capítulo 2
— Anselmo, o que vamos fazer agora? Tem tantos convidados lá fora!

Eliana piscava seus grandes olhos inocentes, como se fosse um anjo puro e intocável.

— A culpa é minha! Clarissa deve estar com raiva de mim, por isso não quis vir! Me perdoa, Anselmo!

Assim que viu as lágrimas brilhando nos olhos dela, Anselmo imediatamente suavizou sua expressão.

Ele a puxou delicadamente para seus braços, afagando seus longos cabelos.

— Como isso poderia ser culpa sua? Clarissa não veio ao casamento porque preferiu se jogar nos braços de outro homem! A culpa é dela!

Eliana choramingou em seu peito, como se carregasse o maior sofrimento do mundo.

— Não chora, meu amor! Eu sei que você só está triste por mim... Mas aquela mulher desprezível nunca mereceu ser minha esposa!

Ele usou as palavras mais cruéis que conseguiu para me descrever.

E, como sempre, para ele, Eliana era pura, perfeita.

Mas sua verdadeira face, sua malícia implacável, só eu conhecia.

No dia em que fui provar meu vestido de noiva, foi Eliana quem insistiu, cheia de manha, para ir comigo.

Eu não dei importância.

Mas, a cada vestido que eu escolhia, ela vinha disputar comigo.

Na quinta vez, já sem paciência, perguntei diretamente:

— Eliana, o que você quer afinal?

Ela abriu um sorriso enviesado e me encarou, os olhos cheios de maldade.

Ficamos assim por um longo tempo, até que, por fim, ela soltou minha mão e murmurou:

— Clarissa, você realmente achou que eu deixaria você casar com o Anselmo?

Antes que eu pudesse entender suas palavras, ela fez algo impensável.

Com um golpe seco, jogou um espelho enorme sobre si mesma.

— Ahhh!

O vidro estilhaçou pelo chão, e Eliana gritou, segurando o braço ensanguentado.

A vendedora da loja correu para dentro, mas ao ver o sangue escorrendo de Eliana, ficou paralisada de horror.

— Meu Deus, está sangrando muito!

Tentei me aproximar para ajudá-la, mas, entre soluços, Eliana gritou para todos ouvirem:

— Clarissa, eu já tinha cedido o vestido para você, por que ainda me empurrou?!

No instante seguinte, fui lançada ao chão com força.

Minha cabeça girou.

Quando levantei o olhar, tudo que vi foi o olhar gélido e sombrio de Anselmo.

— Anselmo, está doendo demais! Me ajuda!

— Não se preocupe, eu vou te levar ao hospital agora! Vai ficar tudo bem!

Desesperado, ele a tomou nos braços e saiu apressado, tão transtornado que pisou na minha mão no caminho.

Soltei um grito de dor, mas ele sequer olhou para trás.

Foi nesse momento que eu finalmente entendi.

O amor e a indiferença são coisas gritantes.

E eu precisei de tudo isso para admitir... que sempre estive me enganando.

Eliana perdeu um bebê, quebrou um osso. Então, para Anselmo, a solução era me cortar, me trancar num porão escuro e me torturar.

Ele nunca se importou com a verdade. Só importava que Eliana se machucou e que eu era a culpada.

Para ele, eu nunca fui nada.

— E-e o casamento...? — Eliana soluçou, os olhos brilhando de lágrimas. — Não quero que riam de você...

— Sr. Anselmo, talvez seja melhor a gente—

O assistente tentou sugerir algo, mas foi interrompido por um toque de celular, insistente e urgente.

Anselmo observou a expressão do funcionário mudar para um tom pálido e hesitante.

— O que foi? Fale logo!

O assistente desligou a ligação, engoliu seco e, com dificuldade, anunciou:

— Sr. Anselmo... encontramos a Srta. Clarissa. Mas...

— Mas o quê? Para de enrolar! O que houve? Não me diga que ela morreu de verdade!

A voz de Anselmo soava impaciente, como se aquilo fosse apenas uma piada ridícula.

O assistente hesitou por um segundo, mas finalmente falou:

— Srta. Clarissa... ela está morta. Os homens que enviamos encontraram o corpo dela.

Por um breve instante, algo brilhou no olhar de Anselmo.

Uma hesitação.

Mas logo desapareceu.

Em seguida, ele soltou uma risada debochada.

— Ah, essa é boa! Agora ela quer fingir que morreu? Logo depois de ser flagrada com aquele desgraçado? Que desculpa patética!

— Não é mentira, Sr. Anselmo! A Srta. Clarissa morreu mesmo!

O assistente insistiu, aflito.

Mas ninguém mais o ouviu.

Anselmo já havia entrelaçado os dedos aos de Eliana e caminhava para dentro do salão.

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