Na hora do almoço, cheguei ao restaurante indicado por Richard. Assim que entrei, vi que ele já estava à minha espera.
— Você está muito linda — elogiou, sorrindo antes de beijar meus lábios.
— Obrigada por notar. Você já pediu?
Ele negou.
— Estava esperando você, linda.
Richard levantou a mão e chamou o garçom, que se aproximou rapidamente. Fizemos nossos pedidos e, assim que o garçom se afastou, ele se virou para mim.
— E então, como está sendo o trabalho?
— Cheio de surpresas. E o seu?
— Surpresas? Espero que sejam boas.
Hesitei, ponderando se deveria contar, mas preferi mudar de assunto.
— Vamos deixar os assuntos de trabalho para depois.
Ele concordou, e almoçamos em um clima leve e descontraído. Quando terminamos de comer, pedimos café. Richard começou a acariciar minhas mãos de maneira sensual, e eu sorri. Assim que os cafés chegaram, seguimos conversando animadamente.
— Quando poderemos sair novamente? — perguntou ele.
— Estou cheia de coisas para fazer. Minha mãe virá me visitar na semana que vem.
— Hum... entendo. Mas sua mãe vem só na semana que vem. E essa semana?
Uma ideia travessa passou pela minha cabeça.
— Vou ao banheiro e, assim que você pagar a conta, te espero lá.
Lancei-lhe uma piscadela e vi seu sorriso malicioso se abrir.
Não demorou para que ele entrasse na cabine, o olhar carregado de desejo ao me ver sem o vestido.
— Você é bem safada... Gosto disso.
Ele começou a beijar meu corpo, descendo lentamente enquanto deslizava minha calcinha para o lado. Prendi os lábios, abafando os gemidos que ameaçavam escapar.
Richard se ajoelhou à minha frente, o olhar cheio de desejo enquanto suas mãos exploravam meu corpo com urgência. Mordi o lábio para conter qualquer som, o coração acelerado tanto pela excitação quanto pelo medo de sermos flagrados. Seus toques eram precisos, e eu me segurava contra a parede, sentindo meu corpo reagir a cada movimento dele. A adrenalina da situação tornava tudo ainda mais intenso.
— Você realmente adora um perigo, não é? — ele murmurou contra minha pele, a voz carregada de diversão.
Passei os dedos pelos cabelos dele, puxando levemente.
— E você adora entrar no meu jogo — provoquei.
Richard riu baixinho e voltou a me provocar, suas mãos segurando minha cintura com firmeza. O tempo pareceu parar enquanto nos entregávamos ao momento.
Quando finalmente recuperei o fôlego, ajeitei minha roupa rapidamente e olhei para ele, que me observava com um sorriso satisfeito.
— Isso definitivamente fez o almoço valer a pena — brincou, me puxando para um último beijo antes de sairmos da cabine.
Verifiquei se o corredor estava vazio antes de sair. Com um último olhar cúmplice, voltamos ao salão como se nada tivesse acontecido.
— Então, posso te ver de novo essa semana? — Richard perguntou quando chegamos à porta do restaurante.
— Talvez...
— Então, vou esperar você me ligar.
Dei-lhe um sorriso travesso antes de acenar e seguir meu caminho de volta ao trabalho, ainda sentindo os efeitos da nossa pequena escapada.
Assim que cheguei à empresa, encontrei meu amigo conversando com uma das recepcionistas.
— Demorou, Analu. — Ele me olhou por um instante e então abriu um sorriso. — Você transou?
Não respondi nada, mas ele continuou me encarando, como se estivesse esperando a confirmação.
— Você transou, confessa!
— Tenho trabalho a fazer, linduxo — cantarolei, e ele sorriu, já sabendo a resposta.
Voltei para minha sala e trabalhei com afinco até o horário de saída. Ao me espreguiçar na cadeira, estiquei os braços e a coluna, depois arrumei minha mesa e me preparei para sair.
Quando cheguei ao elevador, a porta se abriu revelando Enzo. Ele segurou a porta para mim, e por um instante, hesitei se deveria entrar ou não.
— Não vai entrar? — perguntou, me encarando.
Não queria, mas também não daria esse gostinho a ele.
— Sim, claro! Obrigada por segurar o elevador.
Ele sorriu. Antigamente, eu acharia fofo, mas hoje em dia...
— Você está diferente, Analu. Muito diferente.
— Sabe o que dizem, né? As porradas da vida fazem a gente crescer.
Ele me encarou por alguns segundos, mas não respondeu.
Estar ali, naquele pequeno espaço com ele, me deixava desconfortável. Que droga, esse elevador parecia nunca chegar ao térreo! Quando a porta finalmente abriu, saí apressada, ignorando os chamados de Enzo.
Entrei no meu carro e fui direto para casa. Ao chegar, encontrei meu irmão sentado no sofá, comendo pipoca.
— Vem cá! Você não tem casa, não?
— Tenho, mas ficar na sua é ainda melhor.
Revirei os olhos e segui para o quarto, mas antes de entrar, parei na porta.
— Espero que você arrume a bagunça que está fazendo.
— Pode deixar, senhora.
Ele gargalhou ao me ver revirando os olhos.
Gaby, ou melhor, Gabriel, é meu irmão. Ele tem 25 anos e mora no andar de baixo, mas praticamente vive na minha casa. Eu gosto de tê-lo por perto. Me faz lembrar dos tempos em que éramos crianças, e eu precisava cuidar dele para que nossa mãe pudesse trabalhar.
Depois de um banho relaxante, fui para a sala ficar com ele.
— Como vi que você chegou cansada, pedi comida.
— Olha só como o Gaby está responsável, cuidando da irmãzinha — sorri, provocando.
— Não me chame de Gaby! Assim, o povo acha que sou uma garota.
— Mas você não é, então relaxa. O que pediu de bom?
— Você não muda, né?
— Não mesmo.
Sorrimos, e Gaby escolheu um filme para assistirmos juntos enquanto esperávamos nossas refeições.
Enzo AlbuquerqueDepois de anos fora do país, finalmente estou de volta. Não que eu sentisse falta daqui, mas agora tenho um novo propósito: a minha própria empresa. Pela primeira vez, algo que construí sem precisar da influência da minha família, sem que meu sobrenome fosse a única coisa que me definisse. Isso significava muito para mim. Finalmente, Enzo Albuquerque seria mais do que apenas o herdeiro de uma dinastia de empresários bem-sucedidos.Minha volta ao Brasil foi estratégica. Passei anos na Europa, absorvendo conhecimento, fazendo contatos, aprendendo sobre o mercado. E agora, com a aquisição da SoftTech, eu tinha algo só meu. Uma empresa promissora, com potencial de crescimento e inovação. E o melhor: sem nenhuma interferência da minha família. Não que eu não os respeitasse, mas estar sempre sob as asas da minha mãe era sufocante. Eu queria construir algo por mérito próprio, provar que era capaz sem precisar da aprovação deles.Entrei no prédio da SoftTech no início da manh
Ana Luiza Martinelli Meu despertador tocou pela quinta vez, e eu ainda me recusava a levantar. Na verdade, eu não queria encarar Enzo. Por que o destino resolveu ser cruel comigo e colocar o cara que já foi o amor da minha vida e, ao mesmo tempo, me destruiu no local onde trabalho?Como vi que não poderia enrolar mais, levantei-me e me arrastei até o banheiro. Após fazer minha higiene matinal, fui à minha cafeteria preferida e comprei um café bem grande e um donut. Terminei tudo e voltei para o carro, pus uma música animada e, ao chegar à empresa, estacionei. Fiquei uns dez minutos dentro do carro, debruçada sobre o volante, e, de repente, ouvi batidas na minha janela. Quando levantei a cabeça, vi que era meu amigo.— Vamos, minha diretora executiva. — Ele disse sorridente, e eu revirei os olhos.— Acho que vou inventar alguma emergência e voltar para casa. — Digo enquanto saio do carro.— Tudo isso é para evitar o nosso CEO? — Ele perguntou, ainda sorrindo.Revirei os olhos e balanc
O dia seguiu arrastado depois da conversa com Enzo. Tentei ao máximo me concentrar no trabalho, mas minha mente insistia em reviver cada detalhe do nosso encontro. Eu odiava o efeito que ele ainda tinha sobre mim, e isso só me irritava mais.Afundei na papelada sobre minha mesa, analisando contratos e revisando relatórios. Se existia algo que me fazia esquecer dos problemas, era me perder no trabalho. Mas, mesmo assim, a cada intervalo entre um documento e outro, minha mente vagava para os olhos de Enzo, para a forma como ele me olhou, como se ainda tivesse algum direito sobre mim.— Está tudo bem? — A voz de Murilo me trouxe de volta à realidade. Ele estava encostado na porta da minha sala, segurando um copo de café e me observando com um olhar curioso.— Sim. Só tentando manter minha sanidade. — Suspirei e estiquei os braços, sentindo a tensão acumulada nos ombros.Ele entrou, puxando uma cadeira e se sentando de frente para mim.— Isso tem nome e sobrenome, né? — Ele disse, arquean
Esse dia parecia não ter fim. Como pulei o almoço, minha assistente pediu um café para mim, e agradeci.Assim que o lanche chegou, ela se sentou ao meu lado e sorriu.— Obrigada pelo lanche! Enquanto como, revise este documento para mim, por favor. — Camile me encarou animada.— Você não me trata como secretária igual os outros fazem com as suas.— Já estive no seu lugar, Camile, e tive um excelente mentor que viu potencial em mim e me incentivou. Vejo o mesmo em você.Ela me olhou de maneira estranha.— Não tem medo de que eu possa tomar o seu lugar? Muitos não ajudam justamente por isso.— O sol brilha para todos. Assim como brilhou para mim, vai brilhar para você. Eu era apenas uma faxineira, trabalhava com minha mãe, e, aos poucos, graças a pessoas que viram meu potencial, consegui crescer.— Por isso você chegou onde chegou... e ainda vai muito longe, chefinha!Sorri para ela. Enquanto eu comia, ela analisava os documentos que entreguei. Deixei alguns erros propositais para testa
Enzo Albuquerque Estava jogado no sofá da minha casa, tomando meu uísque, quando Ana Luiza veio à minha mente. Ela estava muito diferente da menina por quem me apaixonei anos atrás. A AnaLu do passado era insegura, tinha olhos doces e gentis. Já a AnaLu de hoje era uma mulher forte, determinada, e seus olhos perderam aquela inocência. Mas quem poderia culpá-la? Eu era o responsável por isso. Estava quase fundido ao sofá, mergulhado em lembranças do passado, quando a voz da minha irmã me trouxe de volta ao presente. — O que está fazendo aqui, Rafaela? — perguntei, encarando-a. Ela sorria. — Não posso visitar meu irmão querido? — Hum! Brigou com a mãe de novo? — perguntei, e ela deu de ombros. — Quem brigou comigo foi ela. Você conhece dona Heloíse melhor do que ninguém. Dessa vez, cismou que eu tenho que me casar. Aff! Minha irmã se jogou no sofá ao meu lado, tomou o copo da minha mão e virou o resto do líquido de uma só vez. — Rafa, isso é forte para você. Ela revirou
Ana Luiza Martinelli Estava me arrumando para ir trabalhar quando meu celular tocou. Olhei para o visor e vi o nome da minha mãe piscando.— Oi, mamis! Bom dia! Como vocês estão?— Oi, minha filha! Estamos bem, e você? E o seu irmão? Tem visto ele?Minha mãe sempre se preocupava conosco, mesmo já sendo adultos.— Seu filho está ótimo, focado nos estudos e no trabalho. Dá até orgulho do nosso menino. — Meio que me sinto mãe do meu irmão, já que passei a cuidar dele para que a senhora pudesse trabalhar.— Fico tão feliz em ver que vocês estão bem! Filha, te liguei para avisar que as passagens já estão compradas e que chegaremos essa semana. Tem alguém aqui que não para de sentir saudades.Respirei fundo ao ouvir minha mãe falar.— Filha, aconteceu alguma coisa? Você parece que não se animou quando eu disse que chegaremos essa semana.— Não é isso, mãe… é que surgiu um problema.— Que tipo de problema?— Lembra que eu te disse que a empresa onde trabalho havia sido vendida e que conhece
Depois que Enzo finalmente saiu do meu escritório, bufando como se eu fosse a culpada por alguma coisa, me joguei na cadeira e encarei a pilha de papéis que ele havia deixado sobre minha mesa. Eu realmente não precisava daquilo, mas, ao mesmo tempo, quanto mais ocupada estivesse, menos tempo teria para pensar no beijo que ele roubou.Eu queria esquecer. Esquecer o passado, esquecer Enzo, esquecer tudo.Mergulhei no trabalho com mais afinco do que o necessário, digitando relatórios, revisando contratos e organizando documentos. Meu objetivo era terminar tudo rápido para sair e me preparar para o jantar com Richard. Eu precisava daquilo. Precisava de uma distração.Quando finalizei o último documento, olhei o relógio e vi que já estava na hora de ir para casa. Peguei minha bolsa e saí do escritório sem olhar para trás.Assim que entrei no meu apartamento, fui direto para o banho. Deixei a água quente escorrer pelo meu corpo, relaxando meus músculos tensos. Fechei os olhos e inspirei pro
(Anos Atrás)Ana Luiza Martinelli A chuva castigava a cidade naquela noite, mas nada poderia se comparar à tempestade dentro de mim. O barulho das gotas contra o vidro da sala ecoava, abafando o som dos meus próprios pensamentos, mas não era o suficiente para silenciar a dor que se espalhava pelo meu peito.Meus dedos tremiam enquanto seguravam o celular, meus olhos fixos na tela, como se, a qualquer momento, aquela imagem fosse desaparecer. Como se, de alguma forma, eu pudesse acordar desse pesadelo.Mas a foto continuava ali. Ele continuava ali.Enzo.O homem que eu amava. O homem em quem confiei sem hesitar. O homem que, agora, estava estampado na tela do meu celular... com outra mulher.Ela sorria para a câmera, uma expressão de pura satisfação, e ele estava ao lado dela. Perto o suficiente para que qualquer desculpa fosse inútil. Seus braços envolviam sua cintura de um jeito íntimo demais para ser um mal-entendido.Meu coração batia forte, não por amor, mas por raiva, por incred