Casando com o Inimigo do meu EX (CEO)
Casando com o Inimigo do meu EX (CEO)
Por: Isabela Moura
Prólogo – Aylin

Sempre fui uma garota dedicada. Desde muito nova, meus pais me ensinaram que tradição não era apenas um conceito, mas um caminho a ser seguido com honra. Cresci sob valores rígidos, respeitando cada ensinamento e acreditando que meu destino já estava traçado. Nunca me permiti desviar, nunca me permiti questionar. Aos 14 anos, meu coração encontrou morada em um único nome: Tobias. Ele sempre esteve presente em minha vida, desde a infância, e quando o namoro começou, tive a certeza de que minha história já estava escrita ao lado dele. Oito anos se passaram. Oito anos de cumplicidade, promessas e a certeza de que nosso futuro era sólido como uma rocha. 

Então, o momento tão esperado chegou. Com um brilho nos olhos e um toque firme, ele me pediu em casamento. A emoção foi avassaladora. Depois de tanto tempo juntos, aquilo era apenas o próximo passo natural para nossa história de amor. Sem hesitar, aceitei, sentindo meu coração pulsar com a promessa de uma nova fase. A partir daquele instante, minha vida se tornou um turbilhão de preparativos. Cada detalhe precisava ser perfeito, cada escolha tinha um peso. O casamento que sempre sonhei finalmente estava tomando forma, e eu queria que tudo fosse impecável. Afinal, esse seria o dia mais importante da minha vida. Ou, pelo menos, era o que eu acreditava. Os preparativos para o casamento estavam a todo vapor. Cada detalhe exigia atenção, cada escolha parecia definir não apenas um dia, mas um futuro inteiro. No meio dessa correria, a mãe de Tobias, senhora Verana, esteve ao meu lado em cada momento. Sempre foi uma segunda mãe para mim, alguém que me acolheu desde o início do relacionamento e fez com que eu me sentisse parte da família. Agora, mais do que nunca, ela se fazia presente, participando de cada escolha, me ajudando a tornar esse dia especial.

Eu nunca tive uma condição financeira como a deles, mas isso nunca pareceu importar para ela. Seu apoio era constante, e eu me sentia grata por tê-la comigo nesse processo.

— Filha?

A voz da minha mãe me trouxe de volta ao momento. Estávamos em uma das mais renomadas lojas de vestidos de noiva, cercadas por tecidos delicados, rendas sofisticadas e uma atmosfera carregada de expectativa. Ela segurava um vestido branco, seus olhos brilhando de emoção.

Virei-me para encará-la, sentindo o carinho em seu olhar.

— Oi, mãe.

Ela sorriu, ajeitando o tecido entre os dedos.

— O que você acha desse aqui?

Meus olhos acompanharam a peça pendurada na arara. O vestido era magnífico, com um corte elegante, detalhes sutis e uma delicadeza que parecia gritar perfeição. Ao meu lado, a senhora Verana assentiu com aprovação.

— Eu achei lindo. Você ficará a noiva mais linda desse mundo.

Meu peito se apertou ao ouvir aquelas palavras. A emoção subiu como uma onda, me fazendo respirar fundo para conter as lágrimas que ameaçavam escapar.

— Acho que vou provar. Se ficar bom, eu pegarei ele.

Minha mãe e a senhora Verana trocaram olhares animados, seus sorrisos refletindo o entusiasmo que tomava conta de mim.

— Vou acompanhar você para provar o vestido de noiva, senhorita.

A vendedora apareceu ao meu lado, gentil e prestativa. Seu tom era animado, assim como o ambiente ao nosso redor. A loja estava cheia de noivas em busca do vestido perfeito, e ali, no meio de tantas histórias, eu sentia que finalmente o meu grande dia estava se tornando realidade.

A loja não vendia apenas vestidos de noiva. Os corredores estavam repletos de peças sofisticadas para madrinhas, eventos sociais e ocasiões luxuosas. Tecidos brilhantes, cortes impecáveis, vestidos que pareciam saídos de contos de fadas. Mas nada daquilo me importava. Meu objetivo era um só: encontrar o vestido perfeito para o dia mais importante da minha vida.

Segui com a vendedora até as cabines de prova. O espaço estava movimentado, mulheres desfilavam entre os espelhos, algumas admirando-se nos vestidos dos sonhos, outras esperando ansiosas do lado de fora. O burburinho preenchia o ambiente, mas minha mente estava focada em mim. Entrei em uma das cabines e comecei a me despir, ficando apenas de lingerie. Mesmo sentindo o calor da vergonha subir pelo meu corpo, consegui ignorar o desconforto. A vendedora, profissional e discreta, prontamente começou a me ajudar a vestir o vestido de noiva, ajustando o tecido em minha pele com cuidado. Foi quando ouvi.

Uma voz familiar ecoou na cabine ao lado, me fazendo prender a respiração. O coração bateu forte no peito, como se meu próprio corpo já soubesse que algo estava prestes a desmoronar.

— Você acha que ela nunca vai descobrir que você tem um caso com o noivo dela?

O mundo pareceu parar. Meu corpo congelou no lugar. Aquela voz pertencia a Carla. 

A vendedora percebeu minha reação e me chamou baixinho.

— Senhorita?

Fiz um sinal rápido para que se calasse. Meus ouvidos estavam atentos, a respiração presa, meu coração martelando em um ritmo frenético.

— Não, a Aylin nunca descobriu que eu e o Tobias estamos juntos há dois anos — a voz de Elisabeth soou com naturalidade, como se aquilo não fosse a maior traição da minha vida.

O vestido escorregou por entre meus dedos. Meu corpo perdeu as forças, e precisei me apoiar na parede da cabine para não desabar ali mesmo. Um frio cortante percorreu minha espinha, enquanto eu sentia o sangue abandonar meu rosto, deixando minha pele pálida como um fantasma.

Dois anos.

Dois anos de mentiras, de falsidade, de promessas vazias. Dois anos sendo enganada por duas pessoas que eu confiava cegamente.

— Você está completamente errada, Elisabeth. Você é mulher, deveria se colocar no lugar dela. Ela vai se casar com o Tobias — a voz de Carla veio novamente, carregada de reprovação.

Mas não foi o suficiente para me confortar. Porque cada palavra dita apenas afundava mais fundo em meu peito, como facas afiadas rasgando minha carne.

As lágrimas começaram a descer silenciosamente. Meu corpo tremia, e a vendedora ao meu lado ficou visivelmente nervosa.

— Fique calma — sussurrou baixinho, sua voz carregada de preocupação.

Mas como? Como alguém se manteria calma ao descobrir que tudo o que acreditava era uma mentira?

Engoli em seco, tentando controlar a avalanche de dor que crescia dentro de mim.

— Por favor, não fale nada. Eu preciso assimilar isso — minha voz saiu baixa, quebrada.

A vendedora apenas assentiu, seus olhos cheios de empatia.

O silêncio entre nós foi interrompido novamente pela voz de Carla.

— Ela precisa saber o tipo de homem que ele é.

— Você não vai contar nada àquela estúpida — a voz de Elisabeth veio carregada de desprezo.

A dor foi imediata. O ar pareceu escapar dos meus pulmões. Como ela pôde?

Minha melhor amiga.

A mulher que eu confiei, que compartilhei segredos, que esteve ao meu lado nos momentos mais importantes da minha vida. Tudo desmoronava.

E naquele instante, entre as paredes daquela cabine sufocante, eu soube que nada mais seria como antes.

— Já escolhi o meu vestido para o circo, agora vamos embora, porque eu tenho um casamento para ir ver aquele gostoso se casando com aquela idiota. — A voz de Elisabeth cortou o ar, afiando suas palavras como lâminas que atravessam a carne. A cada sílaba, meu coração se apertava, meu estômago se revirava, e as palavras dela se tornavam como um veneno dilacerando tudo o que eu acreditava ser real. Eu fiquei parada ali, tentando processar, tentando entender, tentando manter minha sanidade enquanto o mundo ao meu redor parecia desmoronar. Passei alguns segundos sem saber o que fazer, mas uma coisa era certa: eu não podia demonstrar a dor que estava sentindo. Eu tinha que me manter firme, por mais que dentro de mim tudo estivesse quebrando.

— Não fique assim, pessoas podres acabam sempre sozinhas. — A vendedora, percebendo o quanto eu estava abalada, tocou suavemente meu ombro, sua voz suave era um leve consolo, uma tentativa de reconfortar minha alma dilacerada. Mas, como o gelo tocando o fogo, as palavras dela não conseguiam apagar a dor que consumia meu peito.

— Eu confiei nele, dediquei oito anos da minha vida a alguém como ele... — As lágrimas começaram a escorrer, quentes e pesadas, manchando meu rosto, enquanto minha voz se quebrava. Eu estava perdendo algo que nunca imaginei que perderia. Aquela confiança que eu tinha depositado, a crença de que aquilo era real, estava se dissolvendo como poeira ao vento.

— Ele não merece você. — As palavras da vendedora, tão simples e diretas, tocaram um ponto frágil dentro de mim. Mesmo sem saber o quanto eu estava despedaçada, aquelas palavras pareciam um alicerce, um impulso que me lembrava de que, por mais que eu estivesse fragilizada, eu merecia algo muito melhor.

— Vou continuar os preparativos normais, não posso vacilar agora. — Minha voz soou mecânica, como se eu estivesse repetindo algo que não acreditava mais, apenas para me convencer de que ainda tinha controle sobre algo. Eu tentava manter as aparências, mas o que estava dentro de mim era um turbilhão. Como seguir em frente quando tudo o que você conhecia desmoronava?

— Você não precisa casar-se com um asqueroso assim. — Ela falou de novo, sua voz firme, quase como se quisesse me dar o impulso que eu tanto precisava para quebrar essa prisão de dor e vergonha. E, de repente, algo dentro de mim despertou. Ela tinha razão. Eu não precisava disso. Não precisava ser uma mera espectadora de uma mentira montada por ele. Não me casaria com alguém que não me respeitava.

Com um simples assentir, a vendedora suspirou, e, sem mais palavras, me ajudou a vestir o vestido. Quando me olhei no espelho, a mulher que ali estava parecia estranha, como se fosse outra, como se estivesse mais distante de mim do que eu imaginava. Ainda assim, coloquei o meu melhor sorriso nos lábios e caminhei até onde minha mãe e a senhora Verana me aguardavam. Mas, ao me aproximar, o que vi me fez parar. Elisabeth estava lá, com a Carla, esperando por mim. Eu sabia o que estava acontecendo, sabia da traição, mas optei por não confrontá-las. Era mais fácil assim. Evitar o escândalo dentro da loja. Fingir que não sabia de nada, porque, naquele momento, o silêncio era a única coisa que eu podia controlar.

Ela aplaudiu, com aquele sorriso que eu agora via como falso, como um disfarce barato. Percebi a tensão nos ombros de Carla, que, apesar de tentar manter a compostura, parecia desconfortável. Mas, ao invés de explodir, eu engoli a raiva, a dor, tudo, e continuei como se nada tivesse acontecido. Após a prova do vestido, disse que não queria mais comprá-lo, que buscaria outra loja. Minha mãe parecia desconfiada, mas não disse nada, e eu continuei com o jogo, como uma atriz em um palco, vivendo um papel que não era o meu.

Voltei para casa com a minha mãe, só então, quando a porta se fechou atrás de mim, as palavras que eu havia engolido o dia todo finalmente encontraram espaço para sair. Sentei com meus pais e, com a voz embargada, revelei tudo o que havia descoberto. O noivado estava cancelado. O casamento não aconteceria. Eu não me casaria com alguém como Tobias. A dor ainda estava lá, mas o apoio dos meus pais, o consolo que encontrei neles, me deu forças para dar o primeiro passo. Eu estava destruída, mas sabia que tinha que me reerguer. Não havia mais espaço para o medo, não havia mais espaço para as mentiras. Agora, era hora de reconstruir a minha vida.

Continue lendo no Buenovela
Digitalize o código para baixar o App
capítulo anteriorpróximo capítulo

Capítulos relacionados

Último capítulo

Digitalize o código para ler no App