Bruno encarava o registro da chamada de vídeo, quase uma hora de conversa, com um leve sorriso nos lábios.Seus cílios longos projetavam uma sombra delicada sob os olhos, acentuando ainda mais o ar introspectivo.Com a mesma precisão de sempre, ele fez uma captura de tela. Recortou o nome da outra pessoa da imagem… E postou nos stories.[Boa noite. [Foto]]Desde a última vez que tinha postado algo, não fazia nem um mês.Para qualquer pessoa, isso pareceria normal… Mas estávamos falando do Bruno.Nos primeiros trinta anos de vida, ele nunca postava nada.Desde que conheceu Juliana, isso mudou, e mudou bastante.O primeiro a comentar foi Thiago:[Thiago: Videochamada com minha cunhada? Que avanço rápido, hein?! Não esperava menos do mestre Bruno.][Paulo: Alguém vai sair de coração partido…][Vitor: Agora entendi porque a Ju não atendeu minha ligação. Estava em vídeo contigo, né? Mas olha só, da próxima avisa antes, deixa ela terminar uma partida comigo! Estou no fim da temporada, precis
Assim que aquelas palavras foram ditas, o ambiente inteiro caiu num silêncio absoluto.O tiozinho estava de olho na noiva do sobrinho?É assim que as famílias ricas brincam?A chama da fofoca ardia intensamente, quase todos prestavam atenção em silêncio, mesmo mantendo a expressão impassível.Gustavo semicerrava os olhos, perigosamente.André percebeu a reação ao redor e ficou satisfeito.Se recostou na cadeira com arrogância, com aquela postura irritantemente provocadora, como se fosse dono da situação.— Sr. Gustavo, o senhor sabe… Eu trabalhei no laboratório do seu tio-avô. Era um dos membros principais. Sabia de muita coisa. Coisas que ninguém imagina, eu sei de tudo.Claro que Gustavo sabia.Desde o início das negociações com André, ele já tinha mandado investigar.As informações fáceis de encontrar, na maioria das vezes, eram justamente aquelas que queriam que você veja.O que realmente importava, o que estava escondido, deu trabalho para descobrir.No começo, ele nem fazia ideia
Na memória de Gustavo, Juliana e Bruno não tinham sequer como se cruzar na vida.Por causa do noivado arranjado entre a família Rodrigues e a família Costa, ele e Juliana tinham crescido juntos desde pequenos.Ele sabia exatamente com quem ela se encontrava, quem eram seus amigos, com quem conversava.Bruno, por outro lado, passou anos no exterior, mergulhado em pesquisa científica.Raramente voltava ao país.E mesmo quando aparecia, era sempre algo tão breve e corrido que logo partia de novo.Juliana simplesmente não teria tido a chance de se aproximar dele.Mas…De repente, um clarão cortou os pensamentos de Gustavo, como se uma lembrança esquecida viesse à tona.Durante a faculdade, Juliana havia feito um intercâmbio.E, se ele não estava enganado, o destino era justamente o país A, o mesmo onde Bruno morava na época.André continuou:— Antes de sair do instituto, cheguei a ir ao escritório do Bruno. Na mesa dele, tinha uma moldura com a foto de uma garota. Só percebi quando voltei
Na manhã seguinte, bem cedo.Juliana, já arrumada, seguiu direto para o hospital.Os arranhões em seu corpo já começavam a cicatrizar, formando pequenas casquinhas. Os pontos da sutura haviam sido removidos, e a recuperação seguia seu curso naturalmente.Bruno também estava melhorando. A maioria dos ferimentos era superficial.A lesão mais séria ficava na região lombar e abdominal.Durante o capotamento, um estilhaço afiado o atingiu bem ali. Por sorte, não chegou a perfurar nenhum órgão vital.Se tivesse sido um pouco mais profundo... Poderia ter sido fatal.Quando Juliana entrou no quarto, Joana estava conversando com Bruno sobre o caso de André.A polícia havia passado a noite inteira interrogando o homem, mas ele se manteve firme. Não cedeu um milímetro.Continuava jurando que não conhecia o motorista responsável pelo acidente e negava, com todas as forças, ter mandado matar alguém.Aquela cara de pau já não surpreendia mais Bruno.Recostado na cama, ele mantinha o semblante pálido
Juliana acompanhou Paulo até o corredor, logo do lado de fora do quarto.A enfermeira que vinha logo atrás percebeu o clima e, com discrição, seguiu para o próximo paciente, deixando os dois a sós.— Sabe, cunhada… Eu estou com uma questão amorosa e queria te pedir um conselho. — Começou Paulo, meio sem jeito, coçando a nuca.Já fazia um ou dois meses que a relação dele com Isabella vinha degringolando. A cada dia, parecia piorar um pouco mais.Do lado do hospital, ela tinha usado todas as férias acumuladas.E pelo IP que Paulo conseguiu rastrear, as últimas conexões dela vinham do exterior.Aquilo mexeu com ele.Ficou abatido por um bom tempo.Se não fosse o acidente de Bruno, talvez nem tivesse voltado ao trabalho tão cedo.Mas agora, de volta à rotina... Foi recebido por uma avalanche de responsabilidades. Era tanta coisa acumulada que mal dava tempo de comer alguma coisa quente, quem dirá, tentar reconquistar alguém.Juliana ouviu com atenção, atenta aos detalhes.Analisava em silê
A expressão de Catarina se contraiu na hora.Seus olhos estreitaram como se tivesse levado um golpe seco, daqueles que pegam desprevenido.Jamais esperava ouvir aquele nome, o nome que ela tanto detestava, vindo justamente da boca da mãe de Bruno.Depois de ter saído perdendo em tantos embates com Juliana, o simples som do nome já causava a ela quase uma reação física.Náusea.Um mal-estar involuntário.No mesmo instante, seu rosto perdeu a cor.Ficou pálida, abatida.Rafaela percebeu a mudança e a encarou, preocupada:— Está tudo bem, Catarina? Está se sentindo mal?Catarina fechou a mão com força, as unhas pressionando a palma. Inspirou fundo, tentando recuperar o controle.Então forçou um sorriso contido.Fria. Elegante. No comando de si mesma, como sempre.— Está tudo bem, Sra. Rafaela. Na verdade... Tenho uma amiga que conhece bem a Juliana.Uma resposta que pegou de surpresa.Rafaela virou-se e trocou um olhar com o marido, Henrique.— É mesmo?— É… Mas não sei se vale a pena com
Catarina conhecia bem os hábitos de Bruno. Ele sempre teve uma aversão silenciosa à sujeira, quase um TOC disfarçado.Então... Por que, com olhos cheios de veneno, ela se perguntava, por que ele não via Juliana como suja?Por que aquilo não o incomodava?E mais, olhando para o futuro, com uma família como os Mendes, tão tradicional, quase antiquada, será que eles realmente aceitariam esse casamento?No fundo, Catarina desejava com todas as forças ver Juliana sendo rejeitada, humilhada, atacada por todos da família Mendes.Como alguém como Juliana, tão inferior a ela em todos os aspectos, podia conquistar com tanta facilidade aquilo que ela, Catarina, nunca conseguiu?Juliana não merecia.Ela simplesmente não era digna.— Rick, você acha que, se a gente chamasse a Ju para conversar a sós, o Bruno ficaria bravo? — Perguntou Rafaela, com aquele tom aparentemente inocente.— Bravo? Que engula essa raiva! — respondeu Henrique, sem hesitar. — Se ele vier reclamar, eu dou a ele uma verdadeira
No sétimo ano ao lado de Gustavo Costa, Juliana Oliveira tomou a decisão de romper o noivado. A mensagem que enviou levou duas horas para receber uma resposta. “Podemos cancelar o noivado, mas precisamos conversar pessoalmente.”Juliana apenas enviou a localização de onde estava. O ar-condicionado do café estava no máximo, enquanto lá fora o sol já começava a se pôr e o céu escurecia aos poucos. Ela estava pálida. Ao fechar os olhos, não conseguia afastar as imagens de Gustavo e Viviane Rodrigues juntos. Tão próximos, tão íntimos. Um era seu noivo. A outra, a filha biológica que os pais adotivos de Juliana haviam acabado de reencontrar. E ela? Estava sozinha, enfrentando dores intensas devido ao período menstrual e recebendo soro no hospital. Jamais imaginou que, naquele mesmo lugar, veria Gustavo segurando Viviane de maneira tão carinhosa. Quem, afinal, era Gustavo? O herdeiro de uma das famílias mais influentes da Cidade A e presidente do Grupo Costa. Um homem t