No início de dezembro, Zara e Orson foram juntos tirar as fotos do casamento. Desta vez, tudo correu muito mais tranquilamente do que na primeira vez em que se casaram. O vestido de noiva que Zara usava havia sido feito sob medida por encomenda de Orson. Segundo o estilista, apenas uma das pequenas pedras de diamante no vestido custava o equivalente ao salário anual de uma pessoa comum. Quando o estilista comentou isso, sua voz e expressão estavam cheias de admiração, mas, dentro de Zara, isso não despertou nenhuma emoção. Ao terminarem de fotografar o segundo conjunto de roupas, Zara acabou encontrando alguém por acaso na sala de descanso do parque de diversões. No início, Zara não reconheceu quem era. Para garantir a privacidade durante as fotos, Orson havia reservado todo o parque exclusivamente para eles. Não havia turistas, mas ainda havia muitos funcionários no local. Por isso, Zara inicialmente assumiu que a mulher que apareceu ali era apenas uma funcionária. Porém, a
Zara não via Emory há muito tempo. A última vez que eles se encontraram foi em uma cafeteria, quando ele lhe contou que iria para o exterior. Naquela época, Zara realmente acreditava que nunca mais o veria novamente. Nenhum dos dois poderia imaginar que tantas coisas aconteceriam depois. Enquanto Zara e Emory pareciam ligeiramente desconfortáveis, os outros dois, Lilian e Orson, estavam completamente à vontade. Lilian, inclusive, agia como se fossem apenas dois casais de amigos se conhecendo pela primeira vez. Ela fez questão de apresentar todos formalmente. Orson, por sua vez, estendeu a mão para Emory com um sorriso educado. — Dr. Emory, prazer. O rosto de Emory estava visivelmente rígido. Demorou alguns segundos antes de finalmente apertar a mão de Orson. Orson manteve o sorriso. — Vocês também estão prestes a se casar, né? E ainda escolheram a mesma data que nós. Que coincidência. — Pois é! Eu também achei muita coincidência! — Lilian respondeu rapidamente, com en
— Emory, o que você quis dizer agora há pouco? — Lilian o questionou assim que o alcançou do lado de fora. — Foi isso mesmo? Você resolveu me fazer passar vergonha na frente de todo mundo? Emory parou imediatamente. Ele girou o corpo devagar, olhou para Lilian por alguns segundos e, só então, respondeu: — Não foi de propósito. — Não foi de propósito? — Lilian soltou uma risada fria. — Você está brincando comigo? Então me explica o que significou aquela sua atitude. — Eu só não vejo sentido nesse jantar. — Emory respondeu, com o rosto impassível. — Não quero perder meu tempo. — Sem sentido? Você sabe quem é o Orson? Ele é o diretor-geral do Grupo Harris! Quantas pessoas em Cidade N não dariam tudo para ter a oportunidade de jantar com ele? — Essas pessoas não sou eu. Lilian o encarou por um momento, com os olhos semicerrados, e então, de repente, sorriu. — Você ainda acha que é o grande e intocável Dr. Emory, né? Ou será que você odeia o Orson porque ele roubou a mulher
O temperamento de Lilian vinha rápido e ia embora na mesma velocidade. Talvez ela tivesse uma tolerância incomum com Emory, algo que não demonstrava com outras pessoas. Por isso, bastaram algumas palavras suaves dele para que toda a sua raiva desaparecesse. Aproveitando o momento, Emory disse: — Certo, eu realmente preciso fazer uma ligação. Por que você não volta para a sala? Afinal, foi você quem organizou tudo, não é legal os dois anfitriões estarem ausentes. — Tudo bem, eu volto. Mas termine logo isso e entre também. — Combinado. — Emory sorriu, permanecendo parado enquanto a observava voltar para o salão. Assim que Lilian fechou a porta, o sorriso em seus lábios desapareceu imediatamente, dando lugar a uma expressão de cansaço e evidente aversão. Ele se virou, disposto a encontrar um lugar para fumar, mas então percebeu que Zara já estava ali, em pé, observando-o. Ao olhar para o rosto dela, Emory imediatamente soube que Zara provavelmente havia escutado toda a conve
Zara parou rapidamente e olhou para ele. Seu olhar calmo, quase curioso, fez com que o coração de Emory doesse ainda mais. Depois de alguns segundos, ele finalmente falou: — Você também está me desprezando agora, não está? — Não. — Zara respondeu prontamente. — Eu já disse, você fez o que devia fazer. E eu entendo sua escolha. Além disso, minhas decisões não foram muito diferentes das suas. Com que direito eu poderia te desprezar? Quando Zara terminou de falar, Emory permaneceu em silêncio. Ele então puxou um sorriso amargo. — É mesmo? — Sim, então... — Zara começou a falar, mas foi interrompida. — Então você não odeia eles? — Emory perguntou de repente, apertando ainda mais o aperto em seu pulso quando ela tentou se soltar. Zara franziu as sobrancelhas. — Na verdade, eu conheço uma maneira muito simples de me vingar deles. Quer saber como? — Emory continuou, sua expressão se aproximando cada vez mais da dela. Zara percebeu a escuridão nos olhos dele, mas o que esta
Zara continuava parada ali, olhando para ele com a mesma calma de antes. Orson a encarou por alguns instantes, mas logo deixou o sorriso desaparecer de seu rosto. Com a voz baixa e controlada, ele disse: — Certo, vamos para casa. Assim que terminou de falar, ele avançou e segurou a mão de Zara com força. — Para onde vocês estão indo? — A voz de Lilian soou atrás deles. — Orson, você acha que pode simplesmente nos ignorar? Sabe quem foi que você acabou de bater? Você tem ideia... — Chame a polícia. — Orson a interrompeu, sua voz fria e sem qualquer hesitação. — E aproveite para pedir que o restaurante verifique as câmeras de segurança. Assim você vai entender por que ele apanhou. A calma de Orson, misturada com o tom de indiferença, deixou Lilian completamente sem palavras. Ele sequer olhou para ela novamente. Apenas segurou Zara com firmeza e a puxou para fora, caminhando rápido. Os passos de Orson eram tão largos que Zara precisou quase correr para acompanhá-lo. Eles
Assim que Zara terminou de falar, a mão de Orson, que segurava o pescoço dela, subitamente a soltou. Orson continuou a olhar para ela, mas deu alguns passos para trás. Então, ele riu. — Ah, entendi. — Ele disse, sua voz carregada de uma calma forçada. — Eu... Eu já sabia. Zara, na verdade, sua atuação nunca foi tão boa assim. Eu sempre soube, mas não disse nada porque... Eu aceitei ser enganado. Aceitei porque quis. Mas, já que você decidiu me enganar, por que não continuou? Por que não... — Porque não faz mais sentido. — Zara o interrompeu, sua voz cortante. — Chegamos a esse ponto, continuar mentindo seria ridículo. — E eu sou ridículo agora, não sou? — Orson perguntou, seus olhos fixos nela. — Por que... Por que você está fazendo isso comigo? — Eu já disse. Eu te odeio. — Zara respondeu, sua voz firme e sem hesitação. Orson continuou a olhar para ela, e de repente, uma frase passou por sua mente: "O ódio nasce do amor". Mas, enquanto ele olhava nos olhos de Zara, não e
O calor dentro do quarto só terminou de vez duas horas depois. O som da água vindo do chuveiro preenchia o ambiente, enquanto Zara Garcia, após alguns minutos de descanso, finalmente se levantava da cama. Suas pernas ainda tremiam, e ela se abaixou para pegar as roupas espalhadas pelo chão. As ações dele naquela noite tinham sido um pouco mais intensas do que o habitual, a ponto de sua mente ainda parecer vazia. Tentou abotoar o pijama várias vezes, mas seus dedos trêmulos falhavam repetidamente. Logo, o homem saiu do banheiro. Sua figura era alta e imponente, os traços do rosto fortes sem perder a beleza. Envolto apenas por uma toalha amarrada na cintura, gotículas de água deslizavam lentamente por seus músculos definidos, escorrendo pelo abdômen até desaparecerem. Ao notar que Zara ainda estava ali, ele franziu levemente as sobrancelhas. Zara, por sua vez, evitou olhá-lo diretamente. Mantendo o olhar fixo no botão do pijama, continuou travando sua pequena batalha silenciosa