Assim que Zara terminou de falar, a mão de Orson, que segurava o pescoço dela, subitamente a soltou. Orson continuou a olhar para ela, mas deu alguns passos para trás. Então, ele riu. — Ah, entendi. — Ele disse, sua voz carregada de uma calma forçada. — Eu... Eu já sabia. Zara, na verdade, sua atuação nunca foi tão boa assim. Eu sempre soube, mas não disse nada porque... Eu aceitei ser enganado. Aceitei porque quis. Mas, já que você decidiu me enganar, por que não continuou? Por que não... — Porque não faz mais sentido. — Zara o interrompeu, sua voz cortante. — Chegamos a esse ponto, continuar mentindo seria ridículo. — E eu sou ridículo agora, não sou? — Orson perguntou, seus olhos fixos nela. — Por que... Por que você está fazendo isso comigo? — Eu já disse. Eu te odeio. — Zara respondeu, sua voz firme e sem hesitação. Orson continuou a olhar para ela, e de repente, uma frase passou por sua mente: "O ódio nasce do amor". Mas, enquanto ele olhava nos olhos de Zara, não e
Por fim, Zara disse: — Foi no País D, na última vez que eu abaixei a cabeça e te perguntei. Se, naquela ocasião, você tivesse me dado um pouco de esperança, eu não teria ficado tão desapontada com você. Mas o que você fez? Levou a Fiona para viajar com você e, ainda por cima... Ela ficou grávida. Ao dizer isso, Zara não conseguiu evitar uma risada. Mas era um riso carregado de sarcasmo, tão cortante quanto uma lâmina. Orson, que até então estava com uma expressão sombria, ergueu os olhos imediatamente ao ouvir aquelas palavras. — O que você disse? Quem te contou que aquela criança era minha? Zara não respondeu. Mas Orson rapidamente encontrou a resposta por si mesmo. — Foi a Fiona, não foi? Foi naquele dia, no hospital, quando vocês se encontraram? Por que você não me perguntou? Eu poderia ter explicado... — Não precisa explicar. — Zara o interrompeu, sua voz firme. — Eu não te perguntei porque eu não me importo. Se o filho era seu ou não, isso não faz diferença para mi
— Zara, você venceu. — Orson estava parado diante dela, com a voz baixa e rouca. — Mas o que te faz pensar que eu vou concordar em te deixar ir embora? Zara curvou levemente os lábios em um sorriso frio. — Eu não espero que você me deixe ir. Na verdade, se você quiser continuar comigo, inclusive realizar o casamento, eu posso cooperar. Mas vou te dizer uma coisa: nossa vida será sempre assim, daqui em diante. Se isso não te incomoda, para mim também não faz diferença. Quanto a este filho... Eu vou amá-lo com todas as minhas forças, mas isso não tem nada a ver com você. Eu vou amá-lo porque ele é meu filho. ... Orson foi embora. O som da porta principal sendo fechada com força ecoou pela casa, e então, tudo ficou em silêncio. Zara permaneceu onde estava, parada, até que, depois de um tempo, seu corpo começou a deslizar lentamente para o chão. No final, ela se sentou no piso frio. Ela pensava que não sentiria dor. Afinal, tudo isso fazia parte do plano dela. Esse resultado er
Quando Zara acordou, o dia já estava claro. A neve lá fora havia parado, mas dentro da casa ainda havia apenas ela. Zara tinha imaginado que Orson viria falar com ela naquele dia. Afinal, conhecendo-o como conhecia, ele não era o tipo de pessoa que deixava as coisas se arrastarem por muito tempo. Prolongar a situação só faria parecer que ele tinha perdido ainda mais. Mas, dessa vez, Zara estava enganada. Orson não voltou naquele dia. À noite, foi Marta quem ligou para ela, pedindo que fosse até a casa de campo no dia seguinte. Zara não sabia exatamente qual era o objetivo de Marta, mas acabou decidindo ir. Talvez devido ao ambiente tranquilo da casa de campo, Marta parecia estar muito mais saudável. Sua aparência era mais leve, e ela havia deixado de lado os vestidos longos e os trajes extravagantes. Agora, vestia roupas casuais, com o cabelo preso em um simples rabo de cavalo baixo, o que a fazia parecer mais jovem e cheia de vida. Zara sempre sentiu que Marta era como uma
Zara olhou lentamente para a muda de mangueira ao seu lado. A árvore ainda era pouco maior do que ela, mas Zara já conseguia imaginar como ficaria dentro de alguns anos: cheia de folhas verdes e mangas maduras pendendo dos galhos. No entanto, ela sabia que provavelmente não estaria ali para ver isso. Esse pensamento lhe veio à mente, e ela o compartilhou com Marta. O semblante de Marta mudou visivelmente. Ela abaixou a voz antes de perguntar: — Não há mesmo como reverter isso? — Não. — Zara respondeu com firmeza. — Mas eu não acho que você consiga ir embora. — Disse Marta. — Na verdade, a última vez que eu te ofereci a chance de sair foi o melhor momento que você teve. Zara franziu as sobrancelhas, prestes a responder, mas Marta a interrompeu: — Ele é meu filho. Eu o conheço melhor do que você. Não importa o quão complicado esteja o relacionamento de vocês agora. Enquanto ele ainda tiver alguma obsessão por você, ele não vai deixar você ir. Zara ficou em silêncio, mas s
— Sim, mas isso é investimento? Isso foi uma armadilha! Evander armou um plano para me pegar! — Carlos gritou, sua voz carregada de fúria. — Ah, se for assim, então eu sugiro que você chame a polícia. — Orson disse calmamente, como se não fosse nada demais. Assim que Orson terminou de falar, a expressão de Carlos começou a desaparecer lentamente. — Se você decidir chamar a polícia, eu posso até te ajudar fornecendo algumas evidências. — Orson continuou, enquanto entregava a Carlos um conjunto de documentos que já havia preparado. O rosto de Carlos ficou ainda mais sombrio, e seu peito subia e descia de forma descontrolada. — Então você sabia de tudo... — Carlos disse, sua voz carregada de incredulidade. — Você sabia o tempo todo e ainda assim ficou parado, me vendo cair nessa armadilha, só para chegar a este ponto, né? Orson permaneceu em silêncio, mas a falta de resposta dizia tudo. Carlos levantou-se de repente e agarrou a gola da camisa de Orson com força. — Você est
O vestido de noiva de Zara também era feito sob medida. Um dos melhores designers internacionais havia sido contratado, e cada detalhe foi costurado à mão. Considerando que ela estava grávida, o designer adicionou fitas ajustáveis na cintura, para que o vestido pudesse ser adaptado ao seu corpo naquele momento. A bainha do vestido estava incrustada com diamantes, que brilhavam intensamente sob a luz, como um céu estrelado deslumbrante. Mesmo que o coração de Zara estivesse frio e entorpecido, ao se ver refletida no espelho, ela não conseguiu evitar um instante de deslumbramento. Era a segunda vez que ela vestia um vestido de noiva, e o noivo era o mesmo homem. Na primeira vez, ela caminhou até ele cheia de alegria, carregando uma expectativa infinita e um entusiasmo ardente. Naquele momento, Orson era, para ela, como a luz da lua no céu noturno: brilhante, mas distante. Ela queria se aproximar, mas tinha medo de chegar muito perto. Era como o algodão-doce que desejava quando
O calor dentro do quarto só terminou de vez duas horas depois. O som da água vindo do chuveiro preenchia o ambiente, enquanto Zara Garcia, após alguns minutos de descanso, finalmente se levantava da cama. Suas pernas ainda tremiam, e ela se abaixou para pegar as roupas espalhadas pelo chão. As ações dele naquela noite tinham sido um pouco mais intensas do que o habitual, a ponto de sua mente ainda parecer vazia. Tentou abotoar o pijama várias vezes, mas seus dedos trêmulos falhavam repetidamente. Logo, o homem saiu do banheiro. Sua figura era alta e imponente, os traços do rosto fortes sem perder a beleza. Envolto apenas por uma toalha amarrada na cintura, gotículas de água deslizavam lentamente por seus músculos definidos, escorrendo pelo abdômen até desaparecerem. Ao notar que Zara ainda estava ali, ele franziu levemente as sobrancelhas. Zara, por sua vez, evitou olhá-lo diretamente. Mantendo o olhar fixo no botão do pijama, continuou travando sua pequena batalha silenciosa