Eu sabia que Olivia mentia para mim, mas nunca imaginei a extensão de sua traição. Quando Giovanni me entregou os documentos, uma frieza percorreu meu corpo. Isabella... não era minha filha. Sentei-me no sofá do meu escritório, encarando aqueles papéis como se pudessem mudar a verdade. Meu peito subia e descia lentamente, enquanto minha mente trabalhava para absorver a realidade. Olivia estava sentada à minha frente, com os olhos arregalados de medo. Ela sabia que eu havia descoberto. Sabia que seu tempo estava chegando ao fim. — O que foi, Matteo? — Sua voz tremia. Levantei o olhar para ela, segurando o papel entre os dedos. O silêncio entre nós se alongou por segundos eternos. Então, ergui a voz, fria e afiada como uma lâmina: — Isabella não é minha filha. O rosto de Olivia empalideceu. Sua respiração se tornou ofegante, as mãos tremiam sobre os joelhos. — Matteo, por favor, eu posso explicar! — Ela tentou se aproximar, mas meu olhar a fez congelar no lugar. — Explicar? Você
O motor do carro roncava baixo enquanto eu encarava a estrada à minha frente. As luzes da cidade piscavam ao longe, indiferentes ao que acabou de acontecer. Meus dedos ainda seguravam o volante com força, como se apertassem algo invisível, algo que eu não conseguia soltar. Mas eu sabia que a decisão estava tomada. Olivia se foi. E com ela, o peso de sua traição. Ao chegar em casa, a mansão estava silenciosa. Passei pelos corredores amplos, sentindo o frio do mármore sob meus pés. Meus homens sabiam que era melhor não cruzar meu caminho naquela noite. Subi as escadas devagar, meus ombros carregando um peso que não deveria estar ali. Eu havia feito o necessário. O correto. E ainda assim... Abri a porta do quarto de Isabella. A luz do abajur iluminava seu rosto sereno, seus pequenos dedos agarrando um ursinho de pelúcia. Ela dormia tranquila, alheia ao caos que sua mãe criou, alheia ao destino de Olivia. Me aproximei, sentindo algo profundo se agitar dentro de mim. Isabella não era meu
Eu estava sozinho, envolto por um silêncio que nada suavizava. Naquela tarde, o crepúsculo invadia as janelas da mansão sem oferecer qualquer conforto. Isabella se aproximou com cautela, os olhos curiosos denunciando uma dor que ela mal compreendia. — Papai, por que tudo está tão diferente? — perguntou, a voz trêmula mas esperando uma resposta que eu não sabia expressar com afeto. Eu a encarei sem mudanças na expressão, ciente de que precisava transmitir a verdade, ainda que minhas palavras soassem desprovidas de ternura. — Isabella, sua mãe não vai voltar. — declarei, de forma direta e fria, como se estivesse apenas afirmando um fato inalterável. Houve um silêncio breve enquanto eu observava a confusão se misturar à dor em seus olhos. Eu sabia que aquilo causaria sofrimento, mas não possuía o dom de amenizá-lo com palavras acolhedoras. Em vez disso, continuei com a mesma frieza controlada: — A ausência dela é permanente. Sei que é difícil compreender, mas é a realidade. Mesmo qu
Eu a conduzi até o jardim, onde o silêncio parecia mais suportável, e nos sentamos em um banco, perto de algumas flores. Isabella estava quieta, com os olhos baixos, o peso de algo que ela ainda não conseguia entender claramente estampado no rosto. Eu sentia que ela precisava falar, mas também sabia que as palavras dela viriam do fundo de um coração pequeno, tentando entender a imensidão do que estava acontecendo. Depois de alguns minutos, ela finalmente quebrou o silêncio. — Angeline... eu… eu queria pedir desculpa. — Sua voz era tímida, quase um sussurro. Ela olhou para mim com os olhos cheios de um medo que me fez apertar o peito. — Desculpa? — Perguntei, suavemente, sem saber onde ela queria chegar. Ela mordeu o lábio, olhando para as mãos, como se tentasse encontrar coragem. — Eu… eu falei que você me empurrou. Mas não foi assim, né? Eu menti. — Sua voz tremia, como se a confusão e a culpa estivessem amarradas nela. Eu a olhei, o coração apertado. Isabella era apenas uma cr
A sala estava tranquila, a luz suave entrando pelas grandes janelas. O som do relógio no canto parecia mais alto do que o normal, como se o tempo estivesse se arrastando lentamente, me lembrando da tensão que pairava no ar. Eu não conseguia tirar o que aconteceu do meu pensamento. O tapa de Matteo ainda ecoava na minha mente, e o impacto não havia sido apenas físico. A raiva dele, a frieza... eu sabia que ele estava quebrado, mas isso não justificava o que fez. Não justificava a dor que ele causava, a dor que ele ainda estava causando em Isabella, e talvez até em mim. Sofia entrou na sala com uma expressão séria, seus olhos examinando-me como se tentasse perceber a raiz de minha angústia. Eu sabia que ela via mais do que apenas a superfície, e naquele momento, precisava de alguém com quem falar. Alguém que não fosse Matteo. Ela sentou-se ao meu lado, sem dizer uma palavra, mas a presença dela era reconfortante. Sofia sempre teve uma maneira de ser silenciosa e observadora, e parecia
Eu o olhei em silêncio, absorvendo cada palavra que ele havia dito. Havia algo diferente na maneira como Matteo falava sobre seu pai, sobre o que ele havia se tornado por causa daquele homem. Algo que eu nunca havia percebido antes. E, ao mesmo tempo, algo que me fazia entender melhor a dura realidade que ele enfrentava. Eu queria sentir raiva, queria gritar, queria dizer que ele ainda podia mudar. Mas, no fundo, eu sabia que ele estava certo. O homem que ele se tornou não era alguém fácil de amar, alguém fácil de entender. Ele era produto de um sistema que o havia moldado, e eu estava começando a ver como isso o destruía aos poucos. Ele era uma vítima, mas também um algoz. E, talvez, esse fosse o pior tipo de prisão: a que ele mesmo havia criado. — Então, é isso? — minha voz saiu mais fraca do que eu queria, mas não havia força para gritar. — Você vai continuar com isso? Com essa... frieza, Matteo? Vai continuar afastando as pessoas ao seu redor? Vai continuar me tratando como um o
Eu fiquei ali, na escuridão do quarto de Isabella, ouvindo sua respiração suave e calma, tentando encontrar alguma paz no meio do caos que ainda estava acontecendo fora daquela porta. O peso da situação era inegável, mas naquele momento, o que eu mais queria era poder afastar todo o sofrimento que Isabella carregava. Ela não merecia essa dor, não merecia ser levada para esse mundo sombrio tão cedo. Ela dormia tranquilamente ao meu lado, completamente alheia ao que estava acontecendo. Isabella era só uma criança. Ela não tinha culpa de nada disso. Mas a maneira como Matteo havia conduzido tudo… aquilo me deixava sem ar. Ele não sabia, ou não queria, ser o pai que ela precisava. Ele nunca saberá, ou talvez nunca tivesse a capacidade. Eu me perguntava se ele realmente se importava com ela ou se ela era apenas mais uma responsabilidade para ele, mais uma parte do jogo que ele tinha que jogar. Eu sabia que Matteo era um homem complicado. Eu sabia que ele não sabia como lidar com os senti
Eu me escondi na penumbra, no canto escuro da sala, onde a luz fraca do telefone iluminava apenas o suficiente para ver minha própria expressão calculista. O ambiente estava pesado, como se o ar tivesse se tornado mais denso, mais difícil de respirar. Tudo ao meu redor estava em silêncio, mas eu sabia que o que acontecia do outro lado da linha era tudo o que importava agora. Segurei o telefone com firmeza, a voz baixa e grave do outro lado da linha chegando com clareza, mas carregada de mistério. Eu já estava acostumado com aquela voz, sempre oculta, sempre sem rosto. O que importava era o que estava sendo dito, e o que ainda não havia sido dito. — Eu sei o que estou fazendo. — Minha voz soou fria e segura, como sempre. — Angeline... Tenho certeza de que ela trairá Matteo. Não há como negar isso. O comportamento dela mudou, a maneira como ela se afasta de tudo e todos. Do outro lado da linha, uma pausa. A respiração ficou mais pesada, mas não havia respostas imediatas, apenas o sil