Enquanto isso... Ao sair correndo do quarto de Ravi, Malú entrou no seu próprio quarto e fechou a porta com cuidado, encostando as costas nela. Ela colocou a mão no peito, tentando controlar os batimentos acelerados do coração. Estava assustada, mas não apenas assustada — estava apavorada. Não por medo de Ravi, mas diante dos seus próprios sentimentos. Algo dentro dela havia despertado, algo que ela não conseguia mais ignorar. Ao beijar Ravi, Malú sentiu, pela primeira vez, o que era ser mulher. O que era sentir prazer no beijo de um homem. Ravi foi doce e sensual ao mesmo tempo, intenso de uma forma que a fez desejar continuar e ver até onde aquilo poderia levar. Ela sorriu, sentindo as pernas um pouco bambas, e pensou: — O que é isso que estou sentindo por ele, meu Deus? Sei que não devo sentir, mas é impossível fugir desse sentimento! Caminhou até a cama de forma automática e sentou-se, mas sua mente pedia que abrisse a porta e voltasse para os braços de Ravi. Seus lábios de
Malú, ainda brincando com os cabelos de May, continuou a relembrar. Para Dmitry, conquistar o carinho e a confiança de sua mãe não foi fácil. Ela sorriu ao lembrar: Sofía ficou muito agradecida a Dmitry, mas não entendeu como ele conseguiu convencer Pavlova. O que mais a surpreendeu, porém, foi o quarto que ganhou para ficar com a filha. — Mamãe, esse quarto é lindo! Parece de princesa! — Malú disse, encantada. — Deve ser porque você realmente é uma princesa! — Dmitry respondeu, sorrindo, enquanto brincava com uma maçã na mão, na porta do quarto delas. Sofía riu e brincou com ele: — Dmitry, você não trabalha, não, seu folgado? Ela tomou a maçã da mão dele, deu uma mordida e sorriu de forma provocativa. Dmitry também sorriu, e, apesar de ela ficar corada toda vez que ele a encarava com intensidade, ela ainda era muito brincalhona com ele. Porém, se soubesse quem ele realmente era, jamais brincaria assim. Apesar de não querer levar aquele mal-entendido muito longe, naquele
No outro dia... Ao acordar, Malú levantou-se lentamente, ainda envolta naquele estado de sonho e realidade que precede a plena consciência. Seus olhos pousaram na janela, onde os primeiros raios de sol filtravam suavemente pelas cortinas, criando um jogo de luzes e sombras no quarto. Ela esticou os braços, sentindo o peso do sono ainda em seu corpo, mas logo sua mente foi invadida pelas lembranças da noite anterior. O beijo. Aquele beijo que havia sido tão intenso, tão cheio de significado, que agora parecia ter gravado em sua memória uma marca indelével. Ela sorriu, involuntariamente, e levou os dedos aos lábios, como se pudesse reviver aquele momento mágico. A sensação de seus lábios tocando os de Ravi, a maneira como ele a segurou com tanta delicadeza, como se ela fosse algo precioso... Tudo isso a fazia sentir-se leve, como se estivesse flutuando. Mas, ao mesmo tempo, uma pontada de dúvida surgia em seu coração. Será que ele sentia o mesmo? Ou aquele beijo havia sido apenas um
Quando Malú percebeu os olhares na sua direção, principalmente os masculinos, ficou temporariamente nervosa. Porém, lembrou-se do que havia falado algumas horas atrás para Ravi: — Não se preocupe, Ravi. Nunca mais voltarei a ter medo de você. Agora tenho toda a certeza de que não é uma má pessoa. Confio totalmente em você. E, de fato, ela confiava nele. Também confiava nos seus amigos, afinal, tinha certeza de que ele jamais faria amizades com pessoas de mau caráter. Então, erguendo a cabeça, sorriu para todos ali. Assim como ela chamava a atenção dos olhares masculinos, May atraía os olhares das jovens mulheres que estavam por perto, que sorriam derretidas e comentavam: — Que bebê linda! Malú percebeu que May também estava só sorrisos naquele momento. Embora soubesse que a maioria dos amigos de Ravi estavam se questionando sobre quem ela era — se apenas mais uma amiga ou alguma parente —, ninguém a questionou diretamente. Ela então avistou Ravi, conversando com seus amigos,
Porém, quando Ravi se aproximou de seus amigos novamente, entendeu o motivo pelo qual Malú sorria para Alexandre. Ele estava elogiando May, e ela agradecia com sorrisos. No entanto, Ravi percebeu que os sorrisos de Malú já não estavam tão radiantes quanto antes. Quando ele se aproximou dela, seu sorriso desapareceu completamente, sendo substituído por uma expressão de desapontamento. Ravi seguiu o olhar dela e percebeu que ela estava olhando na direção do barzinho, onde ele havia deixado Lívia e Ruana. — Malú, será que podemos falar um pouco? — perguntou Ravi, tentando manter a calma. Ela levantou os olhos para Alexandre, que lhe piscou de forma provocante. Esse gesto não passou despercebido por Ravi. Malú então o seguiu até uma parte mais discreta da área da piscina, longe de olhares indiscretos. Ali, ele pegou seu braço e perguntou, com uma mistura de preocupação e ciúmes: — Foi assim tão fácil se tornar amiga íntima de Alexandre? A ponto de já confiar totalmente nele? Malú
Pensativo, Heitor lembrava de toda a história que Ravi lhe contara sobre a garota por quem estava apaixonado e de tudo o que ela havia perdido devido àquele homem cruel. Ele também refletia sobre o perigo que Ravi mencionara, alertando que todos poderiam estar em risco por causa do mesmo homem. Viktor, o nome que ecoava como uma sombra ameaçadora, parecia estar sempre um passo à frente, disposto a destruir tudo o que Ravi amava. Heitor protegeria sua família até com a própria vida, se necessário. Jamais permitiria que alguém fizesse mal a eles. A imagem de Natália e dos filhos, Leonardo e o pequeno de três meses, vinha à sua mente, fortalecendo sua determinação. Ele sabia que precisava agir rápido e com precisão. Naquela mesma noite, assim que terminou de desligar o celular, contou a Natália tudo o que Ravi lhe havia dito, sem omitir nada. Apesar de Natália ter ficado inicialmente assustada, Heitor a tranquilizou com um abraço firme e palavras suaves. — Não vamos deixar que ele n
Ao saírem da casa de Luna, as duas entraram em um carro blindado, com Pedro, um dos seguranças, no assento do carona, e Barbosa ao volante. Atrás delas, outro carro com dois seguranças seguia de perto. Luna olhou pela janela, inquieta, enquanto Miriã ajustava a GX4 no coldre sob o casaco. — Eu ainda acho que não deveríamos sair hoje — murmurou Luna, os dedos inquietos brincando com a alça da bolsa. — Ainda mais sabendo do perigo que nos cerca. Miriã deu uma risada curta, quase desdenhosa. — Que isso, maninha! Não seja tão estraga-prazeres assim. Veja, temos três seguranças! Além disso, acredito que o tal russo idiota ainda nem sabe da nossa existência. Agora, para de paranóia e vamos! Luna não respondeu, mas o aperto no peito não desapareceu. Ela sentia que algo estava prestes a dar errado. O ar parecia pesado, carregado de uma tensão que ela não conseguia explicar. Algumas horas depois, quando já estavam voltando do shopping, o pesadelo começou. Cinco carros escuros surgiram d
Quando o motorista desacelerou, o carro se emparelhou totalmente ao lado dos dois carros dos criminosos. Miriã e Luna agiram rápido. Miriã mirou nos motoristas e seus parceiros, enquanto Luna focou nos pneus. Ambas foram precisas, e os tiros fizeram com que os dois carros inimigos derrapassem violentamente na pista, perdendo o controle e colidindo com barreiras de concreto. — Perfeito, senhorita! — comentou o motorista, eufórico, mas sua alegria durou pouco. Um barulho de derrapagem ecoou atrás deles. Os outros seguranças haviam sido atingidos, e os três carros restantes dos criminosos agora os perseguiam de perto, implacáveis. Luna, com as mãos trêmulas, ligou para a polícia e para Christopher, que entrou em desespero ao ouvir a situação. Ele imediatamente mobilizou todos os seus seguranças, ordenando que seguissem para o local onde as irmãs estavam. Miriã, concentrada, conseguiu acertar mais um motorista inimigo, enquanto Luna e o segurança atingiram o pneu de outro carro. O ve