O despertador tocou suavemente, mas eu já estava acordada. Nos últimos dias, meu corpo parecia ter se ajustado a um novo ritmo, e eu costumava despertar antes mesmo do alarme.Me espreguicei devagar, sentindo meus músculos relaxarem com o movimento. Passei as mãos sobre minha barriga e sorri ao notar o quanto ela já estava evidente. Meu coração aqueceu no mesmo instante.Era estranho pensar que tudo começou de uma maneira inesperada e que agora, eu carregava dentro de mim uma parte de Christian.E mesmo que eu tentasse ignorar, a cada dia essa conexão se tornava mais intensa.Depois de alguns segundos imersa nesse pensamento, respirei fundo e me levantei. Precisava me arrumar para o trabalho.Fui até o closet e escolhi um vestido midi creme, que se ajustava ao meu corpo sem apertar. Coloquei um blazer branco por cima e finalizei com um salto mais baixo; era mais confortável para um dia inteiro de trabalho.Eu havia passado o olho rapidamente pela agenda de Christian na noite anterior
O caminho até a sala de Christian foi uma batalha interna para manter minha expressão neutra. Eu tentava ignorar a sensação incômoda das palavras de Sophie ainda ecoando na minha cabeça. Respirei fundo, ajustei a postura e entrei na sala com naturalidade.Pelo vidro, vi Christian concentrado no notebook. Seus olhos estavam fixos na tela e uma expressão séria no rosto.Fui até a cozinha do escritório para pegar uma xícara de café para ele, tentando ignorar completamente o olhar de Sophie e agora o de Bianca sobre mim.Assim que entrei na sala dele, estendi a xícara para Christian o ouvindo soltar um respiro forte. Ele ergueu os olhos para mim e um pequeno sorriso surgiu no canto de seus lábios enquanto aceitava a bebida.— Obrigada pequena, você é sempre muito atenciosa. — Disse ele, com aquela voz rouca que sempre me desarmava.Pequena. Aquele apelido fazia meu coração palpitar.Assenti com um pequeno sorriso e observei enquanto ele tomava um gole e voltava a encarar a tela do comput
O olhar de Andressa passou lentamente entre mim e Christian, carregado de satisfação.Era como se tivesse acabado de flagrar algo comprometedor e estivesse adorando cada segundo daquilo.Christian se levantou lentamente, exibindo seu rosto assumindo a expressão fria e calculista que eu já conhecia tão bem.Ele enfiou as mãos nos bolsos do terno e arqueou uma sobrancelha.— O que você está fazendo aqui tão cedo, Andressa?Ela não se deu ao trabalho de responder de imediato.Em vez disso, caminhou até o sofá e se sentou com elegância, cruzando as pernas e nos encarando como se estivesse prestes a se divertir.— Eu vim tomar café com meu sócio, claro. — Respondeu, lançando um olhar afiado para mim antes de voltar sua atenção a Christian. — Precisamos acertar alguns detalhes... Afinal, onde vai ficar minha mesa?Meu coração falhou uma batida.Mesa?Meu olhar se voltou automaticamente para Christian, buscando alguma explicação, mas ele manteve sua postura firme, analisando Andressa com pac
O ar dentro da sala de reuniões estava carregado. Eu sentia os olhares sobre mim, analisando cada passo que eu dava enquanto levava a jarra de água até a mesa. Mas nada me incomodava mais do que o sorriso venenoso de Andressa.Ela se inclinou ligeiramente na cadeira, cruzando as pernas com ares de superioridade, e então abriu a boca:— Querida, poderia me trazer um café sem açúcar, por gentileza? – Disse ela com aquela voz que me causava ânsia.Minha respiração travou.Por um instante, pensei ter ouvido errado. E ao encará-la, percebi que seu pedido era intencional. Ela queria me reduzir a uma simples serviçal, bem ali, diante de todos.Engoli a raiva que queimava dentro de mim, sentindo meu sangue ferver.Meu trabalho ali não era servir café. Eu não era copeira, era assistente de Christian. E ela sabia disso.Minha mandíbula travou, mas antes que eu respondesse, a voz firme e gelada de Christian cortou o ambiente:— Se quer café, vá e pegue. Ivy não é sua empregada. – Disse ele a olh
Assim que Andressa ouviu aquilo, ela bufou o encarando.— Isso não vai ficar assim — Andressa sibilou, pegando sua bolsa e lançando um último olhar mortal para Christian.Ele apenas sorriu de lado, frio e impenetrável.— É claro que não. Você vai espernear bastante antes de aceitar.Andressa virou nos saltos e saiu da sala com passos duros.O clima ainda estava pesado quando Richard se levantou, ajeitando o paletó.— Você poderia ter sido mais diplomático. – Disse ele encarando Christian com os olhos escurecidos e então, Christian levantou o olhar para ele.—Diplomático? Eu aceitei seus termos em troca da nossa cooperação, mas até onde combinamos, sua filha teria uma sala para responder pelo senhor nos nossos negócios. Ela não pode chegar na minha empresa e apontar o dedo para a minha esposa a pedindo café.Assim que Christian falou, Richard me olhou e cerrou os dentes.—Por ser sua esposa, não deveria estar em casa gerando filhos e brincando de casinha enquanto os homens de verdade t
Depois de um dia cansativo de trabalho, voltamos juntos para casa.Christian havia se trancado no escritório por um tempo e enquanto isso, decidi tomar um banho rápido e desci para colocar um assado no forno, já que tia Meire havia deixado todo o restante da comida pronta.Eu estava no telefone com Amanda; ela me contava sobre as coisas que a mãe dela comentou sobre estar na casa pela primeira vez.—Acredita que ela disse que foi guardar suas roupas e se perdeu dentro do quarto? – Disse ela me fazendo rir.Peguei uma maçã e a fiquei alisando na minha mão enquanto eu a ouvia.—Amanda, você é uma filha de sorte. Ela deixou todo o jantar pronto.—Ah, deixa eu te contar. Eu disse que você está grávida e ela começou a cozinhar bastante proteínas para você. E como eu disse, quem não gostou da notícia foi o doutor Dominic.Soltei um riso.—Dominic ainda é aquela criança para mim! – Falei com humor mordendo a maçã e ao me virar, Christian estava parado bem atrás de mim.Dei um pulo de susto.
O cheiro de hospital sempre me causava um aperto no peito.O ar era gelado, as paredes brancas demais, e o silêncio opressor só era interrompido pelo som distante de passos e bipes de máquinas monitorando os pacientes.Meu coração martelava no peito enquanto eu caminhava ao lado de Christian, a cada centímetro que eu me aproximada, sentia o nervosismo me dominar.Assim que passei pela porta do quarto, senti um nó na garganta ao ver minha avó ali, tão frágil, perdida entre lençóis brancos e fios conectados ao seu corpo.Sua respiração era lenta e sua pele parecia ainda mais pálida sob a luz fria do hospital. Mas o que me fez prender o fôlego foi ver que ela estava acordada.— Como isso é possível? — Perguntei tampando minha boca, deixando meu timbre soar trêmulo. Eu encarei as médicas ao lado da cama, não conseguindo conter a minha emoção.— Não sabemos explicar ao certo. O corpo humano, às vezes nos surpreende. Infelizmente não posso garantir por quanto tempo ela permanecerá assim. –
Christian Müller -Ivy entrou no quarto mais uma vez.O lugar parecia mais frio agora.O corpo da avó de Ivy ainda estava ali, mas já não havia vida. Apenas o silêncio pesado e o som baixo da respiração de Ivy, que ainda segurava a mão da senhora como se pudesse trazê-la de volta.A médica se aproximou, falando com sua voz controlada, mas carregada de respeito.— Vocês vão acionar a assistência funerária?Me mantive em silêncio, observando Ivy. Eu sabia que aquela pergunta exigia uma resposta imediata, mas ela parecia precisar de um momento para assimilar tudo.Então, ela ergueu o rosto exibindo os olhos ainda brilhando com as lágrimas contidas, e s respondeu segura de si.— Vou cremar.Franzi o cenho, segurando seu olhar. Ela percebeu minha reação e me encarou de volta, como se soubesse exatamente o que eu estava pensando.— Ela não tinha mais ninguém aqui que se importava com ela, além de mim. Acredito que seria melhor que as cinzas dela sejam jogadas na cidade natal, para que ela p