capítulo 3

         ******SARAH*****

Fico assustada quando alguém toca meu ombro, e acabo gritando.

Ao olhar para trás, vejo o Caleb.

Sarah: Você quase me matou de susto, Caleb! Por que fez isso?

Ele começa a rir da minha expressão assustada.

Caleb: O que tanto chamou sua atenção que gritei e você não me respondeu?

Sarah: Para ser sincera, nem eu sei ao certo. Foi tudo tão rápido, mas pareceu uma espécie de lobo.

Caleb: Lobo? Impossível, Sarah! Você deve ter visto errado. Os caçadores eliminaram todas as espécies da região e certamente não deixaram nenhum vivo.

Sarah: Talvez tenha sido só uma impressão. Não sei. Mas vamos embora, já chega dessa floresta.

Peguei minha mochila, subi na moto com Caleb e ele me deixou em casa. Antes de entrar, ele me puxa pela mão.

Caleb: Está tudo bem, pirralha? Desde que saímos da floresta, você não disse mais nada. Está estranha. Normalmente, você é a que mais fala aqui.

Sarah: Apenas me lembrei que preciso entregar um trabalho para a faculdade. Preciso ir. Tchau, Caleb.

Entro apressada em casa e me deparo com minha mãe, de braços cruzados.

Salomé: Muito bonito, Sarah. Eu preocupada e você se divertindo com o Caleb, só Deus sabe onde.

Não se esqueçam de que vocês já não são mais crianças. Embora tenham crescido juntos, vocês não são irmãos.

Sarah: Não se preocupe, mamãe. Eu jamais olharia para o Caleb de outra forma; ele é como um irmão para mim e eu sou como uma irmã para ele. Nunca pensei de maneira diferente.

Estávamos apenas passeando.

Salomé: Você não voltou àquela floresta que frequentavam quando eram crianças, não é? Você sabe que seu pai não aprova que vocês vão até lá.

Sarah: Mamãe, por que o papai tem tanta aversão àquele lugar? Eu não consigo entender.

Salomé: Não sei, filha, mas é melhor não ficar perguntando. Você sabe que seu pai não gosta de falar sobre isso e é importante respeitar o espaço dele.

Sarah: Às vezes, acho que o papai gosta de me controlar e esquece que já não sou mais criança. Ele mandou o Caleb me acompanhar da escola até em casa, como se eu não soubesse andar sozinha. Ele parece pensar que, por ser delegado, tem o direito de mandar em mim. Ele pode dar ordens aos empregados dele, mas não a mim.

Se meu pai pudesse, já teria me casado com aqueles amigos dele da polícia, aqueles velhos nojentos. Mas como ele não pode me obrigar, precisa respeitar a minha decisão.

Salomé: É melhor você não irritá-lo. O humor dele está péssimo, sempre chegando em casa estressado. O que costumava aliviar era a caça, mas não sei o que aconteceu na última, que ele não quis mais voltar a caçar.

Sarah: Mãe, qual tipo de animal o pai costuma caçar? Nunca tive curiosidade de perguntar.

Salomé: Ele caça diversos tipos de animais, mas o que mais o agrada é caçar lobos.

Sarah: Lobos?

Salomé: Sim, por que essa reação, Sarah?

Sarah: Por nada, estou indo para o meu quarto.

Beijei minha mãe e dirigi-me ao meu quarto. Ao me deitar na cama, olhei fixamente para o teto, refletindo sobre o lobo que avistei na floresta.

Será que meu pai tem conhecimento da presença de lobos naquela floresta? E, caso ele venha a saber, será que teria a intenção de ir até lá para eliminar os lobos remanescentes? O Caleb mencionou que os caçadores exterminaram todos os lobos, mas isso não condiz com a verdade. Será que meu pai foi um dos caçadores que matou os lobos no passado?

Existem tantas perguntas que gostaria de fazer ao meu pai, mas não posso, pois ele iria querer saber por que estou interessada, algo que nunca aconteceu antes. Na verdade, nem sei por que ainda estou pensando nisso.

Depois de alguns minutos com a mente cheia de pensamentos, acabo adormecendo.

(...)

Havia algo nas profundezas da floresta, e quanto mais eu corria para escapar daquela criatura, mais a sentia se aproximando. Parecia que nada poderia me proteger dele. Mesmo assim, busquei abrigo entre os arbustos. Mordi os lábios para conter um possível soluço ao ouvir a respiração do animal.

No entanto, era tarde demais; ele havia me encontrado. Fechei os olhos com força e abracei os joelhos.

— Sarah.

Em meio ao pânico, uma voz grave ressoou. Era humana, mas como poderia ser, se ele era um lobo?

Reunindo o pouco de coragem que me restava, voltei a correr sem olhar para trás, enquanto a escuridão me envolvia.

Comecei a correr para bem longe, sem saber aonde estava indo, e ouvi ele dizendo...

— Sarah, não adianta fugir. Não importa o quanto você corra, você será minha.

Quando percebi, encontrei-me em um abismo que parecia interminável e comecei a gritar em desespero até que... despertei assustada, o corpo suando, e olhei ao redor, como se tudo tivesse sido real. Ao olhar pela janela do meu quarto, percebi que estava aberta, o que me causou um arrepio inexplicável.

— Que sonho foi esse? Por que sonhei com o mesmo lobo da floresta?

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