— O que foi? — Perguntou George.Jaqueline pensou em responder, mas hesitou, parecia imprudente falar naquele momento, então ela apenas balançou a cabeça:— Nada, vou te ajudar a arrumar isso. Esses documentos são muito importantes, não os deixe jogados por aí.Jaqueline se agachou para recolher os documentos caídos, um a um.— Não se preocupe, Jaqueline, eu posso fazer isso. — Disse George, se apressando em ajudá-la.Quando suas mãos se encontraram sobre o mesmo documento, houve um toque acidental.Jaqueline recuou rapidamente, como se tivesse recebido um choque elétrico, e um sorriso constrangido surgiu em seus lábios enquanto entregava os documentos a George.— George, preciso ir agora, tenho algumas coisas para resolver.George insistiu:— Você não vai esperar a Isabelly? Posso ligar para ela voltar.— Não precisa, tenho compromissos e não posso almoçar com ela hoje. Fica para a próxima vez.— Para onde você vai? Posso te levar.— Não é necessário, pegarei um táxi.— Como assim? Vo
— Temos que ir para longe por um tempo. Para onde você gostaria de ir?Ela precisava encontrar um lugar onde ninguém a reconhecesse, para dar à luz, antes que sua gravidez se tornasse visível.Enquanto ela refletia, o som do celular tocou.Jaqueline não reconhecia o número que chamava, ela pegou o celular e deslizou suavemente na tela para atender.— Alô? — Do outro lado da linha, o silêncio persistia. — Alô, olá. Quem fala?Mas a pessoa do outro lado não respondia.De repente, a chamada foi encerrada.Jaqueline ficou confusa."Será que foi um número errado?"Ela estava prestes a colocar o celular de lado quando ele tocou novamente.Era o mesmo número anterior.Jaqueline atendeu mais uma vez:— Alô, olá. — Ainda no telefone, reinava o silêncio. — Se você não falar, vou desligar e bloquear este número.A pessoa do outro lado continuava em silêncio.Jaqueline sentiu um arrepio, porque ela ouviu uma respiração, claramente humana.Ela podia ouvir a voz da pessoa, o que significava que não
Ângela estava à beira de gritar quando o homem retirou uma faca do bolso e a deslizou entre os dedos.— Cortar sua garganta leva apenas um segundo, não acha? Tente gritar para ver o que acontece.A voz de Ângela ficou presa na garganta. Com os olhos arregalados de pânico, ela perguntou:— Quem é você, afinal? Já aviso, não sou uma pessoa qualquer. Se você ousar me tocar, garanto que pagará um preço terrível. Roberto certamente não deixará isso passar!— Onde está o Roberto? — Perguntou o homem, olhando ao redor, confuso. — Como é que só você está aqui nesta cama de hospital, querendo arrastar outros para o inferno? Mas você tem consciência de si mesma, sabe que tipo de vilã é, que irá para o inferno.— Você... — Ângela estava tão irritada que seu coração quase parou de bater. — Qual é seu objetivo, afinal?O homem guardou a faca:— Srta. Ângela, não precisa se assustar, eu só vim aqui para fazer um acordo com você. Como disse, vamos ser amigos, não inimigos.Ângela não se lembrava de c
O homem falou com desprezo:— Neste país, existem dez milhões de pacientes na fila por um transplante de coração, mas anualmente, menos de 500 transplantes são concluídos com sucesso. A probabilidade é menor que 0,00005%. Aqueles que não obtêm um coração a tempo, ficam dependendo de um volume enorme de medicamentos e tratamentos para estender suas vidas, ou morrem esperando. Srta. Ângela, o que você acredita que acontecerá com você?Ângela permaneceu calada.— Mas de uma coisa pode ter certeza, qualquer que seja o desfecho, será desfavorável para você. Acha mesmo que consegue arrastar Jaqueline com você para o inferno?As palavras severas do homem expuseram a realidade amarga diante dela.Ângela teve que aceitar isso.Ela falou com a voz rouca:— Roberto vai me ajudar, ele com certeza vai...— E daí se ele ajudar? — Interrompeu o homem. — Neste mundo, até as pessoas mais ricas e poderosas enfrentam um dilema: nascimento, envelhecimento, doença e morte. Quando a cura se torna impossível
A palavra "amigo" possuía condições, e Ângela estava ciente disso. Neste mundo, amizades desinteressadas são raras. Esse interesse oculto certamente era movido por algum benefício substancial. — Ha ha. — Ângela subitamente riu. — Roberto é essencial para mim, claro. Você parece ridículo. O que te faz pensar que pode obter um coração para mim? Nem mesmo Roberto conseguiu, suas palavras são exageradamente audaciosas. O homem retirou um celular do bolso e digitou algo rapidamente. Subitamente, o alarme do hospital ecoou, estridente e urgente. Ângela ficou tensa, com o rosto empalidecendo. — O que você fez? — Nada demais, apenas uma brincadeira com o alarme. Ouça como estão todos nervosos lá fora. — O homem se levantou, ajustando seu casaco. — Parece que a Srta. Ângela realmente ama o Roberto, não há dúvidas sobre o amor entre vocês. Nesse caso, então não podemos ser amigos. No entanto, admiro você, Srta. Ângela, por amor, você até arriscaria sua própria vida, isso é louvável.
— A menos que? — Roberto indagou. — Roberto, antes de mais nada, me diga a verdade: você realmente deseja me salvar? — Claro que sim, Ângela. Neste momento, meu único desejo é ver você saudável, eu farei tudo que estiver ao meu alcance para ajudá-la. — Ele estava sinceramente determinado a salvá-la. — Então, por que você ainda não conseguiu? — Ângela refletiu sobre as palavras do homem misterioso. As chances eram mínimas e ela estava aterrorizada com a ideia de morrer. Ela desejava viver bem e mandar Jaqueline para o inferno, enquanto desfrutava de uma vida feliz com Roberto aqui na Terra, deixando que aquelas indignas morressem de ressentimento. — O coração é um recurso extremamente escasso e difícil de ser compatível nos bancos de doadores de transplantes. Por que devemos esperar passivamente? — Ângela perguntou com urgência. — Você não pode buscar em outros lugares? Roberto franziu o cenho e disse: — O que você está sugerindo? — Roberto, não existem alguns negócios o
— Algumas pessoas estão dispostas a se sacrificar para conseguir dinheiro por suas famílias. Deve haver alguém assim. — Insistiu Ângela, sem desistir. Roberto balançou a cabeça, resignado, sem mais nada a dizer. Percebendo a reação fria de Roberto, Ângela se apressou, ansiosa. — Então, você não está disposto a me ajudar a procurar? — Questionou ela, se colocando numa posição emocionalmente elevada. — Você não se importa mais comigo? Sua atitude parece me acusar, como se eu fosse uma criminosa. Mas, mesmo que eu não compre, outros comprarão, e essas indústrias obscuras continuarão a existir! Roberto nunca tinha ouvido Ângela falar coisas tão absurdas. Ele estava furioso. "Essas palavras eram como as de alguém que justifica a compra de uma mulher, dizendo que, mesmo que ele não compre, outros o farão, e os traficantes de pessoas ainda existirão. Não é verdade que, sem compradores, não haveria vítimas? A natureza humana pode ser tão vil." Roberto, de repente, não quis mais fa
Ângela chorava desconsoladamente, com uma intensidade que poderia ser descrita como trágica. Ela abraçou Roberto fortemente, o envolvendo com os braços e pressionando contra a ferida em suas costas. Roberto franziu a testa e soltou um gemido abafado. Entre soluços trágicos, Ângela não ouviu o som do desconforto de Roberto.— Roberto, me perdoe, eu realmente sei que errei. Nunca mais falarei assim, vou esperar pacientemente, mesmo que o coração não chegue, por favor, me perdoe desta vez, eu imploro! De repente, Ângela segurou o coração, ofegante, seus olhos reviraram, e ela desmaiou nos braços de Roberto.— Ângela! — Roberto segurou seu queixo, sacudindo seu rosto com força. Ele então virou a cabeça e gritou:— Doutor!...O médico realizou uma série de procedimentos de emergência em Ângela. Depois, ela não tinha mais forças nem para chorar, repousando tranquilamente na cama. O monitor médico emitia seus bips regulares, enquanto Roberto, ao lado da cama, suspirava resignado.Ela