— Emory, o que você quis dizer agora há pouco? — Lilian o questionou assim que o alcançou do lado de fora. — Foi isso mesmo? Você resolveu me fazer passar vergonha na frente de todo mundo? Emory parou imediatamente. Ele girou o corpo devagar, olhou para Lilian por alguns segundos e, só então, respondeu: — Não foi de propósito. — Não foi de propósito? — Lilian soltou uma risada fria. — Você está brincando comigo? Então me explica o que significou aquela sua atitude. — Eu só não vejo sentido nesse jantar. — Emory respondeu, com o rosto impassível. — Não quero perder meu tempo. — Sem sentido? Você sabe quem é o Orson? Ele é o diretor-geral do Grupo Harris! Quantas pessoas em Cidade N não dariam tudo para ter a oportunidade de jantar com ele? — Essas pessoas não sou eu. Lilian o encarou por um momento, com os olhos semicerrados, e então, de repente, sorriu. — Você ainda acha que é o grande e intocável Dr. Emory, né? Ou será que você odeia o Orson porque ele roubou a mulher
O temperamento de Lilian vinha rápido e ia embora na mesma velocidade. Talvez ela tivesse uma tolerância incomum com Emory, algo que não demonstrava com outras pessoas. Por isso, bastaram algumas palavras suaves dele para que toda a sua raiva desaparecesse. Aproveitando o momento, Emory disse: — Certo, eu realmente preciso fazer uma ligação. Por que você não volta para a sala? Afinal, foi você quem organizou tudo, não é legal os dois anfitriões estarem ausentes. — Tudo bem, eu volto. Mas termine logo isso e entre também. — Combinado. — Emory sorriu, permanecendo parado enquanto a observava voltar para o salão. Assim que Lilian fechou a porta, o sorriso em seus lábios desapareceu imediatamente, dando lugar a uma expressão de cansaço e evidente aversão. Ele se virou, disposto a encontrar um lugar para fumar, mas então percebeu que Zara já estava ali, em pé, observando-o. Ao olhar para o rosto dela, Emory imediatamente soube que Zara provavelmente havia escutado toda a conve
Zara parou rapidamente e olhou para ele. Seu olhar calmo, quase curioso, fez com que o coração de Emory doesse ainda mais. Depois de alguns segundos, ele finalmente falou: — Você também está me desprezando agora, não está? — Não. — Zara respondeu prontamente. — Eu já disse, você fez o que devia fazer. E eu entendo sua escolha. Além disso, minhas decisões não foram muito diferentes das suas. Com que direito eu poderia te desprezar? Quando Zara terminou de falar, Emory permaneceu em silêncio. Ele então puxou um sorriso amargo. — É mesmo? — Sim, então... — Zara começou a falar, mas foi interrompida. — Então você não odeia eles? — Emory perguntou de repente, apertando ainda mais o aperto em seu pulso quando ela tentou se soltar. Zara franziu as sobrancelhas. — Na verdade, eu conheço uma maneira muito simples de me vingar deles. Quer saber como? — Emory continuou, sua expressão se aproximando cada vez mais da dela. Zara percebeu a escuridão nos olhos dele, mas o que esta
Zara continuava parada ali, olhando para ele com a mesma calma de antes. Orson a encarou por alguns instantes, mas logo deixou o sorriso desaparecer de seu rosto. Com a voz baixa e controlada, ele disse: — Certo, vamos para casa. Assim que terminou de falar, ele avançou e segurou a mão de Zara com força. — Para onde vocês estão indo? — A voz de Lilian soou atrás deles. — Orson, você acha que pode simplesmente nos ignorar? Sabe quem foi que você acabou de bater? Você tem ideia... — Chame a polícia. — Orson a interrompeu, sua voz fria e sem qualquer hesitação. — E aproveite para pedir que o restaurante verifique as câmeras de segurança. Assim você vai entender por que ele apanhou. A calma de Orson, misturada com o tom de indiferença, deixou Lilian completamente sem palavras. Ele sequer olhou para ela novamente. Apenas segurou Zara com firmeza e a puxou para fora, caminhando rápido. Os passos de Orson eram tão largos que Zara precisou quase correr para acompanhá-lo. Eles
Assim que Zara terminou de falar, a mão de Orson, que segurava o pescoço dela, subitamente a soltou. Orson continuou a olhar para ela, mas deu alguns passos para trás. Então, ele riu. — Ah, entendi. — Ele disse, sua voz carregada de uma calma forçada. — Eu... Eu já sabia. Zara, na verdade, sua atuação nunca foi tão boa assim. Eu sempre soube, mas não disse nada porque... Eu aceitei ser enganado. Aceitei porque quis. Mas, já que você decidiu me enganar, por que não continuou? Por que não... — Porque não faz mais sentido. — Zara o interrompeu, sua voz cortante. — Chegamos a esse ponto, continuar mentindo seria ridículo. — E eu sou ridículo agora, não sou? — Orson perguntou, seus olhos fixos nela. — Por que... Por que você está fazendo isso comigo? — Eu já disse. Eu te odeio. — Zara respondeu, sua voz firme e sem hesitação. Orson continuou a olhar para ela, e de repente, uma frase passou por sua mente: "O ódio nasce do amor". Mas, enquanto ele olhava nos olhos de Zara, não e
Por fim, Zara disse: — Foi no País D, na última vez que eu abaixei a cabeça e te perguntei. Se, naquela ocasião, você tivesse me dado um pouco de esperança, eu não teria ficado tão desapontada com você. Mas o que você fez? Levou a Fiona para viajar com você e, ainda por cima... Ela ficou grávida. Ao dizer isso, Zara não conseguiu evitar uma risada. Mas era um riso carregado de sarcasmo, tão cortante quanto uma lâmina. Orson, que até então estava com uma expressão sombria, ergueu os olhos imediatamente ao ouvir aquelas palavras. — O que você disse? Quem te contou que aquela criança era minha? Zara não respondeu. Mas Orson rapidamente encontrou a resposta por si mesmo. — Foi a Fiona, não foi? Foi naquele dia, no hospital, quando vocês se encontraram? Por que você não me perguntou? Eu poderia ter explicado... — Não precisa explicar. — Zara o interrompeu, sua voz firme. — Eu não te perguntei porque eu não me importo. Se o filho era seu ou não, isso não faz diferença para mi
— Zara, você venceu. — Orson estava parado diante dela, com a voz baixa e rouca. — Mas o que te faz pensar que eu vou concordar em te deixar ir embora? Zara curvou levemente os lábios em um sorriso frio. — Eu não espero que você me deixe ir. Na verdade, se você quiser continuar comigo, inclusive realizar o casamento, eu posso cooperar. Mas vou te dizer uma coisa: nossa vida será sempre assim, daqui em diante. Se isso não te incomoda, para mim também não faz diferença. Quanto a este filho... Eu vou amá-lo com todas as minhas forças, mas isso não tem nada a ver com você. Eu vou amá-lo porque ele é meu filho. ... Orson foi embora. O som da porta principal sendo fechada com força ecoou pela casa, e então, tudo ficou em silêncio. Zara permaneceu onde estava, parada, até que, depois de um tempo, seu corpo começou a deslizar lentamente para o chão. No final, ela se sentou no piso frio. Ela pensava que não sentiria dor. Afinal, tudo isso fazia parte do plano dela. Esse resultado er
Quando Zara acordou, o dia já estava claro. A neve lá fora havia parado, mas dentro da casa ainda havia apenas ela. Zara tinha imaginado que Orson viria falar com ela naquele dia. Afinal, conhecendo-o como conhecia, ele não era o tipo de pessoa que deixava as coisas se arrastarem por muito tempo. Prolongar a situação só faria parecer que ele tinha perdido ainda mais. Mas, dessa vez, Zara estava enganada. Orson não voltou naquele dia. À noite, foi Marta quem ligou para ela, pedindo que fosse até a casa de campo no dia seguinte. Zara não sabia exatamente qual era o objetivo de Marta, mas acabou decidindo ir. Talvez devido ao ambiente tranquilo da casa de campo, Marta parecia estar muito mais saudável. Sua aparência era mais leve, e ela havia deixado de lado os vestidos longos e os trajes extravagantes. Agora, vestia roupas casuais, com o cabelo preso em um simples rabo de cavalo baixo, o que a fazia parecer mais jovem e cheia de vida. Zara sempre sentiu que Marta era como uma