capítulo 5

        .    SARAH

Permaneci deitada, tentando compreender aquele sonho perturbador. Os intensos olhos vermelhos do lobo negro não saíam da minha mente, como se estivessem gravados em minha alma. Nunca havia visto um lobo de perto, apenas em documentários na televisão, mas aquele... aquele não parecia um animal comum. Havia algo nele que despertava em mim um misto de medo e fascínio. Por que ele não me atacou? O que significava aquele olhar fixo em minha direção? As dúvidas começaram a se acumular dentro de mim como uma tempestade, intensificando minha confusão.

Seria aquele sonho um presságio? Meu coração batia acelerado apenas ao considerar essa possibilidade. Tentei afastar esses pensamentos, mas era uma tarefa impossível. Era como se algo dentro de mim já soubesse que o encontro na floresta e o sonho estavam conectados de uma maneira que eu ainda não conseguia compreender.

Suspirei profundamente e me forcei a sair da cama. Caminhei em direção à suíte, determinada a tomar um banho e tentar dissipar aquela sensação estranha. Assim que a água quente começou a escorrer pelo meu corpo, uma sensação momentânea de alívio me envolveu. Fechei os olhos, permitindo que o calor relaxasse meus músculos tensos. No entanto, de repente, a voz do sonho ecoou em minha mente, baixa e arrastada, fazendo meu corpo inteiro estremecer. Meu coração disparou e um arrepio percorreu minha espinha.

Abri os olhos, tomada de susto, e desliguei o chuveiro num impulso. O medo e a excitação se entrelaçavam dentro de mim de maneira inexplicável. Enrolei-me na toalha, tentando recuperar o controle da minha respiração. Aquilo definitivamente não era normal. Nada daquilo era normal.

Após me preparar, organizei meu quarto de forma mecânica, ainda imersa em meus pensamentos. Desci as escadas e segui diretamente para a sala de jantar. O aroma de café fresco e pão quentinho invadiu o ambiente, trazendo um pouco de normalidade àquela manhã peculiar. A mesa estava abundantemente disposta, como sempre: pães, bolo, torradas, sucos. Minha mãe sempre se excedia no café da manhã.

Ao me aproximar, percebi que Caleb já estava sentado, tomando café ao lado dela. Ele me lançou um olhar rápido, acompanhado de um sorriso discreto.

Sarah: Bom dia, mãe. Bom dia, Caleb. Como vocês estão?

Minha mãe olhou para mim com um sorriso carinhoso.

Salomé: Bom dia, minha filha. Seu pai teve que sair bem cedo. Ele recebeu uma ligação urgente e precisou ir — comentou ela, mexendo distraidamente na xícara de café. — Sente-se, ainda faltam quinze minutos para vocês irem embora.

Sarah: Meu pai raramente tem disponibilidade para compartilhar um café, almoço ou jantar comigo; isso já se tornou algo rotineiro.

Minha mãe me observa com tristeza, mas opta por não dizer nada.

Sentei-me ao lado de Caleb, servindo-me um pedaço de bolo e um copo de suco. Tentei me alimentar, mas meu apetite não era o habitual. A lembrança do sonho ainda persistia em minha mente, como uma sombra. Após terminar, limpei a boca com um guardanapo e levantei-me para abraçar minha mãe.

Sarah: Fique com Deus, mãe. Cuide-se, tá bom? — disse, dando um beijo suave na testa dela.

Ela sorriu e segurou minha mão delicadamente.

Salomé: Você também, minha filha. Tenham cuidado na moto.

Virei para Caleb, tentando aparentar mais tranquilidade do que realmente sentia.

Sarah: Vamos, Caleb. Precisamos sair antes que nos atrasemos.

Ele assentiu e se levantou, pegando as chaves do carro. Mas, antes de sairmos, senti um arrepio na nuca, como se estivesse sendo observada. Engoli em seco e, por um momento, tive a sensação de que o olhar daquele lobo ainda estava sobre mim.

O trajeto até a faculdade transcorreu de forma tranquila. Não conversei muito com Caleb, não por falta de vontade, mas porque não conseguia afastar da mente aquele sonho e a imagem do lobo na floresta. Cheguei à faculdade mais rápido do que o habitual, o que está me deixando um pouco desestabilizada. Preciso manter o foco. Agradeço pela carona e desço da moto, dirigindo-me diretamente ao hall de entrada da faculdade para aguardar a chegada das meninas.

Estava constantemente ouvindo a voz do lobo me chamando e levei um susto quando alguém colocou a mão em meu ombro. Era a Vitória.

Vitória: Você está bem, Sarah? Você está estranha e assustada.

Daiana: E sem contar a sua aparência, que está horrível.

Sarah: Estou ótima! Apenas fiquei até tarde estudando para as provas e quase não dormi. Mas vamos entrar, pois já vai começar.

Entramos na sala e, na verdade, não consegui prestar atenção nas aulas. Era como se todos os lugares que olhasse estivessem inundados por aqueles olhos vermelhos. Devo estar ficando louca, não há outra explicação.

Ao final das aulas, fomos à sorveteria, como sempre fazíamos.

Daiana: O que está acontecendo, Sarah? Você é sempre a mais inteligente da turma. O professor fez várias perguntas hoje e você não respondeu a nenhuma.

Vitória: Você está se sentindo bem, amiga? Percebi que você está um pouco abatida.

Sarah: Acho que estou precisando de umas férias; apenas isso. A faculdade está me causando um desgaste emocional maior do que eu imaginava.

Daiana: Que tal irmos a uma balada hoje à noite? Você precisa se distrair e aproveitar para dar uns beijos.

Sarah: Desculpem, meninas, mas não serei uma boa companhia.

Nesse momento, ouço a buzina da moto do Caleb.

Daiana: Você poderia me ajudar com o Caleb, não é, Sarah?

Sarah: Acredito que a ideia de você e o Caleb juntos não seria a melhor.

Daiana: Qual é o problema? Entendi, você está interessada nele, por isso não quer que ele se aproxime das amigas, com medo de que prefira a gente a uma garota que nem sequer sabe beijar.

Sarah: Saber ou não beijar é um problema meu e não tenho a obrigação de prestar contas a ninguém. Sinto-me bem assim, muito melhor do que ser chamada de fácil pelos garotos da faculdade.

Peguei minha mochila e fui em direção ao Caleb. Definitivamente, não dá para ter amizade com essas meninas.

Caleb: Que cara é essa, Sarah?

Sarah: O mesmo de sempre, Caleb. Preciso que você me leve de volta àquela floresta.

Caleb: Você ficou louca, Sarah? Você acha que não percebi que, desde ontem, você está estranha depois da sua ida à floresta? Não sei o que você viu lá, mas não vou te levar novamente.

Sarah: Se você não me levar, eu vou sozinha, Caleb. A escolha é sua.

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