DENNISSoltei um suspiro enquanto me deixava cair no banco do carro. Então, encostei a cabeça no volante.Não consegui parar de me perguntar o que teria acontecido se Clara não tivesse aparecido. Engoli em seco, ousando ir além da simples dúvida.Provavelmente, eu teria perdido minha esposa e, eventualmente, minha filha.Quão pior eu poderia ser com ela? Em primeiro lugar, eu nem deveria ter saído naquela noite. Tínhamos prometido estar juntos, na saúde e na doença. Não seria aquela a parte difícil, com todas aquelas brigas e mal-entendidos? Eu deveria ter sido paciente com ela.Mesmo que Aiden tivesse ultrapassado os limites ao pagar sem avisar a gente, eu não deveria ter ficado com raiva. Eu deveria entender que ela não sabia daquilo, e mesmo que soubesse, não teria poder para impedi-lo.Suspirei. Havia tantas coisas que eu poderia ter feito melhor para evitar que ela ficasse brava comigo. Tantas coisas, mas eu deixei a minha dor e raiva me controlarem.Naquele momento que ela estava
ANASTASIAO caminho de volta da UTI neonatal foi tão silencioso quanto o que fizemos para chegar lá.A única conversa que tivemos a caminho da UTI foi Aiden se desculpando por não ter atendido minha ligação. Eu disse que estava tudo bem, e ele soltou um suspiro de alívio, balançando a cabeça.— Ainda bem que o Dennis chegou até você antes de mim.Meus lábios apenas se curvaram em um sorriso rígido. Depois, ele perguntou como eu estava, se eu conseguia caminhar até a UTI. Enquanto respondia que estava bem, por um breve momento me perguntei se ele se ofereceria para me carregar até o quarto caso eu dissesse que não conseguiria andar.Um sorriso nostálgico tocou meus lábios enquanto eu mesma respondia à minha pergunta. Provavelmente, ele teria feito aquilo.Naquele momento, meus olhos alternavam entre meus pés calçados com sandálias e os sapatos brilhantes e luxuosos de Aiden, a cada passo que me aproximava do meu quarto. Suas mãos estavam enfiadas nos bolsos, e seu olhar permanecia fixo
ANASTASIAAiden e eu viramos ao mesmo tempo. Através da minha visão turva, consegui ver Dennis e Amie.Pisquei e perguntei:— Amie?Meu olhar foi de Dennis para Amie.— Mamãe...Enquanto ela fazia um gesto para Dennis a deixar no chão, eu corri até eles.— Minha querida... — Me ajoelhei e a abracei. — Eu estava indo até aí. Você pode sair agora?— Não se preocupe, mamãe. Eu sou forte agora. Estou ficando mais forte a cada dia. Eu sinto sua falta, mamãe.— Eu também sinto sua falta, querida. Como estão as enfermeiras e seus amigos?— Eles estão bem...Enquanto falava, lancei um olhar irritado para Dennis.— Por que você trouxe ela fora? — Formei a pergunta com os lábios.Ele apertou os lábios e respondeu da mesma forma:— Relaxa.Relaxar! Eu deveria relaxar! Então, falei audivelmente:— Por que trouxe ela fora? Ela deveria estar descansando.— Eu recebi permissão para trazer ela por uma hora. Então, não tem motivo para se preocupar. As enfermeiras até confirmaram que ela está bem forte
ANASTASIAEu observei enquanto Aiden se agachava para ficar na altura de Amie e estendia a mão para ela.Amie olhou para a mão dele com desconfiança.Aiden sorriu e disse:— Vamos lá, Amie, você quer ir?Amie olhou para Dennis, depois para o meu rosto e voltou a olhar para Aiden.Meu olhar se fixou no rosto de Dennis. Eu podia ver que ele não gostava da presença de Aiden. Estava prestes a falar algo quando Aiden pegou a mão de Amie.— Você se lembra de que somos amigos, né?Amie apenas o olhou sem dizer nada.— Lembra daquela vez que você esbarrou em mim? — A boca dele se curvou em um sorriso de canto.Amie franziu a testa.— Você é que esbarrou em mim. — Ela disse sem pensar. — Espero que não tenha feito isso com outra pessoa. — Ela o olhou fixo. — Naquela vez, eu fui bem tolerante com você, mas isso não significa que os outros também serão.Aiden riu baixinho e, enquanto eu os observava, meus lábios se curvaram em um sorriso. Ele sabia como lidar com crianças. Eu sempre soube daquilo
AIDEN— Você tem que sempre olha para frente!— Assim? — Perguntei, virando para a minha esquerda.— O quê? Não. — Ela colocou as mãos em ambos os lados do meu rosto e me fez olhar para frente. — Assim.Quando ela tirou as mãos, virei para a minha direita.Encontrei apenas silêncio. Quando voltei a olhar para ela, seus olhos estavam cheios de confusão. Ela me olhou como se eu fosse um idiota.— O quê? — Perguntei, mordendo os lábios para segurar o riso.— Você conseguiu se formar no ensino fundamental?E foi assim. Eu não consegui segurar e comecei a rir. E ela ficou me observando, sem dizer nada.Ela balançou a cabeça.— Tem também um garoto na minha sala que ri sempre que está sendo ensinado. Mas o meu professor continua ensinando do mesmo jeito.Então ela começou a me mostrar a diferença entre a minha direita, a esquerda e a frente.Enquanto eu a observava, fiquei pensando que o irmão dela deveria ser um garoto de sorte por ter ela como irmã mais velha.Quando ela terminou, respirou
ANASTASIAMeu peito subia e descia enquanto eu observava Dennis agarrar os cabelos, seus olhos fechados com força.Finalmente, ele se virou para me encarar. Soltou um suspiro alto.— Me desculpe. — Ele balançou a cabeça e repetiu. — Me desculpe mesmo, amor. Me desculpe por ter ido embora naquela noite.Meu coração apertou ao ver os olhos dele marejados. Eu podia perceber que ele se sentia mal, que tudo o que ele fez não foi intencional. Ou simplesmente porque estava irritado comigo ou com a situação em que estávamos.Eu queria ir até ele e envolver ele nos meus braços, mas permaneci sentada na cama, apenas o observando.— Me desculpe por não ter atendido suas ligações ou por não ter retornado quando vi as mensagens depois.Ele deu um passo mais perto e eu não o impedi como teria feito alguns minutos antes.Ele hesitou por um momento, como se estivesse tentando avaliar minha reação enquanto dizia: — Não há desculpa para eu ter sido um canalha com você, especialmente com tudo o que esta
DENNISQuando cheguei à porta, uma pergunta que eu queria fazer de repente me ocorreu. Me virei para trás e a encontrei com seu olhar ainda fixo em mim.— O que foi? — Ela sorriu.Foi tão bom ver seu sorriso, sem aquele olhar de desprezo que ela vinha me lançando nos últimos dias.— Tenho uma pergunta. — Disse eu, caminhando lentamente de volta até ela.— Então, o que você quer perguntar?— Da última vez, quando eu estava te falando sobre as propriedades que vendi, você disse que viu os documentos das vendas na minha gaveta?— Sim, eu disse isso.— Como assim? — Franzi a testa.— Ah, sim. Eu estava no seu bar. — Ela deu de ombros. — Esperei um bom tempo, mas você não voltou, então eu simplesmente fui embora.— Ah. — Lembrei do momento em que o gerente tentou me contar algo quando voltei naquele dia. Provavelmente era aquilo que ele estava tentando me dizer.— Eu não sabia. — Eu queria acrescentar que ela poderia ter me ligado, mas então me lembrei de que não estava atendendo as ligaçõe
DENNISUma girafa? Por que diabos uma criança de quatro anos pediria uma girafa? Como um animal de estimação? Um brinquedo? Era tão incomum.E cara!Uma girafa de verdade custaria uma fortuna!Naquele momento, duvidava que eu conseguia tirar qualquer quantia da minha conta para cobrir as necessidades básicas, quanto mais para manter uma girafa viva.— Papai?Eu me virei e a encontrei me olhando, cheia de expectativa.Sorri e respondi:— Claro, vou pegar uma para você. Uma girafa de verdade, não é?Os olhos dela brilharam e ela acenou com a cabeça, tão animada que mal conseguia falar.— Papai vai te dar uma girafa. — Disse eu, já arrependido de ter perguntado o que ela queria.Ela levantou as mãos para o ar.— Que bom! Hoje é o melhor dia de todos!Quando parei no estacionamento do hospital, ela parecia ter gasto toda a energia do dia e suas pálpebras lutavam para se manter abertas.Saí do carro, fui até o outro lado e desabotoei o cinto de segurança dela. Depois, a carreguei e juntos f