Morri no Dia do Meu Casamento
Morri no Dia do Meu Casamento
Por: Gugu
capítulo 1
No dia do meu casamento com Anselmo Leal, eu morri.

Como não apareci, ele, tomado pela fúria, casou-se com sua amiga de infância, Eliana Conde, e declarou diante de todos:

— Clarissa Barros me traiu antes do casamento e decidiu fugir!

Os boatos destruíram minha mãe. Ela não suportou e teve um infarto ali mesmo.

Mas ele se esqueceu... Foi ele quem cortou meu braço para vingar Eliana, e me trancou no porão por dez dias.

Supliquei de todas as formas, mas só ouvi sua frieza:

— Fique aqui e sinta na pele o que fez Eliana sofrer! Talvez isso acabe com sua maldade!

Mas quando ele finalmente encontrou meu corpo, devorado por vermes, enlouqueceu.

...

— Onde está Clarissa? Ela morreu ali e não consegue mais se mexer?

Minha consciência voltava quando ouvi o grito furioso de Anselmo.

— Sr. Anselmo, procuramos por toda parte, mas não encontramos nenhum sinal da Srta. Clarissa... Será que aconteceu alguma coisa? — Seu assistente falou, hesitante.

Anselmo ouviu e, num acesso de raiva, arremessou o copo de uísque no chão, estilhaçando-o.

— Acontecer o quê? Ela está fazendo isso de propósito para me humilhar! Só porque dei uma lição nela por causa da Eliana!

Ele respirava pesado, transtornado. Até que uma voz doce se aproximou lentamente:

— Anselmo, acho que acabei de ver a Clarissa! Inclusive, tirei uma foto!

Eliana, satisfeita, ergueu o celular diante dele.

Na tela, lá estava eu... ao lado do meu amigo de infância, Murilo Duarte.

Anselmo fixou o olhar na imagem, cerrando os dentes.

— Então Clarissa teve coragem de me trair?! Fugiu para se divertir com o amante?! Que mulher desgraçada!

Ele parecia pronto para me matar. Mas, dentro de mim, tudo já estava morto.

Ele sempre foi assim.

Acreditava em tudo que Eliana dizia.

Menos em mim.

Ele nunca fez questão de esconder o quanto queria minha morte. Mas a verdade é que ele já tinha conseguido o que queria.

No porão escuro e sufocante, eu estava amarrada a um pilar.

Sofrendo de claustrofobia, eu tremia sem controle, implorando por piedade.

— Anselmo, por favor! Eu errei, eu sei que errei! Não devia ter machucado a Eliana! Tudo foi culpa minha!

Mas ele, frio e indiferente, apenas zombou:

— Clarissa, você quase matou a Eliana, e agora quer bancar a vítima?

O pânico me sufocava tanto que nem conseguia formular uma frase direito:

— N-não... Eu... eu não fiz nada!

Ele suspirou, impaciente, e sem qualquer hesitação, grudou uma fita adesiva na minha boca, calando meu desespero.

Então, sem desviar o olhar dos meus olhos suplicantes, pegou uma faca e cortou meu braço. Três vezes.

— Você quebrou o braço da Eliana. Três cortes. Não vou te matar, mas isso é para pagar pelo que fez.

Foram as últimas palavras dele antes de bater a porta e me deixar na escuridão.

Eu sempre soube que ele era frio comigo. Mas não imaginava que fosse capaz de tanta crueldade.

A dor ardente se espalhava pelo meu braço.

Senti o sangue escorrendo devagar, gota por gota, até tocar o chão.

Mas Anselmo estava errado.

Eu nasci com um distúrbio de coagulação.

Aqueles três cortes eram mais que suficientes para me matar.

Na escuridão total do porão, fui sendo engolida pelo vazio.

Era como se lâminas invisíveis rasgassem meu peito. Cada respiração era uma tortura insuportável.

— Mmnh... mmnh...

Meus gemidos abafados ecoavam pelo lugar, até que, finalmente, veio o alívio.

Fechei os olhos e me entreguei ao silêncio.

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