— Temos que ir para longe por um tempo. Para onde você gostaria de ir?Ela precisava encontrar um lugar onde ninguém a reconhecesse, para dar à luz, antes que sua gravidez se tornasse visível.Enquanto ela refletia, o som do celular tocou.Jaqueline não reconhecia o número que chamava, ela pegou o celular e deslizou suavemente na tela para atender.— Alô? — Do outro lado da linha, o silêncio persistia. — Alô, olá. Quem fala?Mas a pessoa do outro lado não respondia.De repente, a chamada foi encerrada.Jaqueline ficou confusa."Será que foi um número errado?"Ela estava prestes a colocar o celular de lado quando ele tocou novamente.Era o mesmo número anterior.Jaqueline atendeu mais uma vez:— Alô, olá. — Ainda no telefone, reinava o silêncio. — Se você não falar, vou desligar e bloquear este número.A pessoa do outro lado continuava em silêncio.Jaqueline sentiu um arrepio, porque ela ouviu uma respiração, claramente humana.Ela podia ouvir a voz da pessoa, o que significava que não
Ângela estava à beira de gritar quando o homem retirou uma faca do bolso e a deslizou entre os dedos.— Cortar sua garganta leva apenas um segundo, não acha? Tente gritar para ver o que acontece.A voz de Ângela ficou presa na garganta. Com os olhos arregalados de pânico, ela perguntou:— Quem é você, afinal? Já aviso, não sou uma pessoa qualquer. Se você ousar me tocar, garanto que pagará um preço terrível. Roberto certamente não deixará isso passar!— Onde está o Roberto? — Perguntou o homem, olhando ao redor, confuso. — Como é que só você está aqui nesta cama de hospital, querendo arrastar outros para o inferno? Mas você tem consciência de si mesma, sabe que tipo de vilã é, que irá para o inferno.— Você... — Ângela estava tão irritada que seu coração quase parou de bater. — Qual é seu objetivo, afinal?O homem guardou a faca:— Srta. Ângela, não precisa se assustar, eu só vim aqui para fazer um acordo com você. Como disse, vamos ser amigos, não inimigos.Ângela não se lembrava de c
O homem falou com desprezo:— Neste país, existem dez milhões de pacientes na fila por um transplante de coração, mas anualmente, menos de 500 transplantes são concluídos com sucesso. A probabilidade é menor que 0,00005%. Aqueles que não obtêm um coração a tempo, ficam dependendo de um volume enorme de medicamentos e tratamentos para estender suas vidas, ou morrem esperando. Srta. Ângela, o que você acredita que acontecerá com você?Ângela permaneceu calada.— Mas de uma coisa pode ter certeza, qualquer que seja o desfecho, será desfavorável para você. Acha mesmo que consegue arrastar Jaqueline com você para o inferno?As palavras severas do homem expuseram a realidade amarga diante dela.Ângela teve que aceitar isso.Ela falou com a voz rouca:— Roberto vai me ajudar, ele com certeza vai...— E daí se ele ajudar? — Interrompeu o homem. — Neste mundo, até as pessoas mais ricas e poderosas enfrentam um dilema: nascimento, envelhecimento, doença e morte. Quando a cura se torna impossível
A palavra "amigo" possuía condições, e Ângela estava ciente disso. Neste mundo, amizades desinteressadas são raras. Esse interesse oculto certamente era movido por algum benefício substancial. — Ha ha. — Ângela subitamente riu. — Roberto é essencial para mim, claro. Você parece ridículo. O que te faz pensar que pode obter um coração para mim? Nem mesmo Roberto conseguiu, suas palavras são exageradamente audaciosas. O homem retirou um celular do bolso e digitou algo rapidamente. Subitamente, o alarme do hospital ecoou, estridente e urgente. Ângela ficou tensa, com o rosto empalidecendo. — O que você fez? — Nada demais, apenas uma brincadeira com o alarme. Ouça como estão todos nervosos lá fora. — O homem se levantou, ajustando seu casaco. — Parece que a Srta. Ângela realmente ama o Roberto, não há dúvidas sobre o amor entre vocês. Nesse caso, então não podemos ser amigos. No entanto, admiro você, Srta. Ângela, por amor, você até arriscaria sua própria vida, isso é louvável.
— A menos que? — Roberto indagou. — Roberto, antes de mais nada, me diga a verdade: você realmente deseja me salvar? — Claro que sim, Ângela. Neste momento, meu único desejo é ver você saudável, eu farei tudo que estiver ao meu alcance para ajudá-la. — Ele estava sinceramente determinado a salvá-la. — Então, por que você ainda não conseguiu? — Ângela refletiu sobre as palavras do homem misterioso. As chances eram mínimas e ela estava aterrorizada com a ideia de morrer. Ela desejava viver bem e mandar Jaqueline para o inferno, enquanto desfrutava de uma vida feliz com Roberto aqui na Terra, deixando que aquelas indignas morressem de ressentimento. — O coração é um recurso extremamente escasso e difícil de ser compatível nos bancos de doadores de transplantes. Por que devemos esperar passivamente? — Ângela perguntou com urgência. — Você não pode buscar em outros lugares? Roberto franziu o cenho e disse: — O que você está sugerindo? — Roberto, não existem alguns negócios o
— Algumas pessoas estão dispostas a se sacrificar para conseguir dinheiro por suas famílias. Deve haver alguém assim. — Insistiu Ângela, sem desistir. Roberto balançou a cabeça, resignado, sem mais nada a dizer. Percebendo a reação fria de Roberto, Ângela se apressou, ansiosa. — Então, você não está disposto a me ajudar a procurar? — Questionou ela, se colocando numa posição emocionalmente elevada. — Você não se importa mais comigo? Sua atitude parece me acusar, como se eu fosse uma criminosa. Mas, mesmo que eu não compre, outros comprarão, e essas indústrias obscuras continuarão a existir! Roberto nunca tinha ouvido Ângela falar coisas tão absurdas. Ele estava furioso. "Essas palavras eram como as de alguém que justifica a compra de uma mulher, dizendo que, mesmo que ele não compre, outros o farão, e os traficantes de pessoas ainda existirão. Não é verdade que, sem compradores, não haveria vítimas? A natureza humana pode ser tão vil." Roberto, de repente, não quis mais fa
Ângela chorava desconsoladamente, com uma intensidade que poderia ser descrita como trágica. Ela abraçou Roberto fortemente, o envolvendo com os braços e pressionando contra a ferida em suas costas. Roberto franziu a testa e soltou um gemido abafado. Entre soluços trágicos, Ângela não ouviu o som do desconforto de Roberto.— Roberto, me perdoe, eu realmente sei que errei. Nunca mais falarei assim, vou esperar pacientemente, mesmo que o coração não chegue, por favor, me perdoe desta vez, eu imploro! De repente, Ângela segurou o coração, ofegante, seus olhos reviraram, e ela desmaiou nos braços de Roberto.— Ângela! — Roberto segurou seu queixo, sacudindo seu rosto com força. Ele então virou a cabeça e gritou:— Doutor!...O médico realizou uma série de procedimentos de emergência em Ângela. Depois, ela não tinha mais forças nem para chorar, repousando tranquilamente na cama. O monitor médico emitia seus bips regulares, enquanto Roberto, ao lado da cama, suspirava resignado.Ela
Jaqueline planejava sair em breve, iria secretamente para outra cidade para ter seu filho. Antes de partir, quis passar mais tempo com sua avó, então, no dia seguinte, foi visitá-la. Ao vê-la, Catarina franziu levemente a testa: — Jaqueline, por que você veio novamente? — Vovó, o que você quer dizer com "por que você veio novamente"? — Jaqueline resmungou, irritada. — Parece que a senhora está incomodada comigo. Não foi a senhora quem disse que, independentemente de tudo, eu sou sua neta? A senhora não me ama mais? Jaqueline disse isso de propósito, ela não estava realmente chateada. Ela certamente não pensava que sua avó estivesse cansada dela, era apenas um capricho diante dela. Catarina sorriu: — Minha querida, como eu poderia não te amar? Mas você não está cansada de tanto ir e vir? — Não estou cansada. — Jaqueline se sentou ao lado dela, entrelaçando seu braço. — Visitar a vovó me deixa muito animada e feliz. — Olha só você, como não te amar tanto? — Catarina d