— Sr. Alonso, o senhor é meu fã? — Os longos cílios de Olívia tremularam ligeiramente, enquanto ela olhava para a tela com uma expressão curiosa. Que coisa mais inusitada. Mas o que mais lhe chamou atenção foi a expressão "por anos". Isso a deixou intrigada. Antes de sua identidade como "Alexa" ser revelada ao público, ela sempre fez questão de mantê-la em segredo. Mas, pelo que Alonso dizia, ele parecia saber de tudo muito antes. — Já ouvi muito sobre você. Sempre tive a sensação de que você é alguém familiar, quase como se estivesse ao meu lado. Existe algo em você que é tão vibrante, tão... Real. Nunca senti que éramos estranhos. — As palavras de Alonso eram diretas, e seu olhar permanecia calmo e límpido. — Haha... Jenny é realmente famosa! — Haroldo riu, com os olhos brilhando de orgulho. Ele segurou Olívia pela mão esquerda e Charles pela direita, unindo as mãos dos dois na frente de Alonso. — Chad, você tem que tratar a Jenny como uma rainha. Veja só como ela brilha, com
— E agora veja, no coração do seu avô, ainda há espaço para você? Cada palavra dele mostra o quanto ele desconfia de você, o quanto ele o teme. Enquanto eles, lá em Yexnard, desfrutam da alegria familiar, ninguém nunca pensou em como você sobreviveu a essas noites longas e dolorosas! Foi Charles quem roubou o que era seu. Tudo o que ele tem hoje... Deveria pertencer a você! Alonso pegou mais uma pílula, colocou-a na boca e mastigou calmamente. Com os olhos fechados, ele soltou uma risada baixa e murmurou: — Vovô, o senhor diz que Charles era apenas uma criança naquela época. Mas parece que se esqueceu de que, naquele ano, eu também não passava de uma criança. …Charles e Olívia queriam passar a noite com Haroldo, mas o velho foi irredutível. Não havia nada que pudesse fazê-lo mudar de ideia. — Vocês dois estão malucos? Um casal apaixonado, com toda uma vida pela frente, querem ficar grudados o tempo todo com um velho rabugento como eu? Vão embora! — Haroldo praticamente os empu
Ao chegar em casa, Charles recebeu uma ligação de Dante e foi diretamente ao escritório para resolver assuntos pendentes. — Sr. Charles, a questão da fundação está praticamente concluída. O senhor pode anunciar oficialmente quando achar melhor. A voz de Charles soava grave, com um leve tom de cansaço: — Certo. Bom trabalho. — Além disso, o senhor não estava planejando viajar para a Suíça com a Sra. Marques? A mansão ao pé dos Alpes já está pronta. A vista é espetacular, e vocês podem ir quando quiserem. — Dante falou com entusiasmo, claramente de bom humor. Desde que Tânia havia sido derrotada, ele passava os dias tão eufórico que parecia até sonhar acordado. No entanto, Charles permaneceu em silêncio por um longo momento. Sua mente estava distante, presa às lembranças da conversa que tivera com Alonso naquela noite. As palavras do irmão e, principalmente, a maneira como ele olhou para Olívia ainda ecoavam em sua cabeça. Um peso crescente apertava seu peito, e seus olhos pare
Depois de alguns segundos de silêncio, Charles finalmente respondeu em um tom firme: — Dante, obrigado pelo alerta. Mas, da próxima vez, se usar palavras tão... Extravagantes, pense bem no seu bônus de fim de ano. Dante foi completamente esmagado por essa resposta, sem sequer conseguir reagir. …No quarto, Olívia havia acabado de sair de um banho quente e relaxante, perfumada com o aroma suave da espuma. Vestia uma camisola de seda rosa com alças finas e estava sentada diante do espelho da penteadeira, penteando seus longos cabelos negros, lisos como uma cascata. Embora suas mãos continuassem o movimento automático da escova, sua mente vagava sem rumo. As palavras de Alonso voltavam à sua cabeça repetidamente, como um eco inquietante. Não sabia explicar por quê, mas sentia uma corrente gélida atravessar seu peito, como se o ar ao seu redor houvesse esfriado. Alonso era um homem refinado, educado, com um sorriso gentil e um olhar que parecia genuíno. Mas, mesmo assim, Olívia n
— Eu só estava pensando na conversa que tive com o seu irmão esta noite. Foi realmente intrigante. — Essa foi a última vez. — Charles ainda se arrependia de ter permitido o encontro entre os dois. Ele apertou Olívia contra si com mais força. — Não vou deixar você ter contato com meu irmão novamente. Isso foi um acidente, não pense mais nisso. — Quem está pensando demais aqui é você. — Olívia ergueu o rosto corado, os olhos brilhando de malícia. Com o dedo delicado, cutucou o peito dele. — Aqui, ainda está doendo de ciúmes? Charles segurou a mão dela e depositou um beijo suave na palma. — Hm, agora está bem melhor. — Não há motivo para tanto alarde. — Ela se ajeitou, encontrando uma posição confortável sobre o peito dele. — E, para ser honesta, você está pensando de forma muito simplista. Você acha mesmo que seu irmão vai passar o resto da vida no País M? Mais cedo ou mais tarde, ele vai voltar. Pense bem: primeiro, ele convenceu Andrew e Fred a negociarem com o Grupo Marques;
Stéphanie piscou os olhos, lançando um olhar para o jantar farto que havia preparado e, em seguida, voltou-se preocupada para Samara. Eles haviam combinado que jantariam juntos naquela noite, os três. Desde a tarde, Stéphanie estava ocupada organizando tudo. Samara, mesmo não sendo muito habilidosa na cozinha, tinha ajudado como podia, correndo de um lado para o outro. Mas, ao ver Benjamin tão apressado, com cara de quem não ficaria para o jantar, Stéphanie não se incomodou por si mesma. O que a preocupava era que Samara pudesse ficar decepcionada. — Benjamin, você não vai jantar em casa? — Perguntou Samara, franzindo levemente as sobrancelhas, os olhos piscando de maneira quase infantil. Benjamin sorriu de forma carinhosa. Sem pensar, aproximou-se dela, pousando a mão grande e quente sobre os cabelos macios de Samara, bagunçando-os levemente. — Hoje à noite eu tenho um compromisso. Não vou poder jantar aqui. — Não dá para... Adiar um pouquinho? — Samara ergueu os cílios lo
Samara ficou parada, olhando para o carro de Benjamin desaparecer na escuridão. Só depois que as luzes traseiras sumiram por completo, ela desviou o olhar. Stéphanie aproximou-se dela, com passos leves. — Srta. Samara. — Hm? — Samara virou-se para encará-la. — Obrigada por falar por mim hoje. Obrigada mesmo... — A voz de Stéphanie quase falhou, e seus olhos ficaram vermelhos. Ela trabalhava para Benjamin desde jovem. Começou como empregada doméstica, depois tornou-se secretária e, por fim, guarda-costas pessoal. Passou por treinamentos severos e enfrentou situações perigosas. Todo esse histórico a tornou uma pessoa fria, indiferente a quase tudo e todos, exceto pelo próprio patrão. Mas a chegada de Samara havia mudado algo dentro dela. Pela primeira vez, Stéphanie experimentava um tipo de calor familiar que nunca havia sentido antes. Apesar de ser oficialmente sua empregada, ela tratava Samara mais como uma irmã, alguém que ela queria proteger e mimar. — Stéphanie, eu sei
Uma humilhação tão direta assim deixou Hélio completamente sem chão! Ele conhecia bem Benjamin: um sujeito frio, arrogante e imprevisível. Mesmo sabendo disso, ele achava que, agora que o sobrinho estava prestes a assumir a presidência da empresa, talvez fosse demonstrar um pouco mais de moderação — ainda mais na frente de Osvaldo. Mas, pelo visto, Benjamin era incapaz de maneirar, nem um pouco! Osvaldo, como avô, sentiu vontade de repreender o neto. Contudo, ao refletir, percebeu que nada do que Benjamin dissera estava errado. Ele próprio também desprezava o comportamento de Hélio e os amigos inúteis que ele costumava trazer para perto. Assim, limitou-se a tossir discretamente e beber um gole d’água, tentando disfarçar o desconforto. Íris, por outro lado, não conseguiu conter o constrangimento. Com a testa franzida, soltou uma repreensão. — Benjamin, que jeito é esse de falar com o seu tio? Mostre um pouco mais de respeito! — Haha... Ah, Íris, não diga isso do Benjamin. Para