Quando Zara acordou, o dia já estava claro. A neve lá fora havia parado, mas dentro da casa ainda havia apenas ela. Zara tinha imaginado que Orson viria falar com ela naquele dia. Afinal, conhecendo-o como conhecia, ele não era o tipo de pessoa que deixava as coisas se arrastarem por muito tempo. Prolongar a situação só faria parecer que ele tinha perdido ainda mais. Mas, dessa vez, Zara estava enganada. Orson não voltou naquele dia. À noite, foi Marta quem ligou para ela, pedindo que fosse até a casa de campo no dia seguinte. Zara não sabia exatamente qual era o objetivo de Marta, mas acabou decidindo ir. Talvez devido ao ambiente tranquilo da casa de campo, Marta parecia estar muito mais saudável. Sua aparência era mais leve, e ela havia deixado de lado os vestidos longos e os trajes extravagantes. Agora, vestia roupas casuais, com o cabelo preso em um simples rabo de cavalo baixo, o que a fazia parecer mais jovem e cheia de vida. Zara sempre sentiu que Marta era como uma
Zara olhou lentamente para a muda de mangueira ao seu lado. A árvore ainda era pouco maior do que ela, mas Zara já conseguia imaginar como ficaria dentro de alguns anos: cheia de folhas verdes e mangas maduras pendendo dos galhos. No entanto, ela sabia que provavelmente não estaria ali para ver isso. Esse pensamento lhe veio à mente, e ela o compartilhou com Marta. O semblante de Marta mudou visivelmente. Ela abaixou a voz antes de perguntar: — Não há mesmo como reverter isso? — Não. — Zara respondeu com firmeza. — Mas eu não acho que você consiga ir embora. — Disse Marta. — Na verdade, a última vez que eu te ofereci a chance de sair foi o melhor momento que você teve. Zara franziu as sobrancelhas, prestes a responder, mas Marta a interrompeu: — Ele é meu filho. Eu o conheço melhor do que você. Não importa o quão complicado esteja o relacionamento de vocês agora. Enquanto ele ainda tiver alguma obsessão por você, ele não vai deixar você ir. Zara ficou em silêncio, mas s
— Sim, mas isso é investimento? Isso foi uma armadilha! Evander armou um plano para me pegar! — Carlos gritou, sua voz carregada de fúria. — Ah, se for assim, então eu sugiro que você chame a polícia. — Orson disse calmamente, como se não fosse nada demais. Assim que Orson terminou de falar, a expressão de Carlos começou a desaparecer lentamente. — Se você decidir chamar a polícia, eu posso até te ajudar fornecendo algumas evidências. — Orson continuou, enquanto entregava a Carlos um conjunto de documentos que já havia preparado. O rosto de Carlos ficou ainda mais sombrio, e seu peito subia e descia de forma descontrolada. — Então você sabia de tudo... — Carlos disse, sua voz carregada de incredulidade. — Você sabia o tempo todo e ainda assim ficou parado, me vendo cair nessa armadilha, só para chegar a este ponto, né? Orson permaneceu em silêncio, mas a falta de resposta dizia tudo. Carlos levantou-se de repente e agarrou a gola da camisa de Orson com força. — Você est
O vestido de noiva de Zara também era feito sob medida. Um dos melhores designers internacionais havia sido contratado, e cada detalhe foi costurado à mão. Considerando que ela estava grávida, o designer adicionou fitas ajustáveis na cintura, para que o vestido pudesse ser adaptado ao seu corpo naquele momento. A bainha do vestido estava incrustada com diamantes, que brilhavam intensamente sob a luz, como um céu estrelado deslumbrante. Mesmo que o coração de Zara estivesse frio e entorpecido, ao se ver refletida no espelho, ela não conseguiu evitar um instante de deslumbramento. Era a segunda vez que ela vestia um vestido de noiva, e o noivo era o mesmo homem. Na primeira vez, ela caminhou até ele cheia de alegria, carregando uma expectativa infinita e um entusiasmo ardente. Naquele momento, Orson era, para ela, como a luz da lua no céu noturno: brilhante, mas distante. Ela queria se aproximar, mas tinha medo de chegar muito perto. Era como o algodão-doce que desejava quando
Aquela mulher tinha uma figura extremamente magra, mas trazia consigo uma loucura incontrolável. No momento em que ela avançou, Zara, quase por instinto, protegeu imediatamente o próprio abdômen com as mãos. Um pânico avassalador tomou conta de Zara, inundando cada canto de sua mente. Ela se lembrou, no mesmo instante, da última vez que esteve com Fiona. Naquele dia, ambas estavam no alto de uma escada, e Fiona a empurrou violentamente. O sorriso insano que Fiona exibia agora era exatamente o mesmo de antes. Mas, dessa vez, a dor que Zara temia não chegou. Quando ela finalmente abriu os olhos, percebeu que os seguranças já haviam imobilizado Fiona no chão. — Me soltem! Orson! Eu te odeio! Zara, sua vadia! Foi você... É tudo culpa sua! Por que você voltou? Isso deveria ser meu, tudo isso sempre foi meu! Por que você não morreu lá fora? Você deveria estar morta! Vocês dois deveriam estar mortos! Fiona continuou a gritar, despejando uma série de insultos e maldições cheias de ódio
Quando Orson acordou, percebeu que estava no hospital. Ele piscou algumas vezes, e, à medida que sua consciência voltava, algo lhe veio à mente de repente. Ele tentou se levantar de imediato, mas uma dor lancinante rasgou seu corpo, vinda diretamente do ferimento. O rosto de Orson ficou ainda mais pálido, mas ele ignorou completamente a dor e começou a se virar para procurar alguém. — Sr. Orson! — Michel percebeu imediatamente o movimento dele e, sem pensar duas vezes, correu para segurá-lo, forçando-o a deitar-se novamente. — O senhor acabou de acordar, não pode se mexer assim! O ferimento pode abrir novamente! Orson, no entanto, não deu atenção às palavras de Michel. Ele agarrou o pulso do assistente com firmeza e perguntou: — Onde está a Zara? Onde ela está? Ela se machucou? — Fique tranquilo, senhor. Ela está bem, não sofreu nenhum ferimento. — Michel respondeu rapidamente. Assim que ouviu isso, Orson soltou um suspiro de alívio. Mas, logo em seguida, ele franziu o
Orson congelou no mesmo instante. Por um momento, ele até duvidou se tinha escutado corretamente. Só quando levantou a cabeça e viu Zara franzindo a testa para Michel, como se o estivesse repreendendo, ele teve certeza. — Ele não acordou há pouco tempo? — S-sim, senhora… Mas o médico já o examinou, Sr. Orson… — Michel ainda tentou explicar, mas ao olhar para Zara, sua voz foi diminuindo até sumir. — Desculpe, Sra. Harris. Zara não disse mais nada. Apenas caminhou até Orson e tomou os documentos que ele segurava. — Fiz um pouco de sopa cremosa de abóbora. — Disse ela. — Coma e depois descanse. Orson não respondeu. Zara pensou que ele estivesse irritado por ela ter tirado seus documentos. Mordeu levemente o lábio e continuou: — Você acabou de acordar, precisa descansar. Orson permaneceu em silêncio. Michel, por outro lado, soube exatamente o que fazer. Pegou os documentos, recuou e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Orson não se importou. Seus olhos contin
Embora já tivessem feito coisas muito mais íntimas inúmeras vezes, naquele instante, Zara sentiu o calor subir por seu pulso, como se a pele queimasse. Assim que Orson afrouxou um pouco a mão, ela rapidamente puxou a sua de volta. Ele, no entanto, não disse nada. Apenas a olhou, esperando que ela continuasse a alimentá-lo. Sem alternativa, Zara retomou os movimentos. Dessa vez, Orson cooperou sem resistência, e em poucos minutos a tigela de sopa estava vazia. Mesmo assim, ele não parecia ter pressa em descansar. Apenas se recostou, observando Zara em silêncio. Ela ignorou seu olhar e abaixou a cabeça para organizar os recipientes. — Vou indo. Descanse bem. — Assim que terminou de falar, se virou para sair. Mas Orson a deteve novamente. — Qual a pressa? — Perguntou ele. — Fica um pouco comigo. Zara franziu levemente a testa e puxou sua mão devagar. No entanto, não foi embora de imediato. Hesitou por um instante antes de finalmente se sentar ao lado dele. Orson já es