra entender e ajudar você.— Eu insisto. —Ajudar!— Juan repete, coberto de ironia. —Qual a graça?— perguntei, já sentindo a irritabilidade me agarrar
—Vocês se conhecem?— Juan pergunta, assim que me vê encarando o seu irmão estaticamente. —Eu...— Ryan começa a falar, mas eu o interrompo instantaneamente. —Eu li o seu nome pelo crachá de identificação.— Eu digo, evitando todo possível drama. Ryan me olha, parece confuso e eu engulo em seco, orando para que ele apenas concorde com o que falei. Ele apenas assente e eu quase solto um suspiro de alivio. —Vamos, Ayla. Vamos arrumar suas coisas.— Emma ao meu lado me recorda a verdadeira razão para eu estar ali. Eu olho pra garota, e eu me arrependo no mesmo instante de ter afirmado que iria junto com ela, porque naquele instante, se eu apenas dissesse que não poderia mais, iria apagar o brilho dos seus olhos e eu jamais faria algo assim. —Tudo bem.— Foi tudo que disse e saí em disparada daquela mansão. Ao menos eu tive uma razão pra fugir daquele lugar e poder gritar bem alto no meu anexo. —Meu Deus, pra onde foi minha sorte? —Ayla, está pronta?— ouço Juan me chamando em frente ao
Eu tentei pensar o mais rápido que podia, tentando reaver tudo que poderia ter dado de errado naquele momento. Encarei de Ryan para Juan rapidamente. Confusa pela insinuação sem fundamentos de Ryan e temendo que Juan pudesse ter ouvido aquilo e ter compreendido tudo equivocadamente. Sabendo do meu dom natural de falar demais e arruinar tudo ao meu redor, eu optei pelo silêncio para poder analisar o que de fato Juan ouviu ou não. —Do que Ryan está falando, Ayla? O que vocês têm em comum para estarem falando sobre mim?— Juan volta a perguntar. Eu engoli em seco, sabendo que deveria tentar o máximo desconversar daquele assunto, porque aparentemente ele estava alheio ao conteúdo completo que Ryan e eu falávamos. —Eu estava sem sono e desci para tomar alguma coisa.— Começo a explicar e trato de agir de modo mais indiferente possível. —Encontrei seu irmão aqui embaixo e estávamos conversando. Juan olha pra Ryan, como se buscasse confirmação de que eu estava falando a verdade. Ryan não
Ayla está com toda atenção focada nas próximas palavras que saem da boca de Ryan: —Tudo começou uns dezoito meses antes. Comecei a sentir um cansaço extremo e uma fadiga quase insuportável. Assim que Ryan começa aquela narração, Ayla fecha os olhos, já prevendo tudo que estaria por sair dos seus lábios. Seu corpo treme, a ansiedade e coração se esmagam dentro do peito, principalmente quando Ryan diz as seguintes palavras: —E depois de uma série de exames que a companhia aérea me obrigou a fazer, eu fui diagnosticado com Linfoma de Hodgkin. Enquanto Ryan falava tudo aquilo, em nenhum momento, ele dirigiu seu olhar a Ayla. Sua atenção estava nas ondas em sua frente, e assim como elas estavam revoltas no mar, tudo dentro dele também estava revolto, bagunçado. —Ryan, eu... Me desculpe por minha ignorância, mas o que seria esse linfoma?— Ayla finalmente pergunta, a voz trêmula e tão baixa que se ela não estivesse tão próxima de Ryan, dificilmente ele ouviria. —É um câncer do sistema i
Nunca se ouviu um silêncio tão alto. —Como diabos você entrou aqui?— Juan foi o primeiro que falou, assim que se afastou do seu irmão. Juan outra vez deixou a raiva o consumir enquanto assistia aquela figura parada em sua frente, mas Ryan estava impassível. Observava toda aquela cena com a incredulidade e a frieza de rever a pessoa que destruiu sua vida. —Eu te fiz a droga de uma pergunta.— Juan volta a gritar e tenta avançar, claramente tomando as dores do seu irmão, como sempre fizera um pelo outro. Antes que Juan avance e deixe sua raiva o consumir outra vez, Ryan dá um passo à frente e outra vez segura o pulso do seu irmão mais novo, o controlando. E apenas com toda tranquilidade que Ryan tinha, ele olha em frente e pergunta: —O que está fazendo aqui, Aaron? Se está procurando a Amanda, eu não sei onde ela está. Ryan é frio ao falar com seu amigo de longa data, do qual ele não via há meses. O mesmo amigo que fugiu em uma viagem com a sua esposa, enquanto ele tentava lidar com
Era tarde da noite, a cidade estava adormecida. E Ryan acelerava com o carro sem respeitar nenhum limite de velocidade daquela rodovia. Toda a certeza que estava em sua mente, era que ele não poderia mais perder tempo. Tempo era o que o faltava, tempo foi tudo que ele perdeu por causa do seu orgulho e estupidez. —Tem certeza que ela está lá?— Ryan pergunta a Aaron, a respiração ofegante. —Não posso imaginá-la em mais nenhum outro lugar.— Aaron disse, o que fez Ryan acelerar ainda mais com o carro, fazendo aquele carro ser apenas um vulto naquela pista. Ryan segurava o volante com força, enquanto ainda podia ouvir todas as palavras que Aaron o revelou horas antes. Ele não podia aceitar que a verdade que Aaron havia falado poderia ser ainda mais dolorosa do que a falsa verdade que ele tanto acreditou por meses. —Chegamos.— Aaron diz assim que Ryan para o carro. No entanto, Ryan não sai do automóvel. Ele apenas fica imóvel encarando a casa que um dia foi seu lar. Ele havia ido embo
O ar parece mais pesado naquele instante. O coração de Ayla se acelera e o de Ryan se aperta em seu peito. Juan percebe a intensidade daquele momento e ele só quer que toda aquela confusão se dissipe, porque a sensação de impotência o fazia se sentir ainda pior, principalmente ao notar o olhar ansioso de Ayla para o seu irmão. Amanda assistia toda aquela cena que parecia ter sido congelada no tempo, e Juan interviu. —Amanda.— Ele falou ao se aproximar dela. Fazia meses que Juan não falava com sua cunhada, mas ao perceber a proximidade que Ryan e ela estavam novamente, ele concluiu que, de alguma maneira, havia existido uma explicação pra tudo que aconteceu. Então se Ryan pôde perdoá-la, ele poderia ao menos tentar. Isso deu abertura para que Ryan se aproximasse de Ayla do outro lado da sala. —Oi.— É tudo que ele fala, com uma frieza que Ayla jamais vira saindo dele. —Oi.— Ela responde nervosa e tenta brincar com suas mãos. Seu coração se acelera e ela começa a suar, mesmo que e
Capítulo 21Naquela madrugada, assim que Juan atravessou aquelas portas atrás de Ayla, Ryan teve um vislumbre. Algo em sua mente acendeu que deixa-la ir foi a coisa mais inteligente a se fazer, porque o destino dela seria outro e estava em sua frente o tempo todo.—Quem era aquela?— Amanda pergunta assim que ficam a sós.Aaron percebe o drama que está prestes a se instalar ali e decide ir pra outro cômodo.—É a babá da Emma. Eu a conheci há duas semanas, e estávamos tendo algo.— Ryan explica o mais resumidamente e honesto possível.Os olhos de Amanda vacilam por um instante, porque ouvir aquilo ainda doía.—E você...— ela estava prestes a perguntar algo, quando Ryan a interrompeu, porque ele sabia exatamente o que falaria.—Não.— Ele corta no mesmo instante. —Não a amo e acabei de dispensá-la.Amanda tenta disfarçar a alegria iminente que cobriu o seu coração, mas seus olhos apenas brilhavam o suficiente.—E por quê?— ela quer saber.—Porque ela não é você. Ninguém é você. E olha que