Jonathan desce as escadas da mansão sentindo o aroma forte e familiar do café fresco. Ele franze a testa. Em dias que viaja de madrugada, nunca encontra o café pronto. Ao se aproximar da cozinha, seus olhos captam a cena que o desarma por um instante, Marta, de avental, colocando uma tapioca fumegante no prato. Queijo, presunto e alcaparras. Ela não havia esquecido. Ele se senta sem dizer uma palavra e experimenta a primeira mordida. O sabor está perfeito.— Obrigado, Marta. — diz, sem olhar para ela.Ela apenas assente, com um sorriso discreto. Jonathan retira um cartão de crédito da carteira e entrega a ela.— A senha está anotada aqui. É para as despesas da casa. Se quiser, pode aproveitar minha ausência e fazer as compras do mês. Eduardo estará à sua disposição.Marta pega o cartão, hesitante. Há algo na despedida que a entristece, mas ela não entende o porquê. Jonathan também sente um incômodo, mas empurra a sensação para longe. Com um último aceno de cabeça, ele sai, rápido, e s
A escuridão ao redor de Marta é quente e envolvente, mas, de repente, ela sente um toque. Um arrepio percorre a sua pele nua quando mãos firmes deslizam por seu corpo, explorando-a com uma posse ardente. Ela suspira, o calor se acumulando entre suas pernas antes mesmo de vê-lo.Jonathan.Ele está ali, deitado sobre ela, os olhos intensos cravados nos seus, um sorriso predador nos lábios. Seu toque é exigente, e Marta se contorce sob seu domínio, ansiosa, faminta. As mãos dele descem pela sua cintura, seguram seus quadris, puxam-na para si com urgência.— Você é minha, Marta… — Ele sussurra contra sua boca, a voz rouca, carregada de desejo.A boca quente dele desliza por seu pescoço, pelos sei0s, provocando arrepios e gemidos trêmulos. Ela sente a língua dele, os dentes arrastando-se levemente, a pressão exata para deixá-la louca. Seu corpo responde a cada toque, pulsando, se entregando.Os dedos dele deslizam por suas coxas, afastando-as lentamente. O coração de Marta bate forte, a re
O som ritmado dos saltos de Islanne ecoa pelos corredores do Grupo Schneider. Desde que Jonathan viajou para a filial nordestina, ela assumiu todas as responsabilidades da presidência e vice-presidência. A carga de trabalho a consome de tal forma que mal percebe o tempo passar. Quando Monica entra em sua sala com uma bandeja, trazendo dois pratos fumegantes, Islanne finalmente se dá conta de que já passou da hora do almoço.— Eu sabia que você ia esquecer de comer de novo — diz Monica, colocando a comida sobre a mesa.Islanne sorri cansada e faz um gesto para que sua secretária se sente ao seu lado.— Obrigada, Moni. Se não fosse você, eu desmaiaria aqui mesmo.Elas compartilham uma refeição tranquila, conversando sobre assuntos cotidianos, e comentam sobre a falta de Jonathan enquanto tomam um café após a refeição. Mas logo a rotina as chama de volta. Islanne se joga em reuniões exaustivas, assina contratos e resolve pendências inadiáveis. Quando finalmente volta à sua sala, sentind
Jonathan aperta os punhos sob a mesa de mármore enquanto assiste, com tédio e irritação, ao desfile de promessas vazias e palavras envenenadas que saem das bocas dos políticos à sua frente. O governador fala com pompa, os assessores assentem como marionetes bem treinadas, e alguns empresários cochicham entre si, claramente mais interessados em vantagens do que em desenvolvimento real. Mas Jonathan já conhece esse jogo. Sabe muito bem o que está por trás de cada aperto de mão suado e sorriso ensaiado. E ele está farto.— Chega. — Sua voz ressoa pela sala, cortando o burburinho como uma lâmina afiada. Todos se calam e o encaram, surpresos com sua interrupção. Jonathan se recosta na cadeira, encarando cada um dos presentes com olhos de aço. — Se essa reunião continuar nesse tom ridículo, vou encerrar a operação dessa filial agora mesmo.O governador pigarreia, tentando manter a compostura.— Ora, senhor Schneider, não precisa ser tão radical…— Preciso, sim. — Ele se inclina para frente
O silêncio o engole assim que cruza a porta de casa. Jonathan esperava encontrar luzes acesas, talvez o som baixo da televisão ou até mesmo os passos suaves de Marta pelo corredor. Mas nada. A mansão está mergulhada em uma quietude incômoda, quase cruel. Ele larga a mala no chão e solta um suspiro pesado. Por que diabos essa sensação de vazio o incomoda tanto?Ele sobe as escadas lentamente, como se esperasse que, a qualquer momento, Marta surgisse de algum canto. Mas a única coisa que encontra é o eco dos próprios passos. Passa pela cozinha e vê a louça lavada, a organização impecável, tudo feito por ela. Um pequeno sorriso puxa o canto de sua boca. Ela realmente cuidou de tudo.Ao chegar no corredor dos quartos, ele hesita diante da porta do quarto dela. A ideia de bater passa por sua mente, mas ele se controla. O que diria? Que queria vê-la? Que sentiu sua falta? Isso seria admitir demais, e ele não está pronto para isso.Ele se dirige ao próprio quarto, desfazendo os botões da cam
O dia de Jonathan se arrasta em um desgaste implacável. Reuniões intermináveis, decisões de alto impacto, contratos sendo fechados e outros tantos sendo desfeitos. Ele é um homem metódico, prático, disciplinado, mas algo dentro dele está fora de controle. A imagem de Marta surge em sua mente nos momentos mais inoportunos, perturbando sua concentração com lembranças e desejos que não deveria ter. Até mesmo durante uma conversa com sua irmã, Islanne, sobre investimentos em pesquisa, ele se pega distraído, tentando afastar o pensamento daquela mulher que não deveria ter importância alguma em sua vida.No final do expediente, exausto e inquieto, ele chama Mônica para um último briefing. A secretária lhe atualiza sobre os acontecimentos do dia, informando os relatórios pendentes e o andamento das operações. Jonathan ouve com atenção, mas sua mente continua presa em outro lugar. Quando a conversa termina, ele sai do escritório com uma decisão silenciosa: precisa espairecer, precisa aliviar
Marta atravessa a rua com uma mão na barriga, protegendo as vidas que carrega. O suor escorre pela sua nuca, a vertigem ameaça dobrar os seus joelhos, mas ela inspira fundo. Falta pouco. Falta muito pouco.E então, tudo acontece.O som de pneus cantando invade o ar como um grito. Um carro desgovernado surge do nada, avançando na direção dela como um predador. O impacto é brutal. Marta é lançada para o asfalto, seu corpo se choca contra o asfalto quente, e a dor vem antes mesmo que a consciência se apague. Seu último pensamento é uma súplica silenciosa: "Por favor… meus bebês…"— Meu Deus! — exclama uma senhora de cabelos grisalhos, que assistiu a tudo da calçada. Sem hesitar, ela faz um gesto rápido para um homem ao seu lado. — Ajude-a! Ligue para a emergência agora!A mulher se ajoelha ao lado de Marta, segurando a sua mão fria, seus olhos percorrendo o rosto pálido da jovem e sua barriga grande.— Aguente firme, querida… — sussurra, apertando os lábios. — Você não pode desistir ag
Diante de todas as adversidades, Marta não desiste. A fome a acompanha como uma sombra cruel dos últimos meses. O frio corta sua pele, os pés latejam, mas a necessidade de seguir em frente é maior do que o desespero.O dia inteiro foi assim, batendo de porta em porta, insistindo até o limite. Quando o cheiro de café quente invade suas narinas, Marta percebe o quanto está fraca. Seus bolsos vazios são a prova de que o pouco que tinha se esvaiu em uma passagem de ônibus, comprada com a esperança de um trabalho, onde a promessa de uma vaga de atendente evaporou assim que ela cruzou a porta e ouviu o gerente dizer:— Desculpe, a vaga já foi preenchida.Agora, ela vaga por ruas desconhecidas, sentindo o peso da cidade grande esmagá-la a cada "não" que recebe.— Só mais uma… só mais uma tentativa. — murmura para si mesma, tentando ignorar a dor latejante nos pés e a sensação de que está cada vez mais distante da vida que sonhou.Marta aperta o casaco surrado contra o corpo, mas o tecido fin