O olhar de Andressa passou lentamente entre mim e Christian, carregado de satisfação.Era como se tivesse acabado de flagrar algo comprometedor e estivesse adorando cada segundo daquilo.Christian se levantou lentamente, exibindo seu rosto assumindo a expressão fria e calculista que eu já conhecia tão bem.Ele enfiou as mãos nos bolsos do terno e arqueou uma sobrancelha.— O que você está fazendo aqui tão cedo, Andressa?Ela não se deu ao trabalho de responder de imediato.Em vez disso, caminhou até o sofá e se sentou com elegância, cruzando as pernas e nos encarando como se estivesse prestes a se divertir.— Eu vim tomar café com meu sócio, claro. — Respondeu, lançando um olhar afiado para mim antes de voltar sua atenção a Christian. — Precisamos acertar alguns detalhes... Afinal, onde vai ficar minha mesa?Meu coração falhou uma batida.Mesa?Meu olhar se voltou automaticamente para Christian, buscando alguma explicação, mas ele manteve sua postura firme, analisando Andressa com pac
O ar dentro da sala de reuniões estava carregado. Eu sentia os olhares sobre mim, analisando cada passo que eu dava enquanto levava a jarra de água até a mesa. Mas nada me incomodava mais do que o sorriso venenoso de Andressa.Ela se inclinou ligeiramente na cadeira, cruzando as pernas com ares de superioridade, e então abriu a boca:— Querida, poderia me trazer um café sem açúcar, por gentileza? – Disse ela com aquela voz que me causava ânsia.Minha respiração travou.Por um instante, pensei ter ouvido errado. E ao encará-la, percebi que seu pedido era intencional. Ela queria me reduzir a uma simples serviçal, bem ali, diante de todos.Engoli a raiva que queimava dentro de mim, sentindo meu sangue ferver.Meu trabalho ali não era servir café. Eu não era copeira, era assistente de Christian. E ela sabia disso.Minha mandíbula travou, mas antes que eu respondesse, a voz firme e gelada de Christian cortou o ambiente:— Se quer café, vá e pegue. Ivy não é sua empregada. – Disse ele a olh
Assim que Andressa ouviu aquilo, ela bufou o encarando.— Isso não vai ficar assim — Andressa sibilou, pegando sua bolsa e lançando um último olhar mortal para Christian.Ele apenas sorriu de lado, frio e impenetrável.— É claro que não. Você vai espernear bastante antes de aceitar.Andressa virou nos saltos e saiu da sala com passos duros.O clima ainda estava pesado quando Richard se levantou, ajeitando o paletó.— Você poderia ter sido mais diplomático. – Disse ele encarando Christian com os olhos escurecidos e então, Christian levantou o olhar para ele.—Diplomático? Eu aceitei seus termos em troca da nossa cooperação, mas até onde combinamos, sua filha teria uma sala para responder pelo senhor nos nossos negócios. Ela não pode chegar na minha empresa e apontar o dedo para a minha esposa a pedindo café.Assim que Christian falou, Richard me olhou e cerrou os dentes.—Por ser sua esposa, não deveria estar em casa gerando filhos e brincando de casinha enquanto os homens de verdade t
Depois de um dia cansativo de trabalho, voltamos juntos para casa.Christian havia se trancado no escritório por um tempo e enquanto isso, decidi tomar um banho rápido e desci para colocar um assado no forno, já que tia Meire havia deixado todo o restante da comida pronta.Eu estava no telefone com Amanda; ela me contava sobre as coisas que a mãe dela comentou sobre estar na casa pela primeira vez.—Acredita que ela disse que foi guardar suas roupas e se perdeu dentro do quarto? – Disse ela me fazendo rir.Peguei uma maçã e a fiquei alisando na minha mão enquanto eu a ouvia.—Amanda, você é uma filha de sorte. Ela deixou todo o jantar pronto.—Ah, deixa eu te contar. Eu disse que você está grávida e ela começou a cozinhar bastante proteínas para você. E como eu disse, quem não gostou da notícia foi o doutor Dominic.Soltei um riso.—Dominic ainda é aquela criança para mim! – Falei com humor mordendo a maçã e ao me virar, Christian estava parado bem atrás de mim.Dei um pulo de susto.
O cheiro de hospital sempre me causava um aperto no peito.O ar era gelado, as paredes brancas demais, e o silêncio opressor só era interrompido pelo som distante de passos e bipes de máquinas monitorando os pacientes.Meu coração martelava no peito enquanto eu caminhava ao lado de Christian, a cada centímetro que eu me aproximada, sentia o nervosismo me dominar.Assim que passei pela porta do quarto, senti um nó na garganta ao ver minha avó ali, tão frágil, perdida entre lençóis brancos e fios conectados ao seu corpo.Sua respiração era lenta e sua pele parecia ainda mais pálida sob a luz fria do hospital. Mas o que me fez prender o fôlego foi ver que ela estava acordada.— Como isso é possível? — Perguntei tampando minha boca, deixando meu timbre soar trêmulo. Eu encarei as médicas ao lado da cama, não conseguindo conter a minha emoção.— Não sabemos explicar ao certo. O corpo humano, às vezes nos surpreende. Infelizmente não posso garantir por quanto tempo ela permanecerá assim. –
Christian Müller -Ivy entrou no quarto mais uma vez.O lugar parecia mais frio agora.O corpo da avó de Ivy ainda estava ali, mas já não havia vida. Apenas o silêncio pesado e o som baixo da respiração de Ivy, que ainda segurava a mão da senhora como se pudesse trazê-la de volta.A médica se aproximou, falando com sua voz controlada, mas carregada de respeito.— Vocês vão acionar a assistência funerária?Me mantive em silêncio, observando Ivy. Eu sabia que aquela pergunta exigia uma resposta imediata, mas ela parecia precisar de um momento para assimilar tudo.Então, ela ergueu o rosto exibindo os olhos ainda brilhando com as lágrimas contidas, e s respondeu segura de si.— Vou cremar.Franzi o cenho, segurando seu olhar. Ela percebeu minha reação e me encarou de volta, como se soubesse exatamente o que eu estava pensando.— Ela não tinha mais ninguém aqui que se importava com ela, além de mim. Acredito que seria melhor que as cinzas dela sejam jogadas na cidade natal, para que ela p
Ivy Hunter –O caminho até a cidade foi tranquilo e o cansaço me venceu sem que eu percebesse. O calor confortável dentro do carro e a presença silenciosa de Christian ao meu lado foram suficientes para me fazer apagar.Em minha mente, cenas dos meus momentos com a minha avó me invadiam de uma forma tão confortável que por esse tempo, pareciam tão reais e que tudo não passou de um pesadelo.Quando senti um toque leve no meu ombro e ouvi sua voz firme, mas soando baixa, meus olhos se abriram vagarosamente me fazendo voltar a realidade.— Chegamos. – Disse ele me fazendo sentir novamente aquela dor e vazio dentro de mim.Pisquei algumas vezes, me ajustando à claridade.Olhei pela janela e meu peito se apertou.A casa... O lugar onde passei tantas tardes correndo pelo quintal, onde minha avó me ensinou tantas lições sobre a vida.Engoli seco, sentindo uma mistura de nostalgia e dor. Aquela sensação era destruidora.Saí do carro e fui até o banco de trás, pegando a urna cuidadosamente. O
Assim que o cofre se abriu, meu coração disparou. Não sabia o que esperar, mas quando meus olhos pousaram no que estava lá dentro, fiquei sem palavras.Um urso de pelúcia.Meus dedos tremeram ao pegá-lo. Era o meu urso. Aquele que eu amava quando era criança e que, de repente, desapareceu no dia em que fui visitar meu avô no hospital.Eu tinha cinco anos naquela época. Agora, com vinte e cinco, segurá-lo novamente fez com que uma onda de melancolia me atingisse em cheio.Como algo tão pequeno podia carregar tantas lembranças?Abracei o ursinho por instinto e sem pensar, o aproximei do rosto, inalando seu cheiro. Era diferente agora, com o tempo e o mofo impregnados no tecido desgastado, mas ainda assim, de alguma forma, era familiar.Foi então que senti algo duro dentro dele.Meus olhos se arregalaram e meus dedos buscaram por aquela diferença no enchimento. Virei o ursinho e deslizei a mão por sua costura, até encontrar uma pequena abertura. Minhas mãos ainda trêmulas puxaram um obje