Christian Müller -Ivy entrou no quarto mais uma vez.O lugar parecia mais frio agora.O corpo da avó de Ivy ainda estava ali, mas já não havia vida. Apenas o silêncio pesado e o som baixo da respiração de Ivy, que ainda segurava a mão da senhora como se pudesse trazê-la de volta.A médica se aproximou, falando com sua voz controlada, mas carregada de respeito.— Vocês vão acionar a assistência funerária?Me mantive em silêncio, observando Ivy. Eu sabia que aquela pergunta exigia uma resposta imediata, mas ela parecia precisar de um momento para assimilar tudo.Então, ela ergueu o rosto exibindo os olhos ainda brilhando com as lágrimas contidas, e s respondeu segura de si.— Vou cremar.Franzi o cenho, segurando seu olhar. Ela percebeu minha reação e me encarou de volta, como se soubesse exatamente o que eu estava pensando.— Ela não tinha mais ninguém aqui que se importava com ela, além de mim. Acredito que seria melhor que as cinzas dela sejam jogadas na cidade natal, para que ela p
Ivy Hunter –O caminho até a cidade foi tranquilo e o cansaço me venceu sem que eu percebesse. O calor confortável dentro do carro e a presença silenciosa de Christian ao meu lado foram suficientes para me fazer apagar.Em minha mente, cenas dos meus momentos com a minha avó me invadiam de uma forma tão confortável que por esse tempo, pareciam tão reais e que tudo não passou de um pesadelo.Quando senti um toque leve no meu ombro e ouvi sua voz firme, mas soando baixa, meus olhos se abriram vagarosamente me fazendo voltar a realidade.— Chegamos. – Disse ele me fazendo sentir novamente aquela dor e vazio dentro de mim.Pisquei algumas vezes, me ajustando à claridade.Olhei pela janela e meu peito se apertou.A casa... O lugar onde passei tantas tardes correndo pelo quintal, onde minha avó me ensinou tantas lições sobre a vida.Engoli seco, sentindo uma mistura de nostalgia e dor. Aquela sensação era destruidora.Saí do carro e fui até o banco de trás, pegando a urna cuidadosamente. O
Assim que o cofre se abriu, meu coração disparou. Não sabia o que esperar, mas quando meus olhos pousaram no que estava lá dentro, fiquei sem palavras.Um urso de pelúcia.Meus dedos tremeram ao pegá-lo. Era o meu urso. Aquele que eu amava quando era criança e que, de repente, desapareceu no dia em que fui visitar meu avô no hospital.Eu tinha cinco anos naquela época. Agora, com vinte e cinco, segurá-lo novamente fez com que uma onda de melancolia me atingisse em cheio.Como algo tão pequeno podia carregar tantas lembranças?Abracei o ursinho por instinto e sem pensar, o aproximei do rosto, inalando seu cheiro. Era diferente agora, com o tempo e o mofo impregnados no tecido desgastado, mas ainda assim, de alguma forma, era familiar.Foi então que senti algo duro dentro dele.Meus olhos se arregalaram e meus dedos buscaram por aquela diferença no enchimento. Virei o ursinho e deslizei a mão por sua costura, até encontrar uma pequena abertura. Minhas mãos ainda trêmulas puxaram um obje
O toque suave do colchão contra o meu corpo me trouxe de volta à realidade. Pisquei algumas vezes, meus olhos se ajustando à penumbra do quarto, até que minha visão capturou a silhueta de Christian bem perto de mim.Ele estava se afastando, mas ainda tão próximo que eu podia sentir o calor que emanava dele.Sem pensar, estendi a mão e segurei a dele o fazendo parar e se virar para me olhar.— Onde você vai? — minha voz saiu baixa, quase um sussurro.Christian me olhou por um instante antes de responder, mostrando sua voz rouca pelo cansaço.— Preciso de um banho. Foi um dia longo e eu preciso relaxar.Ele se inclinou e minha respiração vacilou quando seus lábios tocaram minha testa com um beijo calmo e firme.— Descansa também — ele murmurou contra minha pele antes de se afastar.Assenti devagar, observando-o se erguer e caminhar para fora do quarto. Meu olhar o acompanhou até a porta se fechar, e então suspirei, sentindo o cansaço pesar sobre mim novamente. Mas o sono não veio de ime
Christian Müller –Beijar Ivy estava virando um vício. Um vício no qual eu não queria mais saber qual era a cura. Minha intenção era me perder por completo nela.O gosto dela me prendeu quando nossos lábios se tocaram. Ivy não me afastou, não recuou. Pelo contrário, ela se moldou a mim, cedendo sem nem perceber o quanto isso me inflamava.Eu estava enlouquecendo.Minhas mãos deslizaram pela cintura dela com firmeza, passando por cada parte de forma possessiva.Eu sentia o corpo dela quente sob meus tatos, enquanto as nossas respirações erronias se misturavam e meu subconsciente gritava dentro de mim para que eu a tivesse, mais uma vez.Porra, eu estava perdendo a cabeça, mas eu me segurei.E nem sabia por que diabos eu estava fazendo isso. É da minha natureza agir por instintos, querer do meu jeito e no meu tempo, mas ela era...Era a Ivy.Me afastei apenas o suficiente para prender seu queixo entre os dedos, a forçando me olhar. Os olhos dela estavam em um misto de desejo e medo. E iss
Christian Müller -Afundei meu rosto na curva do pescoço dela, sentindo minha respiração pesada tocar contra sua pele. Eu a queria de todas as formas, queria vê-la se desfazer em meus braços, sentir seu corpo reagir ao meu.Enquanto eu me movia a fazendo me sentir por inteiro dentro dela, Ivy se moldava a mim de um jeito que parecia natural, como se seu corpo fosse feito para o meu. Cada toque, cada movimento, era como se estivéssemos criando algo ninguém poderia desfazer.Era um momento só nosso. Somente nós dois podíamos explicar, às vezes nem isso.O olhar dela me inebriava. Era perfeito vê-la naquele estado.Os olhos dela mal se mantinham abertos, os lábios dela eram sedutores, deixando o ar passar entre eles enquanto ela exibia um semblante completamente provocativo, gemendo o meu nome.—Argh Ivy... – Chamei enquanto a sentia me apertar, deixando minha voz soar quase rouca. —Você é muito gostosa...Eu estava completamente fora de mim.Ela sorriu. Maldito sorriso que me pez perder
Ivy Hunter-Mais um dia começou e lá estava eu, cheia de pensamentos intrusivos.Assim que Christian saiu para trabalhar, senti um peso no peito. A casa estava silenciosa e por mais que eu quisesse aproveitar aquele tempo sozinha para descansar, minha cabeça estava a mil com tudo o que estava acontecendo.Sem pensar muito, peguei o celular e disquei o número de Amanda. Assim que ela atendeu no terceiro toque, respirei aliviada.— Até que enfim lembrou que tem uma amiga! — Ela brincou e logo voltou a ficar séria. —Ah, eu soube o que houve. Sinto muito Ivy.Assim que ela falou, soltei um respiro profundo e sorri.— Não precisa disso, já estou me recuperando. – Respondi dando uma pausa, continuando em seguida. — Preciso da sua companhia. Vamos ao banco comigo?— Você sabe que eu nunca nego um rolê. Te encontro lá em vinte minutos. – Disse Amanda de prontidão, desligando em seguida.Joguei o telefone em cima da cama e fui até o closet pegar um vestido confortável e um par de sandálias baix
Ivy Hunter-Assim que eu a vi, prendi meus punhos de raiva e me levantei no mesmo instante, encarando Linda com a mandíbula travada. O que diabos ela estava fazendo ali?— O que você quer? — Perguntei, deixando minha voz sair mais firme e carregada de irritação.Linda apenas sorriu, cruzando os braços de forma teatral, como se estivesse prestes a se divertir às minhas custas.Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, senti Dominic se levantar ao meu lado. Sua mão firme segurou meu braço, e quando olhei para ele, vi seus olhos escuros fixos em Linda com uma expressão séria.— Chega, Linda. Pare de provocar a Ivy. – Disse ele com um timbre de voz firme e um olhar escurecido.Ela riu, inclinando a cabeça de lado.— Conseguir o que eu queria? Por favor, Dondom, eu só vim dizer um oi para minha irmãzinha… será que não posso?O veneno em sua voz era perceptível, e eu senti minha paciência começar a se esgotar.— Você nunca faz nada sem uma segunda intenção, Linda. — Rebati a encarando com