Voltei tropeçando para dentro do meu escritório, tentando localizar minhas roupas. Vesti minha calça por cima do corpo, porque não consegui achar minha cueca. Depois achei a camisa e saí correndo enquanto a vestia.
Quando cheguei na saída do corredor ao qual dava acesso a boate, me deparei
com Ricardo, meu segurança, que estava assustado.
— Chefe, tentamos alcançar a garota, mas a maluca pulou o muro da doca onde recebemos nossas mercadorias.
— Sério? Você está me dizendo que um monte de homem foi enganado por uma ragazza?
Ricardo respirou fundo e balançou a cabeça afirmando a incompetência dos meus homens.
— Ricardo, onde estava a empresa contratada para segurança do meu empreendimento?
— Chefe, infelizmente falharam. Fique tranquilo, vou providenciar a troca da empresa e dentro de cinco minutos o senhor estará com as imagens da câmera de segurança.
Respirei fundo e virei as costas voltando para o meu escritório.
Pessoas incompetentes sempre me deixavam possesso. Era inadmissível gastar uma fortuna com sistemas de última geração, contratos milionários para manter nossos negócios seguros e uma encrenca com cara de vinte anos derrubar todos eles.
Bati a porta do meu escritório, me servi com duas doses de uísque puro e engoli todo o líquido sem respirar. Eu me sentei no sofá e respirei algumas vezes de forma lenta para tentar me acalmar. No fundo, lidar com sentimentos conflitantes, nunca foi algo presente no meu cotidiano e quando acontecia, me deixava frustrado. A falta de controle era algo incomum para mim.
Uma virgem maluca se jogar em cima de mim daquele jeito e depois despejar sobre mim todo seu veneno, saiu do meu script.
Estava saindo do banheiro depois de me vestir de forma correta, quando me deparei com
Ricardo com as imagens das câmeras.
Depois de analisar cada uma delas, confesso que a coragem da garota me deixou fascinado. A rapidez dela ao escalar aquele muro, foi peculiar. Assisti as cenas algumas vezes, tentando descobrir quem era aquela mulher.
Meu Deus, quando estava fazendo minha higiene, me deparei com alguns vestígios do seu sangue virginal e fiquei indignado com a atitude dela.
Guardei o pendrive em meu bolso e me lembrei das garotas que estavam com ela.
— Ricardo, vamos para a central de vigilância. Preciso identificar se as amigas delas ainda estão na boate. Elas estavam em uma despedida de solteira.
Meu segurança não questionou e me seguiu em silêncio. Esta era uma das virtudes dele, além de um excelente profissional, era fiel a mim e a minha família. Verificamos todas as telas existentes no grande painel que ocupava uma parede da sala, até identificarmos duas delas acertando os comandas na recepção da boate.
Ricardo passou um rádio aos seguranças para conduzi-las a sala privada. Aquele era um local para mediação de questões conflitantes ocorridas entre frequentadores da boate. Quando entramos, nos deparamos com as duas jovens bonitas que acompanhavam a senhorita encrenca.
Uma delas estava sentada no sofá e era possível ver seu tórax subindo e descendo quando respirava. A outra, diferente da amiga, andava de um lado para o outro com nariz empinado com uma expressão de impaciência.
Assim que me viu, colocou a mão na cintura e me questionou com um tom arrogante.
— Quem você pensa que é para mandar seus brutamontes nos arrastar para cá como criminosas?
Encarei a baixinha com um olhar assassino, passei a língua nos lábios para ganhar tempo e me acalmar.
— Eu não penso, ragazza, eu sou o dono deste lugar, mas tenho certeza de que vocês sabem disto, não é?
A infeliz deu uma risada sarcástica e me enfrentou:
— O grande Mikhail Venturilli, o maior playboy da Sicília. Não faço parte do time que abaixa as calcinhas para você, seu puttano.
Audaciosa a garotinha, nunca fui chamado de prostituto antes por ninguém, mas ela cansou minha paciência.
— Ótimo saber que não preciso me apresentar e se te interessa, ragazza, você não está no seleto grupo de mulheres que me atraem. — Ela abriu a boca para me xingar, mas eu a interrompi. — Quero saber quem é a louca que estava com vocês?
A arrogantezinha ficou com a bochecha vermelha e respirando com ódio por ter sido ignorada.
Se estivéssemos em outro momento, eu gostaria de fazer por horas com a cara dela, mas eu estava interessado demais na informação para prosseguir.
— Não sei do que está falando, Mikhail Venturilli. — Ela falou meu nome em tom de deboche, me dando uma fisgada no pau. Até que a baixinha era gostosa falando meu nome daquele jeito.
Dei uma gargalhada e resolvi ser teatral. Abri os botões do punho da minha camisa olhando fixamente para ela. Enrolei as mangas até o meio dos braços mostrando minhas tatuagens, caminhei devagar para o local onde estava o carrinho de bebidas, coloquei uma dose dupla de uísque em um copo com gelo, voltei para a cadeira imponente atrás da mesa e me sentei diante delas.
— Não tenho pressa, posso esperar vocês se lembrarem.
Ela revirou os olhos, passou a mão nos cabelos e respirou fundo.
Quando abriu a boca, a amiga que havia permanecido muda até naquele momento, resolveu falar e me fez levar um choque com o nome que ouvi.
— Luna Cassano.
— O que você disse?
— Isto mesmo que você ouviu, a louca que estava conosco, se chama Luna Cassano.
Acertei o corpo na cadeira, ficando com as costas eretas. Senti os pelos do meu corpo ficarem eriçados com o sobrenome maldito. Meu Deus, não era possível, devia ter algum engano. Respirei fundo tentando manter meu estado de choque disfarçado.
— E posso saber por que ela resolveu inventar aquela mentira absurda sobre estar grávida de mim?
A garota calada balançou a cabeça de um lado para o outro, fechou os olhos jogando o pescoço para trás e depois de alguns segundos me respondeu.
— Porque minha amiga não tem um parafuso no lugar naquela cabeça oca. Ela estava com raiva da família e a idiota aí, a provocou com uma aposta absurda...
A garota baixinha interrompeu a amiga.
— Chega, Ruby, já falou demais. Pode nos deixar sair, por favor? Não temos mais nada a dizer.
Eu estava disposto a interrogá-las sobre aquela história, mas mudei de ideia, pois precisava colocar meus pensamentos no lugar.
— Ricardo, acompanhe-as até a saída.
Meu segurança abriu a porta e esperou elas se levantarem. A baixinha invocada ficou me olhando com raiva e quando passou por mim, despediu de forma abusada.
— Até nunca mais, seu babaca.
— Ricardo, aproveite para informar a recepção que as duas estão proibidas de voltar a MINHA boate.
Ela bufou e pensou em retrucar, mas foi puxada pela amiga chamada Ruby. Quando me vi sozinho na sala, caí sentado no sofá, respirei fundo e falei para mim mesmo.
— Parabéns, Mikhail Venturilli, foi f*der logo a maledetta
Cassano. Aquilo só podia ser sacanagem do destino.
Saí daquele escritório correndo feito uma louca. Meu coração estava disparado com meu ato insano. Eu não voltei para o interior da boate, pois sabia que seria contida pelos seguranças do maldito filho do Capo. Arrisquei por um corredor em sentido oposto por onde tinha entrado carregado por Mikhail.Saí correndo pelas docas de mercadoria quando avistei um paredão que cercava toda a área, isolando-a da vista da rua. Sem pensar nas consequências do meu ato, retirei minhas sandálias, subi em um dos containers encostado ao muro, dei um impulso em meu corpo e com uma força que eu nunca imaginava ter consegui pular.Tentei descer do outro lado da rua de uma forma menos perigosa, mas falhei e caí em cima do teto de um carro, machucando meu braço. O alarme do veículo disparou, mas eu não tinha tempo para pensar. Respirei fundo, segurei meu braço e desci do carro.Olhei para os lados e vi um táxi entrando na rua. Saí correndo e entrei em frente a ele, o motorista precisou frear de uma vez e par
Depois de conversar com as amigas da senhorita Encrenca, resolvi terminar minha noite. O que parecia ser somente um dia de folga para jogar cartas com os amigos, acabou virando uma cena da ópera italiana.Odiava ter meus planos mudados por questões externas, inclusive, com tanta incompetência.O manobrista trouxe minha menina, apelido carinhoso dado ao meu Range Rover SV.Quando entrei em meu carro, acionei o som no último volume, ouvindo Good Times do Ghali e acelerei pelas ruas da Sicília.Velocidade era o meu fraco, e por isto, investia muito dinheiro na fórmula um. No último ano havia me tornado um dos sócios da maior equipe da Itália: a Ferrari.No início meu pai não acreditou no meu investimento, mas bastou o primeiro ano para recuperar tudo e dobrar meu capital investido.Quando cheguei em casa, a adrenalina ainda circulava veloz em meu sangue, por isto resolvi passar pela nossa academia. Morávamos em uma mansão na Sicília, cada família com sua ala separada. Precisava gastar mi
Depois de conseguir aplacar a curiosidade das minhas amigas, resolvemos dormir. Bastou ficar em silêncio no escuro, para as lembranças de pior dia da minha vida vir à tona.Ter sido enganada pelo homem o qual eu sempre sonhei em me casar, acabou com meus sonhos de casamento de princesa. Desde o meu nascimento, fui prometida para o filho de um dos empresários mais poderosos da Sicília, além de seus negócios terem ramificações com os do meu avô. A junção das duas famílias seria benéfica para ambos.Eu estava com vinte anos e Otaniel com vinte e quatro. Ele era lindo, carinhoso, mas sempre me tratou como se fosse uma peça de cristal.Sempre achei lindo o modo com o ele se relacionava comigo, me sentia protegida e segura.Às vezes eu me arrumava com roupas mais sedutoras e me jogava para cima dele sem nenhum pudor, mas estranhava a falta de entusiasmo dele. Quando eu o questionava, a resposta era sempre a mesma:— Cara mia, rispetto la tua famiglia.Confesso que me sentia frustrada, mas a
Ele estava morando no condomínio de casas onde iriamos morar depois do casamento, aquele lugar foi escolhido por mim, pois parecia o castelo das minhas histórias infantis. A decoração externa era suntuosa e planejada para causar a impressão de um conto de fadas.O interior do meu lar tinha sido decorado conforme meus desejos, a arquiteta havia acertado em todos os detalhes. Quando cheguei a recepção do meu luxuoso condomínio, parei o carro na guarita e cumprimentei nosso porteiro.— Boa tarde, Donato. Como o senhor está?— Boa tarde, senhorita Luna, estou bem. A coluna do senhor Otaniel está melhorando? — Não entendi o que ele quis dizer.— Coluna? — Eu o olhei sem entender.— Sim, a fisioterapeuta dele acabou de chegar. — Senti um baque no coração, mas resolvi entrar na dele.— Ah, sim, claro. Desculpe-me, ando com a cabeça nas nuvens. Espero que ela esteja cuidando bem dele e não falte com o compromisso.— Pode ficar tranquila, a senhorita Camilla, vem todos os dias. O senhor deu um
Desde aquela noite, quando dei a notícia do fim do meu casamento em pleno jantar de família, minha vida virou um inferno. Mamãe foi ao meu quarto quando foi liberada por meu avô e me encontrou aos prantos debruçada em minha cama.— Oh minha filha, eu já te disse mil vezes sobre não conversar certas coisas em frente ao seu avô, você o conhece.Levantei a cabeça e olhei para ela com mágoa.— Conheço sim, um monstro sem coração. Eu não sou mais a criança bobinha que o vovô mandava.— Meu amor, ele é o Capo de nossa família, nós devemos respeito a ele.— Mamãe, respeitar é uma coisa, ser propriedade dele é outra. Eu não vou aceitar ter minha vida destruída por um negócio dele.Mamãe respirou fundo e depois me pediu para contar tudo a ela. Eu me sentei na cama, limpei meu rosto e depois com calma expliquei tudo o que vi, sem esquecer nenhum detalhe.Quando terminei meu relato, ela puxou o ar e o soltou pela boca. Depois mordeu os lábios, pensando antes de falar. Eu conhecia minha mãe, ela
Meus dias eram bastante ocupados, eu não tinha tempo para pensar, mas bastava dormir para aquela mulher louca aparecer em meus sonhos.A Senhorita Encrenca deu uma bagunçada no meu sistema, mas eu estava me esforçando para esquecer aquela noite. Eu a empurrei para o canto das minhas memórias e segui no meu ritmo de vida.O mundo dos negócios andava atribulado, porque havia um boato rolando sobre a saúde mental do Capo dos Cassano. Todo início desemana, nós nos reuníamos para passar o relatório dos negócios e planejar a semana.Estávamos eu, meus primos e tios no escritório junto ao meu pai, quando eu contei a história do Capo estar com um parafuso solto.— Segundo as bocas sedentas por fofoca, o vecchio está queimando os fusíveis e ficando doido.Meu pai tirou seu charuto da boca e com sua voz rouca se pronunciou:— Honestamente? Para mim este homem nunca foi normal.— Eu sei, papa, mas agora parece ser grave. Se for verdade, podeser bom para os nossos negócios.Diego ficou de pé, s
Enquanto as meninas mergulhavam, eu mexia em meu celular fazendo pesquisando sobre um playboy famoso na Itália. Bastava digitar o nome dele e um monte de sites famosos tinha algo a dizer sobre a sensação da Sicília.Eu não sabia bem o porquê da minha súbita curiosidade sobre aquele Putt*n*. A primeira matéria a aparecer no site de busca falava sobre Mikhail Venturilli um dos mais novos acionistas da Scuderia Ferrari.A foto o mostrava vestido em um terno de corte perfeito, o deixando mais alto e lindo. Ele estava junto ao chefe da equipe Vincenzo Carlocci e ao...— PARA TUDOOOOO... PAOLLLAAAAAA...Minha amiga saiu da piscina e veio correndo em minha direção.— O que foi sua louca? O Vaticano está pegando fogo?— Não, claro que não. Amiga, escuta o que vou ler para você.“Mikhail Venturilli , Vincenzo Carlocci e Daniel Fortes brindam o novo modelo da Ferrari a ser apresentado nesta semana pelo seu anfitrião Vincenzo Carlocci, que presenteará o mais novo acionista com o carro número 1 d
— O próprio, Ruby. Mikhail Venturilli em carne e osso e toda sua beleza e tatuagens e tudo o mais que aquele homem tem.Eu e Ruby quase caímos da cadeira e falamos juntas.— O quê? Você pode estar brincando, Elisa.— Não estou. O próprio Leandro me disse.— E por que este monte de homens de preto em volta da gente, Elisa?— Digamos que meu segurança está enciumado do meu corpo perfeito a mostra, Ruby.Enquanto elas se provocavam, eu perdi o poder de respirar. Como assim? Era coincidência demais.— Luna, Leandro me disse que eles estão acertando os últimos detalhes do evento da Ferrari.— Elisa, eu preciso ver este homem. Tem como passar pelos seus brutamontes?— Claro que sim, amiga. Acabo de perceber o quanto o sol está quente. Sigam-me.— O quê? Vocês vão sair da piscina assim? Sem colocar um roupão ou uma camisa?Eu e Elisa demos uma piscadinha para Ruby.— Claro que vamos assim. O que é belo é para ser mostrado, Ruby.Peguei o pente na bolsa da Elisa, ajeitei meus fios longos e d