Episódio 04 – Roderick

Aquela garota estava claramente sendo encurralada por aquele cara ridículo, porque é exatamente isso que ele é. Um verme patético que nunca consegue nada por mérito próprio. Tem que manipular, armar joguinhos, se rebaixar a truques baratos para conquistar qualquer coisa. Um verdadeiro perdedor. Mas comigo essa merda não cola. Eu enxergo através da máscara dele. Tobias é um desgraçado mesquinho, um egocêntrico que quer tudo para si, como se o mundo inteiro devesse girar ao redor da sua vontade. Mas a verdade? Ele não passa de um lixo humano, um homem podre até a alma.

Foi por isso que eu interferi. E ao fazer isso, acabei descobrindo mais do que esperava. Palavras afiadas saíram da minha boca antes mesmo que eu percebesse, porque eram verdades incontestáveis. Na época da faculdade, ele vivia pulando de uma garota para outra, nunca se contentando com nada, nunca sabendo o que queria. Um idiota que só sabia brincar com os sentimentos dos outros.

E agora, ali estava ele, tentando bancar o fodão, o superior. Mas eu já o estava esmagando com cada frase dita, jogando toda a sujeira na cara dele sem piedade. Então, como uma marionete previsível, a garota grudada nele antes tentou se meter, veio com um papinho furado, tentando salvar a pele do babaca. Mas eu sequer lhe dei atenção. Ela não passava de um peão descartável no joguinho sujo dele. Foi aí que tomei minha decisão. Me virei para a loirinha, a ex dele, e sem hesitar a convidei para ficar ao meu lado. Eu sabia exatamente o que estava fazendo. Tobias era movido pelo controle, pela posse. O fato de ela estar perto de mim o destruiria mais do que qualquer palavra. Ele poderia fingir que não se importava, mas eu sabia que por dentro estaria fervendo de ódio.

E era exatamente isso que eu queria. Um riso baixo escapou de mim sem que eu planejasse. Um riso carregado de puro deboche. E quando percebi, ela já estava ao meu lado, hesitante, incerta sobre o que estava acontecendo. Sua mão vacilou ao tentar afastar-se do meu braço, um reflexo involuntário de quem ainda não sabia se devia confiar em mim ou não. Mas eu fiz questão de segurar firme. E mais do que isso. Num movimento calculado, puxei sua cintura, colando-a ainda mais contra mim. Senti seu corpo enrijecer com a proximidade, a respiração falhar por um breve instante. Mas não recuei. Pelo contrário. Mantive-a ali, próxima o suficiente para que Tobias visse cada detalhe. Porque agora, quem estava no controle era eu.

— Irmão. — Rainer se aproximou, sua expressão descontraída contrastando com a atmosfera ao nosso redor. Lancei um olhar para ele, já antecipando algum comentário inoportuno. — Nossa, e quem é essa mocinha?

Seu olhar pousou sobre Aylin, que hesitou por um instante antes de responder:

— Aylin.

Eu a observei de soslaio e então fiz as apresentações.

— Esse é o meu irmão.

Rainer ergueu a mão num cumprimento casual, que ela retribuiu de maneira educada, deixando que ele apertasse seus dedos com firmeza.

— Me chamo Rainer. — disse ele, com um sorriso leve nos lábios. Mas a provocação veio logo em seguida: — Você se encontrou rápido, hein, Roderick!

Soltei um suspiro, já acostumado com suas brincadeiras.

— Sabe que eu não gosto de ficar muito nesses eventos. — respondi, levando o copo de whisky à boca. O líquido desceu queimando pela garganta, um gosto familiar que eu já nem sentia mais. — Mas ficarei um pouco. — acrescentei, desviando o olhar para Aylin.

Ela, que até então mantinha uma postura discreta, levantou o olhar na minha direção, hesitante.

— Se for por mim, você pode ir. Eu também já quero ir. — disse em um tom baixo, quase como se estivesse testando minha reação.

Inclinei levemente a cabeça, analisando-a.

— Não, eu vou ficar mais um pouco.

Ela apenas sorriu de canto, sem contestar, voltando ao silêncio ao meu lado.

Antes que pudéssemos prolongar a conversa, Baldric surgiu entre nós, já entrando no assunto sem rodeios.

— Roderick, vejo que já conheceu Aylin, a ex do Tobias.

A menção direta a Tobias fez a tensão dela se tornar palpável. Seus ombros encolheram ligeiramente, e ela abaixou a cabeça, como se quisesse passar despercebida. Mas Baldric, alheio à sua reação, continuou:

— Ele traiu ela com a melhor amiga dela.

Minha mandíbula travou. Desviei o olhar para Aylin e percebi o desconforto evidente em sua expressão. Ela não precisava ouvir isso agora.

— Para com esse assunto. — cortei, lançando um olhar afiado para Baldric. Ele riu sem graça, percebendo que tinha ido longe demais.

Rainer, sempre mais leve, tentou mudar o foco.

— Aí, loirinha, quer alguma coisa? — perguntou de forma descontraída.

Ela negou com um aceno sutil de cabeça, mas antes que pudesse falar, acrescentei:

— Se quiser, ele pode ir buscar.

Dessa vez, um sorriso genuíno brincou nos lábios dela.

— Obrigada, estou bem.

Tomei mais um gole da bebida, enquanto meu irmão permanecia por perto, sempre atento ao que acontecia ao redor. Outras garotas começaram a se aproximar, orbitando nossa presença como mariposas em torno de uma chama. Algumas tentavam se insinuar, buscando um espaço entre nós, mas eu não cedi. Permaneci imóvel, meu olhar frio afastando qualquer tentativa de aproximação. A verdade era que eu já estava incomodado com várias coisas naquela noite. Mas, ainda assim, eu estava ali. E, por algum motivo, Aylin também estava.

O tempo parecia se arrastar, cada segundo se alongando como se fizesse questão de testar minha paciência. Eu nunca fui fã desse tipo de evento, e agora, com a excitação inicial já dissipada, a sensação de tédio começou a pesar.

Rainer, que me conhece bem o suficiente para perceber quando estou prestes a sair sem avisar, começou a se despedir do pessoal ao nosso redor.

— Vamos. — anunciei sem rodeios, me virando para Aylin.

Ela ergueu o olhar para mim, sua expressão carregando um resquício de hesitação antes de murmurar:

— Desculpa ter feito você ficar aqui.

Soltei um riso leve, balançando a cabeça.

— Não tem que se desculpar. Na verdade, eu até aproveitei bastante o momento.

E realmente aproveitei. Só de lembrar a expressão do Tobias ao nos ver tão próximos, um sorriso satisfeito se formou nos meus lábios. Mas eu nunca fui do tipo que deixa as coisas pela metade—se eu posso provocar, eu provoco até o fim.

Aproximei meu rosto do dela, sentindo sua respiração falhar por um instante. Então, sem aviso, depositei um beijo no canto da sua boca.

Ela congelou. Seus olhos se arregalaram levemente, e uma tonalidade vermelha tomou conta de suas bochechas.

— Meu Deus. — ouvi alguém murmurar ao nosso redor, e o burburinho cresceu como um rastilho de pólvora.

Meu sorriso se alargou.

— Adorei a sua companhia. — brinquei, mantendo o olhar fixo no dela.

Ela ainda segurava meu braço, seus dedos hesitantes, como se não soubesse se deveria soltá-lo ou não. Mas antes que tivesse tempo para reagir, comecei a me afastar, guiando-a comigo para fora do salão. Rainer, como sempre, me acompanhou sem precisar de um convite.

Assim que saímos, o ar da noite pareceu aliviar um pouco o peso da tensão do ambiente. Aylin suspirou, relaxando os ombros.

— Vou pegar um táxi. Estou cansada.

Claro que ela ia querer ir sozinha, mas eu sabia exatamente o que aconteceria se a deixasse fazer isso. Tobias não perderia tempo em tentar ir atrás dela.

— Posso te deixar em casa sem problemas. — disse simplesmente.

Ela piscou, surpresa com minha oferta.

— Obrigada de verdade, mas é melhor eu ir de táxi. — insistiu.

Cruzei os braços, inclinando a cabeça para o lado.

— Fica tranquila. Eu posso levar você sem nenhum tipo de problema.

Ela suspirou, parecendo ponderar minhas palavras. Eu não tiraria os olhos dela tão cedo.

— Tudo bem. — Ela lançou um breve olhar na minha direção, hesitante. — Só não queria incomodar.

Soltei um riso discreto, sem desviar os olhos dela.

— De modo algum você incomoda.

Ela suspirou, parecendo aceitar minha resposta, mesmo que ainda carregasse um traço de hesitação em sua postura. Sem dizer mais nada, seguimos em direção ao carro.

Abri a porta para ela e observei enquanto entrava, ajeitando-se no banco com certa cautela. Foi nesse instante que meu olhar cruzou com o de Tobias. Ele saiu apressado pela porta do salão, o olhar vasculhando a rua, claramente procurando por algo… ou por alguém.

Aproveitei o momento. Movi meu corpo levemente para o lado, permitindo que ele tivesse uma visão clara de Aylin sentada dentro do meu carro. Assim que ele percebeu, a fúria tomou conta de seu rosto.

Entrei no carro com calma, sem pressa alguma, e bati a porta com um estrondo abafado. Rainer já estava no banco da frente, relaxado como se estivesse assistindo a um bom espetáculo. Antes que o motorista perguntasse, dei um comando simples:

— Mudança de rota, temos outro destino.

Ele apenas assentiu e deu partida no carro.

Enquanto nos afastávamos, voltei meu olhar para Tobias e ergui uma das mãos, balançando-a lentamente em um tchau debochado. Sua expressão se contorceu ainda mais, e segurei a risada que estava prestes a escapar.

A sensação de prazer tomou conta do meu peito.

Eu nunca me diverti tanto como hoje. Destruir o psicológico dos meus inimigos é um dos meus passatempos favoritos.

Durante o trajeto, Aylin finalmente forneceu o endereço, sua voz soando baixa, quase como se quisesse passar despercebida. Fiquei atento ao caminho e, quando nos aproximamos, percebi que ela morava em um bairro humilde. Observei os arredores com atenção, analisando cada detalhe do local.

Ela se remexeu desconfortavelmente ao perceber meu olhar e logo pediu para que parássemos ali mesmo. O constrangimento tingiu seu rosto de um vermelho intenso.

Fiz o que ela pediu. Assim que o carro parou, ela abriu a porta rapidamente e desceu.

— Obrigada. — disse, sem ousar me encarar por muito tempo.

Antes que eu pudesse responder, ela já caminhava apressada até a porta de sua casa, quase como se quisesse desaparecer.

Esperei até vê-la entrar e, só então, ordenei que seguíssemos para a mansão dos meus pais.

Ainda havia algo me incomodando, uma tensão que eu precisava dissipar. E eu já sabia exatamente como faria isso. Hoje à noite, alguém vai pagar o preço.

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