SHARONEsfreguei os olhos enquanto soltava um bocejo.Forcei a vista para a planilha na tela, mas quanto mais eu encarava, mais as palavras e os números se embaralhavam e mais pesadas minhas pálpebras ficavam.Estava com medo de ir para a cama, porque toda vez que fechava os olhos, tudo o que eu via era Aiden e Anastasia, cheios de carinho um com o outro.Cada momento em que eu ficava à toa era tomado por pensamentos dos dois juntos. Eu não queria ter esses pensamentos. Não queria imaginar que meu marido seria pai da filha de outra mulher.Desde que aquela bruxa voltou para nossas vidas, eu não tinha mais notícias de Aiden. Não sabia nem se ele voltou pra casa, porque a primeira coisa que fiz na manhã seguinte à minha noite de bebedeira foi reservar um voo, arrumar minhas coisas e deixar o país.Havia deixado meu negócio aqui e voado direto para Aiden sem pensar duas vezes. Quem ficou no comando da empresa até que fez um bom trabalho, mas eu não estava satisfeita.Eu não queria algo ap
DENNISO som mais lindo foi o primeiro que ouvi quando abri os olhos: a risada dela. Apesar da dor de cabeça, um sorriso involuntário surgiu nos meus lábios.Aquele som… já bastava para iluminar o meu dia.Olhei de relance para ela, curioso sobre o que a fazia rir daquele jeito. Estava sentada na beirada da cama, de costas para mim, falando ao celular. Fiquei imaginando com quem ela conversava. Amie? Não conseguia pensar em ninguém além da nossa filha que pudesse arrancar dela uma risada tão gostosa.Quando estendi a mão para puxá-la para perto de mim, seus ombros tremeram com mais uma risada. Então, ela balançou a cabeça e disse: — Aiden… — Arrastando a última sílaba.O sorriso bobo desapareceu do meu rosto, meu corpo esfriou e minha mão congelou no ar.Claro, engoli seco.Lentamente, baixei a mão e a coloquei de volta sobre o rosto.Senti as emoções de sempre, raiva, amargura, tristeza, ciúme, ressurgirem de onde eu tentei afogá-las no dia anterior.Como pude esquecer? Aiden estava
DENNISFui bem criterioso com as coisas que comprei. Escolhi exatamente as flores que ela gostava e apenas presentes que eu sabia que ela iria valorizar.Lancei um olhar para o banco do passageiro, onde estavam as flores e os presentes, enquanto dirigia para dentro do estacionamento do hospital e assenti para mim mesmo. Ela ia adorar. Encontrei uma vaga rapidamente e estacionei o carro.Antes de sair, peguei os itens e segui para dentro.— Sr. Dennis! — Uma das enfermeiras da recepção exclamou. — Que bom tê-lo de volta!Assenti, surpreso de verdade. — Obrigado. — Murmurei, esboçando um sorriso enquanto seguia para o quarto da Amie.Assim que empurrei a porta, os olhos dela se voltaram para mim e seu rosto se iluminou na mesma hora.— Papai!Acelerei o passo para que ela não precisasse correr até mim, mas ela já estava de pé e tinha dado alguns passos antes que eu a alcançasse.— Papai! — Repetiu, se agarrando às minhas pernas. Coloquei as coisas na cadeira mais próxima e a ergui nos
AIDENFinalmente, o dia do transplante havia chegado. Hoje, os embriões seriam testados e implantados na Ana.Antes deste momento, foram várias idas e vindas ao hospital. Tantos exames, tantas precauções. Foi exaustivo, e se não fosse pela minha filha, talvez eu tivesse desistido. Felizmente, os exames confirmaram que estávamos ambos aptos para seguir com o processo.Enquanto dirigia para o hospital, me preparava mentalmente para o que estava por vir. Preparei-me para a dor que sempre sentia ao cruzar o olhar com o de Amie, aquele olhar distante, como se eu fosse um estranho com quem ela tentava ser educada. Preparei-me para o turbilhão de emoções que Ana me causava: raiva misturada com um calor estranho sempre que a encarava.Quando cheguei ao hospital, Ana já estava lá.— Oi. — Disse ao entrar na sala em que fui conduzido.Ela olhou para mim e esboçou um pequeno e nervoso sorriso.Tentava esconder a tremedeira na voz sempre que o médico fazia alguma pergunta e ela precisava responder
ANASTASIAJá se passaram semanas desde o implante. Semanas! Meu Deus. Só de pensar nisso, eu já sentia um estresse maior do que deveria.O médico atencioso havia dito que levaria apenas alguns dias, no máximo uma semana, para sabermos se o procedimento tinha funcionado ou não.Depois da primeira semana, fui até ele, lutando para conter as lágrimas enquanto perguntava se havia algo de errado. — Não precisa se preocupar, senhora. — Disse ele com um sorriso compassivo. — Uma semana é o mínimo. Se levar mais de alguns meses, aí sim pode haver um problema.Eu realmente esperava que não levasse meses. Rezava para que não durasse nem um mês, mas aqui estava eu, a poucos dias de completar um mês, ainda esperando e torcendo.O médico havia enfatizado que eu não deveria me estressar e que precisava descansar bastante, mas como fazer isso quando eu precisava estar constantemente ao lado da minha filha?Fiquei com Amie dia e noite. Para fugir da angústia constante de ainda estarmos aguardando
ANASTASIA— Olá, senhora, você está bem?A voz parecia distante, vinda de algum lugar longe… Então outra surgiu, mais próxima dessa vez. — Meu Deus. Acho que não podemos mais esperar que ela acorde, liga pro 192... — Era uma mulher, e o tom carregava uma preocupação genuína. — Senhora, por favor, acorde. — Chega! Vou ligar pro 192.192pra quê? Pensei, enquanto abria os olhos. Quando o rosto do homem ficou nítido, ele arfou: — Ah, ela acordou!Pisquei para ele. Reconheci o rosto. Antes de chegar minha vez na fila, ele parecia entediado enquanto atendia os clientes do banco. Agora, estava radiante. — Graças a Deus.Banco. Meu Deus! Estava no banco. Meu depósito! Tentei me levantar, mas o homem já estava ao meu lado, me ajudando. — Obrigada. — Minha voz saiu rouca e eu tive que pigarrear.— Você está bem? Olhei ao redor e vi todos me rodeando. — Estou bem. Obrigada.— Ótimo! Agora será que você pode atender o resto de nós, que não desmaiou? — Alguém disse no fundo.
DENNIS— O retorno do investimento é enorme, Dennis. — Disse Cole, os olhos brilhando enquanto tomava um gole de seu vinho. Depois de beber, apontou a taça na minha direção. — Você só precisa tentar.— Eu vou pensar nisso. — Falei pela milésima vez. Eu realmente queria que ele parasse de falar sobre esse "negócio". Se eu soubesse que a tal ideia de investimento era sobre isso, não teria desmarcado meus compromissos para encontrá-lo. Estaria muito mais feliz passando esse tempo com Amie ou Ana, e não aqui, tomando esse vinho sem gosto e ouvindo sobre um investimento que podia me fazer perder mais do que podia bancar.— Não, Dennis. Não tem tempo para pensar. — Ele articulou cada palavra, batendo a mão direita na palma da esquerda. — Então deixa eu ver se entendi. Esse projeto do governo é uma requalificação que foca em revitalizar áreas que estão com baixo desempenho econômico, certo?Ele assentiu, dando outro gole rápido. — A iniciativa vai melhorar infraestruturas, como estradas
DENNISAgora que eu a ouvi dizer aquelas palavras, soube que não conseguiria esconder a tristeza que curvava meus lábios. Ainda assim, forçando um sorriso no rosto, assenti na direção de Cole e me levantei da cadeira. Caminhei lentamente até a mesa de sinuca abandonada, perto da porta que dava para fora do bar. Ali, longe de olhares conhecidos, deixei o sorriso falso desaparecer. — Dennis? — A voz dela soou menos animada. Eu não queria que sua felicidade diminuísse por minha causa. — Tá me ouvindo? Desculpa, é a rede. — Eu também achei. Tudo bem, agora tô te ouvindo. — Eu disse que estou grávida. — Ela arfou. Eu podia imaginá-la sorrindo e cobrindo a boca com as mãos, como ela sempre fazia quando estava feliz. — Você acredita nisso?Sorri com a imagem que criei dela em minha mente. — Que notícia maravilhosa. Estou muito feliz por você, amor. — Falei com sinceridade. Na verdade, estava aliviado com a notícia. A semana toda ela havia estado tensa, preocupada com a possibi