Aleivosia: Atitude de quem é traiçoeiro e desleal. (Elisandra e Simon)
Acrimônia: Relativo a azedar, azedo. (Minha relação tornou-se azeda com ambos) Absonância: Falta de harmonia entre duas ou mais coisas. (Eu e a minha vida amorosa) De todos os passatempos do mundo, os únicos que eu posso recorrer no momento é um Dicionário sabichão e um maldito livro de poesia, que comprei por causa da bela capa, preta e roxa, que é igual ao meu humor no momento. Estou deitada no chão da cabana, sob uma coberta, em frente a lareira. A franca luz que emana das lâmpadas, são o bastante para que, eu não tenha que ficar totalmente no escuro, e a luz emitida do fogo da lareira, me auxilia com o meu pequeno e entediante passatempo Hoje mais cedo, logo depois de eu ter voltado das compras. Me assegurei de limpar toda a cabana e arrumar o máximo que eu podia. Comprei uma nova cama, um novo fogão e uma nova geladeira, O pessoal da loja a onde eu havia comprado, vieram fazer a entrega, antes do final da tarde e, foram bastantes gentis ao me ajudarem a colocar tudo no lugar. Guardo o dicionário que ainda estava na minha mão e me deito novamente em frente a lareira. Começo a pensar sobre diversas coisas alternativas, que descobri ao longo dos anos. Eu estava gostando do rumo em que os meus pensamentos se seguiam, no entanto, acabei adormecendo no meio deles, por conta do cansaço. 23 de novembro: 04:33 A.M. O piso de madeira estava terrivelmente gelado, e o fogo da lareira, deve ter se apagado em algum momento durante a noite, enquanto eu sonhava com as pessoas que eu mais queria esquecer no momento. Me levanto preguiçosamente, ainda embriagada de sono. Pego um pouco de lenha, que eu havia comprado no dia anterior, coloco na lareira e, ascendo o fogo novamente. Despois que o fogo se solidificou na lenha, deito-me novamente e me cubro com algumas cobertas, mas, mesmo assim, ainda continuo sentindo frio. Hoje já é feriado, era para mim estar em casa com a minha família e com as pessoas que amo. E eu estaria, se eu tivesse voltado de viagem, no dia que tivesse marcado Me aconchego ainda mais perto da lareira, tentando afastar o frio que percorria o meu corpo e, os pensamentos que percorriam a minha mente. Por sorte, acabo caindo novamente no sono. Micael Montgomery: — Por que eu concordei em ajudar você mesmo? Pergunto, enquanto ajudo o idiota do meu irmão, a escolher um novo menu, para o restaurante. — Porque eu sou o seu irmão mais novo, e você me ama de montão. Ele coloca três copos de café na minha frente, que mais podem ser considerados veneno, do que café. Há alguns anos atrás, Oliver, teve um pequeno problema, que acabou o deixando sem paladar. Mas, com o tempo, ele foi se recuperando. Porém, ele não o recuperou por completo, ele ainda não consegue sentir o gosto do café, nem de qualquer outro que tenha cafeína. Sinceramente, às vezes acho que ele não só perdeu o paladar para o café, como também o bom senso e a compaixão pelo próximo. Me fazer provar todos esses venenos, é literalmente um tipo de punição. — Acho que talvez eu devesse ir, escalar o monte Everest, da próxima vez. Falo, enquanto olho o líquido preto, dentro dos copos. — Não seja tão dramático Micael, provar o meu café, não é a pior coisa do mundo. Ele se senta à mesa, à minha frente. — Tem certeza? Porque eu acho que nada supera isso aqui. Aponto para o café. — Besteira, você já provou coisas piores. — Garanto que não, irmão. Ele pega um paninho que estava em cima da mesa e j**a em mim. Me inclino um pouco para direita e desvio do pano, com um sorriso. — Só toma logo esse café e me diz o que achou. Solto um longo suspiro. — Está bem... Pego o primeiro copo e o levo até a minha boca, tomo um curto gole receoso. — O gosto é muito ruim, está fraco demais e muito salgado. — Depois de tanto ser obrigado a ficar experimentando os seus experimentos, já deixei de me perguntar o porquê dele colocar sal, no pobre coitado do café. Oliver, coloca a mão no queixo e franze a testa por alguns segundos. Enquanto isso, tomo um gole d’água, me preparando para a próxima prova. Pego o segundo copo e o levo até a minha boca, assim como o primeiro, tomo outro curto gole receoso e tento não o cuspir logo em seguida. — Por que diabos tem pimenta nesse??? Falo, depois de ter engolido, milagrosamente o veneno. — Achei que ficaria interessante. Ele fala sorrindo. — Irmão, acho que você perdeu o bom senso, quando perdeu o paladar. Ele sorri novamente, enquanto eu pego o terceiro e último copo de veneno. Termino de provar o último copo. — Santa Mãe de Deus... Você deveria ser proibido de fazer café Oliver... — Ah para, não pode tá tão ruim assim. — Arabelle! Arabelle! — Que foi doido? Pirou? Grito o nome da minha cunhada, em questões de segundo ela aparece na cozinha. — Qual o motivo de tanta gritaria? Ela pergunta assim que entra no recinto. — Arabelle, pelo amor de deus, não deixe esse idiota vender isso aqui. Aponto para os copos de café. — Hum... Nova receita? Ela pergunta para Oliver. — Sim querida, pedi para Micael, provar para ver se estava bom o suficiente para colocar no cardápio. Ela se vira para mim. — E então? — O primeiro está salgado, o segundo com pimenta e o terceiro com alho. Com '' Alho ''! Continuo. — Eu não sei o que você estava querendo fazer, irmão. Mas, com certeza, não era café. — Ele está exagerando. Arabelle, olha para os três copos na mesa da cozinha. — Querido, eu lhe garanto que ele não está exagerando, digo isso por experiência própria. Ela manda uma piscadela para ele, enquanto leva um dos copos até a boca e toma um gole. Ela faz o mesmo com os outros dois. — Hum... Não está tão ruim. — Ela fala por fim. — Sério mesmo? Pergunto, enquanto Oliver, faz uma cara de satisfeito. — Sim, já houve piores. O de ontem de manhã era uma mistura dos três. — Cruz credo, está tentando perder a clientela, Oliver? Ele faz um gesto de rendição com as mãos e fala: — Ainda bem que eles gostam da minha comida. — Ainda bem que você tem a mim para avisá-los sobre o café. Ele sorri e confirma com a cabeça. Arabelle, vai até ele com um sorriso gentil nos lábios, e passa as mãos ao redor de seus ombros. — Então, até quando vai continuar a colocar esses tipos de ingredientes no café? Pergunto, me levantando da cadeira. Ele solta um suspiro. — Acho que até eu sentir o gosto. — E enquanto isso, vai continuar a sacrificar as suas pobres cobaias? Eles sorriem. — Claro que sim, isso deixa o meu dia ainda divertido. Arabelle, se afasta e olha para ele com as sobrancelhas levantadas. — Não sabia que você achava divertido me ver sofrer, querido? Ele arregala os olhos. — Não foi isso que eu quis dizer, amor, Micael... Ele me olha em busca de ajuda. — Haha, não tenho nada haver com isso. Eu gostaria muito de ficar para ver você ser massacrado irmão, mas, o dia está muito lindo para dar um mergulho. Me viro e vou andando. — Micael, seu... — Também te amo irmão. Falo sem me virar para olhá-lo. Caminho uns cinco minutos por dentro da floresta, até ver as margens do rio Haw River. Caminho mais um pouco até estar na beirada do rio. Inspiro um pouco do ar puro e da maravilhosa sensação de paz, que aquele lugar transmite. Por um momento a minha mente viaja, na época em que eu e a minha família vínhamos passar as férias aqui em greensboro, e sempre vínhamos aqui, era quase como um ritual fazer um piquenique aqui. Essa é a primeira vez que venho aqui, depois que os meus pais morreram. Eu realmente não imaginava o quanto sentia saudade desse lugar, de estar aqui e, apenas refletir sobre a vida. Inspiro mais uma vez o ar puro desse lugar, em busca de algo a mais, algo que ainda não consigo descrever, um sentimento talvez. Hoje mais cedo, o dia estava um pouco frio, mas, agora está um tempo realmente agradável. Olho para os lados, em busca de algum olhar curioso, mesmo sabendo que ninguém vem aqui nessa época do ano, ainda mais nessa parte do rio. Depois de dar uma rápida averiguada, começo a tirar a roupa para poder dar um mergulho. Eu poderia muito bem mergulhar com elas, mas, não estou muito afim de voltar para casa todo molhado. Começo tirando a jaqueta, depois a camisa, os sapatos e as meias, por último a calça e a cueca. Deixo as minhas roupas empilhadas uma em cima da outra, em cima de uma pedra. Então, começo a entrar na água. A água estava um pouco fria, mas gostosa. Dou um mergulho e nado até o meio. É relaxante sentir a água sob meu corpo e aquela sensação fluindo através dele, estou completamente relaxado, quando de repente ouço o som de algo batendo na água. De alguém mergulhando. Me viro na direção do som e vejo o balançar da água. Logo depois uma pessoa voltando à superfície. Pela largura de seus ombros, posso dizer que é uma garota. Ela está de costas para mim, então não me viu. Se não, não teria entrado na água. — Vou sair daqui antes que ela me veja e pense que sou algum tipo de pervertido. Penso. Antes que eu possa mergulhar de novo e nadar até a beirada do rio, ela se vira na minha direção e seus olhos me avistam. Mesmo estando um pouco longe, consigo reconhecê-la, é a mesma garota de ontem. Sei que eu deveria sair daqui, antes de deixá-la assustada, mas, não pude evitar a vontade que senti de falar com ela. — Eu sei que falei que o mundo era pequeno, mas, realmente não esperava lhe encontrar aqui... Aurora.Durante a madrugada o clima estava frio, mas, agora está realmente agradável, o tempo está realmente bom para dar uma caminhada. E uma caminhada pelo bosque, com certeza me ajudaria espairecer, e só deus sabe como eu preciso disto neste momento.Quando realmente acordei pela manhã, o meu humor estava realmente bom. Me levantei da minha cama improvisada, já que a que eu havia comprado, ainda não havia chegado.Fiz a minha higiene matinal e cuidei de fazer um café da manhã digno, mesmo não tendo comprado quase nada de comida no dia anterior.Depois do café, o meu humor ainda estava ótimo, ele só ficou péssimo depois que comecei a ler aquele dicionário outra vez e mais uma vez encontrar palavras que descrevem muito bem a minha situação. O que acabou me levando a lembrar dos acontecimentos que me trouxeram até aqui. E mais uma vez fiquei triste e com raiva, por ter sido tola e nunca ter percebido que estava sendo enganada por aqueles dois.Segui pela floresta, afastando alguns galhos caí
Micael Montgomery:Até tentei ir atrás dela, mas quando finalmente consegui sair de dentro da água, não havia mais rastro dela. Ainda bem que ela não percebeu na hora que o meu celular caiu do bolso da minha calça. Claro que ela não percebeu, ela estava ocupada demais fugindo com as roupas.Graças a ela tive que caminhar por vários minutos por dentro do bosque até chegar o mais próximo da cidade, onde havia sinal.Me vi obrigado a me esconder entre as moitas na beira da estrada e ligar para o Oliver, na esperança de ele vir me socorrer.E agora estou sendo obrigado a aturar todas as suas crises de risos.— Hahaha.... D-esculpa.... Haha.Olho para o idiota do meu irmão que está a mais de dez minutos rindo igual uma hiena.— Oliver, eu posso te garantir, que há varias maneiras, de sumir com um corpo.Falo irritado. E ele por fim se cala.— Está me ameaçando irmão? Logo a mim, que te ajudei a chegar em casa de maneira decente? Estou profundamente magoando.Ele funga de uma maneira que en
Dois dias depois:As pessoas costumam dizer que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Mas porque diabos esse caiu?O dia amanheceu chuvoso, apesar de eu não gostar muito de chuva, o dia estava realmente lindo e refrescante, mas posso dizer que já o comecei com o pé esquerdo.Decidi deixar aquele entediante livrinho de lado e respirar um pouco de ar puro, ao redor da cabana, não queria ir muito longe para não ter a má sorte de encontrar aquele pervertido outra vez.Saí e andei um pouco pela estrada no meio do bosque, que levava até a estrada principal, aspirando o maravilhoso ar puro e a bela vista daquele lugar, tudo estava indo perfeitamente bem até eu ter a má sorte de escorregar e cair bem em cima de uma poça de lama.— Ah! Merda! Era só o que me faltava...Tento me levantar, mas uma pontada forte no meu pé esquerdo me impede de continuar e acabo caindo miseravelmente no chão outra vez.— Ah... Eu não posso acreditar que torci meu pé com tampouco...Coloco a parte de trás da m
Há aproximadamente 7,951 bilhões de pessoas no mundo, o que torna quase improvável se encontrar com um desconhecido mais de uma vez, ainda mais quando se está fugindo dele. Então, por quê? Por quê eu continuo encontrando este cara, a cada dois passos que dou para fora daquela cabana?— Acho que eu já havia lhe falado que o mundo é um lugar realmente pequeno, não já?Me levantei de uma vez, no impulso. Ao colocar peso no tornozelo machucado, me desequilibro ao sentir a dor, sinto meu corpo declinando miserável para frente, fecho os meus olhos ao perceber que vou cair de cara no chão.Mas antes que meu rosto toque o chão, um par de mãos fortes me seguram.— Agnes, Você está bem?Arabelle, pergunta com preocupação— Estou, não se preocupe.Olho para Micael.— E obrigada por me segurar, Micael.Ele me ajuda a me equilibrar sobre o pé que está bom.— Eu não posso acreditar que você estava tentando fugir, mesmo estando nessa situação.Ela fala enquanto segura o meu pulso com força.— Está m
Desde muito cedo, Arabelle, está eufórica, tentando convencer Oliver a levá-la em uma cabana que fica aqui próximo. Pelo que parece ela ficou bem próxima de uma moça chamada Agnes, que está morando lá. Arabelle, tem um certo poder, que faz com que as pessoas não digam não para ela com tanta facilidade. Mas, dessa vez, não foi tão fácil. Oliver, tinha um prazo para cumprir, de um livro. Então, ele realmente não podia acompanhá-la e como ela não sabe dirigir, só restou a mim para levá-la até lá.Saímos de casa, logo depois do café, pegamos a picape e fomos até. Não demorou muito até chegarmos lá, quando chegamos em frente a cabana, vejo o corpo de uma mulher, sentada no piso de madeira da escadinha da cabana. Paro o carro um pouco distante e, enquanto o desligo, Arabelle, sai e chama o nome da moça, antes de fechar a porta do carro.Vejo que elas conversam, Arabelle, havia parado em frente a mulher, então não a reconheci de imediato. Depois que sai do carro e me aproximei delas, pude ou
— O tornozelo sofreu uma torção severa, porém não houve fraturas. De qualquer modo, você deve descansar e não colocar nenhum peso sobre a perna, durante as próximas três semanas.Fala Jason Phillip, ele é médico assim como o seu pai Edmundo Phillip, que era médico e dono desta clínica.— A lesão foi agravada graças às duas faturas antigas, mesmo que elas tenham recebido um bom tratamento. O seu tornozelo de certa forma se tornou mais frágil.Duas faturas? Por acaso essa mulher vive dando com a cara no chão? Se bem que da última vez, ela saiu correndo feito uma louca, por cima das pedras e por entre os galhos das árvores.— Por isso eu peço novamente que a senhorita fique de descanso e não coloque o mínimo de peso sequer sobre o tornozelo.— Tudo bem doutor, eu não irei colocar nenhum peso sobre ela.Ela fala suspirando tristemente.— Certo, vou lhe receitar alguns remédios e espero o seu retorno daqui alguns dias.Agnes agradece gentilmente a Jason, em seguida ele nos entrega a receit
Estou sentada em uma das poucas cadeiras que eu havia comprado há alguns dias atrás. Meu tornozelo engessado está descansando em cima de outra cadeira. Enquanto brinco de ler aquele dicionário outra vez. Já que não tenho mais nada, de interessante a fazer, e mesmo se tivesse, eu não poderia com esse meu tornozelo.Duas horas se passaram, desde que Arabelle e Michael se foram. Não queria ter aceitado a sua proposta, mas tenho a impressão de que ela não me deixaria dizer não.Ouço o som do motor do carro, seguido com a batida da porta do carro. Leva alguns segundos para que Arabelle, dê leves batidas de consideração na porta, mesmo eu a tendo avisado que poderia simplesmente entrar.A parta se abre, e ela passa por ela, carregando algumas sacolas. Me ajeito na cadeira.— Pensei que você só iria vim a noite.— Não quis que você ficasse muito tempo sozinha aqui nessa cabana, ainda mais com o tornozelo machucado.Ela vem até mim e coloca as sacolas em cima da mesa, logo em seguida começa a
No final da tarde, bem antes do pôr do sol, decidi que era melhor eu me sentar na varanda, pois se eu continuasse trancafiada dentro da cabana com aquele dicionário, iria ficar completamente maluca.Com muito cuidado, levei uma cadeira até a varanda, depois voltei para pegar a outra e a almofada. Me acomodei nelas, apreciando a bela vista do lugar, enquanto tomava um pouco do café preto, que estava na minha caneca azul celeste.Era bom, respirar ar puro e....Fixando um pouco mais o meu olhar para a pequena estrada de terra, que levava até a estrada principal, pude ver a imagem de um homem. Ele ainda estava um pouco distante, mas dava para saber que a pessoa era um homem, por conta de sua fisionomia.Cada vez que ele se aproximava da cabana, mas eu tinha certeza que o conhecia. E quando vi o seu rosto, lembrei-me de Arabelle, hoje mais cedo.Eu sabia que ela estava aprontando, eu tinha certeza que estava, só não pensei que ela seria capaz de enviá-lo até aqui.Joguei a cabeça para trá