Paula saiu rapidamente, batendo os pés com força enquanto deixava a sala. Percival ficou parado no mesmo lugar. Demorou um bom tempo até que ele finalmente processasse o que acabara de acontecer. Então, com passos rápidos, ele avançou e agarrou Orson pela gola da camisa. — Então você sabia de tudo... Você sempre soube, mas mesmo assim me deixou continuar. Você fez isso de propósito! Orson, no entanto, apenas sorriu. — Como um adulto, se você não tem nem o mínimo de autocontrole, vai culpar quem por isso? — Foi você quem armou essa armadilha! — Percival gritou, visivelmente abalado. — Talvez. — Orson respondeu calmamente. — Mas quem escolheu pular foi você. Eu não coloquei uma arma na sua cabeça e te obriguei a fazer nada. Enquanto falava, Orson ergueu a mão e começou a soltar os dedos de Percival, um por um, com calma. — Ah, e só para você saber, eu também tenho ações na FlowFin. — Orson sorriu de leve. — Esse “esquema” que você caiu foi feito sob medida para você. Incl
Naquele momento, os sentimentos de Orson estavam bastante confusos. E, ao ouvir a resposta "honesta" de Zara, suas sobrancelhas se franziram ainda mais. — Mas, no mundo dos negócios, não é sempre assim? — Zara continuou. — Ou você sobrevive, ou eu sobrevivo. Não tem nada a ver com ser cruel ou não. Quando ela terminou de falar, os lábios de Orson lentamente se curvaram em um sorriso discreto. Ele assentiu levemente. — E o que vai acontecer com ele depois? — Perguntou Zara. — Quem? O Percival? — Orson soltou uma risada curta. — Não vejo por que se preocupar. De uma coisa você pode ter certeza: ele não vai terminar bem. Com essas palavras, Zara entendeu tudo imediatamente e optou por não perguntar mais nada. No dia seguinte, Zara viu nos noticiários a repercussão sobre o Grupo Harris. As ações de Percival claramente haviam ultrapassado certos limites legais, entrando em zonas cinzentas que perturbavam o mercado de ações. E ele não era apenas um acionista comum do Grupo Harr
Zara não disse mais nada, mas o olhar silencioso que lançou para Fiona transparecia, aos olhos dela, algo entre desprezo e escárnio. Fiona não conseguiu evitar. Seu corpo começou a tremer, e seus dentes estavam cerrados de tanta raiva. Logo em seguida, porém, ela forçou um sorriso. — É mesmo? Que notícia maravilhosa... Eu realmente não sabia. Nesse caso, devo te dar os parabéns, não é? — Faça como quiser. — Zara respondeu com calma. — Para mim, não faz diferença nenhuma se você me parabeniza ou não. Fiona sentiu o peso do desprezo nos olhos de Zara. Era como se tudo pelo que ela havia lutado, tudo o que ela tentava conquistar, fosse absolutamente insignificante para aquela mulher. E, na verdade, era isso mesmo. Durante todos aqueles anos, Fiona tentou de tudo para conquistar Orson. Ela se dedicou, se esforçou, fez tudo o que podia para que ele olhasse para ela, para que ela pudesse ocupar o lugar de Zara no coração dele. Mas, no final, Orson ainda escolheu Zara. Agora,
— Hum. — Respondeu Zara. — Correu tudo bem? — Perguntou Orson. — Sim, foi tranquilo. O médico disse que o bebê está saudável e que está tudo em ótima condição. — A voz de Zara era serena, e o olhar que ela lançou para ele carregava a mesma suavidade de sempre. Mas o rosto de Orson parecia mais frio do que nunca. — Você não estava ocupado hoje? — Zara perguntou de repente. Orson franziu a testa. — E a situação do Percival, já está resolvida? — Continuou Zara. Orson respirou fundo antes de responder: — Ainda não completamente, mas está quase tudo encaminhado. Zara apenas murmurou um “ah” e assentiu com a cabeça, como se estivesse completamente satisfeita com a resposta. Orson a observou por alguns segundos antes de perguntar: — Você encontrou alguém hoje no hospital? Zara não respondeu imediatamente. Ela virou a cabeça para olhar para a babá, que estava um pouco mais à frente. A babá, por sua vez, claramente estava prestando atenção na conversa deles, mas, ao pe
No início de dezembro, Zara e Orson foram juntos tirar as fotos do casamento. Desta vez, tudo correu muito mais tranquilamente do que na primeira vez em que se casaram. O vestido de noiva que Zara usava havia sido feito sob medida por encomenda de Orson. Segundo o estilista, apenas uma das pequenas pedras de diamante no vestido custava o equivalente ao salário anual de uma pessoa comum. Quando o estilista comentou isso, sua voz e expressão estavam cheias de admiração, mas, dentro de Zara, isso não despertou nenhuma emoção. Ao terminarem de fotografar o segundo conjunto de roupas, Zara acabou encontrando alguém por acaso na sala de descanso do parque de diversões. No início, Zara não reconheceu quem era. Para garantir a privacidade durante as fotos, Orson havia reservado todo o parque exclusivamente para eles. Não havia turistas, mas ainda havia muitos funcionários no local. Por isso, Zara inicialmente assumiu que a mulher que apareceu ali era apenas uma funcionária. Porém, a
Zara não via Emory há muito tempo. A última vez que eles se encontraram foi em uma cafeteria, quando ele lhe contou que iria para o exterior. Naquela época, Zara realmente acreditava que nunca mais o veria novamente. Nenhum dos dois poderia imaginar que tantas coisas aconteceriam depois. Enquanto Zara e Emory pareciam ligeiramente desconfortáveis, os outros dois, Lilian e Orson, estavam completamente à vontade. Lilian, inclusive, agia como se fossem apenas dois casais de amigos se conhecendo pela primeira vez. Ela fez questão de apresentar todos formalmente. Orson, por sua vez, estendeu a mão para Emory com um sorriso educado. — Dr. Emory, prazer. O rosto de Emory estava visivelmente rígido. Demorou alguns segundos antes de finalmente apertar a mão de Orson. Orson manteve o sorriso. — Vocês também estão prestes a se casar, né? E ainda escolheram a mesma data que nós. Que coincidência. — Pois é! Eu também achei muita coincidência! — Lilian respondeu rapidamente, com en
— Emory, o que você quis dizer agora há pouco? — Lilian o questionou assim que o alcançou do lado de fora. — Foi isso mesmo? Você resolveu me fazer passar vergonha na frente de todo mundo? Emory parou imediatamente. Ele girou o corpo devagar, olhou para Lilian por alguns segundos e, só então, respondeu: — Não foi de propósito. — Não foi de propósito? — Lilian soltou uma risada fria. — Você está brincando comigo? Então me explica o que significou aquela sua atitude. — Eu só não vejo sentido nesse jantar. — Emory respondeu, com o rosto impassível. — Não quero perder meu tempo. — Sem sentido? Você sabe quem é o Orson? Ele é o diretor-geral do Grupo Harris! Quantas pessoas em Cidade N não dariam tudo para ter a oportunidade de jantar com ele? — Essas pessoas não sou eu. Lilian o encarou por um momento, com os olhos semicerrados, e então, de repente, sorriu. — Você ainda acha que é o grande e intocável Dr. Emory, né? Ou será que você odeia o Orson porque ele roubou a mulher
O temperamento de Lilian vinha rápido e ia embora na mesma velocidade. Talvez ela tivesse uma tolerância incomum com Emory, algo que não demonstrava com outras pessoas. Por isso, bastaram algumas palavras suaves dele para que toda a sua raiva desaparecesse. Aproveitando o momento, Emory disse: — Certo, eu realmente preciso fazer uma ligação. Por que você não volta para a sala? Afinal, foi você quem organizou tudo, não é legal os dois anfitriões estarem ausentes. — Tudo bem, eu volto. Mas termine logo isso e entre também. — Combinado. — Emory sorriu, permanecendo parado enquanto a observava voltar para o salão. Assim que Lilian fechou a porta, o sorriso em seus lábios desapareceu imediatamente, dando lugar a uma expressão de cansaço e evidente aversão. Ele se virou, disposto a encontrar um lugar para fumar, mas então percebeu que Zara já estava ali, em pé, observando-o. Ao olhar para o rosto dela, Emory imediatamente soube que Zara provavelmente havia escutado toda a conve