— Pai! Mãe! Não acreditem nele... Não é nada disso que ele está dizendo! — Joaquim tentou se defender desesperadamente, sua voz alterada e tomada pela raiva. — No tribunal, o Gustavo e o Breno já estavam conspirando contra mim, armando para me prejudicar. Agora ele aparece de novo, defendendo o Breno e manchando o meu nome! Eu aposto que os dois foram comprados pela Olívia e pelo Charles! Eles não passam de cães de guarda da família Bastos... São todos farinha do mesmo saco!Antes que pudesse terminar a frase, Gustavo, que até então se mantinha sempre calmo e controlado, perdeu o limite. Em um instante, ele avançou e deu um soco direto no nariz de Joaquim, muito mais forte do que qualquer golpe que Breno já havia dado. Joaquim cambaleou para trás, e o sangue jorrou de seu nariz no mesmo instante.— Você é um caso perdido, Joaquim. Não tem jeito! — Gustavo balançou a mão, flexionando os dedos doloridos pelo impacto, enquanto a indignação brilhava em seus olhos. — Quer dizer que eu e o B
— Mãe, minha decisão está tomada. Não adianta dizer mais nada.Em seguida, Gustavo voltou seu olhar pesado para o rosto de Murilo, marcado pelo cansaço e pelas rugas da idade. Por um momento, ele sentiu uma distância enorme entre eles, como se aquele homem que lhe dera a vida fosse um estranho.— Pai, em todos esses anos, eu nunca pedi nada ao senhor. Nunca exigi um centavo, nem fiz qualquer pedido. Mas hoje, pela primeira vez, eu peço. Pelo amor de Deus, por tudo que vivemos nesses trinta anos como pai e filho, eu imploro que o senhor me escute, só desta vez. Não dificulte mais a vida da Hebe. Não tente mais separar o Breno dela. Eles se amam de verdade. Sei que, se o Breno perder a Hebe, ele nunca mais encontrará alguém como ela. Tenho certeza disso.Breno e Hebe estavam de mãos dadas, firmes, como se fossem um só. Eles se entreolharam com uma profundidade que parecia atravessar o tempo, como se naquele instante nada mais existisse além deles.Gilda, por outro lado, estava em complet
Hebe queria consolá-lo, mas, ao lembrar que tudo aquilo havia começado por causa dela, sentiu que não tinha o direito de dizer nada. Apenas abaixou a cabeça, cheia de culpa.— Hebe, não se culpe. Nada disso é sua responsabilidade. — Breno disse com a voz rouca, mas carregada de uma ternura infinita.Os olhos de Hebe se encheram de lágrimas, e seus lábios tremeram antes de murmurar:— Mas...— Você é o meu amor, meu futuro, minha escolha. Vou seguir com você, custe o que custar. Ninguém vai me impedir.Antes que suas palavras se dissipassem no ar, uma voz familiar ecoou atrás deles:— Breno!Os dois pararam e se viraram, vendo Gustavo correr em sua direção.— Irmão, obrigado por hoje. Obrigado por defender a Hebe, por ficar do nosso lado. Sua ajuda, seu apoio... Nunca vamos esquecer. Esse favor, eu vou retribuir. Não importa o que aconteça, eu estarei lá por você.Gustavo lançou um olhar sério, mas carregado de mágoa:— Breno, você é meu irmão. Meu único irmão. Quando você fala assim, p
Hebe vestiu a camisa branca de Breno com alegria. Era tão larga que parecia um vestido oversized. Ela deu uma volta leve em frente ao espelho, girando com os braços abertos, tão radiante que parecia mais feliz do que em qualquer vestido luxuoso que já tivesse usado.De repente, o som do celular tocando a fez dar um pequeno salto de susto.Hebe caminhou devagar até a cama, tentando não fazer barulho. Quando pegou o celular e viu o nome da mãe na tela, seu coração disparou. Ela hesitou, nervosa, mas sabia que não podia ignorar. No fim, decidiu atender para não preocupá-la.— Hebe, por que você ainda não voltou para casa? Onde você está? — A voz de Glória soava claramente preocupada.— Eu... Eu estou bem, mãe, de verdade.— Onde você está agora?— Estou em Yexnard... Estou com o Breno. — Hebe respirou fundo, reunindo coragem antes de continuar. — Mãe, hoje à noite eu não vou voltar. O Breno não está bem, eu quero ficar com ele.Do outro lado da linha, o silêncio veio como uma onda pesada,
— Não! Nunca pense assim! Estar ao seu lado me faz feliz todos os dias. Nunca me senti injustiçada! — Hebe segurou o rosto molhado de Breno entre as mãos, seus olhos começando a brilhar com lágrimas inquietas. Ela sentia como se cada gota que ele derramava caísse diretamente em seu coração, deixando marcas profundas.Ninguém conhecia a força de Breno melhor do que ela. Ele havia enfrentado desafios ao lado de Gilbert e Olívia por tanto tempo, abrindo caminho para eles como uma lâmina poderosa em meio às adversidades. Mas agora, por causa dela, por causa do que aconteceu naquele dia, aquele homem tão imponente, que sempre mantinha a cabeça erguida, havia se refugiado na cozinha para chorar em silêncio. Quão devastado ele precisava estar para que sua armadura se quebrasse, revelando tamanha vulnerabilidade?Breno abaixou os cílios úmidos, sua voz rouca e carregada de dor:— Hebe, você é a filha querida da família Bastos, o tesouro do Sr. Érico e da Sra. Glória, a irmãzinha amada de todos
Breno envolveu Hebe em seus braços com uma ternura que transbordava pelos olhos. Palavras firmes e carregadas de emoção saíram de seus lábios, uma a uma:— Eu posso carregar o sobrenome Vieira, mas no momento em que eles te atacaram com aquelas palavras cruéis, deixei de ter qualquer ligação com a família Vieira.Hebe sentiu o coração apertar, dividida entre a emoção e a preocupação.— Breno...— Eu não tenho mais uma família. — Ele soltou uma risada baixa, carregada mais de alívio do que de tristeza. — Daqui em diante, Breno é só Breno. O Breno da família Vieira... Esse morreu.— Quem disse que você não tem uma família? — Hebe franziu as sobrancelhas, interrompendo-o ao pressionar delicadamente o dedo contra seus lábios. — Enquanto você tiver a mim, terá um lar. Minha família agora é sua também....Sob o brilho suave da lua, os dois dividiram a mesma cama. Tudo aconteceu de forma natural, mas nada além disso. Breno, como sempre, manteve-se respeitoso. Ele vestia um pijama de mangas c
O céu cinzento estava carregado, e desde cedo uma chuva fina e constante caía sobre a cidade. Um clima melancólico, mas perfeito para visitar o cemitério e prestar homenagens aos que partiram.Olívia e Charles estavam novamente no túmulo de Camila. O casal levou flores, limpou o local, ocupados como se fossem se reunir com a mãe dele para um almoço em família.Embora Camila estivesse debaixo da terra, o cuidado e a saudade que eles demonstravam certamente faziam com que ela não se sentisse só.— Mãe, eu e a Vivia finalmente vingamos você. Tânia foi condenada à pena de morte. Vinte anos de injustiça, finalmente encerrados. — Charles apertou a mão de Olívia com força, o olhar firme. — O tempo faz justiça, e o destino cobra seu preço. Espero que agora a senhora possa descansar em paz.O casal inclinou-se profundamente diante da lápide, em um gesto de respeito e amor.De repente, passos lentos e ritmados ecoaram pelo caminho de pedras, aproximando-se aos poucos.— É o vovô! — Olívia virou-
Olívia e Charles acharam que o avô realmente sabia como ser mordaz com as palavras. Mas, honestamente, ele estava certo. Era exatamente o que eles queriam dizer.— Pai, Camila era minha esposa! Eu só vim visitar o túmulo dela. Por que vocês todos me tratam com tanta hostilidade? — Felipe finalmente perdeu o controle, quase se desmanchando diante do pai.— Sua esposa? Sua esposa não é a criminosa condenada à morte, Tânia? — Haroldo soltou uma risada sarcástica.O rosto de Felipe ficou vermelho de raiva, e ele apertou os punhos com tanta força que as unhas quase perfuraram a palma de sua mão.Durante vinte anos, Haroldo nunca havia reconhecido Tânia como nora. Mas agora, ao chamá-la assim, com um tom de escárnio, ele não estava apenas humilhando Felipe, mas também aprofundando suas feridas.— Pai... A verdade sobre a morte de Camila demorou vinte anos para vir à tona. Você acha que isso não me machucou também? — Felipe gritou, com os olhos vermelhos e a voz trêmula. Ele bateu com força n