VICTOR
* Enquanto estávamos sentados, Luciano perguntou sobre as minhas experiências profissionais, eu tive o prazer de falar sobre todas elas, mas passei o tempo todo analisando disfarçadamente as atitudes silenciosas da Zoe. No meio da conversa, eu perguntei sobre quando surgiu o desejo dela pela medicina, e a sua resposta foi inesperada. A forma como ela falou sobre o próprio corpo foi sexy, e eu não pude evitar olhar para os seios dela. Eu deixei bem claro que faria ela mudar de opinião ao longo do tempo, mas as minhas palavras tinham um certo excesso de certeza, como se eu já soubesse o que aconteceria ao longo desse tempo. Eu tinha pressa em começar aquele trabalho, então falei para Luciano que resolveria tudo o que precisava, e poderia iniciar no dia seguinte, mas as minhas reais intenções era mostrar na prática, todas as partes do corpo humano para Zoe. Antes de ir embora, falei com ela, e ao ouvi-la me chamar de professor, fez o meu corpo inteiro vibrar, como se eu pudesse sentir a energia que emanava do corpo dela. Eu cheguei a questionar a minha sanidade mental, era de fato loucura pensar nela da forma que eu estava pensando, mas era mais forte do que eu. Quando saí da propriedade deles, eu fui direto para a universidade em que eu trabalhava para pedir meu desligamento, enquanto eu resolvia tudo, o meu celular não parava de tocar, era a Brenda, e eu não atendi porque já sabia qual era o conteúdo da conversa. Eu passei tanto tempo ocupado resolvendo tudo, que só fui olhar o relógio na hora de voltar para casa, já eram 16:30, e haviam 22 ligações da Brenda. — Ela está louca. Falei enquando dirigia até em casa. Era a primeira vez que aquilo acontecia, eu nunca havia desejado outra mulher ou traído a Brenda, mas também não me sentia culpado por todos os pensamentos impróprios que tive, o desejo de me separar já existia, e naquele momento ele estava mais forte. Assim que entrei no nosso apartamento, ela estava no sofá mexendo no celular, eu esperava que ela fosse enlouquecer, ou me questionar o motivo de eu ter passado o dia inteiro fora de casa e sem atender as ligações dela, mas não foi isso o que aconteceu. — Você conseguiu o trabalho? Quanto vai receber por ele? Vai dar para comprar a minha bolsa? Eu fiquei uns dez segundos encarando ela, tentando ingerir tudo aquilo de uma só vez, o peso da realidade me atingiu em cheio, como se só faltasse aquilo para eu finalmente tomar coragem pra decidir o nosso destino. — Responde, Victor? Vai dar ou não para comprar a minha bolsa? — Eu quero o divórcio. Eu praticamente vomitei as palavras, enquanto o meu corpo ficava enrijecido pela raiva. — Você não pode estar falando sério. O que deu em você? — Você tem o seu emprego, poderá cuidar de si mesma, e seu salário poderá suprir os gastos com esse apartamento, se não der, é so se mudar para um menor, eu vou ficar aqui alguns dias até eu encontrar um outro lugar para eu morar, a não ser que você queira sair desse, a escolha é sua. — Porque você está fazendo isso? Que decisão é essa tão repentina? Você não me ama mais? — Não é repentina, Brenda, já tem um tempo que venho pensando nisso. — Desde quando? — Desde quando percebi o quanto você é fútil. Você não sabe nada sobre dividir a vida com uma pessoa, você só pensa em si mesma, se juntasse o seu salário com o meu, daria pra ter mantido o outro apartamento, daria pra manter a nossa vida confortável, mas você não podia contribuir com isso, pois o seu dinheiro é todo comprometido com luxos que claramente você não pode bancar, pois se pudesse, não precisaria comprometer o meu dinheiro também pra pagar contas dos cartões que você vive estourando. — Victor, não é bem assim, a gente pode resolver isso. — Agora você quer resolver? Depois de ter atrasado a minha vida por três anos? — É isso o que você pensa sobre o nosso casamento? Um atraso de vida? Eu me aproximei e fiquei cara a cara com ela, tentando a todo custo controlar o meu tom de voz. — Se eu tivesse pegado todo o dinheiro que gastei com bolsas, calçados, e coisas caras da qual você não precisava, eu teria comprado uma casa, trocado o carro, feito bons investimentos, e estariamos em condições melhores que essa. Pra mim não importava suas idas ao salão, para se cuidar e continuar linda como sempre foi, desde que o salão não fosse de gente rica, coisa que a gente não é. Não me importaria se você comprasse bolsas e calçados, desde que não fossem do valor de um carro. Você comprometeu todas as chances de avanços que tinhamos com a sua futilidade. Se você tivesse sido um pouquinho mais compreensiva, e tivesse sido uma parceira de verdade, nós chegaríamos nesse patamar, e no futuro teríamos dinheiro para comprar quantas bolsas e calçados caros que você quisesse ter. Mas isso não importa mais, pois eu vou sair da sua vida, e você poderá encontrar outro trouxa pra bancar tudo isso para você, mas quando você procurar, procura alguém que já esteja com a vida ganha, pra você não atrasar a vida dele também. Eu saí andando em direção ao meu escritorio, na tentativa de não me deixar levar pelas lágrimas dela, eu também estava ferido, estava decepcionado, pois eu imaginei ganhar o mundo ao lado da Brenda, mas claramente o nosso casamento já havia acabado, eu estava apenas atrasando o inevitável. Eu sabia que o meu interesse repentino na Zoe, havia contribuído naquela decisão, mas muitas garotas lindas e interessadas em mim já haviam cruzado o meu caminho, e nunca houve espaço em meu coração para elas, e se houve esse espaço para Zoe, era porque o meu amor por Brenda já havia chegado ao fim, eu não podia de forma nenhuma traí-la, era preciso eu finalizar a nossa história.Eu não sei exatamente quanto tempo eu fiquei no escritório, mas já era noite quando ouvi batidas na porta. — Posso entrar? — Agora não, Brenda. Mesmo contra a minha vontade, ela entrou. — Droga, eu deveria ter trancado a porta. Ela estava muito sexy, o vestido que ela estava usando era o meu preferido, e claramente ele estava disposta a me fazer mudar de ideia. Quando ela se aproximou de mim, o cheiro doce do perfume dela impregnou no meu nariz, e eu amava aquele cheiro. Ela sentou no meu colo, e eu não tive reação nenhuma de impedi-la. Seus braços envolveram o meu pescoço, e ela ficou com os lábios bem próximos dos meus, enquanto me encarava com aqueles olhos profundos que foi o maior motivo da minha perdição. — O que você pretende, Brenda? — Preciso que você me dê apenas 15 dias, eu vou mostrar para você que o nosso casamento tem conserto. — Você teve três anos. — Por favor, eu só te peço mais 15 dias. Ela encostou os lábios nos meus e iniciou um beijo que eu fui incapaz
Eu esperei algum tipo de pergunta referente ao trabalho ou sobre a maldita bolsa, até mesmo sobre o fato de eu ter fugido dela na hora do sexo, mas nada saiu da boca dela, o que era estranho.Depois que terminei o café, me levantei e esperei pelo menos uma pergunta sobre o horário que eu iria chegar, mas nem isso ela perguntou, fiquei tentado a passar essa informação para ela, mas o meu orgulho não deixou.— Tenha um bom dia.— Obrigado.Essa foi a única troca de palavras que tivemos antes de eu finalmente sair.Durante todo o caminho até a mansão, eu fiquei imaginando se eu conseguiria me comportar durante os 15 dias que a Brenda pediu, eu sabia que era errado imaginar um possível envolvimento entre eu e a Zoe, afinal, o fato de eu ter ficado fascinado pela beleza dela, não significava que eu fosse conseguir ter ela para mim, e ainda havia o risco de eu perder o meu emprego se os pais da Zoe desconfiassem de algo. O melhor que eu poderia fazer naquele momento, era tentar respeitar o
ZOE*Eu entrei no meu quarto de rainha, deitei na minha cama king e chorei nos meus travesseiros de pena de ganso. Um luxo que eu mesma poderia patrocinar no futuro.Aquela era a primeira vez que eu batia de frente com os meus pais, e eu não sabia de onde havia surgido tanta coragem. Eu tinha consciência que os pais queriam o melhor para seus filhos, mas querer o melhor não dava para eles o direito de escolher com quem eles iriam passar a vida, levando isso para a minha realidade, já estava na hora dos meus pais entenderem isso.Para mim, não importava se o meu futuro marido fosse um catador de latinhas, ou o homem mais rico do mundo, desde que ele me amasse, me respeitasse, e fizesse eu me sentir mulher.Eu não precisava de alguém que me desse o mesmo padrão de vida que os meus pais, pois eu mesma iria me dar esse padrão, sem viver na dependência do meu marido, eu queria uma relação que somasse, e não subtraisse. Se eu fosse seguir pela lógica deles, qual o sentindo de eu estudar me
VICTOR *Eu fiquei em silêncio, sentindo a pressão daquela pergunta, mas ela deu outro passo, e ficamos tão próximos que pude sentir a respiração dela no meu rosto, os olhos dela pareciam me enfeitiçar, aquela garota era o próprio diabo.— Você não vai me responder?Eu teria que dizer alguma coisa, eu não poderia ficar em desvantagem diante de uma garota que nem havia beijado na boca ainda.— Para alguém tão inexperiente, você tem atitudes de alguém que exatamente o que está fazendo. Quantos filmes você assistiu até chegar nesse grau de segurança?O rosto dela endureceu, parecia que eu tinha agredido ela sem usar as mãos, e rapidamente ela se afastou.— Falei alguma coisa de errado, Zoe?— Não, eu só preciso de um momento, eu volto já.Ela saiu da biblioteca apressada, como se tudo o que ela quisesse fazer naquele momento fosse se esconder, e eu finalmente pude soltar o ar que estava preso em meus pulmões. Talvez eu tivesse perdido uma chance de ouro, obviamente ela estava querendo a
ZOE * Dinheiro nunca foi um problema pra minha família, exceto pra mim, afinal os meus pais usavam o dinheiro pra me impedir de ter uma vida normal. Eu sempre soube que filhos precisavam de limites, porém os limites que eles estabeleceram pra mim era um verdadeiro tormento. Eu sempre fiquei me perguntando como surgiu a ideia na cabeça da minha mãe que meninas precisavam fazer balé? Ela usava a desculpa de que era elegante e que me ajudaria com a minha postura, mas postura era tudo o que eu não queria ter. Ir pra escola? Jamais... Na cabeça dos meus pais, as más influências poderiam prejudicar o meu futuro, então durante toda a minha vida, eu estudei em casa. Eu sentia inveja ao ver garotas da minha idade felizes indo estudar com as amigas. Quando eu estava no último ano do ensino médio, meu pai começou a procurar professores pra me preparar pra entrar nas universidades, eu queria fazer artes, mas ele disse que medicina seria o ideal pra mim, e por isso eu teria que e
VICTOR*Eu havia acabado de ter uma discussão com a minha esposa quando o celular tocou, precisei respirar fundo para não deixar transparecer na voz a raiva que eu estava sentindo.— Bom dia, Reitor Diniz.— Bom dia professor Victor, o senhor deve estar estranhando a minha ligação.— Sim, estou bastante curioso.— Eu recebi a ligação do Luciano, um amigo de longa data, ele perguntou se eu conhecia um professor capacitado pra preparar sua filha pra engressar em uma universidade, no mesmo minuto eu lembrei de você, eu não conheço ninguém mais qualificado.— Me sinto honrado por isso Reitor.— Vou passar o contato dele, e assim vocês poderão conversar e combinar os detalhes.— Tudo bem, fico muito grato por isso.— Apareça qualquer dia desses por aqui.— Irei em breve. Até mais.Quando eu encerrei a ligação, uma onda de alivio tomou conta de mim, aquela era exatamente a oportunidade que eu estava precisando. Já fazia alguns meses que eu e a Brenda estávamos nos desentendendo, o motivo
Eu fiquei me sentindo um idiota por nunca ter percebido aquilo antes, mas me obriguei a focar nas minhas responsábilidades do dia pra ocupar a minha cabeça. Brenda era enfermeira, mas o salário dela era todo gasto com roupas e salão, isso nunca foi problema pra mim, até eu parar de contribuir com esses gastos. Ela havia saído pra um plantão, e eu adorei dormir sozinho naquela noite. No dia seguinte, acordei bem cedo, me arrumei, e fui ao endreço que o Luciano havia me passado. O endereço ficava localizado em uma mansão em Bel-Air, o bairro mais luxuoso de Los Angeles, então eu tinha certeza que a proposta seria ótima. Passei por toda a segurança, e entrei na imensa propriedade, que possuía um jardim lindo. — Bom dia, você deve ser o Victor. Muito prazer, sou o Luciano. Eu fiquei impressionado com a recepção, eu esperava ser recebido pelos empregados, e esperar longos minutos por ele. — Bom dia Luciano, muito prazer. — Vamos sentar um pouco, espero que não tenha tomado café da m
ZOE * Meu mundo era limitado, mas minha mente tinha uma infinidade de coisas que eu gostaria de experimentar, uma dessas coisas, era me apaixonar perdidamente pela primeira vez, e sentir todas as sensaçõe que um relacionamento amoroso poderia proporcionar. Pensar nisso enquanto ouvia o meu professor falar sobre onde ele já havia trabalhado, era estranho, pois era como se ele pudesse de alguma forma ouvir os meus pensamentos. — Então Zoe, quando foi que surgiu esse desejo pela medicina? — O desejo não é meu, pra mim, a única anatomia humana interessante, são as partes do meu próprio corpo. Na mesma hora o meu pai me repreendeu, enquanto o professor olhou para o meu decote descaradamente, sorte a dele que os meus pais estavam olhando diretamente pra mim, e não viram o que eu vi. Aquele olhar parecia queimar a minha pele, e estranhamente senti a minha vagina esquentar, assim também como as maçãs do meu rosto. — Tenho certeza que farei você mudar de opnião ao longo do temp