capítulo 3
Sob as luzes entrelaçadas, ela caminhava ao lado dele, parecendo o casal perfeito que todos invejavam.

Ninguém percebeu que a noiva não era eu.

Ninguém se importou com o meu paradeiro.

Todos ali pareciam simplesmente aceitar que Eliana era a verdadeira esposa de Anselmo.

Mas minha mãe percebeu que algo estava errado.

Diante dos murmúrios do público, ela avançou, a voz firme e cortante:

— Onde está Clarissa? Por que você trouxe essa mulher?!

Todos os olhares se voltaram para ela.

Eliana, fingindo preocupação, segurou a mão dela com doçura:

— Senhora, Clarissa decidiu não vir ao casamento. Não foi culpa do Anselmo!

Mas minha mãe não se deixou enganar.

Imediatamente afastou a mão dela e cuspiu, furiosa:

— Você! Você já armou tantas vezes contra minha filha! Dessa vez, o que fez para impedi-la de vir?! Fala logo! Onde está minha filha?!

Seus olhos estavam vermelhos, a voz embargada pela angústia.

Os convidados começaram a cochichar entre si.

— Espera... Ela não era a noiva do Sr. Anselmo? Então o que essa mulher está fazendo aqui?

— Será que está tentando roubar o marido de outra? Isso não é coisa de amante?

Os sussurros começaram a crescer.

Eliana, como sempre, fez seu teatrinho.

Os olhos lacrimejaram, e ela segurou a mão de Anselmo com delicadeza, sussurrando com tristeza:

— Anselmo... Me desculpa... Eu só causei problemas pra você...

Ele sorriu levemente, como se quisesse tranquilizá-la.

Mas, em seguida, lançou um olhar gélido para minha mãe e declarou com frieza:

— Depois de tudo o que sua filha fez, você ainda tem coragem de mencioná-la na minha frente?

O olhar feroz dele fez minha mãe congelar no lugar.

E, sem nem se dar ao trabalho de olhar para trás, ele segurou a mão de Eliana e seguiu até o altar.

Diante de todos, pegou o microfone e anunciou com a voz firme e indiferente:

— A noiva original desta cerimônia, Clarissa, me traiu antes do casamento. Por vergonha, decidiu fugir e rompeu nosso noivado! Sendo assim, tomei minha decisão: hoje, me casarei com a Srta. Eliana!

O salão ficou em silêncio por um segundo.

Mas logo os convidados se voltaram contra mim.

— Meu Deus! Então Clarissa era esse tipo de mulher? Que vergonha!

— Nojento! Como alguém pode ser tão baixa?

No salão inteiro, apenas minha mãe ainda lutava por mim.

— Não! Clarissa não é esse tipo de pessoa! Ela sempre amou o Anselmo! Foi ele quem a traiu!

Ela gritava desesperadamente, mas ninguém acreditava.

Em troca, ela recebeu apenas insultos cada vez mais cruéis.

De repente, sua mão foi ao peito, o rosto se contorcendo de dor. E então, simplesmente caiu no chão.

Ao ver aquela cena, meu coração congelou.

Corri para segurá-la, mas minhas mãos passaram direto por seu corpo.

— Mãe! Mãe, acorda! Sou eu, Clarissa!

— Alguém ajuda! Pelo amor de Deus, alguém salva minha mãe!

Eu me ajoelhei ao lado dela, gritando, chorando, implorando.

Mas ninguém se moveu.

Olhei para Anselmo, esperando algo.

Mas tudo que vi foi seu vulto se afastando, segurando Eliana em seus braços.

Agarrei o corpo imóvel da minha mãe, vendo seu peito parar de subir e descer.

A dor me esmagou.

Era como se alguém estivesse martelando meu peito, me impedindo de respirar.

— Mãe! Eu errei! Eu não devia ter insistido em casar com ele! Eu acabei com a sua vida!

— Volta, por favor! Abre os olhos! Olha pra mim mais uma vez!

Mas ela nunca mais me responderia.

Tremendo, tentei tocar seu rosto pálido e sem vida.

Mas nem isso eu conseguia fazer.

Ao redor, as pessoas continuavam rindo, brindando, se deliciando com a festa, como se nada tivesse acontecido.

Como podiam ser tão frios?

Por fim, um funcionário do hotel veio com alguns seguranças e levou o corpo da minha mãe.

Quis segui-la.

Mas algo me prendeu ali.

O destino estava me castigando por ter jogado minha vida fora por um homem que nunca me amou?

Nem na morte eu poderia escapar dele?

Mas... já não bastava?

Por que minha mãe também teve que pagar por meus erros?

Afundada nesse abismo de dor e desespero, vi Anselmo voltar para a suíte nupcial que deveria ser nossa.

Cada detalhe ali tinha sido escolhido por mim, planejado com todo o carinho.

Agora, tudo aquilo zombava da minha ingenuidade.

Eliana se ergueu na ponta dos pés e selou os lábios de Anselmo num beijo tímido.

Ele sorriu e acariciou seu rosto.

O desejo crescia entre os dois. Se beijavam, prontos para subir as escadas.

Até que a voz aflita do assistente ecoou pelo ambiente:

— Sr. Anselmo, o senhor precisa decidir o que fazer com o corpo da Srta. Clarissa!

Anselmo parou por um instante.

Então, num tom impaciente, resmungou:

— Mas que inferno! Vamos ver se dessa vez ela morreu mesmo ou se ainda quer me fazer de idiota.

A contragosto, seguiu o assistente até o porão.

Assim que a porta pesada se abriu, um cheiro nauseante de podridão invadiu o ar.
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